{"id":44865,"date":"2017-10-30T23:25:41","date_gmt":"2017-10-31T01:25:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44865"},"modified":"2017-12-02T11:27:59","modified_gmt":"2017-12-02T13:27:59","slug":"capicua-e-rael-falam-do-projeto-lingua-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/30\/capicua-e-rael-falam-do-projeto-lingua-franca\/","title":{"rendered":"Capicua e Rael falam de &#8220;L\u00edngua Franca&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Salgado, de Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa manh\u00e3 de sol e frio, anunciando a chegada do outono, encontro-me com Capicua numa esplanada do Jardim da Estrela, em pleno cora\u00e7\u00e3o de Lisboa. Revelando boa disposi\u00e7\u00e3o, a rapper do Porto abordou diversos aspectos ligados \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o no projeto \u201cL\u00edngua Franca\u201d e o impacto da parceria musical luso-brasileira. O \u00e1lbum foi feito numa resid\u00eancia art\u00edstica de 10 dias num est\u00fadio, em Portugal, com tr\u00eas produtores (Fred Ferreira, Kassin e Nave) e quatro MCs (Capicua, Valete, Emicida e Rael) com o objetivo de fazer um tributo \u00e0 lusofonia. Sobre os colegas brasileiros, Ana Matos destaca a forma intuitiva e descomprometida de trabalharem, o sentido de divers\u00e3o e a abertura de novos est\u00edmulos. \u201cDurante o processo, eles inspiraram-me a ser mais livre e espont\u00e2nea na minha escrita\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal caracter\u00edstica do disco \u00e9 a sua diversidade, passando pelo imediatismo pop de \u201cEla\u201d e \u201cIdeal\u201d ou a pegada reggae de \u201cG\u00eanios Invis\u00edveis\u201d, entre outras, resultado dos diferentes contributos e vontades, numa tentativa de exprimir as v\u00e1rias vis\u00f5es do mundo e as sinergias desenvolvidas pelos integrantes do \u201cL\u00edngua Franca\u201d. Durante um processo de composi\u00e7\u00e3o definido pela liberdade criativa e mistura sonora, sobressai igualmente a faixa de combate \u201cEgotrip\u201d, assente numa ideia de autossupera\u00e7\u00e3o permanente e tamb\u00e9m entre os participantes. \u201cAchamos que o \u00e1lbum necessitava desse tom competitivo (umas das principais marcas da cultura hip hop) e sentimos que era importante convidar um rapper da nova escola de S\u00e3o Paulo, que ir\u00e1 se destacar no futuro, como \u00e9 o caso do Coruja. Por isso, ele, eu e o Emicida entramos na disputa por via desse rap mais aguerrido\u201d, explica Ana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presentemente, as parcerias luso-brasileiras s\u00e3o generalizadas: h\u00e1 desde a participa\u00e7\u00e3o da fadista Carminho no novo disco dos Tribalistas, o encontro entre Criolo e M\u00e1rcia at\u00e9 o Projeto BPM (Brasil Portugal Misturados), que envolve os rappers Mundo Segundo (Portugal), Vinicius Terra (Brasil) e Sr. Alfaiate (luso cabo-verdiano). O impulso de \u201cL\u00edngua Franca\u201d para cimentar a ponte cultural nos dois sentidos, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de exportar e importar, \u00e9 assumido frontalmente por Capicua: \u201cFicou provado que \u00e9 vi\u00e1vel lan\u00e7ar o \u00e1lbum no mesmo dia em Portugal e Brasil, nessa zona franca da lusofonia, sem que haja uma divis\u00e3o geogr\u00e1fica. Acaba por ser algo simb\u00f3lico, porque n\u00e3o exige barreiras (trata-se do mesmo espa\u00e7o), mas levou o conceito de amplitude mais al\u00e9m\u201d, conclui. Rael, que respondeu as perguntas da entrevista em S\u00e3o Paulo, concorda, e acrescenta: \u201cN\u00e3o sei se teremos um \u2018L\u00edngua Franca 2\u2019, mas a ideia mostrou que \u00e9 poss\u00edvel qualquer um fazer essa conex\u00e3o Brasil \/ Portugal\u201d. Confira abaixo o bate papo com Capicua e Rael.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rDnlIZw2dA4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia de fazer o L\u00edngua Franca e de voc\u00ea e o Valete participarem no projeto?