{"id":43806,"date":"2017-08-17T13:09:27","date_gmt":"2017-08-17T16:09:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43806"},"modified":"2017-09-17T13:08:14","modified_gmt":"2017-09-17T16:08:14","slug":"entrevista-mickey-junkies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/17\/entrevista-mickey-junkies\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mickey Junkies"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira vez que ouvi falar de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MickeyJunkies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mickey Junkies<\/a> foi em 1993, numa letra do DeFalla, a cl\u00e1ssica \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4mYrWe457G0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caminha Q Aqui \u00e9 de Osasco<\/a>\u201d, em que a banda de Rodrigo Carneiro (crooner), \u00c9rico Birds (guitarra), Andr\u00e9 Satoshi (baixo) e Ricardo Mix (bateria) \u00e9 citada pelo vocalista Edu K ao lado de Dunkeyass, Gringo, Mariana, Chininha, Edu Gnomo e outros personagens da fauna local de Osasco. Formada em 1990, com uma demo produzida por Edson X (Gueto) que foi elogiada por Dave Grohl e, depois, um contrato com uma gravadora, a Paradoxx, que rendeu o \u00e1lbum \u201c<a href=\"http:\/\/mmrecords.com.br\/mickey-junkies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stoned<\/a>\u201d (1995), o Mickey Junkies tinha uma estrada aberta \u00e0 frente para caminhar no combalido cen\u00e1rio do rock no Brasil nos anos 90, mas a banda decidiu dar um tempo em 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDe 1991 a 1997, n\u00f3s vivemos intensamente alguns dos clich\u00eas do rock\u2019n\u2019roll\u201d, relembra o vocalista Rodrigo Carneiro. \u201c\u00c9ramos garotos selvagens e, l\u00e1 pelas tantas, a din\u00e2mica interna estava abalada. Na primeira temporada, a banda acabou por conta de um certo cansa\u00e7o, uma leve egolatria e muita intransig\u00eancia juvenil\u201d, ele resume, definindo a hist\u00f3ria da banda (e a pr\u00f3pria vida) como uma s\u00e9rie conduzida por um roteirista louco. Nesse contexto, 10 anos ap\u00f3s se separar em 1997, o Mickey Junkies voltou a se reunir e, quase 10 anos depois, em 2016, chegam ao o segundo \u00e1lbum \u201cSince You\u2019ve Been Gone\u201d, que segundo Carneiro \u00e9 o refinamento do \u201cnosso tradicional rock pauleira rom\u00e2ntico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das bandas que inspirou \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/27\/tres-documentarios-sepultura-endurance-time-will-burn-e-guerrilha-a-trajetoria-da-dorsal-atlantica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Time Will Burn<\/a>\u201d (2016), document\u00e1rio que cumpre com louvor a tarefa de mapear a cena de guitar bands que fez barulho no underground nacional dos anos 90, o Mickey Junkies est\u00e1 de volta com for\u00e7a total: \u201cSince You\u2019ve Been Gone\u201d ganhou edi\u00e7\u00e3o em CD e est\u00e1 presente nos principais portais de streamings, e o quarteto de Osasco segue oferecendo ao vivo apaixonadamente suas obsess\u00f5es (\u201csoul music, heavy metal, punk, blues etc\u201d, segundo Rodrigo). \u201cApresenta\u00e7\u00f5es ao vivo sempre foram o nosso lance. Espero que os curadores, organizadores, palpiteiros e financiadores de festivais entendam isso. E nos acolham em seus eventos\u201d, avisa Rodrigo Carneiro num po\u00e9tico bate papo por e-mail. Confira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL7i2jCme-ncQc1NeUfMbOMu6eTi6nLvUv\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>21 anos ap\u00f3s o primeiro disco voc\u00eas apresentam o segundo, \u201cSince You\u2019ve Been Gone\u201d. Como \u00e9 para voc\u00eas a conex\u00e3o de sonoridades entre esses dois \u00e1lbuns? Mudou o mundo? Ou voc\u00eas mudaram?<\/strong><br \/>\nMudou o mundo. E mudamos n\u00f3s. Tudo muit\u00edssimo. Por\u00e9m, as dores e as del\u00edcias do amor, aquilo que Domingos Oliveira chamou de \u201co efeito colateral do sexo\u201d, seguem inalteradas. Assim como as nossas obsess\u00f5es (soul music, heavy metal, punk, blues etc). H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o bastante amistosa entre os dois \u00e1lbuns. \u00c9 como se tiv\u00e9ssemos partido do exato momento em que conclu\u00edmos o \u00e1lbum de 1995. Isso com recursos art\u00edsticos maiores, experi\u00eancias de vida e coisa e tal. Penso que refinamos o nosso tradicional rock pauleira rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas voltaram em 2007, certo? De quanto tempo foi o hiato? Por que parar? Por que voltar?