{"id":43977,"date":"2017-09-01T10:26:46","date_gmt":"2017-09-01T13:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43977"},"modified":"2017-11-22T10:17:05","modified_gmt":"2017-11-22T12:17:05","slug":"tres-livros-armada-faca-de-agua-e-sombras-de-reis-barbudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/01\/tres-livros-armada-faca-de-agua-e-sombras-de-reis-barbudos\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas livros: \u201cArmada\u201d, \u201cFaca de \u00c1gua\u201d e \u201cSombras de Reis Barbudos\u201d"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Resenhas por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adriano Mello Costa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-43978\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/armada.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"663\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/armada.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/armada-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cArmada\u201d, de Ernest Cline (Editora Leya)<\/strong><br \/>\n\u201cJogador No. 1\u201d (\u201cReady Player One\u201d, 2011) foi publicado no Brasil em 2012 pela editora Leya e chamou a aten\u00e7\u00e3o. Escrito por Ernest Cline (roteirista do filme \u201cFanboys\u201d, de 2009), o livro \u00e9 din\u00e2mico e insere cultura pop em doses saborosas, o que resulta em \u00f3timo brilho nost\u00e1lgico. A obra at\u00e9 virou filme a ser lan\u00e7ado em 2018 com dire\u00e7\u00e3o de Steven Spielberg, destacando bem essas qualidades. A expectativa para o segundo trabalho do autor era natural e em 2015 ela terminou com o lan\u00e7amento de \u201cArmada\u201d. No mesmo ano a Leya colocou a vers\u00e3o nacional no mercado com 430 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Fernandes. Nessa nova trama conhecemos Zack Lightman, um jovem que est\u00e1 prestes a terminar os estudos antes da faculdade e que passa a maior parte do tempo jogando videogame no simulador que empresta o nome ao livro e trabalhando em uma loja geek na pequena cidade que mora. Tudo anda na toada entre a insatisfa\u00e7\u00e3o, o t\u00e9dio e os sonhos imposs\u00edveis enquanto o futuro n\u00e3o se apresenta. Com o fantasma do falecido pai sempre circulando em meio aos pertences e teorias deixadas por ele que lhe transferiu o gosto por games, m\u00fasica e filmes, tudo muda quando Zack v\u00ea no p\u00e1tio da escola uma nave exatamente igual a do jogo que tanto gosta de passar o tempo. Muda mais ainda quando outra nave desce no p\u00e1tio para lhe buscar para partir em uma miss\u00e3o que tem como objetivo simplesmente salvar a terra de uma invas\u00e3o alien\u00edgena. Com um misto de deslumbramento, medo e espanto, parte para um universo que pensava n\u00e3o existir. Em \u201cArmada\u201d, Ernest Cline homenageia a fic\u00e7\u00e3o espacial e usa as mesmas t\u00e9cnicas j\u00e1 apresentadas antes. Contudo, dessa vez diminui a din\u00e2mica, deixa o roteiro cheio de pequenas falhas e exagera nas doses de cultura pop e nostalgia, com refer\u00eancias em excesso que mais prejudicam do que ajudam. Decepcionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 4<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-43980\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/faca.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"687\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/faca.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/faca-197x300.jpg 197w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFaca de \u00c1gua\u201d, de Paolo Bacigalupi (Intr\u00ednseca)<\/strong><br \/>\nQuando um livro ambientado em cen\u00e1rios futuristas ou dist\u00f3picos apresenta situa\u00e7\u00f5es que em determinadas inst\u00e2ncias s\u00e3o plenamente poss\u00edveis de acontecer algum dia, isso acrescenta ao trabalho um grau maior de interesse, prendendo mais o leitor e fazendo com que se discuta posteriormente um ou outro fato. Esse \u00e9 o caso de \u201cFaca de \u00c1gua\u201d (\u201cThe Water Knife\u201d, no original), publicado nos EUA em 2015 que ganhou lan\u00e7amento nacional pela editora Intr\u00ednseca no ano passado. Com 400 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de Alexandre Raposo, este \u00e9 o primeiro trabalho do escritor norte-americano Paolo Bacigalupi em terras tupiniquins. O autor, que j\u00e1 ganhou pr\u00eamios importantes como o Hugo e o Nebula, \u00e9 presenteado com uma bonita edi\u00e7\u00e3o para mostrar o inteligente thriller que concebeu. A trama se passa em um futuro n\u00e3o