<\/strong><br \/>\nCapicua \u2013 Foi uma ideia partilhada pela Laborat\u00f3rio Fantasma (editora do Emicida) e a Sony Music de Portugal e do Brasil. Na Lab, eles j\u00e1 tentaram fazer uma parceria mais s\u00e9ria (para al\u00e9m das que realizam informalmente), incluindo rappers portugueses. A Paula Homem (Sony Music Portugal) viu um show do Emicida em que eu participei e sentiu que a sintonia funcionava. Num rasgo de criatividade coletivo acharam que seria interessante fazer um disco luso-brasileiro e editar nos dois pa\u00edses simultaneamente. Para al\u00e9m disso, acreditaram tamb\u00e9m que o n\u00facleo perfeito incluiria o Rael e Emicida, pelo Brasil, e do lado portugu\u00eas eu e o Valete. Julgo que isso se deve ao fato de partilharmos um conceito de rap consciente, muito misturado com outras m\u00fasicas, envolvido em causas sociais e associado a temas filos\u00f3ficos. Globalmente, fazemos parte da mesma tribo de rappers com o mesmo compromisso e gosto pelas v\u00e1rias linguagens musicais. Por isso, sentiram que a fus\u00e3o iria resultar, num projeto que igualmente deriva da mistura. Eu acho que funcionou muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rael \u2013 A ideia do &#8220;L\u00edngua Franca&#8221; chegou a mim atrav\u00e9s do (Evandro) Fioti e do Emicida. O Fioti me convidou e falou: \u201c\u00d3, a gente vai fazer uma parceria com a Capicua e o Valete\u201d. O Emicida, a principio, achava que seria s\u00f3 uma m\u00fasica, e ai quando eu vi, o Fioti falou: \u201cN\u00e3o, \u00e9 um disco! A gente vai pra l\u00e1 gravar\u201d. Era uma ideia que ele e o Emicida desenvolveram com a (gravadora) Sony de Portugal. Eu disse: \u201cT\u00f4 nessa, vamos nesse projeto a\u00ed\u201d. Dai rolou. Nasceu o \u201cL\u00edngua Franca\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este disco celebra a paix\u00e3o de quatro m\u00fasicos pelo rap e pela l\u00edngua portuguesa. At\u00e9 que ponto essa sintonia marcou a composi\u00e7\u00e3o dos temas?<\/strong><br \/>\nCapicua \u2013 Acho que marcou a composi\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio conceito associado ao disco. O \u00e1lbum celebra a ideia de que h\u00e1 uma l\u00edngua que nos junta e essa uni\u00e3o \u00e9 mais forte do que qualquer dist\u00e2ncia cultural, geogr\u00e1fica ou hist\u00f3rica que possa existir entre n\u00f3s. Essa \u00e9 a base de tudo e acaba por marcar o resto. At\u00e9 o nome do projeto aponta nessa dire\u00e7\u00e3o, \u201cL\u00edngua Franca\u201d, o idioma em que nos entendemos, a l\u00edngua comum. Mesmo que n\u00f3s tenhamos hist\u00f3rias ou sotaques diferentes (eu pr\u00f3pria sou do Porto e o Valete \u00e9 de Lisboa e temos pron\u00fancias distintas), misturamos o nosso rap com o Emicida e o Rael da periferia de S\u00e3o Paulo, que tamb\u00e9m t\u00eam um cal\u00e3o bastante intrincado e a participa\u00e7\u00e3o da cantora Sara Tavares tamb\u00e9m agrega ao disco um sotaque portugu\u00eas de travo cabo-verdiano mas, no fundo, essa am\u00e1lgama musical e lingu\u00edstica prova que \u00e9 muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rael \u2013 A sintonia que a gente teve para compor as can\u00e7\u00f5es foi a de compactuar das mesmas ideias. Ficamos 10 dias (em Lisboa) para gravar 10 temas em comum, falando de coisas atuais. Falamos da mulher e da beleza africana&#8230; falamos dessa coisa desgarrada, dessa sociedade conservadora, uma ideia que a gente compactua. Somos pessoas livres e outras pessoas quando veem o nosso estilo de vida, acham que n\u00e3o nos encaixamos no ideal de acordo com o mundo que os conservadores pensam. Coisas assim, essa ideia de liberdade, fazer o que gosta e o que bem entender, algo que o rap nos deu&#8230; o rap nos deu essa liberdade&#8230; na m\u00fasica, na letra, a gente se liberta de v\u00e1rios paradigmas, v\u00e1rios