{"id":43645,"date":"2017-07-31T10:49:53","date_gmt":"2017-07-31T13:49:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43645"},"modified":"2018-07-03T22:42:26","modified_gmt":"2018-07-04T01:42:26","slug":"entrevista-wladimir-cruz-fala-do-doc-california-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/31\/entrevista-wladimir-cruz-fala-do-doc-california-brasileira\/","title":{"rendered":"Entrevista: Wladimyr Cruz fala do doc &#8220;Calif\u00f3rnia Brasileira&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente o cinema brasileiro vive momentos de catarse quando o assunto \u00e9 a m\u00fasica produzida nos anos 90. Primeiro foi \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sem Dentes<\/a>\u201d, sobre o selo Banguela Records, e depois vieram &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/27\/tres-documentarios-sepultura-endurance-time-will-burn-e-guerrilha-a-trajetoria-da-dorsal-atlantica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Time Will Burn<\/a>&#8221; (sobre a cena guitar band) e os ainda in\u00e9ditos &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/06\/tres-perguntas-leticia-marques-faca-voce-mesma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fa\u00e7a Voc\u00ea Mesma<\/a>&#8221; (que fala sobre a cena riot grrl) e &#8220;Guitar Days&#8221; (que foca na cena alternativa da \u00e9poca at\u00e9 os dias atuais) s\u00e3o alguns exemplos de trabalhos recentes que revivem o per\u00edodo. E o mais novo membro deste seleto grupo \u00e9 o document\u00e1rio &#8220;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/doccaliforniabrasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calif\u00f3rnia Brasileira \u2013 O Hardcore Punk em Santos de 1991 a 1999<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigido por Rodiney Assun\u00e7\u00e3o e Wladimyr Cruz (respons\u00e1vel pelo site <a href=\"http:\/\/www.zonapunk.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona Punk<\/a>), &#8220;Calif\u00f3rnia Brasileira&#8221; (que j\u00e1 pode ser adquirido em DVD <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/doccaliforniabrasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) tem como tem\u00e1tica a influente cena punk \/ hardcore na cidade de Santos (S\u00e3o Paulo), que deu origem a bandas como Garage Fuzz, White Frogs, Sonic Sex Panic, Sociedade Armada, The Bombers e Safari Hamburgers, entre outras. Juntos, Rodiney e Wladimyr j\u00e1 fizeram &#8220;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/AhistoriaDoVulcano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Portais Do Inferno Se Abrem: A Hist\u00f3ria do Vulcano<\/a>&#8221; (2016), e Wlad assina o document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/docwoodstock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Woodstock, Mais Que Uma Loja<\/a>\u201d (2016) e \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/umanovaondadeliberdade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Nova Onda De Liberdade: A Hist\u00f3ria do Madame Sat\u00e3<\/a>\u201d (2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista concedida por e-mail, Wladimyr Cruz fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio (&#8220;Eu e o Rodiney vivemos esse cen\u00e1rio, sab\u00edamos bem a hist\u00f3ria que quer\u00edamos contar, o que era relevante e com quem falar para transmitir essa hist\u00f3ria da melhor forma&#8221;), a import\u00e2ncia do distanciamento hist\u00f3rico para a realiza\u00e7\u00e3o do filme (&#8220;Hoje enxerga-se como aquilo foi grande, relevante&#8221;), a cen\u00e1rio punk \/ hardcore hoje (&#8220;Acho que est\u00e1 cada vez melhor. Qualidade n\u00e3o \u00e9 quantidade&#8221;), o trabalho no Zona Punk (&#8220;Acredito no jornalismo, no texto, sou da gera\u00e7\u00e3o que cresceu lendo revista de rock, mas pra sobreviver precisa abrir a cabe\u00e7a, abrir o leque de op\u00e7\u00f5es e atuar nas 11 posi\u00e7\u00f5es&#8221;) e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3U2MaKiEeBw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Calif\u00f3rnia Brasileira&#8221;?