{"id":4465,"date":"2010-02-21T23:32:39","date_gmt":"2010-02-22T02:32:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=4465"},"modified":"2015-01-13T12:34:35","modified_gmt":"2015-01-13T15:34:35","slug":"entrevista-do-mes-heitor-e-nevilton","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/21\/entrevista-do-mes-heitor-e-nevilton\/","title":{"rendered":"Entrevista do m\u00eas: Heitor e Nevilton"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>ENTREVIST\u00c3O DO M\u00caS DE FEVEREIRO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-4466\" title=\"Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/entrevista21.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/entrevista21.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/entrevista21-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nevilton de Alencar e Heitor Humberto<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a> e <a href=\"http:\/\/twitter.com\/tiagoagostini\" target=\"_blank\">Tiago Agostini<\/a><br \/>\nfotos: <a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\">Liliane Callegari<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton de Alencar tem 23 anos, nasceu em Londrina, mas mudou-se para Umuarama ainda pequeno, um pouco depois de arrebentar uma porta de vidro da casa dos pais com uma flautinha de brinquedo. Heitor Humberto tem 25 anos, \u00e9 de Joinville, e aos sete come\u00e7ou a tocar violino, instrumento que o acompanhou at\u00e9 os treze, quando a fam\u00edlia mudou-se para a pouco amistosa Curitiba. Nevilton e Heitor fazem parte de uma nov\u00edssima gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos que vem sacudindo o cen\u00e1rio independente da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhado de Tiago Lob\u00e3o (baixo) e Eder Chapolla (bateria), Nevilton (guitarra e voz) lan\u00e7ou quatro EPs caseiros, mas vem chamando a aten\u00e7\u00e3o devido \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es incendi\u00e1rias do trio, que j\u00e1 renderam elogios \u00e0 banda em lugares como Palmas, Cuiab\u00e1 e S\u00e3o Paulo. N\u00e3o \u00e0 toa, a banda ficou em segundo lugar na categoria Melhor Show da vota\u00e7\u00e3o de Melhores do Ano do Scream &amp; Yell (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/26\/melhor-show-nacional-2009\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor (voz, guitarra, violino, cavaquinho) est\u00e1 \u00e0 frente da Banda Gentileza, sexteto paranaense que ainda conta com Artur Lipori (trompete), Emilio Mercuri (guitarra), Diego Perin (baixo), Diogo Fernandes (bateria) e Tet\u00ea Fontoura (sax, teclado). O \u00e1lbum de estr\u00e9ia da Banda Gentileza, hom\u00f4nimo, foi eleito pelo j\u00fari do Scream &amp; Yell como o 11\u00ba melhor disco de 2009, sendo o melhor disco de estr\u00e9ia do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convidamos Heitor e Nevilton (e tamb\u00e9m Diego, baixista da Banda Gentileza) para uma cerveja de fim de tarde buscando n\u00e3o s\u00f3 conhecer a hist\u00f3ria de duas bandas promissoras do cen\u00e1rio independente nacional, mas tamb\u00e9m vasculhar os caminhos que levaram os dois m\u00fasicos a se aventurarem pelo cada vez mais in\u00f3spito territ\u00f3rio da m\u00fasica popular brasileira, uma terra de ningu\u00e9m, um local c\u00f4modo e bastante apraz\u00edvel para o crescimento de parasitas viciados em f\u00f3rmulas, clich\u00eas e jab\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton e Heitor se assumem animados com o futuro das duas bandas, mas buscam alternativas para mostrar o trabalho para o maior n\u00famero de pessoas poss\u00edvel. A internet at\u00e9 ajuda: o disco da Banda Gentileza voc\u00ea pode baixar gratuitamente <a href=\"http:\/\/www.bandagentileza.com.br\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. \u201cPressuposto\u201d, o EP mais recente do trio Nevilton, tamb\u00e9m pode ser baixado gratuitamente <a href=\"http:\/\/www.rocknbeats.com.br\/download-discos-independentes\/nevilton-pressuposto-2010\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. As hist\u00f3rias destes dois jovens talentos da m\u00fasica brasileira voc\u00ea confere abaixo. E cuidado ao convid\u00e1-los para uma cerveja: eles bebem bastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a primeira lembran\u00e7a de voc\u00eas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica? Essa coisa de come\u00e7ar a tocar, pegar um instrumento, fazer um som&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: A minha m\u00e3e \u00e9 professora de piano, ent\u00e3o desde que nasci tem m\u00fasica em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Ai \u00e9 covardia (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Ela se aposentou este ano, ent\u00e3o j\u00e1 faz um tempo que ela n\u00e3o estuda, mas ela tocava bastante, e eu cresci com ela tocando piano em casa. Quando comecei a crescer, n\u00e3o sei por que e de onde, pirei que queria tocar violino, e toquei dos sete aos treze, quando me mudei de Joinville. Nessa \u00e9poca fiz violino e teoria musical, e toquei na Orquestra de Joinville, uma coisa mais cl\u00e1ssica. Quando fui para Curitiba, eu mal conhecia a minha vida sem ter que parar uma hora por dia e estudar violino para ir pra aula. Era uma obriga\u00e7\u00e3o. V\u00e1rias vezes quando a piazada ia brincar, eu ficava tocando violino. Enchia o saco. Quando cheguei em Curitiba, com treze anos, decidi dar um tempo e fiquei sem fazer nada. \u00d3bvio que nunca mais voltei, parei de estudar e hoje em dia toco apenas por hobby na banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Meus pais dizem que eu me acalmo muito com m\u00fasica desde pequeno. Eu era agitado e ficava calminho com a m\u00fasica. Botava um Gonzag\u00e3o na vitrola e eu parava de chorar. Quando eu tinha uns cinco ou seis anos me colocaram na aula de teclado. Alguns primos j\u00e1 tocavam algum instrumento. E do teclado eu fui para o viol\u00e3o, do viol\u00e3o fui para a guitarra, e da guitarra&#8230; comecei a pular (risos) e virei isso aqui&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E as primeiras bandas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Tive v\u00e1rias bandinhas&#8230; Tudo come\u00e7ou com um amigo que chegou e disse: estou tocando baixo, tem um amigo baterista, e queria que voc\u00ea tocasse, cantasse uns Nirvana que a gente est\u00e1 tirando&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com quantos anos?