preconceitos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sZeMfPcz1fg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos aspectos mais interessantes do disco \u00e9 a suaviza\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e instrumental que culmina com o tema \u201cEla\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nCapicua \u2013 Eu acho que \u201cL\u00edngua Franca\u201d n\u00e3o tem um conceito que interligue as faixas nem sugere uma narrativa. Musicalmente, \u00e9 um trabalho muito misturado, que engloba o hip-hop cl\u00e1ssico, a eletr\u00f4nica, aponta igualmente para 2017 e aproxima-se da sonoridade afro brasileira, como \u00e9 o caso da \u201cAFROdite\u201d, ou seja, engloba v\u00e1rias linguagens. Do ponto de vista tem\u00e1tico, \u201cEla\u201d tem conte\u00fados muito universais como a morte, amizade ou a m\u00fasica. Quando criamos um disco coletivo, isso torna o processo mais partilhado. Se eu fa\u00e7o um disco solo, posso falar de um tema muito espec\u00edfico e apresentar uma vis\u00e3o muito pr\u00f3pria, baseada na minha experi\u00eancia pessoal, particularizando essa ideia. Fazendo m\u00fasica com mais tr\u00eas pessoas existe menos espa\u00e7o e temos de encontrar pontos comuns. Esses t\u00f3picos universais s\u00e3o partilh\u00e1veis entre n\u00f3s, mas tamb\u00e9m por Portugal, Brasil, Cabo Verde e Mo\u00e7ambique ou pessoas de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es e acho que todo o mundo entende e se identifica com estes temas. De qualquer modo, \u201cEla\u201d \u00e9 a faixa mais consensual para o grupo e sentimos que melhor representava o esp\u00edrito do processo e do projeto, porque fala da nossa rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica (diferente nos quatro rappers), mas \u00e9 aquilo que nos une al\u00e9m da l\u00edngua portuguesa. Como foi a \u00faltima m\u00fasica que fizemos, resume bem o esp\u00edrito de celebra\u00e7\u00e3o que rodeou a nossa conviv\u00eancia e a forma como evoluiu o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rael \u2013 Outro tipo de sintonia: falamos das mesmas coisas. Com a experi\u00eancia que tive em Portugal, eu vejo que o portugu\u00eas de l\u00e1 soa como se fosse um sotaque, como se fosse um estado do Brasil, sei l\u00e1, Curitiba fala de um jeito, Lisboa fala de outro. Isso deu uma sintonia pra n\u00f3s, afinal independente da dist\u00e2ncia, j\u00e1 que estamos divididos pelo Atl\u00e2ntico, mas as ideias estavam batendo. Rolou uma energia legal no est\u00fadio, uma atmosfera de conex\u00e3o mesmo, independente do sotaque. Inclusive a gente brincava com essa coisa do sotaque: a Capicua e o Valete achavam legais algumas coisas que a gente fala aqui em S\u00e3o Paulo, tipo dizer \u201cValeu\u201d como se fosse \u201cobrigado\u201d. Foi uma coisa divertida, uma atmosfera legal para trabalhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea esteve em S\u00e3o Paulo promovendo o disco. Como foi a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico brasileiro ao L\u00edngua Franca?<\/strong><br \/>\nCapicua \u2013 Fiquei com a ideia de que as pessoas gostaram muito do single \u201cA Chapa \u00e9 Quente\u201d (apenas editado no Brasil) e pelo que leio nas redes sociais, os temas \u201cEla\u201d e \u201cIdeal\u201d tamb\u00e9m lhes agradaram. Relativamente ao disco, tenho a percep\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m os cativou. Quando fui ao Brasil, no final de Maio, n\u00e3o deu para obter muito feedback (o \u00e1lbum foi editado no \u00faltimo dia da sua estadia). Mas, pelo contato que mantive com jornalistas, numa atua\u00e7\u00e3o que eu fiz com o Emicida e atrav\u00e9s de um showcase que fizemos s\u00f3 para convidados, notei que as pessoas aderiram ao disco. A ideia de que os brasileiros n\u00e3o nos entendem e aceitam mais facilmente o rap americano do que o portugu\u00eas \u00e9 errada, eu n\u00e3o senti esse preconceito, antes pelo