<\/strong><br \/>\nBem natural. Eu e o Rodiney vivemos esse cen\u00e1rio, sab\u00edamos bem a hist\u00f3ria que quer\u00edamos contar, o que era relevante e com quem falar para transmitir essa hist\u00f3ria da melhor forma. \u00c9 claro, \u00e9 tudo feito de forma 100% independente, ent\u00e3o f\u00e1cil n\u00e3o \u00e9, mas at\u00e9 por morarmos em Santos e os entrevistados serem 90% locais e nossos conhecidos, tudo corre mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diferente da grande maioria dos document\u00e1rios nacionais atuais voc\u00eas optaram por produzir &#8220;Calif\u00f3rnia Brasileira&#8221; por conta pr\u00f3pria, sem recorrer ao crowdfunding. Por qu\u00ea escolheram este caminho?<\/strong><br \/>\nPra n\u00e3o ter cobran\u00e7a, data, obriga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o buscamos nenhuma forma de patroc\u00ednio, nem estatal e nem mesmo do p\u00fablico, pois n\u00e3o quer\u00edamos ningu\u00e9m ditando o que, como e quando fazer as coisas. Acho legal quem consegue usar o crowdfunding como modo de financiamento, mas acho que sou desorganizado demais pra isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que s\u00f3 agora, quase duas d\u00e9cadas depois, trazer \u00e0 tona o document\u00e1rio com essa tem\u00e1tica?<\/strong><br \/>\nDistanciamento hist\u00f3rico, pra come\u00e7ar. Hoje enxerga-se como aquilo foi grande, relevante. Enquanto faz-se a hist\u00f3ria n\u00e3o se tem ideia de import\u00e2ncia, da relev\u00e2ncia. \u00c9 preciso dar um tempo. Por isso mesmo n\u00e3o h\u00e1 tantos registros em v\u00eddeo, fotos. N\u00e3o t\u00ednhamos essa cultura do registro (era tudo caro, dif\u00edcil, e pra que afinal?), e por isso \u00e9 t\u00e3o importante contar essas hist\u00f3rias, mesmo que de forma oral, para que n\u00e3o se percam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No filme voc\u00eas mostra como foram os &#8220;anos dourados&#8221; da cena local, numa iniciativa que uniu p\u00fablico, artistas e produtores. Em sua opini\u00e3o, por que hoje \u00e9 dif\u00edcil conseguir esta sustentabilidade?<\/strong><br \/>\nPor que o rock n\u00e3o \u00e9 mais a m\u00fasica jovem, n\u00e3o tem for\u00e7a no mainstream. Principalmente na segunda metade dos anos 1990, o rock \u2013 e mais ainda, o punk rock \u2013 era um estilo popular entre a molecada. Green day, Rancid, Offspring na MTV, nas r\u00e1dios, nas festas teen. Tudo isso colaborou para que uma cena punk hardcore fosse algo mais poss\u00edvel, palat\u00e1vel at\u00e9. Em Santos, em 1995, se voc\u00ea fosse jovem, voc\u00ea ouvia rock, inclusive de inclina\u00e7\u00e3o mais alternativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E Santos nessa \u00e9poca era rota de shows nacionais (CPM 22, Street Bulldogs, Dead Fish&#8230;) e internacionais (Fugazi, NOFX, Bad Religion&#8230;), geralmente em formato intimista. Para voc\u00ea como foi vivenciar este per\u00edodo?<\/strong><br \/>\nVivenciamos e nos soava natural. &#8220;Vai ter Fugazi na ter\u00e7a-feira ali perto de casa? Vamos l\u00e1!&#8221;. At\u00e9 pela inoc\u00eancia, ou por certa falta de conhecimento ou ideia do que viria a ser tudo isso. Quando falo hoje que Fugazi tocou em Santos por 15 reais, ou vi NOFX na tour do &#8220;Heavy Petting Zoo&#8221;, ou entrevistei o Bad Religion em p\u00e9, ali na rua do shopping, as pessoas acham absurdo. Mas na \u00e9poca era natural. Era nossa realidade. Viv\u00edamos a cena hardcore de forma verdadeira e sem o glamour que isso parece ter hoje. Era s\u00f3 nosso cotidiano. Organizei meu primeiro show com 16 anos, levando Holly Tree e Hateen a Santos, fazendo fanzine. \u00cdamos a shows todos os fins de semana, vimos todas as bandas nascerem, evolu\u00edrem, e muitas morrerem. Era algo org\u00e2nico, era o dia a dia de uma gera\u00e7\u00e3o inteira. E ainda \u00e9 o meu. Continuo vivendo tudo isso, com a mesma naturalidade de outrora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o a quantas anda a cena local hoje? E o que difere daqueles tempos?