<\/strong><\/p>\n<p>Nevilton: Uns 14 anos. Coloquei um captador no meu viol\u00e3o de cordas de a\u00e7o, colocava distor\u00e7\u00e3o e tocava Nirvana. Passei uns tr\u00eas anos tocando um pouquinho com essas bandas, e algumas queriam tocar um neg\u00f3cio meio metal, um lance pesado. Comecei a estudar mais a guitarra quando comecei a tocar oficialmente. Ai veio a Superlego, que fazia covers dos anos 80, e a gente fez show pra caramba. Comprei a guitarra, o ampli, todas essas hist\u00f3rias. A gente come\u00e7ou a fazer o trabalho autoral porque eu j\u00e1 vinha compondo m\u00fasicas. Acho que a gente tocou com o Heitor no Festival Tinidos (em Curitiba), no Motorrad&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: A Superlego tocou com a gente antes, no Por\u00e3o do Rock, em 2006 (acho), numa noite que tinha a gente, o Vanguart e o Charme Chulo e n\u00e3o foi ningu\u00e9m ver (risos), mas foi muito divertido. Eles tocaram Inimigos do Rei (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Isso (risos). O nosso repert\u00f3rio j\u00e1 era bastante autoral, mas a banda j\u00e1 n\u00e3o era um quinteto. Eu cantei nesse dia (em Curitiba), e a Superlego inicialmente n\u00e3o era isso. Quando come\u00e7amos a fazer um som autoral, rolou um papo de \u201ca gente est\u00e1 tocando e ganhando pouco\u201d, e a galera foi saindo. Eu e o (Tiago) Lob\u00e3o conversamos. \u201cAcho que os caras n\u00e3o v\u00e3o querer mais tocar. Vamos fazer uma viagem?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Lob\u00e3o (baixista)\u00a0j\u00e1 estava tocando com voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: J\u00e1. O Lob\u00e3o e o Fernandinho, baterista anterior do trio, eram do Superlego. Do quinteto a gente virou um trio. Nesse meio tempo deu aquela bambeada. \u201cN\u00e3o sei se quero tocar esse som autoral, \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d. O Fernando tamb\u00e9m estava desanimado. Ent\u00e3o eu e o Lob\u00e3o fomos para Los Angeles e voltamos cheios de id\u00e9ias. Vamos agitar. Conversamos com o Fer, mas o resto dos meninos nem queria mais saber da gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles fizeram outra banda cover?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: N\u00e3o. Um virou pai agora, o outro entrou no terceiro curso de faculdade, e pararam de tocar. Eu e o Lob\u00e3o estamos nessa. O Fernandinho desistiu pouco tempo atr\u00e1s. O ano passado foram 49 shows oficiais, mais umas coisas alternativas (tipo se apresentar na escola), e o Fer tinha outros compromissos e n\u00e3o aguentou o tranco. De repente a banda n\u00e3o estava rendendo o suficiente para ele estar satisfeito e ele pulou fora&#8230; do nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4467 aligncenter\" title=\"Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari entrevista21.jpg \" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Heitor, como rolou essa fase de parar de tocar violino e encontrar a galera? Voc\u00ea j\u00e1 conhecia algu\u00e9m quando chegou em Curitiba?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Quando sai de Joinville, estranhei muito. Em Curitiba o pessoal \u00e9 mais fechado, eu n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m, ent\u00e3o continuei voltando pra Joinville v\u00e1rias vezes, aquela coisa de moleque pr\u00e9-adolescente que n\u00e3o se adapta. Eu tinha um grande amigo l\u00e1, que \u00e9 meu amigo at\u00e9 hoje, o Ronaldo, e a gente come\u00e7ou a fazer um som. Ele tocava viol\u00e3o, e eu comecei a compor \u2013 com 12, 13 anos \u2013 aquelas letras de rimas bem prim\u00e1rias, e ele musicava. Inclusive, uma que a gente toca at\u00e9 hoje, \u201cSempre Quase\u201d, uma bem baladinha, foi ele quem fez. \u00c9 dessa \u00e9poca. A gente chegou a gravar uma demo em casa, que tenho at\u00e9 hoje. Era uma dupla que se chamava \u00c0hotten (risos), viol\u00e3o e voz e uma batucada que a gente fazia com berimbau. Dois anos depois, gravei outra demo. Eu e um amigo do col\u00e9gio fal\u00e1vamos muita besteira, e escrev\u00edamos essas besteiras. A gente cantarolava e as pessoas ao redor, na sala de aula, j\u00e1 come\u00e7avam a reconhecer as nossas m\u00fasicas, e pensei: \u201cCara, vamos gravar?\u201d. Ele tocava baixo e eu arranhava a guitarra, e marcamos um est\u00fadio, por uma hora, pra gente ensaiar e fazer as m\u00fasicas, e na hora seguinte gravar. O nome dessa banda \u00e9 Tomara Que Voc\u00ea Morra (risos), e \u00e9 uma bosta (mais risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como eram as cidades de voc\u00eas? Tinha lugar pra tocar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: At\u00e9 por estar no col\u00e9gio, eu n\u00e3o saia. Nem sei dizer. Lembro de alguns bares de nome, como o Caf\u00e9 Beatnick, o Circus&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguma banda de Curitiba&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Na \u00e9poca havia algumas bandas que tocavam no teatro do col\u00e9gio, como Osk\u00e3o&#8230; Tinha o Pelebr\u00f3i N\u00e3o Sei, que durou um bom tempo, o Boobarelas, essas s\u00e3o as que mais me lembro de acompanhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas chegaram a tocar em teatro de col\u00e9gio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: N\u00e3o. A gente chegou a vender 50 c\u00f3pias da nossa fita demo naquele esquema de chegar para o professor: \u201cCompra\u201d. Nessa \u00e9poca eu saia pouco, n\u00e3o acompanhava tanto a cena musical de Curitiba. Isso aconteceu mais na \u00e9poca da faculdade, quando a gente come\u00e7ou a montar a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Umuarama nunca teve cena (risos). At\u00e9 hoje (mais risos). Ent\u00e3o quando comecei a tocar mais, eu sabia que tinha uma banda na cidade chamada Hypnoise, que o Lob\u00e3o e o Fernando tocavam, e eles tocavam covers de Pixies, Cake, Pavement, essas coisas que hoje em dia eu escuto pra caramba. At\u00e9 acho que isso tenha influenciado na sonoridade do trio. Foi um choque ouvir Pavement pela primeira vez. \u201cQue louco, que estranho\u201d. E eles praticamente eram a cena, e s\u00f3 tocavam covers. Eles tinham umas quatro ou cinco m\u00fasicas gravadas, mas n\u00e3o sei se publicaram. Eu tenho essas grava\u00e7\u00f5es e acho super bonitinhas, bem legais. Quando comecei a tocar tamb\u00e9m encarei umas festas de escola, mas s\u00f3 Nirvana&#8230; Quando a gente come\u00e7ou a tocar um pouco melhor j\u00e1 arriscou um (Black) Sabbath. Ent\u00e3o a gente fez umas m\u00fasicas falando do verde (risos), que eram muito engra\u00e7adas, para participar do festival do IAP, o Instituto Ambiental do Paran\u00e1. A gente gravava as demos na sala, aquela barulheira, ningu\u00e9m entendia porra nenhuma, mas era legal. Hoje em dia, n\u00f3s somos a cena de Umuarama. E, ao mesmo tempo, somos bem falados, tipo: \u201cEles v\u00e3o tocar em Cuiab\u00e1\u201d, mas quando a gente est\u00e1 na cidade \u00e9 aquela coisa: \u201cEsses caras n\u00e3o desistem dessa merda\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00f3ximo passo: como foi formar as bandas que voc\u00eas t\u00eam hoje? Como se deu isso de encontrar a galera e decidir fazer um som?