{"id":43838,"date":"2017-08-21T10:33:27","date_gmt":"2017-08-21T13:33:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43838"},"modified":"2017-09-18T09:24:10","modified_gmt":"2017-09-18T12:24:10","slug":"entrevista-las-diferencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/21\/entrevista-las-diferencias\/","title":{"rendered":"Entrevista: Las Diferencias"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor volta dos 14 ou 15 anos de idade, deixamos de jogar futebol na rua para nos fecharmos num quarto para tocar e ver o que pod\u00edamos fazer com os instrumentos\u201d. Assim diz Nicol\u00e1s Heis, baterista da banda argentina Las Diferencias, sobre como ele e seus amigos de inf\u00e2ncia de Caseiros, na regi\u00e3o metropolitana de Buenos Aires, decidiram se juntar e formar o power trio que \u00e9 hoje um dos maiores destaques da cena roqueira independente argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O come\u00e7o oficial da banda foi em 2011, e o primeiro \u00e1lbum veio dois anos depois. \u201c<a href=\"https:\/\/lasdiferencias.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No Termina M\u00e1s<\/a>\u201d traz o rock t\u00e3o influenciado por Jimi Hendrix quanto por Manal (um dos maiores nomes do blues rock argentino), filtrado pela energia juvenil do trio. Essa energia, por\u00e9m, n\u00e3o passa pela fuleiragem punk: excelentes instrumentistas, por\u00e9m sem deslumbramentos com a pr\u00f3pria t\u00e9cnica, os garotos usam o conhecimento musical e o entrosamento para criar seus pr\u00f3prios tempos e movimentos dentro de uma est\u00e9tica j\u00e1 consagrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na din\u00e2mica do power trio, a voz potente de Andr\u00e9s Robledo, inversalmente proporcional \u00e0 sua complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica juvenil, entoa letras de f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o sobre os riffs altos e sem muitos pedais e efeitos de sua guitarra. O baixo de Alejandro Navoa pode acompanhar dobrando o riff, ou intercalando com a bateria imprevis\u00edvel, entre o blues rock e o jazz, de Nicol\u00e1s Heis. Essa receita, falsamente simples, chegou ao refinamento no excelente segundo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/lasdiferencias.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Al Borde el Filo<\/a>\u201d, que ganhou o Pr\u00eamio Gardel (premia\u00e7\u00e3o mais importante da ind\u00fastria musical argentina) como \u201cMejor Album Nuevo de Artista Rock\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAl Borde el Filo\u201d ganhou resenhas no exterior, Brasil inclu\u00eddo, e foi propulsor para a primeira turn\u00ea da banda no pa\u00eds, que envolveu tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo (todas na capital), uma em Goi\u00e1s (no Goi\u00e2nia Noise) e outra no Paran\u00e1 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/19\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">festival Para\u00edso do Rock<\/a>). E foi nos intervalos dessa turn\u00ea que o Scream &amp; Yell conversou com Nicol\u00e1s Heis, levando ao papo abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4AGfGmrMCH8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Onde voc\u00ea situaria Las Diferencias na m\u00fasica argentina atual?<\/strong><br \/>\nDiria que, neste momento, Las Diferencias est\u00e1 buscado criar seu lugar dentro da m\u00fasica argentina. Por mais que a banda tenha ganhado um pr\u00eamio muito importante e est\u00e1 nos ouvidos de muitos artistas e jornalistas reconhecidos, existe uma brecha muito ampla entre uma banda que \u00e9 independente e outra que conta com um apoio. Para tocar nos grandes festivais de nosso pa\u00eds \u00e9 importante ter um respaldo que esteja em sincronia com os interesses do organizador. Por outro lado, as bandas maiores em rela\u00e7\u00e3o a sua capacidade de chamar p\u00fablico s\u00e3o bandas que foram independentes ou s\u00e3o por muitos anos e criaram seu pr\u00f3prio lugar dentro da [ind\u00fastria da] m\u00fasica. Acho ent\u00e3o que podemos dizer que Las Diferencias est\u00e1 mais pr\u00f3xima desse \u00faltimo caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Brasil foi sua primeira turn\u00ea internacional. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de estar presente em um cen\u00e1rio musical diferente, seja como artistas ou espectadores?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito importante, porque em nossa curta carreira sempre tocamos nossas can\u00e7\u00f5es para pessoas de nosso pa\u00eds, com a mesma cultura e o mesmo idioma. Por\u00e9m, sempre tivemos uma curiosidade enorme em saber quais rea\u00e7\u00f5es receber\u00edamos em outros pa\u00edses. Foi lindo ver a forma como os m\u00fasicos do Brasil sentem a m\u00fasica, e poder aprender com isso. No final de julho, tocamos na Argentina com a Ultravespa (nota: banda goiana da qual faz parte Dinho Almeida, dos Boogarins) e eles estavam na mesma situa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s, tocando para um p\u00fablico que n\u00e3o fala seu idioma. Al\u00e9m de termos curtido demais o show deles, aprendemos muito com a maneira como eles interagiam com o p\u00fablico, derrubando todas as barreiras idiom\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A maioria das can\u00e7\u00f5es de voc\u00eas n\u00e3o perde o aspecto pop. Ter essa \u201cacessibilidade\u201d \u00e9 importante?