{"id":44960,"date":"2017-11-06T10:04:18","date_gmt":"2017-11-06T12:04:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44960"},"modified":"2018-02-06T10:06:12","modified_gmt":"2018-02-06T12:06:12","slug":"tres-discos-terremotor-macaco-bong-e-yangos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/06\/tres-discos-terremotor-macaco-bong-e-yangos\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas discos: Terremotor, Macaco Bong e Yangos"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>resenhas por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-44963 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/terremotor.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/terremotor.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/terremotor-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/terremotor-297x300.jpg 297w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTerremotor\u201d, Terremotor (Surf Cookie Records)<\/strong><br \/>\nO Terremotor vem do munic\u00edpio paranaense de Umuarama (terra natal do grande Nevilton), mas encontra suas influ\u00eancias em um ponto em comum entre as praias da Calif\u00f3rnia e da Gr\u00e9cia. Explica-se: a surf music do trio bebe tanto no lado mais \u201ccan\u00f4nico\u201d do g\u00eanero quanto na m\u00fasica grega, com direito \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o do som da tzouras (instrumento grego de seis cordas, corpo diminuto e bra\u00e7o longo). O \u201cexotismo\u201d \u00e9 facilmente explicado: Duda Victor, guitarrista e \u201ctzoureiro\u201d do Terremotor, viveu alguns anos na Gr\u00e9cia, onde fundou a banda The Dirty Fuse (na ativa at\u00e9 hoje). F\u00e3 da rebetika (cancioneiro urbano e marginal da Gr\u00e9cia), Victor incorporou elementos do g\u00eanero ao surf rock cheio de twin reverb e guitarras punk e, junto com Paulo Tropa (bateria) e Jos\u00e9 Duarte (baixo), fez uma banda para dar forma a essa ideia. Nesse \u00e1lbum de estreia, os melhores momentos surgem quando essa mistura se faz presente, como \u201cPiratas do Lago Aratimb\u00f3\u201d, \u201cSurfway\u201d e as recria\u00e7\u00f5es de \u201cI\u2019m a Junkie\u201d (do cancioneiro tradicional grego) e \u201cThe Wedge\u201d (Dick Dale). Nas demais, ainda pesa um pouco a sombra da surf music \u201ccl\u00e1ssica\u201d, mas nada que atrapalhe a curti\u00e7\u00e3o desse breve (e muit\u00edssimo bem-produzido) \u00e1lbum. Para os vindouros, um mergulho mais forte na pr\u00f3pria identidade pode abrir espa\u00e7o para uma obra not\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5 (<a href=\"https:\/\/surfcookierecords.bandcamp.com\/album\/terremotor-cd-digital\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ou\u00e7a o disco<\/a>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-44962 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/macacobong.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/macacobong.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/macacobong-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/macacobong-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDeixa Quieto\u201d, Macaco Bong (Sinewave Label)<\/strong><br \/>\nDe \u201cNevermind\u201d pra \u201cDeixa Quieto\u201d n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma adapta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica: o Macaco Bong pegou o \u00e1lbum emblem\u00e1tico do Nirvana e refez o disco do jeito que fazia sentido na cabe\u00e7a de Bruno Kayapy (gutarra), Daniel Hortides (baixo) e Renato Pestana (bateria). E como n\u00e3o havia o menor prop\u00f3sito em reproduzir o instrumental original deixando apenas os vocais de fora, o trio encontrou novas possibilidades mesmo dentro das can\u00e7\u00f5es que guardam parentesco reconhec\u00edvel com a original (algumas ficaram alteradas al\u00e9m do limite da identifica\u00e7\u00e3o). \u201cL\u00edrio\u201d, por exemplo, revitaliza a melodia tocada \u00e0 exaust\u00e3o de \u201cLithium\u201d, e \u201cCom Easy ou Uber\u201d tira de \u201cCome As You Are\u201d aquele ar de pl\u00e1gio do Killing Joke (que rendeu uma merecida dor de cabe\u00e7a jur\u00eddica para o Nirvana) sem abandonar o aspecto mais pop. J\u00e1 \u201cTerritorial Pissings\u201d aparece irreconhec\u00edvel como \u201cTerrit\u00f3rio Piercing\u201d, e ainda estou tentando descobrir se \u201cBrisa\u201d \u00e9 mesmo uma vers\u00e3o de \u201cBreed\u201d. Como voc\u00ea j\u00e1 p\u00f4de perceber, o Macaco Bong adaptou n\u00e3o s\u00f3 as estruturas musicais, mas tamb\u00e9m os t\u00edtulos das can\u00e7\u00f5es, para seu l\u00e9xico