{"id":43539,"date":"2017-07-21T10:51:37","date_gmt":"2017-07-21T13:51:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43539"},"modified":"2017-08-20T00:04:24","modified_gmt":"2017-08-20T03:04:24","slug":"entrevista-marcelo-viegas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/21\/entrevista-marcelo-viegas\/","title":{"rendered":"Entrevista: Marcelo Viegas"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSkatista, cientista social, jornalista, editor e pai do Milo\u201d. \u00c9 assim que o multifacetado Marcelo Viegas se autodescreve na orelha de \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/entaocoletaneadeentrevistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ent\u00e3o<\/a>\u201d, colet\u00e2nea de entrevistas que compila em pouco mais de 220 p\u00e1ginas mais de 20 anos dedicados ao jornalismo cultural (a primeira entrevista, com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/17\/entrevista-alexandre-sesper\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Sesper<\/a>, do Garage Fuzz, \u00e9 de 1995, e a tem\u00e1tica abordada na conversa continua atual\u00edssima como se tivesse sido feita domingo passado), que, como a autodescri\u00e7\u00e3o adianta e n\u00e3o diz tudo, n\u00e3o foi a \u00fanica atividade a que Marcelo Viegas se dedicou neste tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incans\u00e1vel, Marcelo Viegas \u00e9 um aut\u00eantico militante da cultura alternativa. Sob a sua batuta j\u00e1 nasceram fanzines (\u201cthe answer\u201d), um selo musical (o sHort records, que lan\u00e7ou discos de Pin Ups, The Butchers\u2019 Orchestra e Hateen, entre outros) e uma loja de discos. Ele ainda cantou em bandas como The Sundance Season, Chocolate Diesel e \u00e4sterdon, trabalhou como editor na revista cemporcentoskate e na Edi\u00e7\u00f5es Ideal, respons\u00e1vel por colocar no mercado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/tres-livros-imperdiveis-para-agora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma s\u00e9rie de livros imperd\u00edveis sobre o universo da m\u00fasica<\/a>. E tamanha experi\u00eancia o permitiu estar pr\u00f3ximo (e entrevistar) artistas das mais variedades esferas. Os anos de dedica\u00e7\u00e3o resultaram neste \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/entaocoletaneadeentrevistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ent\u00e3o<\/a>\u201d, seu primeiro livro, lan\u00e7ado pela sHort Books, sua pr\u00f3pria editora..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Marcelo Viegas fala sobre o livro, a cultura do it yourself (\u201cEnquanto existir contracultura, existir\u00e1 tamb\u00e9m a presen\u00e7a do esp\u00edrito \u201cdo it yourself\u201d), sua experi\u00eancia como editor, jornalismo independente (\u201cAs entrevistas feitas \u201ccara a cara\u201d t\u00eam muito mais vida\u201d), a experi\u00eancia de ter com a sHort Records (\u201cN\u00e3o apenas foi uma chance de contribuir com a cena lan\u00e7ando v\u00e1rias bandas, como tamb\u00e9m \u2013 e principalmente \u2013 permitiu que eu conhecesse pessoas incr\u00edveis, de todos os cantos do Brasil\u201d) e muito mais . Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/viegas2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Ent\u00e3o&#8221; \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias entrevistas que voc\u00ea fez nos \u00faltimos anos. Como se deu a sele\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAntes de falar especificamente da sele\u00e7\u00e3o das entrevistas, queria s\u00f3 dar uma palavrinha sobre o nascimento do projeto. O livro nasceu dentro do MBA Book Publishing que estou fazendo, a ideia era que cada grupo produzisse um ebook. Falei com o pessoal do meu grupo e disse que tinha esses arquivos das entrevistas que fiz ao longo dos anos. Eles curtiram e, ent\u00e3o, mergulhei no material para fazer a sele\u00e7\u00e3o. O primeiro passo foi pensar no recorte e percebi que daria para amarrar esses tr\u00eas temas: skate, arte e m\u00fasica. Como n\u00e3o sou o sujeito mais desorganizado do mundo, tinha o back up da maioria das entrevistas. E, como elas j\u00e1 estavam transcritas, o trabalho mais pesado foi o de escrever novas introdu\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de revisar, editar e criar uma certa padroniza\u00e7\u00e3o. Adotei o rumo de s\u00f3 selecionar entrevistas estilo \u201cpergunta e resposta\u201d, o que exigiu que eu deixasse de fora muitas entrevistas legais no esquema de texto corrido (como, por exemplo, as entrevistas do Carlos Dias e do Stephan Doitschinoff). Tinha uma entrevista que eu n\u00e3o tinha back up: a do Garage Fuzz, de 1995. Ent\u00e3o, fotografei o zine e mandei para a Karina Goto, e ela fez a nova transcri\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O lan\u00e7amento do livro foi feito por sua conta, sem apoio de nenhuma editora. Por que voc\u00ea optou por trilhar este caminho?