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Eu fui fazer jornalismo, e me identifiquei mais com o pessoal veterano, e alguns deles j\u00e1 tinham bandas. Inclusive, em v\u00e1rias festinhas de faculdade que a gente fazia no Salim, um bar bem pequeno em Curitiba, essas bandas faziam uns showzinhos. Comecei a conhecer o pessoal, e eu tinha algumas m\u00fasicas dessa \u00e9poca do Ronaldo, de Joinville, j\u00e1 estava tocando viol\u00e3o, e pedi para me deixarem tocar umas tr\u00eas ou quatro m\u00fasicas entre as bandas, coisa de chato que pede espa\u00e7o para tocar a sua m\u00fasica. Um dia eles cometeram o erro de deixar, e eu fui l\u00e1 e toquei algumas, e quem estava l\u00e1 acabou gostando bastante. Quando rolou uma festa seguinte, eles falaram: \u201cHeitor, toca aquelas m\u00fasicas suas de novo, a gente quer ouvir\u201d. Eu fui e toquei e foi legal. Na terceira eles pediram de novo, e o pessoal das bandas que estava l\u00e1 subiu no palco pra me acompanhar. Pegaram baixo, guitarra e bateria, ficavam olhando o que eu tocava e tentavam acompanhar. Ficou uma&#8230; ningu\u00e9m conhecia as m\u00fasicas e come\u00e7aram a estragar pacas o que j\u00e1 n\u00e3o era grande coisa (risos). Um dia fizeram um convite oficial para eu tocar numa festa, ent\u00e3o chamei algumas das pessoas que tinha tocado comigo na festa anterior pra gente ensaiar. E era mais ou menos o Johnz, a banda que o T\u00falio, do Pagodeversions, tinha montado em Curitiba. A gente ensaiou, fez esse show e no come\u00e7o do ano seguinte me convidaram para fazer um show no Putz, o Festival de Cinema Universit\u00e1rio de Curitiba, e da\u00ed era num cinema, um show de verdade. A gente ensaiou e formatou as m\u00fasicas. Ficou o Diego Garapa (baixo), o Diogo Fernandes (bateria) e o Jota (guitarra). Da\u00ed eles j\u00e1 botaram o arranjo deles. E quando acabou aquele show, a gente gostou do resultado. N\u00e3o tinha pretens\u00e3o nenhuma. Era s\u00f3 mais um ensaio para mais um show, e muita gente veio comentar, ent\u00e3o decidimos continuar e gravar as m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2004 a cena de Curitiba estava bem agitada. O De Inverno fazia festivais, havia bandas boas no circuito alternativo. Voc\u00eas viam essas bandas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: Era uma cena mod, na verdade. Tinha Faichecleres, Dissonantes e mais trocentas bandas mod.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Tinha a Reles&#8230; mas a gente n\u00e3o via muito, at\u00e9 porque n\u00e3o se identificava com o som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa \u00e9poca o Terminal Guadalupe j\u00e1 tinha disco, a Pol\u00e9xia j\u00e1 tinha disco&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Eu ouvia falar, mas n\u00e3o ia muito atr\u00e1s. Ia ver umas bandas de fora que tocavam na cidade. O Fuck Fuckers&#8230; o Resist Control. Um pouco depois a gente gravou o primeiro EP, e ai sim, ca\u00edmos pros bares e come\u00e7amos a conhecer as bandas e fazer parte da cena musical de Curitiba. Antes era mais evento de faculdade mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Uma pergunta? Qual foi o teor alco\u00f3lico para voc\u00ea tocar na primeira festa de faculdade? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: O Heitor sempre foi cara de pau&#8230; (mais risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Mas deve ter tido uma iniciativa alco\u00f3lica&#8230; (mais risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4468 aligncenter\" title=\"Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari \" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream12.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas, Nevilton. O trio j\u00e1 estava formado&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: No terceiro ano do col\u00e9gio, quando a gente estava come\u00e7ando a pensar na faculdade, eu comecei a gravar uma fita demo chamada \u201cA Base do Teto Desaba\u201d. Nessa demo tem algumas m\u00fasicas que a gente chegou a tocar com a banda, como \u201cLuz e Sol\u201d. E eu fiz como o Heitor: vendi 70 fitas demos no col\u00e9gio, na formatura do terceiro ano, pra todos os pais de amigos (risos). Eu passei em Engenharia, na UEM, conheci uma galera de m\u00fasica, mas ningu\u00e9m fazia nada, e eu j\u00e1 estava bem empolgado com essa hist\u00f3ria de tocar. Um dia, eu ainda estava morando em Maring\u00e1, bem pr\u00f3ximo a desistir da Engenharia, fui pra Umuarama abrir um show do Hypnoise. Era viol\u00e3o e voz, e eu tocava MPB e aquelas m\u00fasicas da minha demo. Foi ali que conheci o Lob\u00e3o. Ele olhou a minha pasta e disse: \u201cNossa, velho, voc\u00ea toca Anjos do Inferno?\u201d. \u00c9 um grupo na linha dos Dem\u00f4nios da Garoa, mas anterior, 1940, algo assim. E a gente ficou super amigo e come\u00e7ou a conversar um monte nesse dia, e j\u00e1 combinamos: eu tinha um monte de m\u00fasicas, ele tinha um monte de riffs, \u201cS\u00e1bado, o que voc\u00ea vai fazer?\u201d. Eu ia dar umas aulas de viol\u00e3o, mas marcamos dele passar l\u00e1 em casa. Em doze horas, o tempo todo junto, a gente escreveu, arranjou e gravou a primeira vers\u00e3o de \u201cDelicadeza\u201d. Tinha acabado de abrir uma padaria 24 horas em Umuarama (risos) \u2013 hoje ela nem existe mais \u2013 e a gente ficou ali em casa compondo, e se batesse uma fome \u00e0s 4h da manh\u00e3, a gente ia pra padaria. Depois dessa eu desgracei a vida do Lob\u00e3o (risos). Ele parou de tocar cover, deixou o emprego no banco&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Heitor, e como voc\u00eas partem para gravar o primeiro disco&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Quando a gente fez o show na Cinemateca e percebeu que estava legal, eu pensei: preciso registrar essas m\u00fasicas para concretizar que \u00e9 uma banda. Pois n\u00e3o era uma banda. Era eu chamando eles para tocar num show ou outro. Eles j\u00e1 tinham um outro projeto e eu pensando que tinha que materializar aquele neg\u00f3cio. E l\u00e1 em Curitiba estava rolando uma hist\u00f3ria que eu acho genial, que \u00e9 a Grande Garagem que Grava. Eles pegam uma verba e lan\u00e7am um monte de disco gravado ao vivo com uma qualidade bacana&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Prum monte de banda que n\u00e3o tem registro&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Isso. E eles d\u00e3o o CD pra voc\u00ea e voc\u00ea vende pelo pre\u00e7o que voc\u00ea