{"id":44340,"date":"2017-09-24T23:53:43","date_gmt":"2017-09-25T02:53:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44340"},"modified":"2017-11-06T10:05:13","modified_gmt":"2017-11-06T12:05:13","slug":"the-who-ao-vivo-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/24\/the-who-ao-vivo-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"The Who ao vivo em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por Marcelo Costa<\/strong><br \/>\n<strong>fotos por Ricardo Matsukawa \/ Mercury Concerts<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das coisas bacanas do rock \u00e9 seu car\u00e1ter redentor. Sen\u00e3o, vejamos o epis\u00f3dio The Who em S\u00e3o Paulo. Ainda que seja uma das indiscut\u00edveis maiores bandas da hist\u00f3ria, a vinda do The Who ao Brasil pela primeira vez, 53 anos ap\u00f3s surgir no bairro londrino de Shepherd&#8217;s Bush, em Londres, gerava d\u00favidas da possibilidade dos dois setent\u00f5es bisav\u00f3s Roger Daltrey e Pete Townshend ainda causarem na plateia a mesma emo\u00e7\u00e3o da \u00e9poca em que faziam alguns dos melhores shows do mundo (escudados pelo grande baterista Keith Moon, falecido em 1978, e pelo mestre John Entwistle, no baixo, que morreu em 2002) enquanto deixavam para tr\u00e1s um rastro de guitarras quebradas. O que restou em 2017 daquela banda que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/23\/musica-live-at-leeds-the-who\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gravou um dos melhores discos ao vivo da hist\u00f3ria<\/a>, em 1970?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-44342\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cult.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cult.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cult-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 35 mil pessoas puderam presenciar a resposta na quinta feira que abriu o primeiro de quatro dias do S\u00e3o Paulo Trip (perna nacional do Desert Trip, que reuniu em 2016 em Indio, na Calif\u00f3rnia, Bob Dylan, Rolling Stones, Neil Young, Paul McCartney, Roger Waters e&#8230; The Who). Antes de Daltrey e Townshend entrarem em cena, por\u00e9m, a paci\u00eancia da plateia foi testada com os clich\u00eas do Alter Bridge e com uma primeira parte morna do Cult, que dividiu seu set de 12 m\u00fasicas em duas faixas bocejantes do \u00e1lbum de 2016, \u201cHidden City\u201d, uma de \u201cBeyond Good and Evil\u201d (2001) e as outras nove da tr\u00edade de discos que consagraram o vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy no s\u00e9culo passado: o g\u00f3tico \u201cLove\u201d (1985) e o hard rock de arena de \u201cElectric\u201d (1987) e \u201cSonic Temple\u201d (1989) \u2013 o trecho final com &#8220;Sweet Soul Sister&#8221;, &#8220;She Sells Sanctuary&#8221;, &#8220;Fire Woman&#8221; e &#8220;Love Removal Machine&#8221; foi bastante digno.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-44346\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pontualmente \u00e0s 21h30, um recado no tel\u00e3o pedia: &#8220;Mantenha a calma, a\u00ed vem o The Who&#8221;. E a calma foi para o espa\u00e7o assim que o riff marcante do hino &#8220;I Can&#8217;t Explain&#8221; ecoou no Allianz Parque. Dai em diante, uma aula de rock and roll. Muito menos falante do que se veria dois dias depois no palco Mundo do Rock in Rio, um Pete Townshend marcado pela idade, mas com uma vitalidade impressionante, limitou-se a gritar \u201cS\u00e3o Paulo\u201d no come\u00e7o do show e dizer que estava muito feliz com a primeira vez do The Who no pa\u00eds. Com a guitarra em punho, por\u00e9m, Pete mostrou com f\u00faria e emo\u00e7\u00e3o porque ainda \u00e9 uma das lendas vivas do rock mundial seja solando, seja girando o bra\u00e7o como um helic\u00f3ptero, um gesto marca registrada que remonta ao in\u00edcio da banda, e que seria repetido (para del\u00edrio dos f\u00e3s) v\u00e1rias vezes durante a noite.