{"id":45111,"date":"2017-11-21T09:56:47","date_gmt":"2017-11-21T11:56:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45111"},"modified":"2017-12-19T09:38:24","modified_gmt":"2017-12-19T11:38:24","slug":"entrevista-selton-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/21\/entrevista-selton-2017\/","title":{"rendered":"Entrevista: Selton (2017)"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMais do que criar fronteiras, estamos num per\u00edodo hist\u00f3rico em que \u00e9 preciso criar pontes\u201d. Dita por qualquer pessoa, \u00e9 preciso reconhecer, essa frase pode soar um pouco clich\u00ea. Quando sai da boca de Ramiro Levy, vocalista e guitarrista da Selton, no entanto, ela \u00e9 um lema de vida. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa: formada por quatro ga\u00fachos, a banda se juntou em Barcelona, tocando Beatles em meio a obras de Gaud\u00ed, imigrou para a It\u00e1lia e de l\u00e1, toca uma carreira dividida ao meio pelo Atl\u00e2ntico e pelo Mediterr\u00e2neo, tanto em forma quanto em conte\u00fado. O mais recente passo nessa jornada \u00e9 o disco \u201cManifesto Tropicale\u201d, lan\u00e7ado na It\u00e1lia em setembro (<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/26KJ8f7w5P9yQg6JTF5rrH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou\u00e7a no Spotify<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos discos anteriores, a Selton falava sobre a saudade de casa (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/07\/scream-yell-recomenda-selton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saudade<\/a>\u201d, de 2013) e sobre a necessidade de se fazer de qualquer lugar um para\u00edso (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/19\/download-selton-disponibiliza-novo-single\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Loreto Paradiso<\/a>\u201d, de 2016). Agora, a palavra de ordem \u00e9 misturar, curtindo a dor e a del\u00edcia de se ser um imigrante, tudo ao mesmo tempo. N\u00e3o \u00e0 toa, a banda se inspira em Oswald de Andrade, dedica o disco \u00e0 \u201cMacuna\u00edma e a Semana de 22, o Masp e Bo Bardi, Caetano Gil e Duprat\u201d e comete uma can\u00e7\u00e3o chamada \u201cTupi or Not Tupi\u201d \u2013 na qual se pergunta se quer \u201cser \u00edndio ou ser indie\u201d ao mesmo tempo em que pisca o olho para a estrela pop Rihanna (\u201cbitch, better have my money!\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das refer\u00eancias e da sonoridade \u201ctipo exporta\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cManifesto Tropicale\u201d \u00e9 o disco mais italiano da banda desde a estreia \u2013 das 10 m\u00fasicas, apenas uma \u00e9 cantada inteiramente em portugu\u00eas. \u201cFoi algo mais natural para a gente escrever em italiano dessa vez. Al\u00e9m disso, quisemos ter apenas um disco, em vez de fazer duas vers\u00f5es. Manifesto n\u00e3o pode ter tradu\u00e7\u00e3o\u201d, conta Ramiro ao Scream &amp; Yell, em uma conversa feita pelo chat de v\u00eddeo do WhatsApp em uma manh\u00e3 de novembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, \u00e9 o reflexo de uma banda cuja carreira italiana come\u00e7a a se deslocar do indie para o mainstream, com direito a um contrato com a Universal. \u201cAquele mito da gravadora que coloca a banda independente na geladeira n\u00e3o est\u00e1 acontecendo com a gente\u201d, diz o vocalista. A parceria com a gravadora ajudou a banda a gravar o disco em Londres com o produtor Tommaso Colliva (Muse, Twilight Singers, Franz Ferdinand), em um est\u00fadio no meio de um mercado de peixe, e a rodar as r\u00e1dios. \u201cCuoricinici\u201d \u2013 um jogo de palavras entre \u201ccora\u00e7\u00e3ozinho\u201d (cuoricini) e \u201cc\u00ednico\u201d (cinici) \u2013 e \u201cLuna In Riviera\u201d j\u00e1 ganharam alta rotatividade nas ondas sonoras italianas. No entanto, os Seltons ainda mant\u00e9m atividades paralelas \u00e0 banda \u2013 at\u00e9 por op\u00e7\u00e3o. \u201cQuando a banda \u00e9 o teu ganha-p\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 obrigado a fazer qualquer coisa. Se n\u00e3o \u00e9, voc\u00ea pode ser mais seletivo, e paradoxalmente, tem mais liberdade\u201d, explica Ramiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, o vocalista da Selton fala mais sobre \u201cManifesto\u201d e suas inspira\u00e7\u00f5es (de Caetano Veloso a Dirty Projectors), sobre o momento da Selton na It\u00e1lia e claro, sobre como recebem as not\u00edcias do Brasil. \u201c\u00c9 inacredit\u00e1vel pensar que em 2017 exista um cara como o Temer e que ele esteja fazendo o que est\u00e1 fazendo na cara de todo mundo.\u201d O momento ruim do Pa\u00eds, por\u00e9m, n\u00e3o faz com que a banda queira virar as costas ao Brasil. \u201cA gente precisa dar um jeito de conseguir fazer uma turn\u00ea no Brasil ano que vem!\u201d Com voc\u00eas, entre o \u00edndio e o indie, Selton!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/knS2PtNozec?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 o \u201cManifesto Tropicale\u201d? Por que esse nome e o que voc\u00eas querem dizer com ele?<\/strong><br \/>\nA inspira\u00e7\u00e3o para o t\u00edtulo vem do \u201cManifesto Antropof\u00e1gico\u201d, do Oswald de Andrade. Foi uma refer\u00eancia que veio muito na nossa cabe\u00e7a durante o processo de cria\u00e7\u00e3o do disco. Na verdade, j\u00e1 faz algum tempo que a gente busca sintetizar nossas influ\u00eancias em algo que nos representa esteticamente. \u00c9 tamb\u00e9m uma busca por autoconhecimento, de quem n\u00f3s somos, e quanto mais n\u00f3s buscamos, mais percebemos que essa quest\u00e3o da antropofagia cultural est\u00e1 muito presente na nossa hist\u00f3ria, como banda. Achamos interessante o que o Oswald fala, da cultura brasileira ter essa natureza de absorver as coisas que vem de fora, digerir e misturar, se apropriando das coisas. Todos n\u00f3s na banda somos de fam\u00edlias imigrantes: meu pai \u00e9 eg\u00edpcio, com origens gregas e italianas. O [baterista Daniel] Plentz tem parentes alem\u00e3es e portugueses. J\u00e1 o [guitarrista] Ricardo [Fischmann] e o Dudu [o baixista Eduardo Stein Dechtiar] t\u00eam origem da Pol\u00f4nia, do Leste da Europa. A gente faz parte desse caldeir\u00e3o que \u00e9 o Brasil, e hoje estamos em Mil\u00e3o, vendo uma Europa cada vez mais tropical. Em nenhum momento, a Europa teve tanta influ\u00eancia de culturas de fora como hoje. Em Loreto, o bairro que a gente mora aqui em Mil\u00e3o, voc\u00ea encontra mais restaurantes chineses, africanos ou equatorianos do que uma cantina para comer macarr\u00e3o. (risos) A escolha do t\u00edtulo do disco resume isso: para falar da nossa natureza de fagocitar coisas, mas tamb\u00e9m do que acontece ao nosso redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00faltimo disco de voc\u00eas chamava \u201cLoreto Paradiso\u201d, uma homenagem ao bairro que voc\u00eas moram em Mil\u00e3o. Acho que tem uma piada a\u00ed que n\u00e3o t\u00e1 bem explicada: Loreto n\u00e3o \u00e9 um para\u00edso, ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9 verdade. Loreto \u00e9 um bairro muito ca\u00f3tico, bastante metropolitano, e cheio de imigrantes. Nosso pr\u00e9dio \u00e9 cheio de americanos, espanh\u00f3is, franceses, gente de tudo que \u00e9 lado. \u00c9 algo que est\u00e1 muito longe do que tu espera ser um para\u00edso. O disco anterior chamava \u201cLoreto Paradiso\u201d pela ideia de tentar transformar o lugar que a gente est\u00e1 no lugar ideal, mesmo que ele esteja longe disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cManifesto Tropicale\u201d \u00e9 o disco de voc\u00eas com menos m\u00fasicas em portugu\u00eas desde o \u201cSelton\u201d, de 2010. Ao contr\u00e1rio dos \u00faltimos discos, que tinham uma vers\u00e3o brasileira e uma italiana, o \u201cManifesto\u201d tem s\u00f3 a vers\u00e3o \u201citaliana\u201d. Por que isso?