{"id":44485,"date":"2017-10-02T23:08:55","date_gmt":"2017-10-03T02:08:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44485"},"modified":"2017-12-14T09:19:51","modified_gmt":"2017-12-14T11:19:51","slug":"tres-perguntas-zeiz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/02\/tres-perguntas-zeiz-2\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Z\u00e9is"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.tavares.96343\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Daniel Tavares<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Z\u00e9is, como \u00e9 mais conhecido o m\u00fasico cearense Mois\u00e9s Felipe, \u00e9 vocalista da banda Capotes Pretos na Terra Marfim e lan\u00e7ou em agosto seu primeiro \u00e1lbum solo, \u201cDe Preto em Blue\u201d, um disco que dialoga com v\u00e1rias linguagens, predominantemente o rock, mas tamb\u00e9m o rap e o brega, situando-se como mais um interessant\u00edssimo trabalho da nova m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da inf\u00e2ncia em Caucaia, Regi\u00e3o Metropolitana de Fortaleza, at\u00e9 o primeiro EP dos Capotes (\u201cA Casa\u201d, lan\u00e7ado em 2013) foram mais de 20 anos respirando m\u00fasica (o que inclui uma gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Cear\u00e1). \u201cDe Preto em Blue\u201d \u00e9, segundo Z\u00e9is, um disco \u201ccheio de can\u00e7\u00f5es que carregam estruturas r\u00edtmicas de m\u00fasica brasileira misturadas a sintetizadores e efeitos, passado e de futuro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo abaixo, Z\u00e9is fala sobre a Capotes, seu disco solo de estreia e pol\u00eamicas raciais, acirradas recentemente nas redes sociais no momento da entrevista pela escolha da nova Miss Brasil, Monalysa Alc\u00e2ntara, negra e do Piau\u00ed. \u201cPor que a cor preta est\u00e1 associada a coisas ruins ou que n\u00e3o deram certo?\u201d, ele questiona. \u201cPor ingenuidade ou falta de car\u00e1ter, alguns costumam dizer que n\u00e3o h\u00e1 racismo ou preconceito racial no Brasil\u201d, completa. Confira a conversa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ncpdaXa70rg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDe Preto em Blue\u201d \u00e9 seu disco de estreia, ent\u00e3o, \u00e9 normal que as pessoas ainda n\u00e3o conhe\u00e7am o seu trabalho, mesmo quem j\u00e1 o conhece dos Capotes Pretos na Terra Marfim. Pra come\u00e7ar, gostar\u00edamos que voc\u00ea se apresentasse, falasse sobre o seu som e sobre o disco.<\/strong><br \/>\nBem, em 2012 come\u00e7amos com os Capotes, e foi exatamente nesse contexto que escolhi ter a m\u00fasica como prioridade em minha vida. De l\u00e1 pra c\u00e1 lan\u00e7amos dois trabalhos, um EP intitulado \u201cA Casa\u201d em 2013 e um \u00e1lbum que tem o nome da banda como t\u00edtulo em 2015, gravado no Mocker Studio, em Fortaleza. Este ano venho com meu trabalho, tamb\u00e9m gravado e lan\u00e7ado pelo Mocker, solo que \u00e9 fruto de inquieta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas minhas e tamb\u00e9m vontade de tratar de tem\u00e1ticas que n\u00e3o havia tratado at\u00e9 ent\u00e3o com a banda. Tenho dito que o \u201cDe Preto em Blue\u201d \u00e9 um disco que est\u00e1 carregado de elementos nost\u00e1lgicos e de artificialidade. Nost\u00e1lgicos porque a maneira que as can\u00e7\u00f5es foram concebidas me remetem muito a artistas que ouvi muito por influ\u00eancia do meu pai e do meu irm\u00e3o mais velho, e artificiais pela pr\u00f3pria forma que o disco foi sendo constru\u00eddo em rela\u00e7\u00e3o aos arranjos. O disco \u00e9 composto por m\u00fasicas de minha autoria e tamb\u00e9m, algumas, fruto de parcerias, e os arranjos foram sendo concebidos durante as grava\u00e7\u00f5es em que eu e o Igor Min\u00e1, produtor do disco, \u00edamos fazendo escolhas. O Igor preza por introduzir elementos que causam estranhamento ao ouvinte, e eu, particularmente, sou totalmente aberto a essas inser\u00e7\u00f5es, pois acredito que isso traz mais personalidade ao som e que, por mais que muitas vezes exploramos esses estranhamentos a partir de instrumental sint\u00e9tico, eles, ao contr\u00e1rio, trazem mais organicidade \u00e0s m\u00fasicas. Ent\u00e3o o disco est\u00e1 cheio de can\u00e7\u00f5es que carregam estruturas r\u00edtmicas de m\u00fasica brasileira misturadas a sintetizadores e efeitos, est\u00e1 cheio de passado e de futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pol\u00eamicas raciais t\u00eam sido temas recorrentes nas redes sociais. Entre apologias e cr\u00edticas, fala-se em cotas, em vitimismo, d\u00edvida social. Recentemente, o assunto voltou \u00e0 tona com a escolha da piauiense Monalysa Alc\u00e2ntara como a Miss Brasil 2017. O que voc\u00ea tem a falar sobre esse assunto?