{"id":44549,"date":"2017-10-09T16:54:11","date_gmt":"2017-10-09T19:54:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44549"},"modified":"2017-11-04T11:34:02","modified_gmt":"2017-11-04T13:34:02","slug":"entrevista-pio-lobato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/09\/entrevista-pio-lobato\/","title":{"rendered":"Entrevista: Pio Lobato"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100008364972340\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lui Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tinha pouco mais de 15 anos, Pio Lobato viu no col\u00e9gio onde estudava, uma banda tocar covers dos Beatles. Se h\u00e1 um ponto que pode soar como definitivo para a inten\u00e7\u00e3o de Pio vir a tocar guitarra, aquele foi o momento. A partir da\u00ed, buscar, experimentar, tocar e descobrir o pr\u00f3prio estilo e desbravar melodias e timbres tornou-se uma constante na trajet\u00f3ria do guitarrista paraense que consegue unir, em doses iguais, as influ\u00eancias de ritmos regionais, como a guitarrada, o tecnobrega e varia\u00e7\u00f5es de carimb\u00f3 com o rock progressivo, a world music e o pop. E \u00e9 essa soma de influ\u00eancias que acompanha o m\u00fasico ao longo da carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elo central entre a tradi\u00e7\u00e3o e a modernidade na m\u00fasica do Estado do Par\u00e1, Pio \u00e9 um dos principais respons\u00e1veis pela revaloriza\u00e7\u00e3o da guitarrada como g\u00eanero musical aceito pelos m\u00fasicos e pelo p\u00fablico de classe m\u00e9dia, formador de opini\u00e3o, que antes viam o g\u00eanero como algo menor. Chegou a criar o conceito de Mestres da Guitarrada, unindo \u00edcones do ritmo paraense. Dividido entre o rock brasileiro dos anos 80, o p\u00f3s-punk ingl\u00eas e o rock progressivo (Yes, King Crimson, Rush e Pink Floyd, principalmente) Pio Lobato enxergou na sonoridade trazida pelo guitarrista Mestre Vieira, um alargamento dos pr\u00f3prios horizontes musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora o guitarrista paraense se prepara para lan\u00e7ar o sexto \u00e1lbum, \u201cBrinquedo\u201d, um \u00e1lbum que marca uma volta \u00e0s origens, equilibrando-se de forma igualit\u00e1ria entre as nuances da m\u00fasica regional com as tinturas de rock progressivo, folk rock e power trios t\u00edpicos dos anos 1970, incluindo at\u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de 18 minutos: \u201c(Essa faixa) \u00e9 uma grande narrativa criada com colagem de climas\u201d, explica Pio no bate papo abaixo, em que ele fala sobre guitarrada, a cria\u00e7\u00e3o musical como uma brincadeira e o ato de correr riscos na composi\u00e7\u00e3o: \u201cAcho importante experimentar outras formas de ouvir nossa m\u00fasica, sempre, porque \u00e9 importante arriscar, \u00e9 importante a provoca\u00e7\u00e3o\u201d. Confira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" style=\"border: 0; width: 100%; height: 100%;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/track=2966911976\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/artwork=small\/transparent=true\/\" width=\"300\" height=\"150\" seamless=\"\"><a href=\"http:\/\/piolobato.bandcamp.com\/track\/casa-velha-single\"><\/a><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBrinquedo\u201d tem a ver com o fato de voc\u00ea dizer que estar no est\u00fadio \u00e9 como estar brincando, divers\u00e3o pura&#8230; Como \u00e9 esse processo de criar em est\u00fadio?<\/strong><br \/>\n\u201cBrinquedo\u201d tem a ver com fazer m\u00fasica. Em casa, no est\u00fadio, improvisando no show ou qualquer coisa nesse sentido, \u00e9 tudo como se fosse um brinquedo, uma brincadeira. Esse disco tem muito a ver com isso. O processo no est\u00fadio \u00e9 trabalhoso e se n\u00e3o fosse esse combust\u00edvel para mover a gente durante meses, ficaria muito dif\u00edcil. Trabalhar em cima de um conceito e levar isso adiante sem que mesmo os parceiros com quem tu trabalha tenham muita no\u00e7\u00e3o disso, em um processo de cria\u00e7\u00e3o constante, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim, pelo menos para mim. \u00c9 sempre um processo de descoberta e redescoberta sozinho ou com as parcerias musicais. O resultado tem que ser um brinquedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 um conceito por tr\u00e1s de \u201cBrinquedo\u201d? Tem uma faixa de 18 minutos e um ambiente que remete ao que as bandas faziam nos anos 70.<\/strong><br \/>\nTem sim. Sabe, o que mais admiro nessa gera\u00e7\u00e3o do rock progressivo foi a concep\u00e7\u00e3o de que o vinil long-play, com os seus 40 minutos divididos em dois lados, pode configurar uma forma musical. Logicamente que o que nos chegou at\u00e9 hoje tem influ\u00eancia do conceito que eles criaram. Ent\u00e3o comecei a engatinhar nessa \u00e1rea, buscando uma identidade baseada na minha informa\u00e7\u00e3o musical, ancestral cultural, e no que pode ser descoberto a partir disso. A faixa maior \u00e9 praticamente uma grande narrativa criada com colagem de climas. Tanto fazer a m\u00fasica quanto ouvi-la depois \u00e9 um processo de descoberta. Um grande jogo de mem\u00f3ria emotiva. Ao tocar ao vivo ganha tamb\u00e9m outras cores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 o teu processo de cria\u00e7\u00e3o junto ao baterista Vov\u00f4?