contr\u00e1rio. Participei de um programa da TV Globo, o Esquenta, durante o Festival Terra do Rap, com o Vinicius Terra, e fui ao Altas Horas. Fico sempre surpreendida com esses shows de grande audi\u00eancia no Brasil, porque a escala \u00e9 outra (o or\u00e7amento, a produ\u00e7\u00e3o, etc). Nas duas vezes, senti que as pessoas gostaram e ficaram admiradas por nunca terem escutado rap portugu\u00eas ou uma mulher portuguesa cantando rap. O p\u00fablico fica espantado pelo fato dessa ideia pr\u00e9-formatada n\u00e3o ser assim t\u00e3o real. Se calhar n\u00e3o percebem todas as nuances, mas se for um rapper nordestino com um cal\u00e3o local isso tamb\u00e9m acontece. \u00c9 um pouco como se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos um sotaque de outro estado do Brasil. Quanto mais as pessoas se habituarem a ouvir o nosso portugu\u00eas, fica mais f\u00e1cil no futuro escutar m\u00fasica portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rael \u2013 A recep\u00e7\u00e3o foi boa, as pessoas adoraram. Sim, os brasileiros acham diferentes os lances no sotaque do portugu\u00eas de Portugal, para algumas pessoas isso \u00e9 novo, mas a gente que \u00e9 MC j\u00e1 ouvia Valete e Sam The Kid, pra gente \u00e9 normal. E \u00e9 algo que a gente vai perceber mais ainda quando rolarem os shows no Brasil. Vamos ter um show com a Capicua no MIMO Festival, no Rio, e acho que a expectativa da galera \u00e9 boa porque a aceita\u00e7\u00e3o foi bacana tanto na cr\u00edtica da imprensa local quanto no p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que forma a participa\u00e7\u00e3o neste projeto influenciou a sua perspectiva do rap?<\/strong><br \/>\nCapicua \u2013 Na primeira vez que fui ao Brasil, para atuar no Festival Terra do Rap, em 2014, senti que existiam muito mais pessoas que me podiam escutar. Eu nunca tinha pensado na escala da lusofonia, porque pensava em Portugal como o meu mercado ou habitat natural. Depois dessa viagem, constatei que as pessoas me entendiam, faziam parte da mesma tribo do hip hop e de repente parecia que o mundo se alargava \u00e0 minha frente. Acredito que o projeto \u201cL\u00edngua Franca\u201d se ampliou e ficou mais pequeno, ou seja, o espa\u00e7o em que nos comunicamos \u00e9 enorme, mas ao mesmo tempo revela proximidade, porque posso fazer discos com artistas de al\u00e9m-mar, eles v\u00eam c\u00e1 tocar e eu retribuo fazendo shows no Brasil. Paradoxalmente, o universo lus\u00f3fono \u00e9 gigante, mas estamos mais juntos do que parece e o disco do \u201cL\u00edngua Franca\u201d refor\u00e7ou essa ideia de uma forma pr\u00e1tica. \u00c9 poss\u00edvel fazer um \u00e1lbum com pessoas de dois pa\u00edses, partilhando pontos de vista semelhantes. No tema \u201c(A)tens\u00e3o!\u201d, por exemplo, eu e Emicida falamos do estado do mundo. Apesar da Europa e o Brasil serem diferentes, sofrem com aquilo que estamos observando: o conservadorismo crescendo, a extrema-direita ganhando for\u00e7a, reina a falta de solidariedade entre os povos e as pessoas, erguem-se muros em vez de se estenderem os bra\u00e7os. \u00c9 um aspecto comum a v\u00e1rias sociedades e afinal n\u00e3o somos assim t\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rael \u2013 Esse projeto me influenciou na maneira de olhar diferente (o p\u00fablico portugu\u00eas). Quando estive em Lisboa para gravar, passei pelo Bairro Alto, num bar chamado Sentido Proibido, e as pessoas estavam tocando uma m\u00fasica minha de 2010, do meu primeiro disco solo. Eles conheciam tamb\u00e9m o meu grupo chamado Pent\u00e1gono \u2013 estive 13 anos na estrada com esse grupo. Depois eu voltei a Portugal para tocar no festival Super Bock Super Rock e havia uns m\u00fasicos de rua tocando outra m\u00fasica minha, e eu vi que as (minhas) rela\u00e7\u00f5es (com Portugal) foram estreitadas. Com o \u201cL\u00edngua Franca\u201d, solidificou mais. Eu n\u00e3o imaginava que existia esse universo, que existia esse p\u00fablico. A Capicua me apresentou outros MCs, que eu tamb\u00e9m adorei, e eu pude ver que existe uma cena muito forte em Portugal. Isso me deu uma perspectiva grande de como o rap transcende na l\u00edngua portuguesa muito al\u00e9m do que eu imaginava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Est\u00e1 prevista a continuidade discogr\u00e1fica e performativa do L\u00edngua Franca?