{"id":44263,"date":"2017-09-19T23:54:58","date_gmt":"2017-09-20T02:54:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=44263"},"modified":"2017-10-26T10:43:14","modified_gmt":"2017-10-26T12:43:14","slug":"entrevista-millencolin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/19\/entrevista-millencolin\/","title":{"rendered":"Entrevista: Millencolin"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O frio intenso em partes do ano, \u00e0s vezes acompanhado da neve, cria um cen\u00e1rio buc\u00f3lico na Su\u00e9cia que, segundo moradores do pa\u00eds, \u00e9 um dos fatores que contribui para que tantas bandas sejam formadas por l\u00e1. Afinal, reunir os amigos e mandar um som em alguma garagem e\/ou est\u00fadio aquece os cora\u00e7\u00f5es e ajuda a passar o tempo. Mas h\u00e1 bandas da na\u00e7\u00e3o escandinava que conseguem criar um clima ensolarado em suas composi\u00e7\u00f5es independentemente da esta\u00e7\u00e3o do ano. \u00c9 o caso do Millencolin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgido nos anos 1990, o quarteto buscou refer\u00eancias, principalmente, no punk rock mel\u00f3dico da Calif\u00f3rnia (EUA) para criar m\u00fasicas apropriadas para uma session de surf ou skate, e despontou \u2014 ao menos no Brasil \u2014 na mesma d\u00e9cada, quando nomes como Bad Religion, Pennywise e NOFX ganharam popularidade em solo nacional. Pegando influ\u00eancia desses artistas, mas criando uma identidade pr\u00f3pria, o Millencolin conquistou seu espa\u00e7o entre o p\u00fablico f\u00e3 de punk rock\/HC menos truncado. No total, j\u00e1 s\u00e3o oito \u00e1lbuns de est\u00fadio, o mais recente, \u201cTrue Brew\u201d, lan\u00e7ado em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarteto continua comprovando que, al\u00e9m dos esportes radicais, \u00e9 excelente trilha para moshpits e rodas de pogo.\u00a0 O baterista Fredrik Larzon respondeu alguma perguntas exclusivas para a Abstratti Produtora via e-mail, diretamente de sua terra natal. Entre os temas, o porqu\u00ea de a Su\u00e9cia ser t\u00e3o prol\u00edfica na cena roqueira mundial, radicalismos e hist\u00f3ria do Millencolin.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EE1PPzauVKg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como f\u00e3 de rock sueco, preciso come\u00e7ar perguntando: tem algo na \u00e1gua do seu pa\u00eds (risos)? Porque h\u00e1 muitas bandas legais de diferentes vertentes. Podemos citar Millencolin, Entombed A.D, Dismember, At The Gates, In Flames, Hellacopters, Anti-Cimex, Wolfbrigade, Disfear, Dissection, Nasum, Refused, The Hives, Grave, Masshysteri, Unleashed, Kvoteringen (que tem voc\u00ea como baterista), Genocide Superstars, Graveyard, No Fun At All, H\u00e5kan Hellstr\u00f6m, Invsn\u2026 e at\u00e9 ABBA e Europe. Qual sua opini\u00e3o sobre o fato de existirem tantos artistas bacanas na Su\u00e9cia?<\/strong><br \/>\nValeu! Legal saber que voc\u00ea curte nossa m\u00fasica \u2014 e as bandas citadas s\u00e3o realmente sensacionais! N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil dar a voc\u00ea uma raz\u00e3o. Alguns dizem que nos anos 1980 e 1990 o Estado apoiava associa\u00e7\u00f5es internacionais economicamente e isso resultou em um monte de grupos musicais e artistas solos. Outros acreditam ser o clima, ironicamente. Para n\u00f3s, como conjunto, nos ajudou muito ter um lugar para ir e alugar equipamento e gravar demos em um est\u00fadio por uma pequena taxa anual. Isso nos inspirou e nos deu liberdade para promover shows e coisas do tipo. Quanto mais ensai\u00e1vamos, mais tempo de gra\u00e7a no est\u00fadio a gente conseguia. Muitas das bandas daqui, incluindo o Millencolin, se inspiraram nos Estados Unidos ou na Inglaterra para criar algo diferente. Era trabalho duro e dedica\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, temos todos os tipos de m\u00fasica, TV e filmes por aqui que n\u00e3o s\u00e3o dublados de seus idiomas originais. Al\u00e9m disso, aprendemos ingl\u00eas desde muito cedo nas escolas, bem como outros idiomas. E isso facilita as coisas para quem busca encontrar p\u00fablico fora da Su\u00e9cia. Claro