<\/strong><br \/>\nO \u201cDe Preto em Blue\u201d nasceu do seguinte mote: \u201cPor que a cor preta est\u00e1 associada a coisas ruins ou que n\u00e3o deram certo?\u201d. Por ingenuidade ou falta de car\u00e1ter, alguns costumam dizer que n\u00e3o h\u00e1 racismo ou preconceito racial no Brasil. \u00c9 por conta de ainda existirem pessoas que pensam assim que o debate precisa ser intensificado e apresentado em diferentes esferas. No meu caso, achei muito pertinente que eu, um artista que me reconhe\u00e7o como negro, tratasse do assunto no meu disco. Pra mim, \u00e9 claro que o Brasil tem, sim, uma d\u00edvida hist\u00f3rica com os negros e com os \u00edndios, e acho que o Estado precisa, sim, proteger e dar condi\u00e7\u00f5es para que esses grupos possam se manter e perpetuar sua cultura e modo de vida, seja por cotas ou pela via que se julgar necess\u00e1ria. No disco, a quest\u00e3o da criminaliza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos de cor negra aparece mais fortemente na can\u00e7\u00e3o \u201cRetrovisor\u201d, faixa que conta com a participa\u00e7\u00e3o do rapper Andrez\u00e3o GDS. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 na verdade uma narrativa em que falamos de uma a\u00e7\u00e3o policial para capturar um \u201csuspeito de chinelo, elemento cor padr\u00e3o\u201d. A pr\u00f3pria \u201cDe Preto em Blue\u201d foi uma tentativa minha de ter a palavra \u201cpreto\u201d associada a um sentimento de positividade. Dizer que voc\u00ea est\u00e1 \u201cde preto em blue\u201d \u00e9 outra maneira de dizer que voc\u00ea est\u00e1 de boas, de bem com a vida. O disco ainda fecha com a faixa \u201cClareou\u201d, que traz esses questionamentos sobre o significado que as cores carregam, da necessidade da gente repensar, questionar e mudar nossas maneiras de enxergar as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 o vocalista da Capotes Pretos na Terra Marfim. De onde vem esse nome e para onde vai a Capotes. Voc\u00ea vai conciliar a carreira solo com a banda? Quais s\u00e3o os planos, seus e de seus colegas, para o futuro?<\/strong><br \/>\nO nome era pra ser algo provis\u00f3rio para o nosso show de estreia, acontece que a gente gostou tanto que ficou sendo nosso nome de vez. Ele surgiu quando est\u00e1vamos pr\u00e9-produzindo nosso EP em 2013. N\u00f3s fomos passar um fim de semana numa casa da fam\u00edlia de um dos integrantes da banda que fica numa cidade chamada S\u00e3o Luiz do Curu, no interior do Cear\u00e1. A casa onde ficamos era bem isolada de tudo e rodeada por animais, inclusive muitos capotes (no Cear\u00e1, capotes s\u00e3o as galinhas d&#8217;angola). Ent\u00e3o, inspirados por essa atmosfera de sert\u00e3o, com a coisa da terra de colora\u00e7\u00e3o cinza amarronzada, a gente juntou todas as palavras que vieram em nossas mentes dentro daquele cen\u00e1rio e da\u00ed nasceu o nome. Depois constru\u00edmos uma concep\u00e7\u00e3o sobre a Terra Marfim como um espa\u00e7o imagin\u00e1rio onde nossas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e o pensamento coletivo se encontram. A ideia agora \u00e9 que eu v\u00e1 tocando os dois projetos concomitantemente, inclusive o Artur Guidugli, que \u00e9 baterista dos Capotes, tamb\u00e9m est\u00e1 comigo no show do &#8220;De Preto em Blue&#8221;. Temos algumas composi\u00e7\u00f5es j\u00e1 prontas para serem gravadas e outras em processo de constru\u00e7\u00e3o de arranjo para lan\u00e7armos ainda este ano. Apenas estamos decidindo o formato, se em forma de \u00e1lbum, EP ou single.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KgV6OkQOs6I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JskFHk_tMhE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Daniel Tavares (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.tavares.96343\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Fortaleza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Z\u00e9is \u00e9 vocalista da banda Capotes Pretos Terra Marfim e lan\u00e7ou em agosto seu primeiro \u00e1lbum solo, \u201cDe Preto em Blue\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/02\/tres-perguntas-zeiz-2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":10,"featured_media":44474,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2349,2345],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44485"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44485"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44547,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44485\/revisions\/44547"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}