<\/strong><br \/>\nOptamos dessa vez por fazer um disco \u00fanico. D\u00e1 muito trampo fazer duas vers\u00f5es, e \u00e9 dif\u00edcil digerir dois discos. Outro problema \u00e9 que isso confunde muito os servi\u00e7os de streaming. Al\u00e9m disso, decidimos focar em um disco s\u00f3 porque ele \u00e9 um manifesto. Manifesto n\u00e3o pode ter vers\u00e3o ou tradu\u00e7\u00e3o. Quando est\u00e1vamos gravando, pensamos que ficou faltando m\u00fasica em portugu\u00eas, mas hoje foi muito mais natural escrever mais em italiano. Come\u00e7amos a entender isso no momento em que percebemos o contraste: o disco tem uma sonoridade mais brasileira, mas \u00e9 o que tem mais letras em italiano. Considerando a ideia do \u201cManifesto\u201d, de fagocitar culturas, isso fez muito mais sentido para a mensagem do que a gente quer passar do que ter vers\u00f5es traduzidas. Achamos que alguma coisa ia se perder no caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar do disco propor um manifesto tropical, ele \u00e9 bastante introspectivo \u2013 talvez o mais introspectivo da carreira da banda. Faz sentido?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 algo vem do nosso processo. No \u201cLoreto Paradiso\u201d, as melodias podiam ser para \u201ccima\u201d, mas ele era um disco com letra mais profundas e introspectivas. O \u201cManifesto Tropicale\u201d segue essa toada, com a busca pelas ra\u00edzes, quem n\u00f3s somos e o que acontece ao nosso redor. \u00c9 bem natural, eu acho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 o processo de composi\u00e7\u00e3o de voc\u00eas? A letra vem em portugu\u00eas, italiano, ingl\u00eas, vem primeiro a m\u00fasica? Como \u00e9?<\/strong><br \/>\nOs quatro membros da banda escrevem, e os quatro escrevem em qualquer l\u00edngua. O que costuma acontecer \u00e9 que normalmente algu\u00e9m chega com suas ideias, mais ou menos prontas, e depois todo mundo come\u00e7a a colocar a m\u00e3o. \u00c0s vezes, a m\u00fasica chega pronta e a gente s\u00f3 tem de arranjar, \u00e0s vezes \u00e9 um trabalho mais colaborativo. Mas todo mundo traz ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cLoreto\u201d saiu no in\u00edcio de 2016. Quando voc\u00eas gravaram o \u201cManifesto\u201d?<\/strong><br \/>\nO \u201cManifesto\u201d saiu em 1\u00ba de setembro. Gravamos entre o fim de maio e o in\u00edcio de junho. Foi algo bem legal: nos \u00faltimos discos, a grava\u00e7\u00e3o foi dividida entre Mil\u00e3o e Londres, que \u00e9 onde mora o nosso produtor, o Tommaso Colliva. Dessa vez, a gente conseguiu gravar tudo l\u00e1 com ele, no est\u00fadio dele, o Fish Factory. \u00c9 um est\u00fadio que fica dentro de um mercado de peixe, todo constru\u00eddo em madeira, feito \u00e0 m\u00e3o pelo Tommaso. Ele \u00e9 um italiano que foi pra Londres h\u00e1 30 anos e construiu tudo \u00e0 m\u00e3o. Passar duas semanas com ele l\u00e1 foi um processo bem diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria perguntar sobre como surgiram algumas m\u00fasicas. A primeira delas \u00e9 \u201cCuoricinici\u201d. Eu n\u00e3o falo italiano, mas ouvi o \u201cvaffanculo\u201d, fiquei bem surpreso\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9, ent\u00e3o (risos). Essa m\u00fasica fui eu quem escrevi, e ela nasceu praticamente pronta. Ela fala (risos)&#8230; como eu vou explicar? Ela \u00e9 sobre uma garota com quem eu havia\u2026 eu tinha conhecido biblicamente. A gente ficou uma vez, e no dia seguinte eu ia viajar de f\u00e9rias. Escrevi pra ela, ela me desejou boa viagem e eu fui embora. N\u00e3o escrevi para ela nas f\u00e9rias, fui para Portugal, e a\u00ed s\u00f3 quando eu voltei \u00e9 que eu mandei um al\u00f4. Ela respondeu furiosa, \u201cn\u00e3o sei quem tu acha que eu sou pra me deixar sem responder\u2026\u201d. Para piorar, essa mo\u00e7a estava vindo de uma hist\u00f3ria gigante, oito anos de namoro, e eu era primeiro cara que ela saiu depois dessa hist\u00f3ria. Eu s\u00f3 pedi pra ela pegar leve. O \u201cvaffanculo\u201d vem da\u00ed, \u00e9 quase como que ela n\u00e3o tava apaixonada por mim, ela s\u00f3 queria algu\u00e9m para preencher um espa\u00e7o. \u201cTu me busca s\u00f3 pra sentir segura \/ de forma breve\u2026 vaffanculo!\u201d. \u00c9 engra\u00e7ado que hoje tem uma galera que se identificou muito com essa hist\u00f3ria, \u00e9 algo bem recorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra m\u00fasica que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi \u201cJael\u201d.<\/strong><br \/>\n\u201cJael\u201d \u00e9 do Plentz. Ele fez ela quando a v\u00f3 dele morreu. A m\u00fasica nasceu assim, \u00e9 tamb\u00e9m um diamante bruto. Depois, eu ajudei a dar um pouco de forma, mas era uma daquelas m\u00fasicas t\u00e3o \u00edntimas que ele n\u00e3o queria nem colocar para a banda. Mas quando ele me mostrou, falei pra ele que tinha algo importante ali. Ela tem algo que vai direto na barriga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u201cTupi or Not Tupi\u201d?<\/strong><br \/>\n\u00c9 a maior refer\u00eancia do \u201cManifesto Antropof\u00e1gico\u201d, n\u00e9? \u00c9 uma cita\u00e7\u00e3o direta do \u201cManifesto\u201d, mas tentamos traz\u00ea-la para a nossa realidade, de ser brasileiro, falar italiano, ser indie ou ser \u00edndio, toda essa colagem de coisas. E ainda tem a Rihanna (\u201cbitch better have my money!\u201d) ali no meio. \u201cH\u00e1 dez anos se fudendo, e ainda tem que ser indie ou ser \u00edndio?\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VwHTtQny3II?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas ouviram para fazer o \u201cManifesto Tropicale\u201d &#8211; e j\u00e1 vou pedir para pular as refer\u00eancias \u00f3bvias, que s\u00e3o o Devendra Banhart e o Caetano Veloso\u2026<\/strong><br \/>\n(risos) Tu falou bem, Caetano Veloso \u00e9 a massa dessa pizza, principalmente nesse disco, ele foi uma refer\u00eancia constante. Eu queria pular ele, mas eu sempre volto\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele est\u00e1 at\u00e9 nos agradecimentos\u2026<\/strong><br \/>\nSim! Nos anos 1960, o Caetano foi o primeiro a levantar o discurso da antropofagia cultural depois dos modernistas. Naquela \u00e9poca, ele j\u00e1 falava em p\u00f3s-globaliza\u00e7\u00e3o, e que rock e bossa nova convivem sim, e que o Brasil \u00e9 esse caldeir\u00e3o mesmo. Ele foi uma grande refer\u00eancia. Fora isso, o que a gente tem escutado? (pensa um pouco) A gente quase enlouqueceu com o disco do Dirty Projectors, que a gente estava esperando h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um disco complicado, tem toda a separa\u00e7\u00e3o da banda no meio, n\u00e9? [A separa\u00e7\u00e3o, no caso, \u00e9 do vocalista David Longstreth com a tamb\u00e9m vocalista Amber Coffman. Antes do disco novo, auto-intitulado, Amber deixou a banda].