que a maioria das produ\u00e7\u00f5es na m\u00eddia vinham dos EUA e da Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra quest\u00e3o interessante \u00e9 bandas de estilos distintos parecerem parceiras e curtir diferentes tipos de som. Isso \u00e9 maravilhoso e comum hoje em dia, mas no passado n\u00e3o era t\u00e3o normal. As pessoas achavam estranho, por exemplo, pegar um encarte de banda death metal agradecendo outra de hardcore mel\u00f3dico (no encarte do \u00e1lbum \u201cClandestine\u201d, do Entombed, o quarteto death metal sa\u00fada o Bad Religion, por exemplo). Como \u00e9 isso com voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nConcordo, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o a certo per\u00edodo. Claro que h\u00e1 muita divis\u00e3o por g\u00eanero aqui, mas n\u00e3o senti isso por um longo tempo. Nunca sentimos a necessidade de fazer parte de uma cena espec\u00edfica. A Su\u00e9cia \u00e9 um pa\u00eds muito pequeno, e penso que, cedo ou tarde, voc\u00ea vai topar com outros artistas, independentemente do tipo de som que faz. Isso faz a gente descobrir que somos apenas pessoas compartilhando nosso amor pela m\u00fasica. S\u00e3o apenas tipos ou graus de extremos diferentes. \u00c9 m\u00fasica: se voc\u00ea gosta, curta! Se n\u00e3o, apenas n\u00e3o ou\u00e7a. \u00c9 uma quest\u00e3o de mostrar respeito, al\u00e9m de ser uma boa maneira de buscar inspira\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o se fica restrito a um estilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Millencolin come\u00e7ou nos anos 1990. Como era a cena punk com a qual voc\u00eas tinham contato?<\/strong><br \/>\nQuando come\u00e7amos a banda, havia poucas bandas fazendo algo similar (No Fun At All, Superdong \/ Skumback, Randy, Satanic Surfers etc). Creio que fomos pegos pelo punk\/hc estadunidense, especialmente o do sul da Calif\u00f3rnia. O skate tamb\u00e9m foi crucial! Sem skate, provavelmente n\u00e3o haveria Millencolin. Os outros tr\u00eas caras (Nikola Sarcevic, baixo e voz; Mathias F\u00e4rm, guitarra; e Erik Ohlsson, guitarra) andam de skate desde adolescentes e ficavam praticando no carrinho sempre que n\u00e3o est\u00e1vamos ensaiando. Ouvimos um monte de m\u00fasica que nos inspirou nos v\u00eddeos de skate e decidimos come\u00e7ar uma banda no estilo desses artistas. A gente tamb\u00e9m tocava em outras bandas. N\u00e3o demorou muito para abandonarmos os outros projetos musicais e focarmos no Millencolin. A cena era boa: muitos shows, muita gente nas gigs. A gente fazia eventos e convidava outras bandas e vice-versa. Troc\u00e1vamos demo, faz\u00edamos fanzine e coisas assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/216YPEdgJcA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Millenconlin tem essa refer\u00eancia forte do punk estadunidense, mais do que do europeu. Ao menos no Brasil, a banda passou a receber mais aten\u00e7\u00e3o quando nomes como Green Day, Rancid, Bad Religion, Pennywise e at\u00e9 Offspring come\u00e7aram a fazer sucesso em nosso pa\u00eds. Voc\u00eas se sentem parte desta onda do punk rock noventista?<\/strong><br \/>\nSim! Ouv\u00edamos muito o que sa\u00eda pela Epitaph Records e pela Fat Wreck. Fomos muito influenciados por Bad Religion, Descendents, Operation Ivy, Pennywise, NOFX e outros. Fizemos alguns shows no come\u00e7o da carreira com Bad Religion e Offspring aqui na Su\u00e9cia. Tamb\u00e9m rolou uma tour na Europa com o Pennywise. Ao assinarmos com a Epitaph, isso ficou mais evidente. Definitivamente, nos sentimos parte deste movimento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais bandas foram como her\u00f3is para voc\u00eas e quais elementos do hardcore estadunidense chamaram sua aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAs bandas que mencionei anteriormente, junto com Circle Jerks, Misfits, Agent Orange, Quicksand e Samiam foram algumas das que nos influenciaram. Tamb\u00e9m tivemos refer\u00eancias de artistas suecos e de outros estilos. Sempre tentamos manter a mente aberta para sempre estarmos inspirados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a Epitaph descobriu o Millencolin? O qu\u00e3o importante foi ter essa oportunidade de mostrar sua m\u00fasica para o p\u00fablico \u2018certo\u2019 \u2014 n\u00e3o que a Europa fosse o alvo errado, mas o som de voc\u00eas parece ter mais apelo na Am\u00e9rica?