particular, e sem nem tudo deu t\u00e3o certo (\u201cDrive-In You\u201d n\u00e3o faz nada por \u201cDrain You\u201d \u2013 que j\u00e1 n\u00e3o era das melhores, convenhamos \u2013 e de \u201cSomething In The Way\u201d s\u00f3 fica o trocadilho infame \u201cSemente Whey\u201d, porque a vers\u00e3o \u00e9 um p\u00f3s-rock sem maiores atrativos), o conjunto da obra soa muit\u00edssimo bem, e em alguns momentos \u2013 \u201cNublum\u201d (\u201cIn Bloom\u201d) e \u201cM\u00f3viaje\u201d (\u201cOn a Plain\u201d) \u2013 com um brilho muito pr\u00f3prio, mostrando uma inventividade que muitas vezes nem o pr\u00f3prio Nirvana \u2013 que gostava de surrupiar \u201crefer\u00eancias\u201d de Meat Puppets, Pixies, Husker Du, Vaselines e outros \u2013 costumava mostrar. Dispon\u00edvel apenas em vers\u00e3o digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5 (<a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/2017\/10\/macaco-bong-deixa-quieto-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ou\u00e7a o disco<\/a>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-44964 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/yangos.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/yangos.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/yangos-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/yangos-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cChamam\u00e9\u201d, Yangos (Independente)<\/strong><br \/>\nUm disco de m\u00fasica folcl\u00f3rica charrua mixado nos legend\u00e1rios est\u00fadios Abbey Road? Nada mais justo se a banda em quest\u00e3o for o Yangos, cujo som j\u00e1 foi definido pela imprensa internacional como \u201cpower folk\u201d. E n\u00e3o estranhe tamb\u00e9m o fato de o disco ser batizado com o ritmo que mais se faz notar entre as 11 faixas do \u00e1lbum: o quarteto de Caxias do Sul (RS) navega tranquilamente por ritmos argentinos e uruguaios, como chamam\u00e9, tango e milonga, mas o faz \u00e0 sua moda, sem se prender \u00e0s conven\u00e7\u00f5es. Mesmo sendo produzidos por L\u00facio Yanel, argentino que se tornou um dos nomes mais importantes da m\u00fasica ga\u00facha, o disco n\u00e3o se v\u00ea engessado pela tradi\u00e7\u00e3o: pelo contr\u00e1rio, traz o vigor e a for\u00e7a que a banda mostra nos palcos, valorizando os momentos mais graves do piano de C\u00e9sar Casara e o som percussivo do violino de Tom\u00e1s Savaris. Yanel canta em \u201cRomance de Tabla y Agua\u201d e o santafesino Jorge Suligoy faz o mesmo em \u201cSoy Cantor Chamamecero\u201d \u2013 s\u00e3o as \u00fanicas faixas com vocais e tamb\u00e9m as que n\u00e3o levam a assinatura da banda. Nos nove temas restantes, delicadeza e peso se alternam sem nunca perder o vigor interpretativo, em composi\u00e7\u00f5es que transcendem os pampas e funcionam em qualquer ambiente \u2013 prova disso \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o da banda para Melhor \u00c1lbum de Ra\u00edzes Brasileiras no Grammy Latino e os shows que eles v\u00eam fazendo em Col\u00f4mbia, EUA, Uruguai e mesmo fora do Rio Grande do Sul. Escute a crueza de \u201cRasguido Serrano\u201d, as varia\u00e7\u00f5es sobre o mesmo tema de \u201cRom\u00e2ntica\u201d e o clima adequado de \u201cLitor\u00e2nea\u201d para se apaixonar de cara pelo \u00e1lbum e entender o que o acordeonista Rafael Scopel quer dizer quando afirma que a Yangos \u201cquer fazer a m\u00fasica ga\u00facha de hoje, n\u00e3o viver no passado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9 (<a href=\"http:\/\/www.tratore.com.br\/um_cd.php?id=9978\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ou\u00e7a o disco<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dQt98axroRk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K-gZFsNAfkg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YEwBt6_9rlU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Terremotor entrega boa surf music com influ\u00eancia grega; Macaco Bong recria \u00e1lbum cl\u00e1ssico do Nirvana; Yangos faz a m\u00fasica ga\u00facha de hoje\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/06\/tres-discos-terremotor-macaco-bong-e-yangos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":44961,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1570,951,1552],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44960"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44960"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44965,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44960\/revisions\/44965"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}