<\/strong><br \/>\n\u00c9 inacredit\u00e1vel. Aquele cara \u00e9 um g\u00eanio do mal, maldito, e ele tem uma no\u00e7\u00e3o de est\u00e9tica, de arranjos e harmoniza\u00e7\u00e3o de vozes, de mixagem, cortar e copiar, \u00e9 algo muito inspirador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostei do disco, mas eu senti falta da voz da menina [Amber]. Comecei a ouvir o Dirty Projectors por culpa de \u201cThe Socialites\u201d, que ela faz um puta solo.<\/strong><br \/>\nSim, sim, vou dizer que n\u00e3o sentir tanto a falta dela, sinceramente. Sempre achei que o cara era um g\u00eanio do mal, mas o Dirty Projectors foi uma baita refer\u00eancia. Tamb\u00e9m escutamos muita coisa de m\u00fasica italiana, algumas coisas dos anos 1960, como o Lucio Dalla, e tem algumas coisas atuais muito bacanas aqui, Motta, Calcuta. Do Brasil, tem o Tim Bernardes\u2026 que grande disco, puta merda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu levei esse disco pra terapia\u2026<\/strong><br \/>\nAcredito! (risos). Ele veio depois que o \u201cManifesto\u201d tinha sa\u00eddo, mas eu estou escutando muito ele. Tenho descoberto muita coisa nova, Whitney, que a gente viu no Primavera Sound, foi um grande show. Mac DeMarco \u00e9 incr\u00edvel, tenho escutado muito hip hop, tamb\u00e9m. Anderson Paak, Kendrick Lamar, tem rolado muita coisa boa no hip hop ultimamente. Vamos absorvendo meio que um pouco de tudo. Solange fez um disca\u00e7o. E Noname, \u00e9 uma rapper americana, inacredit\u00e1vel, fez um disco muito foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cManifesto\u201d est\u00e1 saindo na It\u00e1lia pela Universal. Como \u00e9, em pleno 2017, estar assinado com uma gravadora?<\/strong><br \/>\nNos \u00faltimos anos, houve essa onda universal das bandas se tornarem mais independentes. As gravadoras todas pareciam monstros, de alguma maneira. Acho que foi um processo saud\u00e1vel: as bandas come\u00e7aram a se responsabilizar mais pelo conte\u00fado que criam, pela promo\u00e7\u00e3o que fazem e pela forma como conversam com o p\u00fablico. Na It\u00e1lia, isso aconteceu tamb\u00e9m, mas recentemente come\u00e7ou a rolar um crossover entre o indie e o mainstream. V\u00e1rios projetos independentes come\u00e7aram a dar passos grandes em dire\u00e7\u00e3o ao mainstream, rolando um interc\u00e2mbio entre os dois setores, que sempre foram separados. Antes, voc\u00ea assinava com gravadora e ficava gigante, ou vivia no mundo independente. Agora, existe esse interc\u00e2mbio: a Universal nos viu tocando num festival em Mil\u00e3o, piraram com o show e fizeram uma proposta. Ficamos com o p\u00e9 atr\u00e1s, fizemos um monte de exig\u00eancias, negociamos bem para ter um puta dum contrato. Nesse momento estamos muito contentes: aquele mito da gravadora que n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed pra banda independente, coloca na geladeira, isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo pra gente. A maior mudan\u00e7a \u00e9 que agora tem mais gente dando sangue pela banda, al\u00e9m de maior capilaridade nos servi\u00e7os de streaming e no r\u00e1dio, que ajudam bastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar da proximidade afetiva que o Brasil tem com a It\u00e1lia, \u00e9 dif\u00edcil mensurar daqui o tamanho da banda a\u00ed na Europa. J\u00e1 d\u00e1 para dizer que o Selton \u00e9 uma banda grande?