quiser. E voc\u00ea pode mandar fazer mais discos com o dinheiro que voc\u00ea arrecada. Muita banda gravou discos de uma hora pra outra, gente que ningu\u00e9m conhecia. S\u00f3 que era um projeto de lei municipal de incentivo, e a banda tinha acabado de surgir. Eu fui l\u00e1 bater na porta deles perguntando se tinha como gravar, e eles me falaram que o projeto tinha acabado, mas que eles estavam com a estrutura toda l\u00e1. Ent\u00e3o eu propus: \u201cEu pago uma quantia que seja suficiente para voc\u00eas realizarem esse projeto pra mim, e a gente lan\u00e7a o disco\u201d. Eles toparam. Juntei uma grana, e come\u00e7amos a ensaiar para gravar ao vivo. A id\u00e9ia era boa. Voc\u00ea gravava o disco e em duas semanas ele estava na sua m\u00e3o e voc\u00ea j\u00e1 podia sair divulgando. S\u00f3 que era ao vivo. Imagina a banda sem entrosamento&#8230; A gente estava super nervoso, e errou tanto. Quando terminou o show, eu fui pra salinha e o pessoal contou que tinha queimado uma placa de som. E eu falei: \u201cGra\u00e7as a Deus, cara\u201d (risos). E eles: \u201cVoc\u00eas estavam tocando e se divertindo tanto que a gente n\u00e3o quis falar nada. Vamos marcar um novo show pra daqui um m\u00eas?\u201d. E a gente voltou a ensaiar, ensaiar e ensaiar, e ficou um pouco melhor. Ai a gente come\u00e7ou a divulgar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse momento, esse clique nos interessa. Como surgiu em voc\u00eas essa vontade de mostrar o trabalho, essa coisa de acreditar que voc\u00eas estavam fazendo algo legal&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: A gente nem tinha p\u00fablico. Ningu\u00e9m nos conhecia al\u00e9m de alguns amigos. A id\u00e9ia foi gravar e depois come\u00e7ar a divulgar. Parti do pressuposto de que com o disco eu iria conseguir chegar \u00e0s pessoas, chegar nas casas e conseguir um espa\u00e7o para fazer show. A gente j\u00e1 tinha percebido que a recep\u00e7\u00e3o da galera tinha sido muito positiva nos shows anteriores. N\u00e3o era s\u00f3 elogio de amigo. Era gente comentando a letra, a m\u00fasica, sabe. E acho que isso acabou incentivando mais a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas, Nevilton? Como foi gravar os EPs que renderam o Pacot\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Desde que fiz \u201cA Base do Teto Desaba\u201d comecei a aprender umas coisas de grava\u00e7\u00f5es&#8230; em casa mesmo. Tanto \u00e9 que as grava\u00e7\u00f5es do Pacot\u00e3o s\u00e3o todas caseiras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea ainda n\u00e3o tinha entrado em est\u00fadio em Umuarama?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: N\u00e3o. No meu caso, \u00e9 tudo caseiro. Os meninos j\u00e1 tinham entrado em est\u00fadio com a Hypnoise, mas eu tinha mesa de som, um computador e um programa, e comecei a mexer com isso, comecei a aprender algumas coisas. Um dia vou achar uma c\u00f3pia do \u201cA Base do Teto Desaba\u201d e trago pra voc\u00eas. \u00c9 horr\u00edvel (risos). \u00c9 natural. Guitarra e voz. Uma m\u00fasica ou outra que a gente fazia uma arranjinho com teclado, Fruit Loop (risos). No \u201cPacot\u00e3o\u201d, a bateria das tr\u00eas \u00faltimas m\u00fasicas, que s\u00e3o da nossa primeira demo, s\u00e3o todas em Fruit Loop. Eu tinha que gravar tudo. A gente participava de um site chamado DemoClub e j\u00e1 tinha m\u00fasica publicada no come\u00e7inho do Trama Virtual. No come\u00e7o, a parada do Trama Virtual era Cansei de Ser Sexy, Bonde do Role, Leela e Nevilton de Alencar, em s\u00e9timo com uma m\u00fasica chamada \u201cFlores\u201d, que era de uma grava\u00e7\u00e3o bizarra: guitarra, gaita e voz. A gente vai rearranjar ela. E desde essa \u00e9poca eu comecei a divulgar, mandar pra todos os amigos, e de gostar dessa coisa de gravar. Quando a gente voltou de Los Angeles, eu trouxe v\u00e1rios equipamentos que ajudaram a facilitar o processo todo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi essa ida para Los Angeles?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: A Superlego come\u00e7ou a se desmaterializar e eu o Lob\u00e3o decidimos viajar. \u201cVamos viver em ingl\u00eas um pouquinho?\u201d. Foi uma id\u00e9ia maluca. A gente teve um m\u00eas pra vir pra S\u00e3o Paulo, pegar o visto e ir. Chegamos l\u00e1 e ficamos fascinados. Tinha um monte de shows de bandas que a gente nunca tinha ouvido falar, tipo My Morning Jacket. Um puta show animal com som foda, ilumina\u00e7\u00e3o bonita, e tudo organizado. Vimos v\u00e1rios artistas em lugares menores e voltamos super empolgados. Decidimos apostar naquelas m\u00fasicas, coisas como \u201cDelicadeza\u201d, que \u00e9 uma parceria minha com o Lob\u00e3o, \u201cA M\u00e1scara\u201d, que a gente tocava na Superlego. Fiquei pensando que n\u00e3o queria montar uma banda nova que, do nada, os caras desanimassem e a gente tivesse que mudar o nome. \u201cVai ser Nevilton e quem quiser nos acompanhar que nos acompanhe\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto tempo voc\u00eas ficaram l\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Seis meses. Foi o suficiente para ter um puta choque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazendo o que l\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Qualquer coisa (risos). A gente foi pra l\u00e1 num esquema de trabalhar em staff, em shows e eventos, tipo a Semana do Autom\u00f3vel de Los Angeles. A gente ficava l\u00e1 trabalhando \u201covernight\u201d em v\u00e1rios empregos. De showzinhos a showz\u00f5es. Shows de hip hop maluco, mas a gente tamb\u00e9m viu dois shows do Foo Fighters, Elvis Perkins, tr\u00eas shows do Guns \u2018n Roses, Raconteurs, Gnars Barkley, Beck&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trabalhando?