{"id":44377,"date":"2017-09-26T23:56:07","date_gmt":"2017-09-27T02:56:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44377"},"modified":"2017-11-18T07:27:07","modified_gmt":"2017-11-18T09:27:07","slug":"tres-perguntas-flavio-tris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/26\/tres-perguntas-flavio-tris\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Flavio Tris"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando era moleque, o paulistano Flavio Tris escutava muita m\u00fasica cl\u00e1ssica, mas seu ouvido para m\u00fasica deu uma guinada quando uma professora lhe falou sobre Chico Buarque e um irm\u00e3o gravou uma fitinha K7 com Chico de um lado e Caetano do outro. A m\u00fasica cl\u00e1ssica permaneceu, mas precisou dividir espa\u00e7o com Chico, Caetano, Gil, Jo\u00e3o Gilberto, Jorge Ben, Marcelo Jeneci, Tulipa, Filipe Catto, Leo Cavalcanti, C\u00e9sar Lacerda e Luiz Gabriel Lopes, os dois \u00faltimos parceiros de Flavio na constru\u00e7\u00e3o de \u201cSol Velho Lua Nova\u201d, seu segundo disco solo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em texto escrito para a imprensa, Luzi Gabriel resumiu o processo de grava\u00e7\u00e3o de \u201cSol Velho Lua Nova\u201d: \u201cNuma imers\u00e3o de quatro dias, cinco almas estiveram de ouvidos e cora\u00e7\u00f5es atentos, num exerc\u00edcio de jardinagem capitaneado pelo esp\u00edrito daquelas nove can\u00e7\u00f5es e suas florestas por dentro\u201d. Flavio Tris, em conversa por e-mail, completa: \u201cPosso dizer que foi das experi\u00eancias mais fluidas que j\u00e1 vivi com a m\u00fasica. N\u00e3o houve nenhum atravessamento, t\u00ednhamos vontades parecidas, todos concordavam com os rumos do disco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rec\u00e9m-lan\u00e7ado pelo selo Circus e disponibilizado pelo artista para download gratuito em seu site oficial (<a href=\"http:\/\/flaviotris.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/flaviotris.com<\/a>) \u201cSol Velho Lua Nova\u201d \u00e9 muito mais contemplativo e silencioso do que o festivo \u201cFlavio Tris\u201d, o bom \u00e1lbum de estreia lan\u00e7ado em 2013: \u201c\u2019Sol Velho Lua Nova\u2019 \u00e9 definitivamente um disco bem mais homog\u00eaneo, mais curto e em geral mais enxuto. As can\u00e7\u00f5es est\u00e3o valorizadas \u00e0 medida que voz e viol\u00e3o se destacam\u201d, explica Fl\u00e1vio, que abaixo fala sobre a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o e a aproxima\u00e7\u00e3o de Luiz Gabriel Lopes e C\u00e9sar Lacerda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gBrboLJL3lE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quatro anos separam seu disco de estreia de \u201cSol Velho Lua Nova\u201d, mas vejo uma continuidade na sonoridade dos dois \u00e1lbuns, ainda que o primeiro exiba uma linha mais variada, com ecos de m\u00fasica caipira, e o novo siga uma linha mel\u00f3dica que perpassa todo o \u00e1lbum. Como foi pensar \u201cSol Velho Lua Nova\u201d? O que voc\u00ea buscava?<\/strong><br \/>\nFoi bastante curioso o processo de concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica do &#8220;Sol Velho Lua Nova&#8221;. Ele estava sendo gestado por mim desde 2015 e eu j\u00e1 tinha a inten\u00e7\u00e3o de enxugar a atmosfera sonora, portanto as novas can\u00e7\u00f5es j\u00e1 tinham uma pegada mais minimalista. Por\u00e9m, at\u00e9 poucos meses antes de entrarmos em est\u00fadio, n\u00e3o era muito claro o modo pelo qual realizar\u00edamos essa vontade. Ent\u00e3o certas circunst\u00e2ncias inesperadas se apresentaram, tive que acionar um plano B e de repente as coisas todas se encaixaram. Uma nova equipe se formou e ali tivemos a clareza sobre a roupagem daquelas can\u00e7\u00f5es, sobre a sonoridade que quer\u00edamos para o disco. \u00c9 definitivamente um disco bem mais homog\u00eaneo, mais curto e em geral mais enxuto. As can\u00e7\u00f5es est\u00e3o valorizadas \u00e0 medida que voz e viol\u00e3o se destacam, enquanto os demais elementos parecem circundar e dar suporte ao n\u00facleo da experi\u00eancia. Portanto bem diferente do primeiro disco, em que os arranjos s\u00e3o bem diversificados e mais complexos em termos instrumentais. Os espa\u00e7os l\u00e1 est\u00e3o bem preenchidos, enquanto em &#8220;Sol Velho Lua Nova&#8221; h\u00e1 um certo sil\u00eancio que parece habitar todas as can\u00e7\u00f5es. De certa forma eu buscava esse sil\u00eancio e essa atmosfera contemplativa, e sinto que chegamos onde quer\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cSol Velho Lua Nova\u201d voc\u00ea trabalha com Luiz Gabriel Lopes e C\u00e9sar Lacerda, dois expoentes da nova cena musical mineira. Voc\u00ea j\u00e1 os conhecia? Como foi a conex\u00e3o e como fluiu o trabalho?