<\/strong><br \/>\nAntes, a gente era uma banda m\u00e9dia-pequena, agora a gente j\u00e1 est\u00e1 virando uma banda de m\u00e9dio porte, com possibilidade de crescer mais. Com o \u201cLoreto Paradiso\u201d, a banda teve um crescimento bem importante com \u201cVoglia di Infinito\u201d, uma m\u00fasica que n\u00e3o est\u00e1 na vers\u00e3o brasileira do disco. Aqui na It\u00e1lia, ela foi o single, e mais que isso, foi a chave para as pessoas entenderem o nosso mundo. Foi a primeira m\u00fasica que come\u00e7ou a rolar direto na r\u00e1dio. A partir dela, os shows come\u00e7aram a ter mais gente, as pessoas cantavam mais as m\u00fasicas, conseguimos ver mesmo o poder da r\u00e1dio. Com o \u201cManifesto\u201d, j\u00e1 emplacamos duas nas r\u00e1dios, \u201cCuoricinici\u201d e \u201cLuna Riviera\u201d. Estamos curiosos para ver como vai ser essa turn\u00ea de fim de ano, que vamos fazer para lan\u00e7ar o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 o mercado de shows na It\u00e1lia? Tem demanda nas cidades pequenas?<\/strong><br \/>\nTem bastante, isso \u00e9 algo bem positivo. Aqui as turn\u00eas s\u00e3o divididas por esta\u00e7\u00f5es. No inverno se toca em lugares menores, nos clubes, e no ver\u00e3o se toca muito em festivais ao ar livre. Tem bastante demanda ao longo do ano, e em v\u00e1rios lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00eas se apresentam? A Selton, a\u00ed, \u00e9 uma banda brasileira ou italiana?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s somos uma banda brasileira. Isso aqui tem for\u00e7a, o fato de n\u00e3o ser daqui nos d\u00e1 muita propriedade. Estamos cada vez mais apontando para a mistura, brasileiros que come\u00e7aram em Barcelona e agora moram na It\u00e1lia. Esse mix \u00e9 uma das nossas grandes for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 o \u201cmodelo de neg\u00f3cios\u201d da Selton hoje? Isso \u00e9: como a banda se sustenta?<\/strong><br \/>\nCom os anos, cada um desenvolveu outras atividades, e tudo a gente concilia com a banda. Por sorte, a gente depende cada vez menos dessas outras coisas, mas s\u00e3o trabalhos que a gente curte fazer. Eu dou aulas de canto, guitarra, viol\u00e3o, ukulele&#8230; al\u00e9m disso, comecei a tocar com um rapper tamb\u00e9m. O nome dele \u00e9 Ghemon, ele \u00e9 um cara bem grande aqui, a gente fez algumas m\u00fasicas juntos pro \u00faltimo disco dele, tamb\u00e9m j\u00e1 fiz turn\u00ea com o cara enquanto a Selton estava em pausa. O Plentz trabalhou nos \u00faltimos anos num site de crowdfunding italiano, e agora ele est\u00e1 trabalhando com o Nic Cester. Lembra do Jet? O Nic Cester \u00e9 o vocalista do Jet! Ele agora mora na It\u00e1lia e gravou um disco solo. Mais do que tocar com o Nick, ele tamb\u00e9m faz a ponte entre o gerenciamento australiano e italiano. O Dudu \u00e9 gr\u00e1fico, n\u00e9, ent\u00e3o ele trabalha num est\u00fadio gr\u00e1fico, e o Ricardo trabalha numa ag\u00eancia de booking, vende show de outras bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o <a href=\"http:\/\/pornoperbambini.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Porno per Bambini<\/a> [projeto que une imagens er\u00f3ticas a tra\u00e7os de crian\u00e7a] \u00e9 do Dudu?<\/strong><br \/>\n\u00c9. \u00c9 um neg\u00f3cio genial, e na real o Porno per Bambini vende horrores, v\u00e1rios quadros, est\u00e1 melhor que todo mundo. \u00c9 muito bom (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 importante falar de dinheiro: ainda existe a ilus\u00e3o de que o artista que faz muitos shows fecha as contas, e nem sempre \u00e9 assim\u2026<\/strong><br \/>\nNem sempre, n\u00e9? Na nossa hist\u00f3ria, sempre ganhamos mais com shows e com as vendas nos shows. Conseguimos vender bastante merchandising nos shows. Aqui, uma boa fonte de receita que a gente tem \u00e9 de direitos autorais: a cada seis meses chega uma grana relativa tanto aos shows quanto \u00e0s execu\u00e7\u00f5es em r\u00e1dio. J\u00e1 o lado digital, seja streaming ou venda de m\u00fasica, at\u00e9 hoje nunca nos