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-44343\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparentemente mais em forma, o vocalista Roger Daltrey fez todo o mise-en-sc\u00e9ne que se esperava dele. Cantou muito tanto quanto fez seu microfone voar para c\u00e1 e para l\u00e1 no palco. Ap\u00f3s a abertura marcante, o show seguiu com uma vers\u00e3o poderosa de &#8220;The Seeker&#8221;, a cativante &#8220;Who Are You&#8221; e uma linear (mas ainda emocional) &#8220;The Kids Are Alright&#8221;. A pancada &#8220;I Can See for Miles&#8221; funcionou muito bem e no hino &#8220;My Generation&#8221; (acrescido de &#8220;Cry If You Want&#8221; no meio), Roger Daltrey perdeu a entrada, ficou aguardando a banda parar e come\u00e7ar de novo, mas o trem descarrilado seguiu em frente com o baixista Jon Button honrando a tarefa de estar na posi\u00e7\u00e3o de John Entwistle. Na bateria, Zak Starkey, filho de Ringo Starr, que ganhou seu primeiro kit do padrinho Keith Moon em 1973, tamb\u00e9m cumpriu com galhardia a imposs\u00edvel miss\u00e3o de substituir o insubstitu\u00edvel \u201cmad man\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-44344\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s grandes vers\u00f5es de \u201cBehind Blue Eyes\u201d e \u201cJoin Together\u201d, uma boa surpresa do miolo do show foi \u201cYou Better You Bet\u201d, single do \u00e1lbum \u201cFace Dances\u201d, de 1981, que funcionou muito bem ao vivo. Ent\u00e3o um mergulho emocional nas \u00f3peras-rock &#8220;Quadrophenia&#8221; (1973), com &#8220;I&#8217;m One&#8221;, &#8220;The Rock&#8221; e &#8220;Love, Reign O&#8217;er Me&#8221;, e \u201cTommy\u201d (1969), com &#8220;Amazing Journey&#8221;, &#8220;Sparks&#8221;, &#8220;Pinball Wizard&#8221; e &#8220;See Me, Feel Me&#8221;, e o show se encaminhou para o final com uma dobradinha do multi-platinado \u201cWho&#8217;s Next\u201d, de 1971: &#8220;Baba O&#8217;Riley&#8221; e &#8220;Won&#8217;t Get Fooled Again&#8221;. A rigor, o set list da turn\u00ea j\u00e1 tinha acabado, mas a banda quis presentear S\u00e3o Paulo e incluiu um bis especial, com &#8220;5:15&#8221; e &#8220;Substitute&#8221; encerrando uma noite hist\u00f3rica, finalizada com Townshend implorando aos presentes: \u201cGo home, go home, go home!\u201d. Quem esperava um bando de velhinhos de muletas se arrastando no palco foi surpreendido com um dos grandes shows do ano. Na enorme turba que saiu de alma lavada para fora do est\u00e1dio, algu\u00e9m filosofava: \u201cGrande parte das letras do Pete Townshend s\u00e3o sobre reden\u00e7\u00e3o\u201d. Perfeito final para uma noite redentora para o rock, para o Who e para o p\u00fablico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-44345\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/thewho3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Pete Townshend: At\u00e9 deuses da guitarra t\u00eam d\u00favidas, e erram, e seguem em frente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cSell Out Deluxe Edition\u201d traz uma \u00f3tima \u201cOur Love Was \u2013 Take 12\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/22\/lloyd-cole-the-who-e-pearl-jam\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Pete Townshend fala de Jimi Hendrix (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/01\/30\/pete-townshend-fala-de-jimi-hendrix\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Pete Townshend e a batalha entre o velho e o novo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/01\/23\/uma-batalha-entre-o-velho-e-o-novo\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quem esperava um bando de velhinhos de muletas se arrastando no palco foi surpreendido com um dos grandes shows de rock do ano no Brasil\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/24\/the-who-ao-vivo-em-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":44341,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2310,2311,2312,376],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44340"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44340"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44357,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44340\/revisions\/44357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44341"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}