<\/strong><br \/>\nA cena de Santos segue produzindo e exportando. Voc\u00ea tem selos, lojas, bandas, produtores, casas de show. Tudo segue funcionando. A diferen\u00e7a \u00e9 obviamente o tamanho. O rock n\u00e3o \u00e9 grande como nos anos 1990, e logo a cena tamb\u00e9m n\u00e3o. Voltou pra como era no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, para iniciados, algo mais de nicho. Mas resiste, tem muita gente da antiga ainda na ativa, e muita molecada nova produzindo coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para que vivencia diariamente a cena punk \/ hardcore como voc\u00ea enxerga a cena nacional hoje?<\/strong><br \/>\nAcho que est\u00e1 cada vez melhor. Qualidade n\u00e3o \u00e9 quantidade. Tem melhores condi\u00e7\u00f5es pra tudo, todo mundo tem muito mais acesso, mais informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais inclusiva \u2013 tem mais garotas, cada vez menos segrega\u00e7\u00e3o de estilos etc. N\u00e3o consigo muito ver esse lance de &#8216;ontem&#8217; e &#8216;hoje&#8217;, \u00e9 algo continuo pra mim. \u00c9 claro, vimos tudo isso inchar, esvaziar, guias de conduta mudando, modos evoluindo, mas, ainda assim, \u00e9 algo que n\u00e3o tem muito como comparar, pois n\u00e3o vejo fase distinta, \u00e9 algo em constante mudan\u00e7a, assim como n\u00f3s mesmos. Eu n\u00e3o sou o mesmo cara de 5 anos atr\u00e1s, nem a cena hardcore \u00e9. E ainda bem, acho que de alguma forma todos n\u00f3s seguimos em frente, em todos os sentidos da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar do Zona Punk. O site foi criado justamente no per\u00edodo final de \u00e1pice da cena santista. Alheio a isso, de l\u00e1 para c\u00e1 voc\u00eas expandiram a sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o e seguem em plena atividade, ditando as pr\u00f3prias regras. Como sobreviver no mercado editorial de forma independente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o estagnando, saindo da internet. O ZP n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um site, ou melhor, nunca foi. Temos a\u00e7\u00f5es offline, festas, shows, festivais, lan\u00e7amos discos, livros, dvds&#8230; Seguimos tradicionalistas por outro lado, escrevendo sobre m\u00fasica, fazendo review, hard news. Acredito no jornalismo, no texto, sou da gera\u00e7\u00e3o que cresceu lendo revista de rock, mas pra sobreviver precisa abrir a cabe\u00e7a, abrir o leque de op\u00e7\u00f5es e atuar nas 11 posi\u00e7\u00f5es, como se diz por ai. Ficar na banheira esperando pra fazer o gol n\u00e3o rola mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O slogan do Zona Punk \u00e9 &#8220;n\u00f3s falamos das bandas que os outros n\u00e3o falam&#8221;. O que voc\u00ea tem ouvido e recomenda?<\/strong><br \/>\nEu ou\u00e7o TANTA coisa o dia inteiro. Vou tranquilamente do Iron Maiden pro Pegboy sem grilo nenhum. N\u00e3o sou nenhum guru das novidades, &#8216;o que os outros n\u00e3o falam&#8217; n\u00e3o precisa ser algo subterr\u00e2neo ou ultra desconhecido, pode ser algo que n\u00e3o chegou a voc\u00ea ainda, por exemplo. Atualmente estou ouvindo bastante essas novas bandas guitar do cen\u00e1rio hardcore de fora, tipo o Basement, o Turnover, o disco novo do Hundredth, o Pup&#8230; Mas daqui a pouco vou ouvir o bom e velho Slayer mesmo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/california.jpg\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pigner<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Wlad Cruz fala sobre &#8220;Calif\u00f3rnia Brasileira \u2013 O Hardcore Punk em Santos de 1991 a 1999&#8221;, document\u00e1rio que registra os &#8220;anos dourados&#8221; da cena local\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/31\/entrevista-wladimir-cruz-fala-do-doc-california-brasileira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":43646,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[3052],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43645"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43645"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43651,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43645\/revisions\/43651"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}