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Trabalhando. Ganhava 80 d\u00f3lares por cada show como seguran\u00e7a, e eles nunca colocavam a gente num lugar muito s\u00e9rio. Arranjavam lugares tipo a sa\u00edda de emerg\u00eancia \u2013 olhando pro palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles pagavam para voc\u00eas verem os shows&#8230; risos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Sim (risos). A gente chegava duas horas antes pra pegar todas as coordenadas. Tipo um show do Guns, voc\u00ea tem muitas restri\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m podia entrar de cartola no local&#8230; e ai se o cara insistisse, a gente ia e chamava o supervisor, que era um cara bem forte (risos). A gente ganhava dinheiro pra ver esses shows, e ficava empolgado querendo fazer um som. Com o dinheiro que ganhei l\u00e1 comprei microfone, controlador midi, notebook. Deixei todas as roupas l\u00e1 e voltei com a mala cheia de coisinhas. O Lob\u00e3o ficou mais um m\u00eas e meio, e assim que cheguei comecei a gravar \u201cBalada da Vida Ir\u00f4nica\u201d. O Lob\u00e3o gravou o baixo de \u201cBoleroteque\u201d quando voltou, o resto eu j\u00e1 tinha feito. Ele chegou dia 27 de junho e eu j\u00e1 tinha fechado um show pro dia 30. E a partir do momento que eu peguei o gosto por gravar, divulgar ficou mais f\u00e1cil, e fui virando esse marketeiro que sou hoje (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse ponto as duas bandas pegam um caminho diferente. O Heitor foi e gravou um disco enquanto voc\u00eas gravaram as demos, mas se concentraram nos shows&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Por causa das demos. A gente mandava para algumas bandas e fazia algumas parcerias. O primeiro show da Superlego em Maring\u00e1 foi com a Fam\u00edlia Palim. O primeiro show em Curitiba foi com a Pol\u00e9xia, e a gente levou a Pol\u00e9xia pra Umuarama, e foi um show legal numa boate bizarra. Foi lindo. A gente levou o Charme Chulo pra l\u00e1 nessa \u00e9poca. Eles tocaram no mesmo dia de um baile de uma banda chamada Tradi\u00e7\u00e3o, mas o bail\u00e3o custava R$ 25 e o show do Charme Chulo era R$ 10 homens, R$ 8 mulheres, e lotou. Quando eles tocaram aquelas brincadeiras deles, \u201cMoreninha Linda\u201d, a galera dan\u00e7ava. Muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"275\" class=\"size-full wp-image-4469 aligncenter\" title=\"scream13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream13.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream13.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream13-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a Banda Gentileza chegou a tocar fora de Curitiba nessa \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: A gente tocava num bar de Curitiba tentando fazer o nome e ralando muito. Demorou pra ter p\u00fablico. Acho que no show que a gente fez semana passada em Curitiba finalmente tinha gente pra assistir de verdade. Antes eram amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco &#8220;Banda Gentileza&#8221; foi gravado quando?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Ano passado. A gente fez esse disco a jato. Decidimos que quer\u00edamos gravar um disco, e em janeiro j\u00e1 tra\u00e7amos o cronograma do ano. Fechamos com o Pl\u00ednio (Profeta, produtor), fechamos est\u00fadio, fizemos ensaio at\u00e9 maio, quando o Pl\u00ednio chegou para a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o e em junho a gente foi para o est\u00fadio. O disco tem 12 m\u00fasicas, e a gente j\u00e1 tinha gravado v\u00e1rias nos dois GGG. Decidimos regrava-las porque gost\u00e1vamos delas. Hoje em dia, por mim, eu regravaria todas (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea mudaria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Principalmente a voz. Foi a nossa primeira vez em est\u00fadio, afinal, os dois anteriores eram ao vivo, e pelo fato da gente tocar sempre em barzinho com o som sempre bizarro e sem retorno, eu n\u00e3o sabia como eu cantava. Quando a gente foi gravar o disco eu pensei que precisava aprender a cantar e fui fazer aula de canto. Na primeira aula a professora falou: \u201cPara de berrar. Agora. Pode cantar baixinho. No est\u00fadio voc\u00ea aumenta o volume depois\u201d. E ent\u00e3o comecei a interpretar, tentar dar uma certa din\u00e2mica para aquilo. \u201cPregui\u00e7a\u201d, por exemplo, eu acho que ficou bem boa, mas nas outras&#8230; eu poderia ter feito melhor, mas o que est\u00e1 no disco \u00e9 bem espont\u00e2neo, sincero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho: todo mundo eclama da inexperi\u00eancia no primeiro disco. O Rodrigo Lemos, inclusive, reclama da voz dele no primeiro disco da Pol\u00e9xia&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Ele acha frio&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: E \u00e9 um disco t\u00e3o bonito. \u201cO Avesso\u201d \u00e9 dessa \u00e9poca que a gente fez a festa em Umuarama e foi sensacional. A Pol\u00e9xia fazia um trabalho bonito, tocava o cora\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: Eles eram o top (em Curitiba) na \u00e9poca&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Houve uma expectativa muito grande em Curitiba pelo disco deles. A gente ouvia a galera comentando: \u201cEles est\u00e3o gravando\u201d. \u201cEles v\u00e3o lan\u00e7ar o disco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: E ao vivo tinha o efeito Dudu, que era foda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o primeiro show que voc\u00eas viajaram tipo 100 km pra tocar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Qualquer show pra gente \u00e9 fora (risos), porque Maring\u00e1 \u00e9 170km de Umuarama. Maring\u00e1 foi um dos primeiros lugares em que a gente chegou tocando m\u00fasica pr\u00f3pria. \u201cSem cover hoje. Sem tocar Nenhum de N\u00f3s\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Antes de Umuarama mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Antes. Em Umuarama a gente estava fazendo um dinheirinho legal tocando nas duas boates que tinha na cidade, mas s\u00f3 cover, e lotava. A gente n\u00e3o passou barra em rela\u00e7\u00e3o a p\u00fablico na regi\u00e3o. A barra que a gente passou foi fora, lugares como Curitiba&#8230; teve uma vez l\u00e1 que deu R$ 43 de bilheteria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Bem vindo a Curitiba (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto \u00e9 um bom p\u00fablico em Umuarama?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: No show da Pol\u00e9xia foram 600 pessoas. A gente sempre tentava levar uma banda da regi\u00e3o que tivesse fazendo algo autoral e uma banda de fora pra tocar com a gente l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: A gente fez algo parecido em Curitiba, o \u201cGentileza convida\u201d. Era mensal e sempre tinha uma banda de Curitiba e outra de fora. Come\u00e7amos com Supercordas, que estava bombando na Folha de S\u00e3o Paulo, e Charme Chulo, que estava na mesma onda. Fizemos um cartaz lindo, o pre\u00e7o estava acess\u00edvel e&#8230; show vazio. O segundo foi Instiga e Sabonetes. Baixamos o pre\u00e7o, divulgamos e&#8230; ningu\u00e9m foi. A gente fez outros&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando pegou?