deu muita grana. Quem sabe isso muda com a Universal. Teve um per\u00edodo que a gente apostava tudo na banda e dedicava todos nossos recursos para ela. E a\u00ed a gente se deu conta de que isso n\u00e3o era nem um pouco saud\u00e1vel. Se a banda n\u00e3o d\u00e1 grana, mas tu joga todas as tuas fichas num lance que n\u00e3o d\u00e1 certo, a press\u00e3o aumenta muito. Quando a gente come\u00e7ou a investir tempo em outras ideias, ajudou muito. Paradoxalmente, ter outros projetos nos permitiu investir mais na banda. Quando a banda vira o teu ganha-p\u00e3o, tu \u00e9 obrigado a fazer qualquer coisa. Quando aquilo n\u00e3o \u00e9 mais o ganha-p\u00e3o, tu pode ser mais seletivo, porque tu n\u00e3o t\u00e1 dependendo extremamente daquela grana. \u00c9 uma vis\u00e3o interessante. Al\u00e9m disso, cada um ter seus projetos ajuda a arejar muito as nossas ideias. Idealmente, o ideal \u00e9 que role um overlap depois e todo mundo possa largar os outros trabalhos. Devagarinho, isso come\u00e7a a acontecer, porque a banda est\u00e1 come\u00e7ando a crescer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xTmIq9xZwks?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 ser uma banda imigrante no momento conservador e fascista que a gente vive hoje? Tem preconceito com voc\u00eas na It\u00e1lia?<\/strong><br \/>\nTem. A gente fala bastante disso nas entrevistas, por mais que a gente n\u00e3o sinta tanto. Imigramos por op\u00e7\u00e3o, para viajar, descobrir o mundo, e conseguimos que a m\u00fasica nos abrisse porta. N\u00e3o sentimos tanto preconceito ou dificuldades, o que \u00e9 bem diferente de quem imigra por necessidade. No Sul da It\u00e1lia, desembarcam muitos barcos ilegais com africanos, e \u00e9 algo muito pol\u00eamico. Tem gente que \u00e9 completamente contra a imigra\u00e7\u00e3o, quer mais \u00e9 que os caras morram nos barcos. \u00c9 fundamental falar disso. A hist\u00f3ria da humanidade foi assim: meu pai fugiu do Egito por quest\u00f5es de necessidade, e se n\u00e3o fosse o Brasil um pa\u00eds que estava acolhendo pessoas que vinham de fora, n\u00e3o sei se eu existiria hoje. As pessoas tem uma mem\u00f3ria hist\u00f3rica muito curta: hoje, o africano \u00e9 que vai para a It\u00e1lia, mas os italianos n\u00e3o acreditam que no Brasil tem lugares como Nova Br\u00e9scia ou Nova Trento, s\u00f3 com col\u00f4nias de italianos que fugiram da fome e da guerra. Mais do que criar fronteiras, estamos num per\u00edodo hist\u00f3rico em que \u00e9 preciso criar pontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas olham para a carreira de voc\u00eas hoje no Brasil?<\/strong><br \/>\nTemos muita vontade de dar continuidade para a hist\u00f3ria que a gente teve no Brasil, o feedback foi muito positivo. O \u201cSaudade\u201d e o \u201cLoreto\u201d tiveram um feedback incr\u00edvel, porra\u2026 houve uma certa dificuldade econ\u00f4mica, at\u00e9 pela quest\u00e3o pol\u00edtica do Brasil. A partir de certo momento, ficou complicado investir grana nos shows. Com a gente morando aqui, \u00e9 dif\u00edcil que isso seja sustent\u00e1vel. Para fazer qualquer coisa, a gente j\u00e1 parte de quatro passagens intercontinentais, o que \u00e9 caro. E ao mesmo tempo, aqui as coisas come\u00e7aram a bombar muito. A prioridade \u00e9 a It\u00e1lia, est\u00e1 rolando muita coisa ao redor da banda, mas queremos fazer uma turn\u00ea no Brasil ano que vem sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00eas veem o momento do Brasil hoje, \u00e0 dist\u00e2ncia?