<\/strong><br \/>\nCapicua \u2013 Acho dif\u00edcil que exista uma continuidade discogr\u00e1fica. Apesar de ter sido feito integralmente num est\u00fadio em 10 dias, este trabalho demorou quase dois anos a ser editado, j\u00e1 que a log\u00edstica de um \u00e1lbum coletivo \u00e9 sempre complicada. N\u00f3s fizemos um disco e n\u00e3o uma banda (risos). De qualquer modo, a nossa organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 partilhada entre dois continentes, o show tem exig\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o enormes e funciona melhor em grandes festivais do que em pequenas salas. Em Portugal tocamos recentemente no Festival Super Bock Super Rock, tal como na Festa do Avante e ser\u00e1 dif\u00edcil voltarmos este ano. No Brasil, garanto que faremos concertos durante o ver\u00e3o, embora ainda n\u00e3o possa divulgar as datas e locais. Durante os shows, cantamos igualmente faixas de cada um dos integrantes do \u201cL\u00edngua Franca\u201d e nessas misturas fazemos m\u00fasicas que s\u00e3o revisitadas e isso acaba tamb\u00e9m por ser outra novidade. Relativamente aos espet\u00e1culos, a continuidade est\u00e1 assegurada. Provavelmente, n\u00e3o faremos um novo \u00e1lbum, mas \u00e9 poss\u00edvel compor mais temas pontualmente. Hoje em dia, as pessoas escutam menos discos (s\u00e3o projetos de longo prazo), enquanto compor novas can\u00e7\u00f5es \u00e9 algo para o qual existe espa\u00e7o e temos vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rael \u2013 N\u00e3o sei se teremos um \u201cL\u00edngua Franca 2\u201d, pelo menos n\u00e3o com os mesmos MCs, mas a ideia do \u201cL\u00edngua Franca\u201d mostrou que \u00e9 poss\u00edvel qualquer um fazer essa conex\u00e3o Brasil \/ Portugal, de aproveitar a l\u00edngua em comum e fazer um disco. Agora shows v\u00e3o ter alguns outros. A Capicua est\u00e1 vindo para o Brasil em novembro, acredito que vamos fazer mais algumas coisas em Portugal, alguns outros lugares, a gente est\u00e1 aos poucos levando isso para a estrada. Foi um trabalho bacana. Foi corrido, afinal foram 10 dias, 10 m\u00fasicas, cada um tem sua agenda, eu tenho a minha carreira solo, o Emicida tem a dele, e isso tamb\u00e9m dificulta para um \u201cL\u00edngua Franca 2\u201d, mas deixo aqui a ideia para que outras pessoas fa\u00e7am isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TPDWMH3R9Hs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2VEGIAPEz2c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PL6baUHAUPs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Pedro Salgado (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Vera Marmelo \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Saiba como foi a produ\u00e7\u00e3o de &#8220;L\u00edngua Franca&#8221;, um \u00e1lbum que reuniu tr\u00eas produtores (Fred Ferreira, Kassin e Nave) e quatro MCs (Capicua, Valete, Emicida e Rael) \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/30\/capicua-e-rael-falam-do-projeto-lingua-franca\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":44867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1813,1548,47,1309,1814],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44865"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44865"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44865\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44948,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44865\/revisions\/44948"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}