<\/strong><br \/>\nEu conhe\u00e7o Luiz Gabriel e C\u00e9sar j\u00e1 h\u00e1 muitos anos. Conheci ambos no mesmo dia, l\u00e1 para os idos de 2010. Vieram a S\u00e3o Paulo para um show junto com a Luiza Brina e os tr\u00eas ficaram hospedados na minha casa, por sugest\u00e3o da poeta J\u00falia de Carvalho Hansen. Desde l\u00e1 nosso v\u00ednculo foi s\u00f3 se estreitando e ainda mais agora que ambos vivem em S\u00e3o Paulo. Tocamos juntos, compomos juntos. Mas n\u00e3o foi evidente desde o in\u00edcio a participa\u00e7\u00e3o deles em &#8220;Sol Velho Lua Nova&#8221;. Eu j\u00e1 tocava h\u00e1 muitos anos com outros m\u00fasicos e em princ\u00edpio seriam eles a gravar o disco comigo, sob o comando de algum produtor que n\u00e3o sab\u00edamos qual seria. Ent\u00e3o, um dos membros da banda resolveu subitamente se mudar para a Bahia e todo o processo sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o radical. Eu j\u00e1 queria outra sonoridade para o \u00e1lbum que estava chegando e naturalmente a solu\u00e7\u00e3o foi dissolver a forma\u00e7\u00e3o antiga e fazer nascer uma forma\u00e7\u00e3o nova. Conversei de in\u00edcio com o Gui Augusto, que topou estar junto e ceder a Casa Lumieiro para as grava\u00e7\u00f5es. Depois falei com C\u00e9sar, que tamb\u00e9m topou prontamente. Mas foi quando contactei o Luiz Gabriel que as coisas realmente tomaram forma. Luiz sugeriu que nos junt\u00e1ssemos dali a tr\u00eas semanas e grav\u00e1ssemos o disco num s\u00f3 respiro. Todos toparam, por\u00e9m ainda faltava a pessoa para levantar o som, para cuidar da parte t\u00e9cnica. Assim \u00e9 que, um dia antes do in\u00edcio das grava\u00e7\u00f5es, tivemos a confirma\u00e7\u00e3o de que Elisio Freitas viria do Rio de Janeiro para assumir essa parte. No final, Elisio fez bem mais do que apenas cuidar da parte t\u00e9cnica e acabou assinando a produ\u00e7\u00e3o musical do \u00e1lbum. Em resumo, n\u00f3s cinco nos juntamos e ficamos imersos na sala de estar da Casa Lumieiro durante tr\u00eas dias e meio. Praticamente todas as can\u00e7\u00f5es foram gravadas por todos e arranjadas pelos cinco \u00e0 medida em que eram gravadas, ou seja, os arranjos n\u00e3o foram montados previamente, mas durante as grava\u00e7\u00f5es. Posso dizer que foi das experi\u00eancias mais fluidas que j\u00e1 vivi com a m\u00fasica. N\u00e3o houve nenhum atravessamento, t\u00ednhamos vontades parecidas, todos concordavam com os rumos do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De onde nascem suas can\u00e7\u00f5es? Como letra e m\u00fasica chegam para voc\u00ea? H\u00e1 um modo \u00fanico de trabalho ou cada can\u00e7\u00e3o pede uma experi\u00eancia pr\u00f3pria?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o existe m\u00e9todo no meu modo de compor can\u00e7\u00f5es. Cada uma nasce de um jeito. Geralmente a m\u00fasica chega antes, mas muitas vezes letra e m\u00fasica chegam juntas. \u00c9 mais raro a letra nascer antes, mas tamb\u00e9m acontece. \u00c9 importante dizer que a dimens\u00e3o po\u00e9tica tem relev\u00e2ncia especial no meu trabalho. As letras definitivamente n\u00e3o est\u00e3o apenas preenchendo espa\u00e7os destinados \u00e0 voz, elas tem import\u00e2ncia fundamental na compreens\u00e3o da m\u00fasica que eu fa\u00e7o. O pr\u00f3prio conceito do &#8220;Sol Velho Lua Nova&#8221; n\u00e3o pode ser compreendido e flu\u00eddo inteiramente se estiver descolado do universo l\u00edrico que prop\u00f5e, ou seja, se o ouvinte n\u00e3o estiver atento ao que est\u00e1 sendo dito. Sinto que m\u00fasica e letra est\u00e3o totalmente conectados e n\u00e3o podem ser separados sem que isso afete significativamente o entendimento do \u00e1lbum. E esse conte\u00fado po\u00e9tico \u00e9 representa\u00e7\u00e3o fiel da minha vis\u00e3o de mundo, dos meus valores, \u00e9 ali que est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o do disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/seEdtkpe0iA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Jos\u00e9 de Holanda \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rec\u00e9m-lan\u00e7ado pelo selo Circus e disponibilizado para download gratuito, \u201cSol Velho Lua Nova\u201d \u00e9 muito mais contemplativo e silencioso do que o festivo \u201cFlavio Tris\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/26\/tres-perguntas-flavio-tris\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":44378,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2306],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44377"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44377"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44379,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44377\/revisions\/44379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}