<\/strong><br \/>\nVov\u00f4 \u00e9 o grande parceiro de toda essa trajet\u00f3ria. No processo criativo de lapida\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o ele \u00e9 decisivo, pois tudo que a gente faz \u00e9 adaptando o jogo da imagina\u00e7\u00e3o entre os instrumentos e os sons que constroem a m\u00fasica. No caso desse disco foi particularmente provocador criar m\u00fasicas para trio sem a presen\u00e7a do contrabaixo, que foi adicionado depois. Temos ideia de fazer uma redu\u00e7\u00e3o para um pocket show onde tudo vai ser novamente readaptado. Nesse disco a m\u00fasica \u00e9 um brinquedo de montar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teu estilo passou a ser muito associado ao \u201cg\u00eanero\u201d da guitarrada e a novas leituras do tecnobrega. Se tornou um ambiente restrito e voc\u00ea sentiu a necessidade de buscar novos caminhos ou \u00e9 tudo uma coincid\u00eancia?<\/strong><br \/>\nAcho que a gente tem um manancial de g\u00eaneros musicais praticamente puros em nossa cultura que poderiam ir al\u00e9m da superficialidade. Poder\u00edamos mergulhar mais neles e criar novas linguagens, buscar o diferente. Mas isso \u00e9 s\u00f3 uma opini\u00e3o minha, cada um faz o que acha necess\u00e1rio para si. Nesse momento acho importante buscar outra forma de traduzir isso num disco. Claro, sempre tenho um olhar para nossa m\u00fasica, isso \u00e9 inerente. Mas esse disco \u00e9 o que menos t\u00eam guitarrada expl\u00edcita. Acho importante experimentar outras formas de ouvir nossa m\u00fasica, sempre, porque \u00e9 importante arriscar, \u00e9 importante a provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fale um pouco da sonoridade desse disco novo. Fala um pouco das faixas.<\/strong><br \/>\nBem, \u201cCasa Velha\u201d \u00e9 um tema que estava guardado aqui em casa h\u00e1 alguns anos. O disco todo \u00e9 constru\u00eddo com temas assim. N\u00e3o tem um ritmo muito comum para m\u00fasica pop, mas \u00e9 muito gostosa de tocar, no meio muda o clima completamente e remete aos anos 70 para em seguida voltar ao tema inicial e finalmente terminar num bai\u00e3o el\u00e9trico. \u201cDerrapada\u201d tem esse nome porque durante as grava\u00e7\u00f5es tivemos que ajustar algumas coisas que estavam saindo da estrada. Durante a inf\u00e2ncia eu sonhava muito que dava grandes saltos, quase chegando a voar. A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que nesse arranjo a batida de 3 em 3 d\u00e1 essa sensa\u00e7\u00e3o de flutua\u00e7\u00e3o, de caminhada leve, tranquila, como quem leva o cachorro para passear na pra\u00e7a. \u201cA Ladainha\u201d tem conex\u00e3o direta com os c\u00e2nticos de prociss\u00e3o do Par\u00e1. A m\u00fasica religiosa \u00e9 a base para maioria das m\u00fasicas de todo planeta, at\u00e9 o que \u00e9 considerado profano por uma determinada religi\u00e3o pode ser muito sagrado para outra. Nessa m\u00fasica, desse tipo de conex\u00e3o, tentei traduzir nesse jogo de sons costurado no est\u00fadio. Ainda h\u00e1 muito que percorrer nesse caminho, nessa nossa ladainha em busca do sagrado. \u201cQuarto\u201d \u00e9 a su\u00edte de \u201cBrinquedo\u201d, cujo nome era para ser \u201cPurruda\u201d, que \u00e9 a g\u00edria para a palavra \u2018grande\u2019 aqui em Bel\u00e9m. Essa \u00e9 uma m\u00fasica que no come\u00e7o surge do nada. Ela vem do sil\u00eancio e vai aparecendo pela repeti\u00e7\u00e3o. De repente ela vai surgindo e explode, sendo transformada em v\u00e1rios temas. Esses temas s\u00e3o colados e desenvolvidos no decorrer da m\u00fasica no meio a um grande solo do Nazaco, nosso percussionista, que marca a transi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica j\u00e1 se preparando para o final. Conectando texturas e constru\u00e7\u00f5es, sobretudo de ritmo, que se alegram e chegam e chegam ao final com uma varia\u00e7\u00e3o do come\u00e7o. Toda essa caminhada percorre os 20 minutos do lado B do vinil, logicamente influenciado pelos cl\u00e1ssicos do rock progressivo. A diferen\u00e7a \u00e9 que possui o sabor dos g\u00eaneros regionais com que n\u00f3s temos bastante intimidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p5S6TS4bVPM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mQ1xXfTmEvQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GKMFCJPz2ws?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Lui Machado \u00e9 jornalista e roteirista do document\u00e1rio \u201cTerrit\u00f3rio Entre Fronteiras\u201d. J\u00e1 colaborou com Caros Amigos, Brasil de Fato e Amaz\u00f4nia Real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Prestes a lan\u00e7ar o seu sexto \u00e1lbum chamado \u201cBrinquedo\u201d, Pio Lobato fala sobre o retorno \u00e0s origens do rock progressivo e o processo criativo em seu novo trabalho \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/09\/entrevista-pio-lobato\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":50,"featured_media":44551,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2350],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44549"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44549"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44549\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44552,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44549\/revisions\/44552"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}