<\/strong><br \/>\nAinda que sejamos uma banda de rock, o que mais gostamos s\u00e3o as can\u00e7\u00f5es e nelas letra e melodia t\u00eam a mesma import\u00e2ncia. Fazemos o m\u00e1ximo esfor\u00e7o para que esse aspecto nunca se perca, e que melhore com o passar dos discos. Mas n\u00e3o \u00e9 algo que fazemos pensando em nos tornar acess\u00edveis para o p\u00fablico, e sim porque \u00e9 o que gostamos de escutar, e por isso sai de forma sincera.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7Z_kEbtWXNw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O som da banda tem refer\u00eancias claras de Hendrix, Led e das can\u00e7\u00f5es mais pesadas e diretas do Wolfmother. Mesmo assim, d\u00e1 para ouvir algo mais particular se gestando nos climas e nos riffs. Como \u00e9, ent\u00e3o, o processo de composi\u00e7\u00e3o que permite chegar a isso?<\/strong><br \/>\nQuando \u00e9ramos garotos, nos junt\u00e1vamos e pass\u00e1vamos horas tocando blues. Algum tempo depois, nos demos conta que toc\u00e1vamos sem olhar um para o outro e pod\u00edamos mudar drasticamente o clima de uma mesma progress\u00e3o sem ter planejado de antem\u00e3o. Hoje em dia, continuamos sendo sinceros para com nossas ra\u00edzes, e fazemos o mesmo que antes, s\u00f3 que em forma de can\u00e7\u00f5es. Para compor, precisamos estar os tr\u00eas juntos na sala, pegar os instrumentos e ver se a ideia que algum de n\u00f3s trouxe tem algum futuro. A intera\u00e7\u00e3o dessas tr\u00eas personalidades \u00e9 muito importante para que nas\u00e7a uma can\u00e7\u00e3o de Las Diferencias.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qiZWUbna6Hs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me chamou aten\u00e7\u00e3o v\u00ea-los nos bastidores do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/19\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">festival Para\u00edso do Rock<\/a>: voc\u00eas n\u00e3o seguem o estere\u00f3tipo roqueiro de se embebedar, tocar o puteiro&#8230; Voc\u00eas estavam praticamente abst\u00eamios e totalmente concentrados. N\u00e3o vi nem ouvi nada daquela perspectiva adolescente da \u201catitude roqueira\u201d, que curiosamente continua presente. Esse estilo de vida n\u00e3o os seduz, ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSempre fomos tranquilos, mas de qualquer forma, isso para n\u00f3s \u00e9 um trabalho. Ningu\u00e9m vai ao trabalho b\u00eabado ou drogado porque isso faz com que voc\u00ea n\u00e3o consiga render 100%. Por outro lado, estamos sempre em movimento, viajamos frequentemente e temos que ser respons\u00e1veis com isso. E como dizem meus companheiros Ale e Andr\u00e9s: para se drogar e se embebedar, \u00e9 preciso ter muito dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse mesmo festival, voc\u00eas convidaram a dupla de metais da banda Seu Pereira e Coletivo 401 para improvisar com voc\u00eas no show. \u201cAl Borde del Filo\u201d tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para convidados, ent\u00e3o imagino que o formato power trio n\u00e3o \u00e9 algo &#8220;sagrado&#8221;, imut\u00e1vel.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 normal termos convidados, ainda que a forma\u00e7\u00e3o de trio seja muito limitada, de fato. Las Diferencias somos n\u00f3s tr\u00eas, porque \u00e9ramos os que estavam ali no bairro, e tudo foi muito c\u00f4modo. Hoje em dia, gostamos de ter algum convidado que venha para improvisar, com um trompete que seja, desde que se d\u00ea naturalmente. Gostar\u00edamos de ter um violinista no futuro, mas n\u00e3o planejamos nem for\u00e7amos nada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t6UQaHY6f2U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z7PznT-JTVY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zq92klkZOC8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"De Caseiros, na regi\u00e3o metropolitana de Buenos Aires, conhe\u00e7a o power trio que \u00e9 hoje um dos maiores destaques da cena roqueira independente argentina\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/21\/entrevista-las-diferencias\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":43840,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,1456],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43838"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43838"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43842,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43838\/revisions\/43842"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}