<\/strong><br \/>\n\u00c9 sempre mais dif\u00edcil ter uma ideia muito clara quando tu n\u00e3o t\u00e1 vivendo tudo por perto, mas a gente tenta. A sensa\u00e7\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que desastroso o que est\u00e1 acontecendo. \u00c9 inacredit\u00e1vel pensar que em 2017 exista um cara como Temer e que ele esteja fazendo o que est\u00e1 fazendo na cara de todo mundo. \u00c9 muito frustrante. Pessoalmente, tenho uma rela\u00e7\u00e3o desiludida com a pol\u00edtica. Tento lutar contra isso, porque meu primeiro instinto \u00e9 sempre dizer \u201cPuta merda, n\u00e3o muda nunca porra nenhuma, \u00e9 tudo a mesma coisa!\u201d. Mas n\u00e3o adianta, a gente tem que come\u00e7ar a mudar as coisas, e o primeiro passo \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que voc\u00eas est\u00e3o come\u00e7ando uma turn\u00ea, mas quais s\u00e3o os planos para 2018?<\/strong><br \/>\nAgora, os primeiros planos s\u00e3o a turn\u00ea mesmo. A gente faz shows em novembro e dezembro, pausa, retoma em mar\u00e7o e abril, pausa de novo, e a\u00ed retoma no ver\u00e3o aqui na It\u00e1lia. Al\u00e9m do Brasil, a gente queria muito tentar fazer shows na Europa, colocar os p\u00e9s em Portugal e na Espanha. Acabamos de jogar os dados e precisamos ver o que vai acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse momento, se voc\u00ea fosse para uma ilha deserta, quais s\u00e3o os cinco discos que voc\u00ea levaria na mala?<\/strong><br \/>\n\u201cCarrie and Lowell\u201d, do Sufjan Stevens, com certeza. Eu poderia levar s\u00f3 esse e j\u00e1 estaria feliz. (risos). \u201cRevolver\u201d, dos Beatles. Hmm\u2026. essa pergunta \u00e9 dif\u00edcil, hein? Est\u00e1 passando toda a minha discoteca na frente dos meus olhos. Acho que eu levaria tamb\u00e9m o \u201cMeddle\u201d, do Pink Floyd. O primeiro do King Crimson, \u201cIn the Court of Crimson King\u201d, que tem \u201c21st Schizoid Man\u201d, e \u201cQualquer Coisa\u201d, do Caetano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cQualquer Coisa\u201d \u00e9 o meu disco de testar vitrola. Eu ia perguntar se esse que est\u00e1 atr\u00e1s de voc\u00ea [faz refer\u00eancia a um p\u00f4ster de \u201cModern Vampires of the City\u201d, do Vampire Weekend, na sala da Casa Selton] n\u00e3o vai na mala&#8230;<\/strong><br \/>\nP\u00f4, verdade! \u00c9, tendo que escolher s\u00f3 cinco fica dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa lista de cinco \u00e9 dif\u00edcil. Eu estava brincando com uma amiga essa semana que o segredo n\u00e3o \u00e9 fazer sua lista de cinco, mas sim encontrar algu\u00e9m que voc\u00ea quer levar junto para a ilha deserta que tem uma lista t\u00e3o boa quanto a sua.<\/strong><br \/>\nExatamente! (risos) Ali\u00e1s, aproveitando [pega um disco em cima da mesa e mostra]&#8230; uma banda nova, n\u00e3o sei se tu conhece eles, Lemon Twigs. S\u00e3o dois pi\u00e1s, o batera tem 19 anos, e o primeiro disco \u00e9 completamente inacredit\u00e1vel. Os dois tocam, cantam e fazem bateria. \u00c9 bem bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra fechar: qual \u00e9 a pergunta que eu devia ter feito e eu n\u00e3o fiz?<\/strong><br \/>\nP\u00f4, n\u00e3o sei! S\u00f3 sei que a gente precisa dar um jeito de conseguir fazer uma turn\u00ea no Brasil ano que vem!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m7TZ7dxpgdQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dW3WNlS_CrM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nOFVMNHFB-w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e trabalha no caderno Link, de O Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nos discos anteriores, a Selton falava sobre a saudade de casa (\u201cSaudade\u201d, de 2013) e sobre a necessidade de se fazer de qualquer lugar um para\u00edso (\u201cLoreto Paradiso\u201d, de 2016). 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