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: N\u00e3o pegou! A gente fez um especial de natal no final do ano com um cartaz lindo. A galera comentou. O pre\u00e7o era R$ 3, convidamos integrantes de v\u00e1rias bandas de Curitiba \u2013 para que n\u00e3o houvesse outro evento concorrendo com a gente (risos) \u2013 e&#8230; bar vazio. Desde ent\u00e3o desisti de produzir shows em Curitiba. N\u00e3o pegou. Foi triste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: N\u00f3s tocamos tr\u00eas vezes em Curitiba em 2007, e nenhuma em 2008. A gente n\u00e3o tinha essa coisa de \u201csaiu na Folha de S\u00e3o Paulo\u201d, sabe, mas a gente fazia a nossa divulga\u00e7\u00e3o bizarra. V\u00e1rios jornais do interior falavam da gente, mas porque n\u00f3s mand\u00e1vamos material pra eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas v\u00eaem as carreiras das bandas agora nesse cen\u00e1rio doido que a gente est\u00e1 vivendo? Como voc\u00eas pensam o futuro da Banda Gentileza e do Nevilton?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Agora com o disco, percebemos uma ascens\u00e3o nos \u00faltimos meses em termos de p\u00fablico&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em termos de cr\u00edtica tamb\u00e9m. O disco foi eleito o 11\u00ba melhor \u00e1lbum de 2009 na vota\u00e7\u00e3o do Scream &amp; Yell, sendo o melhor disco de estr\u00e9ia do ano&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Sim, sim. A gente tocou em Joinville no final do ano e foi bem legal. Um m\u00eas e meio depois eles nos chamaram de novo pra tocar e a gente pensou: \u201cFaz t\u00e3o pouco tempo que tocamos l\u00e1. Ser\u00e1 que vale a pena?\u201d. Mas fomos e a casa lotou e tinha fila para entrar, a galera cantando as m\u00fasicas. Da\u00ed voltamos pra tocar em Curitiba. Come\u00e7ou tarde, bar lotado, e a mesma coisa que Joinville, galera cantando e tal. Aqui em S\u00e3o Paulo o lugar era grande, era no final da tarde, choveu, e mesmo assim deu um p\u00fablico legal. Terminou o show e a galera veio pra cima do palco conversar, comprar CD. Teve dois caras que viajaram para nos ver. \u00c9 tipo um sonho de moleque de voc\u00ea montar uma banda e ter uma receptividade, sabe. J\u00e1 estou realizado. O trabalho agora \u00e9 tentar fazer essa m\u00fasica chegar ao maior n\u00famero de pessoas poss\u00edvel. Confesso que estou bem otimista e bastante animado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas t\u00eam alguma id\u00e9ia de como fazer a m\u00fasica chegar a mais pessoas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: A gente fez alguns brainstorms&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: E acabou b\u00eabado&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Talvez fazer um clipe legal ajude bastante&#8230; porque ter uma entrevista, ter uma resenha n\u00e3o significa nada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: A minha prima leu a resenha que saiu do nosso disco na Folha de S\u00e3o Paulo, e o cara detona, e ela: \u201cQue legal que saiu na Folha, que massa\u201d. E eu: \u201cMas o cara n\u00e3o gostou\u201d&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 aquele velho ditado: n\u00e3o existe publicidade ruim&#8230; porque vai o cara e diz que o disco n\u00e3o \u00e9 bom porque lembra isso, isso e isso, e o leitor l\u00ea e pensa: \u201c\u00c9 exatamente o que eu gosto\u201d&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Tanto o cara do Globo quanto a Folha falaram: \u201cA banda se perdeu em meio a muitas influ\u00eancias sem saber onde queria chegar\u201d. E esse foi o ponto que mais elogiaram em todos os outros lugares, essa coisa de dar uma unidade a tantas coisas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea, Nevilton. Como foi receber a not\u00edcia de que voc\u00eas fizeram o segundo melho show nacional do ano, segundo a vota\u00e7\u00e3o do Scream &amp; Yell?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Fiquei assustado, mas acho que a nossa t\u00e1tica est\u00e1 funcionando, que \u00e9 de tocar em qualquer lugar. E isso s\u00f3 est\u00e1 ajudando. Quando a gente completou dois anos de banda j\u00e1 t\u00ednhamos 100 shows. \u00c9 show pra caramba. E isso faz a gente criar pegada, anima cada vez mais&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Faz voc\u00eas pularem cada vez mais alto (risos)&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: E eu j\u00e1 descobri que dar cambalhota n\u00e3o \u00e9 uma boa id\u00e9ia (risos). Fiquei com uma dor na coluna por dois meses&#8230; mas isso tudo \u00e9 resultado da gente estar tocando muito&#8230; e metendo a cara. Eu sempre fui muito otimista. Tanto \u00e9 que o Lob\u00e3o n\u00e3o ia largar o emprego no Banco do Brasil se n\u00e3o tivesse um cara com ele que acreditasse muito nas coisas. As nossas m\u00fasicas sempre foram acess\u00edveis. N\u00e3o tem crise. A gente mostra pra m\u00e3e dos amigos, e elas gostam. Os amigos gostam. Por que uma pessoal normal no fim de tarde, passando roupa e ouvindo r\u00e1dio, n\u00e3o vai gostar de uma m\u00fasica dessas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Heitor: \u00c9 a mesma coisa que a gente sente&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: A nossa t\u00e1tica pra chegar at\u00e9 a galera \u00e9 tocar em todas as situa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis que estiverem ao nosso alcance. Vai virando uma bola de neve.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4470 aligncenter\" title=\"Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari  scream12.jpg \" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream14.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser um trio facilita pra voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Facilita muito&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser um sexteto dificulta pra voc\u00eas, Heitor?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Das seis pessoas, duas volta e meia tem plant\u00e3o no fim de semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Tenho certeza que a Banda Gentileza n\u00e3o tocou em Umuarama ainda porque \u00e9 mais dif\u00edcil levar voc\u00eas. A Pol\u00e9xia foi num carro s\u00f3&#8230; o Charme Chulo tamb\u00e9m&#8230; o Terminal Guadalupe s\u00f3 tocou em Umuarama porque eles j\u00e1 tinham fechado Para\u00edso do Norte e Maring\u00e1. A gente tem um Uno, que a gente bateu depois de um show: \u201cChorei. Acabou. Acabou\u201d, mas nessa \u00faltima viagem ele fez 17km o litro (risos). Ele ag\u00fcenta muita viagem ainda (mais risos). Voc\u00ea coloca o trio ali dentro, enche de comida e vamos encarando. Demoramos dois dias de estrada para chegar em Palmas para um show. No dia seguinte, o jornal do Estado do Tocantins dizia: \u201cNa noite do Pato Fu, o melhor show foi de uma banda do Paran\u00e1, Nevilton\u201d. Isso n\u00e3o tem pre\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que falamos do futuro, queremos saber um pouco do passado e o quanto incomoda voc\u00eas quando algu\u00e9m escreve, por exemplo, no caso da Banda Gentileza, que voc\u00eas lembram Los Hermanos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: A gente fala em Los Hermanos. Acho que hoje em dia, qualquer coisa lembra&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: N\u00e3o tem ran\u00e7o, n\u00e3o incomoda, mas eu fico pensando: \u201c\u00c9 s\u00f3 isso que ele consegue escrever?