{"id":45202,"date":"2017-11-29T09:08:38","date_gmt":"2017-11-29T11:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45202"},"modified":"2018-01-22T10:38:25","modified_gmt":"2018-01-22T12:38:25","slug":"musica-campos-neutrais-vitor-ramil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/29\/musica-campos-neutrais-vitor-ramil\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cCampos Neutrais\u201d, Vitor Ramil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pressa \u00e9 uma das palavras que realmente n\u00e3o se comunica com o trabalho de Vitor Ramil, muito menos com a rela\u00e7\u00e3o que devemos ter com suas can\u00e7\u00f5es, por isso mesmo esse texto ficou marinando por um bom tempo, pois a cada nova audi\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cCampos Neutrais\u201d outras coisas iam surgindo e criando espa\u00e7o. O trabalho de Ramil tem essa pseudo simplicidade, ele parece ao primeiro momento bastante direto, mas vamos aos poucos descobrindo as diferentes camadas e possibilidades que surgem em suas propostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase cinco anos depois de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/29\/disco-do-ano-thiago-pereira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Foi No M\u00eas Que Vem<\/a>\u201d, \u00e1lbum duplo que revisitava sua carreira, o pelotense Vitor Ramil retorna as can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas em \u201cCampos Neutrais\u201d, trabalho que mais uma vez mostra a sua for\u00e7a como compositor, mas, al\u00e9m disso, mostra tamb\u00e9m como o m\u00fasico \u00e9 cada vez mais cuidadoso e delicado. Em mais de uma hora de disco, \u00e9 poss\u00edvel notar a meticulosa produ\u00e7\u00e3o, que cria um universo bastante coeso, mas em nenhum momento repetitivo, que passeia por diferentes sonoridades, nos levando a essa viagem que est\u00e1 presente em suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho de Vitor \u00e9 sempre calcado numa territorialidade, \u00e9 como se cada can\u00e7\u00e3o se estabelecesse geograficamente, <a href=\"http:\/\/www.vitorramil.com.br\/estetica.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criando essa est\u00e9tica do frio<\/a> que ele h\u00e1 tempos versa sobre. Gravado em Porto Alegre, \u201cCampos Neutrais\u201d, em sua premissa, canta sobre uma hist\u00f3rica faixa de terra desabitada no atual Rio Grande do Sul que n\u00e3o pertenceria nem a Espanha nem a Portugal, esse territ\u00f3rio de ningu\u00e9m que seriam os campos neutrais. Esse simbolismo \u00e9 o ponto de partida para que Ramil cante as diferentes cidades por onde passou, a\u00ed vemos Londres, Montevid\u00e9u, Porto Alegre e, claro, a sua Pelotas, transformada na j\u00e1 m\u00edtica Satolep.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-45204\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/camposneutrais.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"669\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/camposneutrais.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/camposneutrais-300x268.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o processo de produ\u00e7\u00e3o do disco, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/23\/entrevista-vitor-ramil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conversei com Vitor Ramil e ele afirmava<\/a>: \u201cestou entre as culturas platinas e a grande cultura brasileira, com tudo isso convergindo na minha cabe\u00e7a, pois a gente est\u00e1 numa \u00e1rea geograficamente privilegiada, culturalmente de transi\u00e7\u00e3o entre esses mundos, ent\u00e3o posso dizer que gravei um disco aqui, no centro de uma outra hist\u00f3ria e as pessoas vieram gravar comigo. Veio o Chico C\u00e9sar, veio o Zeca Baleiro, e eu gravei uma m\u00fasica do Dylan, um poema de um portugu\u00eas, outra de um galego, criei uma coisa diversificada com gente de v\u00e1rias culturas, mas feito aqui (no Sul)\u201d. Essas diferentes inser\u00e7\u00f5es de outras personas d\u00e3o essa multiplicidade ao disco, tanto que mesmo as d\u00edspares presen\u00e7as de Chico ou Zeca n\u00e3o soam desconexas, parecem integradas de forma certeira ao universo de Ramil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa \u201cStradivarius\u201d, por exemplo, \u00e9 um poema da tamb\u00e9m pelotense Ang\u00e9lica Freitas, e que soa como uma can\u00e7\u00e3o t\u00edpica de Vitor, se aqui n\u00e3o estamos em nenhuma cidade, estamos ainda geograficamente localizados: num avi\u00e3o a despencar, em meio a uma can\u00e7\u00e3o que cita de B\u00e9la Bart\u00f3k a Klaus Kinski e ainda soa saborosamente pop. \u201cSe Eu Fosse Algu\u00e9m\u201d, entoada a capela por Gutcha Ramil, se ouvida sozinha tamb\u00e9m pareceria desconexa do universo do disco, mas no todo soa como um momento de dolorosa beleza que abre-alas para a forte \u201cPalavra Desordem\u201d, com seus versos a cravar \u201cInaugurem formas de ser \/ Sejam um come\u00e7o sem fim\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2IZRv0BUHms?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolhas por diferentes l\u00ednguas tamb\u00e9m funcionam de forma harm\u00f4nica: \u201cAngel Station\u201d \u00e9 forte e bela, podendo ser entoada por qualquer grupo de rock; \u201cLado Monta\u00f1a, Lado Mar\u201d \u00e9 delicada e envolvente; \u201cDuerme, Montevideu\u201d mescla espanhol e portugu\u00eas de forma melanc\u00f3lica, a dizer \u201cViver \u00e9 maior que a realidade\u201d; \u201cTierra\u201d, linda no original de Xoel L\u00f3pez, ganha vers\u00e3o equivalentemente bela em portugu\u00eas (fica a esperan\u00e7a que os dois gravem uma vers\u00e3o juntos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo modo, o momento preferido de \u201cCampos Neutrais\u201d \u00e9 \u201cLabirinto\u201d, faixa de amor dolorosa e de rara beleza, can\u00e7\u00e3o quase arquet\u00edpica do universo de Ramil, mas ainda assim t\u00e3o distinta e com ares novos, que nos mostram a sua intensidade como compositor. Tenho ganas de transcrever aqui a letra na \u00edntegra, mas deixo apenas os versos \u201cO amor s\u00e3o loucos descaminhos \/ Sem \u00e1rvores, sem pouso, sem um ninho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, para encerrar esse texto retornamos ao in\u00edcio: o trabalho de Vitor Ramil nos pede tempo, nos pede aten\u00e7\u00e3o, imers\u00e3o. E \u201cCampos Neutrais\u201d \u00e9 mais um cap\u00edtulo de irretoc\u00e1vel beleza dentro da obra do ga\u00facho, por isso vale a sua audi\u00e7\u00e3o de forma carinhosa, a atentar-se a cada nota, a cada verso, a cada detalhe, pois \u00e9 um disco constru\u00eddo nas min\u00facias, alcan\u00e7ando a grandiosidade presente na simplicidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gHgGITxGOfs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e colabora com o sites\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O trabalho de Vitor \u00e9 sempre calcado numa territorialidade, \u00e9 como se cada can\u00e7\u00e3o se estabelecesse geograficamente, criando essa est\u00e9tica do frio que ele h\u00e1 tempos versa sobre\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/29\/musica-campos-neutrais-vitor-ramil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":45203,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1651],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45202"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45202"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45205,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45202\/revisions\/45205"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}