{"id":4403,"date":"2010-02-16T16:27:41","date_gmt":"2010-02-16T18:27:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=4403"},"modified":"2024-11-26T15:37:44","modified_gmt":"2024-11-26T18:37:44","slug":"entrevista-loomer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/16\/entrevista-loomer\/","title":{"rendered":"Entrevista: Loomer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4404\" title=\"loomer\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/loomer.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/fuzznoise.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arlen Andrade<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles s\u00e3o de Porto Alegre, e lan\u00e7aram o EP \u201cMind Drops\u201d em agosto do ano passado. Formada por Stefano (vocais, guitarra), Liege (vocais, baixo), Richard (guitarra) e Guilherme (bateria), a Loomer tem recebido uma boa recep\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e cr\u00edtica. Segundo o baixista Liege, o nome da banda n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a segunda faixa do \u00e1lbum \u201cLoveless\u201d, do My Bloody Valentine, e sim com o &#8220;difuso&#8221; da pr\u00f3pria banda. Mesmo assim, a Loomer carrega fortes influ\u00eancias de Jesus and Mary Chain, Dinosaur Jr, Ride e outras bandas da cena shoegaze do fim dos anos 80.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao vivo, a Loomer constr\u00f3i uma parede sonora com ventos carregados de disson\u00e2ncias e distor\u00e7\u00f5es. Os vocais ficam um pouco atr\u00e1s e s\u00e3o divididos entre Stefano e Liege, que se alternam nos microfones. Richard tem um estilo bem peculiar nas baterias e traz outras varia\u00e7\u00f5es para o som do quarteto.&nbsp; Apesar do EP conter apenas cinco m\u00fasicas, o resultado surpreende para uma estr\u00e9ia. \u201cMind Drops\u201d teve lan\u00e7amento virtual via SenhorF e Midsummer Madness. Para 2010, v\u00e1rias promessas, que Liege e Richard contam abaixo:<br \/>\n<strong><br \/>\nComo a banda se formou e qual a id\u00e9ia central?<\/strong><br \/>\nLiege: Digamos que todos, menos eu, s\u00e3o &#8220;experientes&#8221;. O Guilherme, batera, \u00e9 &#8220;das antigas&#8221;. Lembro-me de v\u00ea-lo tocando em 2004 com a banda Space Rave, mas sua trajet\u00f3ria \u00e9 bem maior. O cara j\u00e1 tocou em bandas como a Smog Fog, um petardo dos anos 90. O Stefano j\u00e1 tocou em uns 90% das bandas underground dos anos 90. J\u00e1 guitarreou ou batereou na Viana Moog, na Cec\u00edlia, na Dead Fingers, na Girlish. Hoje em dia, al\u00e9m da Loomer, ele toca na Transmission, na Parkplatz e na (nov\u00edssima) Badhoneys. O Richard veio do Rio, onde j\u00e1 teve outras bandas nos anos 90. Aqui no Sul ele fundou a Lautmusik, da qual saiu recentemente. A id\u00e9ia central dos tr\u00eas era apenas uma: fazer barulho, mas com melodia. Me chamaram para um ensaio, toquei e fiz os backings de &#8220;When I Wake Up&#8221;, do MBV, e &#8220;entrei pra banda&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas pessoas escutam o som da banda e vinculam diretamente ao movimento shoegaze. Voc\u00eas concordam com estas compara\u00e7\u00f5es? <\/strong><br \/>\nLiege: Partindo do pressuposto que no \u00e2mago o Richard \u00e9 punk, o Guilherme \u00e9 oitent\u00e3o pra caralho, o Stefano \u00e9 grunge e eu sou metaleira, a disson\u00e2ncia, a microfonia e os vocais leves, sem virtuosismos, s\u00e3o o estilo em comum entre n\u00f3s quatro. N\u00e3o que necessariamente seja shoegaze. MBV \u00e9 uma grande influ\u00eancia. Por timidez a gente toca olhando pra baixo, tal qual os caras. Mas mesmo partindo de uma coincid\u00eancia \u00f3bvia, o nome da banda n\u00e3o \u00e9 Loomer por causa da m\u00fasica do MBV, mas sim porque Loomer significa difuso, que \u00e9 como definimos nosso som.<br \/>\n<strong><br \/>\nO que influencia voc\u00eas no processo de composi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas, tanto letra quanto som mesmo? Voc\u00eas t\u00eam alguns nomes de artistas fora do meio musical que influenciam a banda de alguma forma?<\/strong><br \/>\nLiege: Hmmmm&#8230; fora do meio musical? Eu me inspiro em cerveja. E churrasco. (hehehe) Na verdade, eu n\u00e3o me inspiro. S\u00f3 respiro. Saca? Minhas letras s\u00e3o carregadas de met\u00e1foras do que \u00e9 meu dia-a-dia. O Stefs \u00e9 um cara mais sens\u00edvel, no aspecto po\u00e9tico da coisa. Agora, para o instrumental da banda, a \u00fanica coisa em que a gente se inspira, que n\u00e3o \u00e9 musical em si, s\u00e3o nos barulhos de motoserras e motores de caminh\u00e3o.<br \/>\n<strong><br \/>\nImposs\u00edvel n\u00e3o lembrar de nomes como My Bloody Valentine, Dinosaur Jr e Pixies assistindo a um show de voc\u00eas ou mesmo pelas m\u00fasicas do EP. O que voc\u00eas t\u00eam achado dos &#8220;retornos&#8221; destas bandas e do que algumas delas tem gravado?