\u201d. N\u00e3o d\u00e1 para levar muito a s\u00e9rio um cara que escreve isso. A Adriane Perin escreveu no blog da De Inverno uma coisa legal ap\u00f3s ter visto um show nosso: \u201cVolta e meia comparam eles a Los Hermanos, mas n\u00e3o foram os Los Hermanos os primeiros a misturar rock com MPB. Por que eles n\u00e3o s\u00e3o comparados a Novos Baianos?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u00e9 diferente. Pra essa nova gera\u00e7\u00e3o, da qual voc\u00eas fazem parte, o Los Hermanos bateu muito forte. Tanto que n\u00e3o s\u00f3 o \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d ganhou disparado a vota\u00e7\u00e3o de Melhores da D\u00e9cada, como o \u201cVentura\u201d ficou em segundo com uma larga vantagem. Por isso queremos saber: o Los Hermanos influenciou voc\u00eas? Quais bandas influenciaram?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: P\u00f4, foi no in\u00edcio da faculdade (o sucesso do Los Hermanos) e bateu muito forte. Eu n\u00e3o gostava do rock nacional, porque nada me agradava, n\u00e3o dizia nada pra mim. E fui ouvir o \u201cBloco\u201d um tempo depois de lan\u00e7ado. Eu vi o clipe de \u201cTodo Carnaval Tem Seu Fim\u201d na MTV, numa madrugada, e fiquei pensando: \u201cEles est\u00e3o fazendo isso?!?!\u201d. N\u00e3o tinha nada a ver com o primeiro disco, era diferente. Comecei a ouvir, ouvir e ouvir e n\u00e3o tinha ningu\u00e9m fazendo aquilo. Tinha uma qualidade nas letras, uma preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, mas com muita espontaneidade. Aquilo \u00e9 muito sincero, aut\u00eantico. Bateu e bateu muito forte. Havia uma como\u00e7\u00e3o no pa\u00eds inteiro, shows lotados com todo mundo cantando de cabo a rabo todas as can\u00e7\u00f5es. A influ\u00eancia \u00e9 ineg\u00e1vel, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: Tanto \u00e9 que gravamos o disco agora, e a banda s\u00e3o seis pessoas: cada uma escuta uma coisa diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Perguntaram pra n\u00f3s, numa entrevista, o que cada um estava ouvindo, e eu nunca tinha parado para pensar nisso, e cada um falou uma coisa diferente. Ent\u00e3o, tem uma influ\u00eancia grande (de Los Hermanos), mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber.\u00a0 Agora eu pergunto pra voc\u00eas, que s\u00e3o do meio, porque ser\u00e1 que falam isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por v\u00e1rios pequenos motivos: o espa\u00e7o para uma resenha em um jornal ou numa revista \u00e9 m\u00ednimo. Voc\u00ea precisa apresentar algo para o leitor de uma forma r\u00e1pida, sucinta, e que fa\u00e7a com que ela leia e tenha uma id\u00e9ia do som. Impresso \u00e9 diferente de site, por exemplo, que n\u00e3o h\u00e1 limita\u00e7\u00e3o de toques. Essa entrevista de duas horas vai entrar inteira. Na revista seria 1\/5 dela. Ent\u00e3o, no impresso, voc\u00ea precisa focar em imagens que ampliem o universo para o leitor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Mas \u00e9 de uma forma negativa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o acredito. De repente o cara achou que o som era apenas isso, e cravou. \u00c9 a leitura dele. \u00c9 uma maneira de situar o leitor&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Mas no nosso caso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u00e9 a refer\u00eancia que mais bate&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: No meu caso, o Los Hermanos me aproximou da m\u00fasica brasileira. Tive outras aproxima\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m, mas o Los Hermanos impressionou. N\u00e3o era como ouvir um disco do Chico Buarque ou um do Detonautas. Era novo, acess\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: E o Momboj\u00f3 veio na cauda, depois veio o M\u00f3veis (Col\u00f4nias de Acaju). Porque quando se fala deles ningu\u00e9m fala em Los Hermanos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Momboj\u00f3 \u00e9 cauda mesmo, mas ai j\u00e1 rola uma diferen\u00e7a est\u00e9tica. O Los Hermanos era Chico Buarque. O Momboj\u00f3 era Jorge Ben. E isso faz diferen\u00e7a. Mas tem algo ali, inevit\u00e1vel. J\u00e1 o M\u00f3veis&#8230; o p\u00fablico do M\u00f3veis \u00e9 heran\u00e7a dos Los Hermanos. E o \u201cC_mpl_te\u201d aproximou ainda mais as duas bandas, sonoramente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Foi o Lob\u00e3o quem me mostrou o Momboj\u00f3 pela primeira vez. Ele tinha ido ver o show do Pixies, em Curitiba, e o Momboj\u00f3 abriu. E depois, quando rolou aquele show com a gente, Banda Gentileza, Charme Chulo e Vanguart, voc\u00eas tocaram uma vers\u00e3o de \u201cAdelaide\u201d, do Momboj\u00f3, e ficou lindinha&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: E que verso bonito, n\u00e9: \u201cO que eu entendo por seu meu \u00e9 tudo que posso lhe dar\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4474 aligncenter\" title=\"Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream6.jpg\" alt=\"\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nevilton, e quando falam pra voc\u00ea \u201cNando Reis\u201d. O que voc\u00ea acha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Eu acho divertido. N\u00e3o est\u00e1 estreitando. \u00c9 muito por causa de \u201cA M\u00e1scara\u201d. Talvez pelo jeito que a gente tenha gravado&#8230; a estrutura daquela demo talvez lembre algumas coisas, mas eu nunca tive um contato muito pr\u00f3ximo com o som do Nando Reis. Faz pouco tempo ganhei aquele disco que ele gravou em Seattle, \u201cPara Quando o Arco-\u00edris Encontrar o Pote de Ouro\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diego: E tem o seu timbre de voz&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Mas se falar das minhas desafina\u00e7\u00f5es comparando com o Nando Reis, eu ou\u00e7o muito mais Stephen Malkmus e&#8230; eu acho ok (risos). N\u00e3o me sinto nem um pouco ofendido com nada. Sem contar que o Nando Reis \u00e0s vezes at\u00e9 aproxima outras pessoas, tipo: \u201cOi, eu sou do f\u00e3 clube do Nando Reis\u201d, e eu: \u201cQue legal, voc\u00ea gostou da nossa m\u00fasica?