<\/strong><br \/>\nEstamos, neste ano de gra\u00e7a de 2017, a celebrar os 10 anos da segunda temporada dos Mickey Junkies &#8211; afinal, a vida \u00e9 um seriado e os roteiristas s\u00e3o muito loucos (risos). De 1991 a 1997, n\u00f3s vivemos intensamente alguns dos clich\u00eas do rock\u2019n\u2019roll. \u00c9ramos garotos selvagens e, l\u00e1 pelas tantas, a din\u00e2mica interna estava abalada. Na primeira temporada, a banda acabou por conta de um certo cansa\u00e7o, uma leve egolatria e muita intransig\u00eancia juvenil. Mas, como diria Itamar Assump\u00e7\u00e3o, &#8220;na m\u00fasica, a pausa \u00e9 importante&#8221;. A volta se deu pela conflu\u00eancia de fatores. Durante os 10 anos de recesso, o \u00fanico que eu via com regularidade era o baixista, o maestro Andr\u00e9 Satoshi. E, curiosamente, nas situa\u00e7\u00f5es mais improv\u00e1veis, algu\u00e9m me lembrava de um show, de uma audi\u00e7\u00e3o, de algum impacto causado pela banda (manifesta\u00e7\u00f5es de apre\u00e7o de terceiros que aconteciam com os rapazes tamb\u00e9m; o que \u00e9 uma d\u00e1diva, um tro\u00e7o muito comovente). No in\u00edcio de 2007, o baterista Ricardo Mix, o messias, estava em turn\u00ea pelo Jap\u00e3o e, do outro lado do mundo, fez com que eu e o guitarrista \u00c9rico Birds nos reaproxim\u00e1ssemos, isso via e-mail. Em paralelo, o selo midsummer madness pretendia fazer uma reedi\u00e7\u00e3o virtual do \u201cStoned\u201d \u2013 que foi feita, acrescida de b\u00f4nus tracks in\u00e9ditos. Come\u00e7amos a nos falar para tratar das quest\u00f5es burocr\u00e1ticas para a reedi\u00e7\u00e3o. Mas um epis\u00f3dio foi determinante: no coquetel de lan\u00e7amento do livro tributo \u201cZappa &#8211; Detritos C\u00f3smicos\u201d, do amigo e guru Fabio Massari, onde eu assino um dos textos, os Mickey Junkies foram em peso (ali\u00e1s, o meu escrito pode ser entendido como um aceno inconfesso ao Birds, posto que ele \u00e9, depois do Massari, o sujeito mais zappaman\u00edaco que eu conhe\u00e7o. Foi quem me guiou, de fato, pelo universo do Frank Zappa). Depois dos contatos cautelosos por e-mail dos quais falei, nos vimos pessoalmente naquela unidade da Livraria da Vila, em meio \u00e0s ta\u00e7as de espumante e canap\u00e9s. Foi uma baita demonstra\u00e7\u00e3o de afeto da parte deles. Os presentes ao lan\u00e7amento \u2013 que sabiam do nosso draminha roqueiro \u2013 tamb\u00e9m sacaram isso. Houve uma pequena como\u00e7\u00e3o ali. Semanas ap\u00f3s o reencontro, com as declara\u00e7\u00f5es de amor m\u00fatuo devidamente feitas, est\u00e1vamos em uma sala de ensaio como se nada tivesse acontecido. Para o show de retorno foi um pulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que demais! Bom, nos anos 90 havia uma cena (ou ao menos a gente imaginava que existia), e hoje parecem que existem dezenas de cenas. Como era ter uma banda nos anos 90 e como \u00e9 para voc\u00eas ter uma banda hoje?<\/strong><br \/>\nExato. S\u00e3o mesmo dezenas de cenas. Todo mundo, parafraseando o La Carne, desconhecendo o rumo, mas indo (risos). Pra n\u00f3s, ter uma banda l\u00e1 nos anos 1990 era atividade l\u00fadica em plena Idade M\u00e9dia. Hoje, \u00e9 atividade l\u00fadica aplicada \u00e0 era da p\u00f3s-verdade. Nossa contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Babil\u00f4nia. Irie!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/id4akqovW34?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSince You\u2019ve Been Gone\u201d re\u00fane can\u00e7\u00f5es novas e antigas (inclusive \u201cStoned\u201d, que deu nome ao primeiro disco). Como rolaram as grava\u00e7\u00f5es? Como foi decidido o caminho que voc\u00eas queriam apresentar com este \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\n\u201cStoned\u201d surgiu quando o primeiro disco j\u00e1 tinha sido gravado, ou um pouquinho antes. A gente gosta dela. \u00c9 um retrato de \u00e9poca que funciona bem ao vivo. O per\u00edodo de grava\u00e7\u00e3o foi \u00f3timo. Incr\u00edvel trabalhar no Wah Wah Studio sob a orienta\u00e7\u00e3o do nosso amigo Michel Kuaker \u2013 cuja sugest\u00e3o acertad\u00edssima para o papel de produtor veio do Marco Antonio Pereira, misto de agente, roadie, psic\u00f3logo e psiquiatra da banda. J\u00e1 a mais antiga m\u00fasica do disco, \u201cSweet Flower\u201d, j\u00e1 figurava na primeira demo tape, de 