<\/strong><br \/>\nCome\u00e7amos a trabalhar com a Burning Heart Records, da Su\u00e9cia, depois das nossas demos. Como eles lan\u00e7avam artistas similares, por\u00e9m suecos, para a Epitaph, as duas gravadoras come\u00e7aram a fazer parcerias. Por\u00e9m, assinamos ainda antes disso com a Epitaph. Lembro do Fletcher (Pennywise) falando para o Brett (dono da Epitaph e integrante do Bad Religion) no meio de uma bebedeira para ele assinar com a gente. Hahaha. Em 1995, isso aconteceu e o \u201cLife On A Plate\u201d saiu nos EUA logo depois de termos feito uma Vans Warped Tour por l\u00e1. Foi algo grandioso para n\u00f3s, com certeza. Desde ent\u00e3o, trabalhamos juntos (Millencolin e Epitaph)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas lidam com a quest\u00e3o de fazer sons s\u00f3 por divers\u00e3o e outros mais s\u00e9rios, como uma \u2018real\u2019 banda punk (brincadeirinha!)?<\/strong><br \/>\nNikola escreve boa parte das letras, mas entendo o que voc\u00ea est\u00e1 falando. Sempre quisemos fazer punk mel\u00f3dico com sons sobre o cotidiano, descrevendo situa\u00e7\u00f5es alegres e problemas s\u00e9rios. Tem sido assim desde sempre, mas \u00e9 cada vez mais importante para a gente com o passar dos anos lidar com algumas quest\u00f5es. Como as mudan\u00e7as no mundo e o jeito que as pessoas tratam umas \u00e0s outras, por exemplo. \u00c0s vezes \u00e9 preciso ficar atento \u00e0s entrelinhas para entender o significado das nossas m\u00fasicas. Creio que Nikola \u00e9 um excelente compositor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco mais recente, \u201cTrue Brew\u201d, \u00e9 um bom exemplo: h\u00e1 temas positivos, mas tamb\u00e9m m\u00fasicas mais cr\u00edticas, como \u201cSense &amp; Sensibility\u201d. Essa faixa fala sobre as merdas feitas por racistas e nacionalistas idiotas. Como est\u00e1 esse lance na Su\u00e9cia e o que voc\u00ea pensa de epis\u00f3dios recentes envolvendo essas quest\u00f5es, como em Charlottesville?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito ruim! O racismo est\u00e1 crescendo por toda a Europa e \u00e9 assustador e fudidamente nojento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como merdas assim impactam sua arte e at\u00e9 suas vidas pessoais?<\/strong><br \/>\nTemos o poder de dizer o que sentimos sobre isso e parece mais importante do que nunca nos mostrarmos contra isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre disco novo, h\u00e1 algo nesse sentido?<\/strong><br \/>\nSim! Temos ideias para sons e tal, mas antes queremos nos concentrar na turn\u00ea pela Am\u00e9rica do Sul e os shows na Su\u00e9cia que vir\u00e3o em seguida. Estamos muito felizes sobre essa tour e ansiosos para tocar no Brasil! Obrigado pelas perguntas! Nos vemos nos shows!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0xLuMQHq3kI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AE5yTEYwSX0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a> \u00e9 jornalista. Entrevista cedida pela <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/abstratti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Abstratti Produtora<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Prestes a retornar ao Brasil para shows em S\u00e3o Paulo, Curitiba e Porto Alegre, o baterista Fredrik Larzon fala sobre a cena punk, o come\u00e7o da banda e muito mais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/19\/entrevista-millencolin\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":44264,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2289],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44263"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44263"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44777,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44263\/revisions\/44777"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}