especificado onde os EUA est\u00e3o quebrados e divididos com os estados soberanos, sendo a Uni\u00e3o um mero lembrete para casos extremos. A briga \u00e9 por rios, lagos e fontes, ou seja, por \u00e1gua. A \u00e1gua se tornou o bem mais valioso e tudo que acontece na sociedade se origina dela. Angel Velasquez \u00e9 um Faca de \u00c1gua, uma mistura de agente, espi\u00e3o e assassino privado, que toma conta dos interesses de Catherine Case, a chefona de Las Vegas. Quando surge em Phoenix uma situa\u00e7\u00e3o que pode mudar o status geral, ele se manda para a cidade onde cruza caminho com a h\u00e1bil jornalista Lucy Monroe e a jovem sonhadora Maria Villarosa. \u201cFaca de \u00c1gua\u201d tem v\u00e1rias qualidades al\u00e9m de tratar sobre um cen\u00e1rio veross\u00edmil enrosca economia, pol\u00edtica e meio ambiente com tudo aquilo que o ser humano \u00e9 capaz para sobreviver. Seus personagens \u2013 mesmo os de maior bondade \u2013 tamb\u00e9m s\u00e3o pass\u00edveis de atos nada nobres em prol de interesses pr\u00f3prios, o que deixa o leitor pisando em terreno minado sobre o que esperar nas p\u00e1ginas que vir\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5 (<a href=\"http:\/\/www.intrinseca.com.br\/upload\/livros\/1-%C2%A6CAP_FacaDeAgua.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia um trecho direto do site da editora<\/a>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-43981\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/sombras.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"703\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/sombras.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/sombras-192x300.jpg 192w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSombras de Reis Barbudos\u201d, de Jos\u00e9 J. Veiga (Cia das Letras)<\/strong><br \/>\nAnos 70. Uma pequena cidade do interior que pode ser de qualquer estado do Brasil, principalmente longe dos centros mais famosos. Progresso chegando a passos de c\u00e1gado, quando de repente uma novidade surge e ati\u00e7a todos os moradores. Uma novidade que promete mudar as coisas daquele ponto em diante. Essa \u00e9 a diretriz b\u00e1sica de \u201cSombras de Reis Barbudos\u201d, livro do escritor goiano Jos\u00e9 J. Veiga publicado originalmente em 1972 quando o \u201cdign\u00edssimo\u201d general Garrastazu M\u00e9dici comandava o per\u00edodo mais duro da ditadura que assolou nosso pa\u00eds. Em 2015, a Companhia das Letras come\u00e7ou a republicar o autor em caprichadas e detalhadas edi\u00e7\u00f5es, uma atitude mais que louv\u00e1vel pois deu a chance de novos leitores conhecerem um dos grandes escritores nacionais. Com 152 p\u00e1ginas, pode-se dizer que \u201cSombras de Reis Barbudos\u201d n\u00e3o \u00e9 o trabalho mais conhecido dele \u2013 esse m\u00e9rito fica com o \u00f3timo \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/17\/literatura-jose-j-veiga-reeditado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Hora dos Ruminantes<\/a>\u201d de 1966 que tamb\u00e9m ganhou reedi\u00e7\u00e3o em 2015 \u2013, contudo, \u00e9 ainda melhor e mais completo. Quem narra a hist\u00f3ria \u00e9 um adolescente que retorna aos 11 anos de idade quando a Companhia Melhoramentos de Taitara chega a cidade atrav\u00e9s de um tio que logo \u00e9 deposto do comando. A partir disso, a empresa sai distribuindo desmandos e proibi\u00e7\u00f5es il\u00f3gicas pela cidade e logo vira um pesadelo para os habitantes que se veem presos as ordens estapaf\u00fardias e opressivas. Como de costume em suas obras, Jos\u00e9 J. Veiga insere humor nas frases, express\u00f5es e modo de falar dos personagens e no \u00faltimo ter\u00e7o brinca com o realismo fant\u00e1stico que tanto lhe atribuem. A narra\u00e7\u00e3o entre a descoberta, a ingenuidade e o inconformismo calado guia todas as alegorias e analogias que s\u00e3o feitas para o regime pol\u00edtico do pa\u00eds na \u00e9poca (e tem paralelos diretos at\u00e9 com nossos conturbados dias atuais), resultando em uma obra que n\u00e3o pode ganhar uma alcunha menor do que essencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9,5<\/p>\n<p>\u2013 Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop: <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/coisapop.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ernest Cline decepciona em &#8220;Armada&#8221;; Paolo Bacigalupi concebe um inteligente thriller em &#8220;Faca de \u00c1gua&#8221;; Reedi\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 J. 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