<\/strong><br \/>\nLiege: O \u201cThe Eternal\u201d (\u00faltimo do Sonic Youth) me surpreendeu muito. O Mark Ibold, no baixo, contribuiu pro lado &#8220;torto&#8221; do som. Achei do caralho. O \u201cFarm\u201d, \u00faltimo do Dinosaur Jr, n\u00e3o sai do meu player h\u00e1 meses. \u00c9 incr\u00edvel como mesmo parecendo o Raiden, do Mortal Kombat, o J Mascis continua o mesmo guriz\u00e3o de 1988! J\u00e1 o Kevin Shield \u00e9 um g\u00eanio incompreendido. Ele at\u00e9 tentou pirar na carreira solo, fazendo trilhas pra Sofia Coppola e tal, mas prefiro ele de cabe\u00e7a baixa, surrando a Jaguar ao lado do My Bloody Valentine. Espero que depois dessa turn\u00ea de reuni\u00e3o, eles pensem em voltar a compor juntos, gravar. Seria demais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas acham que est\u00e1 o mercado, a cena independente?<\/strong><br \/>\nLiege: A cena independente est\u00e1 bombando. Gente com energia, vontade e id\u00e9ias novas, mas vivemos uma era nova: sem grandes gravadoras, sem retornos financeiros exorbitantes, e onde a anomia musical se deve \u00e0s milhares de op\u00e7\u00f5es e a facilidade de acesso a todas elas. As bandas hoje n\u00e3o t\u00eam o mesmo valor que tinham nos anos 90, quando voc\u00ea esperava a tarde inteira na frente do r\u00e1dio, com o dedo no rec esperando dar o som pra voc\u00ea gravar para mostrar pro seu amigo. Hoje voc\u00ea recebe tantos spams, e \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil ir l\u00e1 e clicar e ouvir, que no fim voc\u00ea se enoja e exclui o spam. Acredito que o nosso p\u00fablico (se \u00e9 que temos) \u00e9 constitu\u00eddo de gente como a gente: saudosos de m\u00fasicas boas. Saudosos dos anos 80, 90. Saudosos de barulho mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acham que aquele boom de alguns anos atr\u00e1s, com bandas independentes sendo contratadas por grandes gravadoras (Fresno, CPM22, Pitty) e aparecendo nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e em programas conhecidos, ajudou as outras bandas independentes de alguma forma ou aquilo tudo n\u00e3o adiantou para muita coisa?<\/strong><br \/>\nLiege: Talvez sim, apesar de ser completamente diferente. Todos um dia foram artistas independentes, seja l\u00e1 quando foi que deram o primeiro passo para o mainstream. S\u00e3o bandas que tiraram a sorte grande. Por\u00e9m, ainda acho um tanto ego\u00edsta sair do independente e se limitar \u00e0 porta do seu camarim, recheado de Jack Daniels ou Toddynho. Essa galera tinha que &#8220;botar a m\u00e3o na massa&#8221; como os caras do Macaco Bong, por exemplo, uma banda sensacional formada por tr\u00eas caras muito legais, que al\u00e9m de tocar o seu projeto pra frente, com o seu pr\u00f3prio suor, talento e originalidade, tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pelo Festival Calango, com o coletivo do Espa\u00e7o Cubo. \u00c9 um trabalho que vai al\u00e9m de empunhar instrumentos, \u00e9 um trabalho de empunhar martelos (literalmente) pra montar um palco legal pra outras bandas independentes tocarem. Isso sim, adianta alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os futuros projetos da banda?<\/strong><br \/>\nLiege: A gente tem mais umas cinco m\u00fasicas novas, e duas delas a gente j\u00e1 est\u00e1 tocando em show. As outras duas n\u00f3s estamos ensaiando e &#8220;organizando&#8221;, e ainda t\u00eam uma na gaveta. Talvez a gente lance outro EP, quando rolar um tempinho e uma graninha. Ou talvez a gente junte tudo e lance um disco. Ou talvez a gente n\u00e3o fa\u00e7a nada. Tudo depende. Saca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Richard: Meu sonho \u00e9 poder fazer uma boa grava\u00e7\u00e3o, e tocar nos festivais Brasil afora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baixe \u201cMind Drops EP\u201d gratuitamente <a href=\"http:\/\/www.senhorf.com.br\/mp3\/Loomer_EP.rar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>, lan\u00e7amento <a href=\"http:\/\/mmrecords.com.br\/200910\/loomer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Midsummer Madness<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.senhorf.com.br\/agencia\/main-senhorf-virtual.jsp?codSessao=38\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Senhor F Virtual<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arlen Andrade assina o blog <a href=\"http:\/\/fuzznoise.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fuzz and Noise in My Ear<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Arlen Andrade\nEles s\u00e3o de Porto Alegre, lan\u00e7aram o EP Mind Drops e s\u00e3o apaixonados por barulho, seja de guitarra ou motossera&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/16\/entrevista-loomer\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4403"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4403"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85606,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4403\/revisions\/85606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}