{"id":44511,"date":"2003-11-30T14:34:18","date_gmt":"2003-11-30T16:34:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44511"},"modified":"2024-08-28T20:28:23","modified_gmt":"2024-08-28T23:28:23","slug":"disco-politico-de-joyce-ganha-reedicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/11\/30\/disco-politico-de-joyce-ganha-reedicao\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Passarinho Urbano&#8221;, o disco pol\u00edtico de Joyce, ganha reedi\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-44512\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/joyce1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/joyce1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/joyce1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/joyce1-298x300.jpg 298w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 1976 na It\u00e1lia, o \u00e1lbum &#8220;Passarinho Urbano&#8221;, da cantora Joyce, acaba de ganhar edi\u00e7\u00e3o caprichada em CD, com as letras do repert\u00f3rio pol\u00edtico do disco e um texto explicativo da cantora. Em 1975 Joyce estava na It\u00e1lia em turn\u00ea com Vinicius de Moraes e Toquinho. No Brasil, a MPB sofria com a forte censura que, quando n\u00e3o proibia de todo uma m\u00fasica, retalhava a can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O produtor italiano Sergio Bardotti, respons\u00e1vel pelas vers\u00f5es em italiano das can\u00e7\u00f5es de Chico Buarque, fez a proposta para Joyce de um novo disco, para a s\u00e9rie Folk Internazionale, da gravadora italiana Fonit Cetra, com base em can\u00e7\u00f5es urbanas do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cantora havia feito sua estreia musical com o \u00e1lbum &#8220;Joyce&#8221; (1968), seguido de &#8220;Encontro Marcado&#8221; (1969) e &#8220;Nelson \u00c2ngelo &amp; Joyce&#8221; (1972). &#8220;Passarinho Urbano&#8221; viria a ser seu quarto disco, mas at\u00e9 ent\u00e3o a cantora n\u00e3o havia tocado direito viol\u00e3o em seus discos. &#8220;Optamos pelo formato voz e viol\u00e3o, uma experi\u00eancia nova para mim&#8221;, explica a cantora no encarte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o repert\u00f3rio, Joyce procurou can\u00e7\u00f5es que estivesse com vontade de cantar naquele momento. A escolha acabou revelando um repert\u00f3rio com base na MPB fortemente censurada no Brasil da \u00e9poca, com can\u00e7\u00f5es de Milton Nascimento, Edu Lobo, Caetano Veloso, Capinam, Mauricio Tapaj\u00f3s, Paulo C\u00e9sar Pinheiro, Paulinho da Viola e Chico Buarque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado com capa dupla em 1976 na It\u00e1lia, o disco tinha um longo texto explicativo do produtor, apresentando os compositores, os instrumentos usados na grava\u00e7\u00e3o e a tradu\u00e7\u00e3o das letras. No Brasil, Passarinho Urbano foi lan\u00e7ado em 1977, passando desapercebido, talvez por seu forte conte\u00fado pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na capa, Joyce parte para a provoca\u00e7\u00e3o, com um desenho estilizado que traz a cantora entornando uma Coca-Cola, em um per\u00edodo em que a Ditadura refor\u00e7ava a nacionaliza\u00e7\u00e3o. Musicalmente, a bela voz da cantora \u00e9 o fio condutor das can\u00e7\u00f5es, 18 no total, algumas inclusive &#8220;a capella&#8221; em formato vinheta. O disco abre com &#8220;J\u00f3ia&#8221;, de Caetano Veloso, segue com &#8220;De Frente Pro Crime&#8221;, de Jo\u00e3o Bosco e Aldir Blanc (&#8220;T\u00e1 l\u00e1 o corpo estendido no ch\u00e3o&#8221;, diz a letra) e ganha for\u00e7a em uma vers\u00e3o desnuda e pungente de &#8220;Pesadelo&#8221;, um dos ataques mais fortes da dupla Mauricio Tapaj\u00f3s e Paulo C\u00e9sar Pinheiro contra a censura: &#8220;Voc\u00ea corta um verso, eu escrevo outro \/ Voc\u00ea me prende vivo, eu escapo morto \/ De repente, olha eu de novo \/ Perturbando a paz, exigindo o troco&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joyce ainda recheia o \u00e1lbum com can\u00e7\u00f5es de outros tempos, como &#8220;Pelo Telefone&#8221;, samba de Donga de 1917 e &#8220;Marcha de Quarta-Feira de Cinzas&#8221;, de Carlos Lyra e Vinicius (1964). O repert\u00f3rio pol\u00edtico ainda inclui o samba &#8220;Opini\u00e3o&#8221;, de Z\u00e9 K\u00e9ti, &#8220;Bodas&#8221;, de Milton Nascimento e Ruy Guerra e &#8220;Acorda Amor&#8221;, de Chico Buarque em sua encarna\u00e7\u00e3o como Julinho da Adelaide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Julinho, filho da dona Adelaide, foi a maneira que Chico Buarque conseguiu para fugir da censura por algum tempo. Duramente censurado, no come\u00e7o dos anos setenta, tudo que o cantor mandava para a censura com seu nome era proibido, Chico optou por lan\u00e7ar um disco apenas com regrava\u00e7\u00f5es. Colheu m\u00fasicas de Caetano Veloso, Noel Rosa, Tom Jobim e Paulinho da Viola (entre outros). O disco &#8220;Sinal Fechado&#8221; ainda trazia uma parceria de Leonel Paia com um novo sambista, o Julinho, nada mais que um codinome que Chico usou para tapear a censura. O golpe deu certo e &#8220;Acorda Amor&#8221; n\u00e3o foi censurada, apesar de seu forte conte\u00fado pol\u00edtico, em uma letra que falava de batidas policiais e pessoas que eram detidas e n\u00e3o voltavam mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo do \u00e1lbum, &#8220;Passarinho Urbano&#8221;, \u00e9 inspirado em um poema de Mario Quintana, que Joyce musicou, o famoso poema que diz &#8220;eles passar\u00e3o, eu passarinho&#8221;. Quando o disco foi lan\u00e7ado no Brasil, em 1977, Joyce estava vivendo nos Estados Unidos, em Nova York. Para a cantora, Passarinho Urbano \u00e9 &#8220;como a fotografia de um tempo em que, para a juventude de uma gera\u00e7\u00e3o, era mesmo preciso cantar&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Passarinho urbano\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lJPSYMPdOmR1l8R0A1sIx3a8M7vvsXSh0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lan\u00e7ado com capa dupla em 1976 na It\u00e1lia, o disco tinha um longo texto explicativo do produtor, apresentando os compositores, os instrumentos usados na grava\u00e7\u00e3o e a tradu\u00e7\u00e3o das letras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/11\/30\/disco-politico-de-joyce-ganha-reedicao\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2346],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44511"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44511"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83137,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44511\/revisions\/83137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}