1992, desapareceu do repert\u00f3rio, ressurgiu, foi se desenvolvendo, tomando corpo, at\u00e9 chegar \u00e0 estrutura atual. A faixa-t\u00edtulo foi escrita semanas antes do in\u00edcio das sess\u00f5es. \u201cA Tired Vampire\u201d, composta e arranjada durante o processo. N\u00e3o estava programada, mas se imp\u00f4s naqueles dias quentes. Enfim, quando entramos em est\u00fadio, t\u00ednhamos em mente peso, discursos amorosos, groove e o anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Mickey Junkies \u00e9 uma das quatro bandas em que o document\u00e1rio \u201cTime Will Burn\u201d se baseia. Como foi para voc\u00eas se verem na telona? Como foi relembrar aquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 outra das experi\u00eancias fabulosas vividas ao lado dos rapazes. Quando demos os nossos depoimentos aos diretores, Marko Panayotis e Otavio Sousa, n\u00e3o t\u00ednhamos ideia de que ser\u00edamos, digamos, estrelas do filme. Assistir ao resultado final foi, do ponto de vista emocional, bastante intenso. Trata-se, ao mesmo tempo, de um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira sendo retratado \u2013 num pa\u00eds que tem in\u00fameros problemas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria \u2013 e um recorte da nossa juventude, de fortes la\u00e7os de amizade. Diante das exibi\u00e7\u00f5es do filme, outros se (des)organizavam na minha cabe\u00e7a. Gente que partiu, pirou, as primeiras paix\u00f5es, os discos. Toda uma gama de sentimentos. \u00c9 uma honra \u2013 e uma choradeira brava \u2013 participar de algo dessa natureza. \u201cJovens, envelhe\u00e7am\u201d, aconselhava o Nelson Rodrigues. Pois bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aquele mano, o baterista daquela banda, o Nirvana, elogiou bastante o primeiro disco de voc\u00eas. Foi isso? Como voc\u00eas imaginam a rea\u00e7\u00e3o dele ao ouvir \u201cSince You\u2019ve Been Gone\u201d?<\/strong><br \/>\nNa real, o que o Dave Grohl ouviu foi uma das demo tapes que a gente gravava nos est\u00fadios da extinta R\u00e1dio Brasil 2000 FM e distribu\u00eda gratuitamente \u2013 num esquema maluco de envio e recebimento de fitas cassete e selos postais. N\u00e3o consigo imaginar o que ele acharia do \u00e1lbum. Quisera eu que gostasse. Fazemos can\u00e7\u00f5es para n\u00f3s mesmos \u2013 naquela jogada de atividade l\u00fadica, terap\u00eautica -, mas tamb\u00e9m queremos agradar aos outros. Dicotomia velha de guerra. O que eu posso afirmar com toda certeza \u00e9 que o ver\u00e3o grunge de 1993, como diz a molecada, foi loko (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSince You\u2019ve Been Gone\u201d est\u00e1 nos streamings da vida, mas voc\u00eas tamb\u00e9m fizeram uma tiragem f\u00edsica, certo? Como a galera encontra? E como o Mickey Junkies na estrada? Planos de rodar festivais com o novo disco?<\/strong><br \/>\nFormatos f\u00edsico e digital. Num primeiro momento, eu pensava s\u00f3 nas plataformas, mas fui convencido do contr\u00e1rio \u2013 o que foi \u00f3timo. A edi\u00e7\u00e3o em CD Digipack ficou uma beleza. Fotos captadas na Fran\u00e7a pelo Jorge Lepesteur e dire\u00e7\u00e3o de arte do Birds. O \u00e1lbum tem a distribui\u00e7\u00e3o da Shinigami Records e pode ser encontrado em lojas f\u00edsicas de diversos estados brasileiros. Tamb\u00e9m em sites e como Submarino.com e Americanas.com. H\u00e1 ainda a possibilidade de encomendas <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MickeyJunkies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pelo perfil da banda no Facebook<\/a>. Quem o faz por l\u00e1, caso queira, tem o encarte autografado. Sobre a estrada, adoramos. Apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo sempre foram o nosso lance. Brinco, com seriedade, que queremos tudo com o disco. Espero que os curadores, organizadores, palpiteiros e financiadores de festivais entendam isso. E nos acolham em seus eventos (risos). Em outubro, por exemplo, voltaremos a Curitiba, lugar que sempre nos recebeu maravilhosamente bem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8GbfG7nKx6s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4rnnzNDPT6c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4Bo798rTYJ8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"21 anos ap\u00f3s o primeiro disco, o elogiado &#8220;Stoned&#8221;, de 1995, o Mickey Junkies apresenta o segundo, \u201cSince You\u2019ve Been Gone\u201d. 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