\u201d. E ela: \u201cGostei, gostei pra caramba\u201d. Que lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem gente que j\u00e1 falou em The Who&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Olha a impress\u00e3o que a gente est\u00e1 dando (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;e o Supegrass dos primeiros discos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Hoje estou ouvindo mais Supergrass. E conhecia, mas comecei a ouvir mais depois que o pessoal come\u00e7ou a comentar. E fui ouvir para descobrir o porqu\u00ea, n\u00e9. Me identifiquei muito. Tem v\u00e1rios backing vocals no estilo \u201clalalalalalalala\u201d e umas coisas muito divertidas. Mas eu conhecia o \u201cIn It for the Money\u201d e o \u201cI Should Coco\u201d muito superficialmente. N\u00e3o foi uma influ\u00eancia direta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez sejam as mesmas refer\u00eancias&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Talvez o The Who&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem pensar muito: tem uns sete mil CDs aqui. Se tivesse que pegar um e sair correndo, qual seria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Um s\u00f3? &#8230; Acho que iria ser o disco que mais me marcou, que \u00e9 o \u201cRoots\u201d, do Sepultura. Marcou demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: N\u00e3o sei. Juro que n\u00e3o sei. Acho que seria o m\u00e1ximo que coubesse na minha m\u00e3o. Eu sempre tive contato com Pavement por MP3. Talvez eu levasse uns Pavement&#8230; mas \u00e9 muita coisa boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais bandas com quem voc\u00eas tocaram juntos ou j\u00e1 viram ao vivo que voc\u00eas acharam fodas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: M\u00f3veis Coloniais de Acaju. Voc\u00ea sai de casa pra ver uma parada que te deixa feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: Eu fui ver eles no Planeta Terra e me chocou. Na hora que eu entrei j\u00e1 tinha um buraco no meio da plat\u00e9ia e eles estavam l\u00e1 agitando. Que louco. Mas tem v\u00e1rios shows que me deixaram impressionado. Por exemplo, eu conhecia as m\u00fasicas do Beto S\u00f3 fazia uns quatro anos, mas nunca esperava ver ele ao vivo, j\u00e1 que ele n\u00e3o tem uma agenda lotada, e fui v\u00ea-lo em Curitiba, e foi um show lindo. Um show incontest\u00e1vel \u00e9 o do Macaco Bong. Vi alguns shows deles, e todos foram chocantes. Eles fizeram um show com a Pata de Elefante no Ita\u00fa Cultural que, pra mim, separou meninos de homens. O show deles foi amplo, abriu a hist\u00f3ria. Das bandas que conhe\u00e7o, o grande show \u00e9 o do Macaco Bong.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00eas pensam de suas bandas no futuro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nevilton: O mesmo que eu vinha pensando dois anos atr\u00e1s, mas com muito mais animo. Eu j\u00e1 era animado sem saber que existia uma critica que falava de pessoas que n\u00e3o est\u00e3o na m\u00eddia, reles mortais (risos), hoje em dia sou muito mais \u201cputinha\u201d do que era (mais risos). Tem muita m\u00fasica ainda pra fazer. Tem uma turn\u00ea pela frente. N\u00f3s j\u00e1 confirmamos o Abril Pro Rock, no Recife, e vamos aproveitar o festival para fazer mais umas dez datas no Nordeste. Eu vejo que vamos fazer mais de 50 shows at\u00e9 junho. Se em 2009 foram 49 shows no ano, em seis meses de 2010 a gente j\u00e1 vai ter feito isso. \u00c9 a t\u00e1tica que eu falei antes: a gente vai atingir muita gente pessoalmente, no palco. N\u00e3o h\u00e1 negatividade. Est\u00e1 muito legal&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Eu quero montar um trio (risos) e fazer 50 shows at\u00e9 o meio do ano (mais risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: A gente est\u00e1 pensando em dividir a Banda Gentileza em dois trios&#8230; (risos), mas&#8230; s\u00e9rio, a gente ainda nem come\u00e7ou&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: Temos plena no\u00e7\u00e3o disso. A gente precisa plantar mais, precisa fazer a m\u00fasica chegar \u00e1s pessoas. Temos uma dificuldade muito grande de fazer show. Existe convite que a gente recusa porque n\u00e3o tem como faltar dois dias no trabalho. Estamos buscando meios&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego: Um milion\u00e1rio para adotar a gente (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heitor: &#8230; mas a gente tamb\u00e9m est\u00e1 otimista. A recep\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo muito boa, ent\u00e3o o plano \u00e9 continuar o trabalho. Divulgar, circular, tocar. Quando a gente decidiu gravar o disco, est\u00e1vamos numa reuni\u00e3o na casa do Artur (Lipori), e conversamos: \u201cVai custar tanto. A gente n\u00e3o tem esse dinheiro. Vamos ter que fazer uma d\u00edvida. Vai valer a pena?\u201d. A gente gravou e est\u00e1 acontecendo um monte de coisa legal. O disco n\u00e3o passou em branco, entrou em listas de melhores do ano, estou realizado. Agora \u00e9 pensar no segundo disco&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4471 aligncenter\" title=\"Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari \" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/scream15.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><br \/>\n&#8211; Tiago Agostini \u00e9 jornalista, colaborador da Rolling Stone e assina o blog <a href=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/tiagoagostini\/\" target=\"_blank\">A Day in The Life<\/a><br \/>\n&#8211; Liliane Callegari \u00e9 arquiteta e fot\u00f3grafa. <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\" target=\"_blank\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"300\" class=\"size-full wp-image-4482 aligncenter\" title=\"gentileza_nevilton\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/gentileza_nevilton.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/gentileza_nevilton.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/gentileza_nevilton-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.bandagentileza.com.br\">http:\/\/www.bandagentileza.com.br<\/a> &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <a href=\"http:\/\/www.nevilton.com.br\">http:\/\/www.nevilton.com.br<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa e Tiago Agostini\nHeitor est\u00e1 \u00e0 frente da Banda Gentileza, um dos destaques da atual cena de Curitiba, e Nevilton cede seu nome ao trio que faz um dos melhores shows do rock nacional atual.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/21\/entrevista-do-mes-heitor-e-nevilton\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4465"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4465"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28083,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4465\/revisions\/28083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}