<\/strong><br \/>\nPorque esse \u00e9 o nicho do nicho. Mesmo uma editora independente, que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o focada no aspecto comercial, encontraria dificuldades para \u201cfechar a conta\u201d no caso de um livro com essas caracter\u00edsticas. Eu j\u00e1 sabia disso, e sabia tamb\u00e9m que seria infrut\u00edfero e desgastante ficar correndo atr\u00e1s de editora para esse projeto. Por outro lado, eu sabia que talvez fosse poss\u00edvel viabilizar o lan\u00e7amento fazendo por conta pr\u00f3pria. E, para que isso acontecesse, a primeira decis\u00e3o foi optar por uma pequena tiragem. Como j\u00e1 tive selo musical nos anos 90, sei muito bem como era dif\u00edcil desovar as prensagens de mil CDs \u2013 e n\u00e3o queria repetir essa experi\u00eancia agora. O livro poderia ter at\u00e9 um pre\u00e7o de capa mais barato se eu tivesse feito mil exemplares, mas n\u00e3o tenho a menor inten\u00e7\u00e3o de dormir em cima dos livros pelos pr\u00f3ximos anos. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As entrevistas no livro foram realizadas num formato &#8220;old school&#8221;, de forma presencial e com gravador registrando a conversa. Com o advento da internet surgiu a possibilidade de realizar uma entrevista a dist\u00e2ncia. Voc\u00ea acha que isto interferiu de alguma forma no g\u00eanero?<\/strong><br \/>\nNa verdade, nem todas as entrevistas do livro foram feitas de forma presencial. Creio que metade foi feita por e-mail ou Facebook. O que salta aos olhos, e isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade, \u00e9 o fato de que as entrevistas feitas \u201ccara a cara\u201d t\u00eam muito mais vida, muito mais sabor e uma din\u00e2mica bem mais interessante. Nada substitui a experi\u00eancia de uma entrevista \u201colho no olho\u201d. Por outro lado, n\u00e3o podemos negligenciar as facilidades que a Internet trouxe para a vida dos rep\u00f3rteres. Encurtou dist\u00e2ncias e permitiu que consegu\u00edssemos conte\u00fados que antes pareciam praticamente inacess\u00edveis. Tento me consolar com a compara\u00e7\u00e3o com o passado: nos anos 90, fiz v\u00e1rias entrevistas \u201cpor carta\u201d. Parece jur\u00e1ssico, mas funcionava: de cabe\u00e7a, lembro que entrevistei, por carta social, bandas como Pinheads, Muzzarelas e at\u00e9 o Pirexia, do Uruguai. O e-mail \u00e9 mais ou menos isso, s\u00f3 que mais r\u00e1pido. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grande parte dos entrevistados tem em comum o fato de dividirem as mesmas paix\u00f5es que voc\u00ea pela m\u00fasica, o skate e a arte. A afinidade \u00e9 um dos elementos essenciais para voc\u00ea realizar uma entrevista?<\/strong><br \/>\nNesse aspecto, creio que tive sorte: nunca precisei fazer uma entrevista demasiadamente chata. Sempre trabalhei com esse nicho do skate, da m\u00fasica e da cultura alternativa, o que permitiu dialogar com pessoas que compartilham de interesses similares aos meus. Estaria mentindo se dissesse que a afinidade foi obra do acaso, pois n\u00e3o foi. Pra ser sincero, tenho at\u00e9 curiosidade para saber como eu me sairia se tivesse que trabalhar em uma outra editoria, entrevistando pessoas de outras \u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea teve na d\u00e9cada de 90 um fanzine (o &#8220;The answer&#8221;). Qual a import\u00e2ncia do g\u00eanero para \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nOs zines desempenharam um papel fundamental nos anos 90. Naquele mundo pr\u00e9-Internet, ou de Internet ainda engatinhando, os zines eram ve\u00edculos essenciais na divulga\u00e7\u00e3o da cena independente. Todo um circuito nacional de bandas novas encontrava espa\u00e7o nas p\u00e1ginas dos zines. Zines e demo-tapes circulavam pelo pa\u00eds, criando um verdadeiro networking alternativo. Tenho muito orgulho de ter participado daquela cena dos anos 90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de certa forma, o blog veio a substituir a lacuna deixada pelo fanzine. Voc\u00ea acha que o mesmo \u00e9 hoje a melhor forma de realizar jornalismo de forma independente?<\/strong><br \/>\nAcho que o blog \u00e9 uma das plataformas poss\u00edveis. Creio que tamb\u00e9m d\u00e1 pra fazer jornalismo independente pelo Instagram, pelo Twitter, em autopublica\u00e7\u00f5es etc. Como sustentar financeiramente esses projetos s\u00e3o outros quinhentos, e acho que as novas gera\u00e7\u00f5es sabem fazer isso bem melhor, com mais naturalidade. Nos dias atuais, os zines (e eles seguem firmes e fortes) desempenham outro papel, menos informativo e mais conceitual\/art\u00edstico, por assim dizer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9jS-UCX8vFE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a experi\u00eancia de ter tido um selo musical (o sHort Records)?<\/strong><br \/>\nGuardo com muito carinho e orgulho a experi\u00eancia da sHort (tinha essa grafia metida). N\u00e3o apenas foi uma chance de contribuir com a cena lan\u00e7ando v\u00e1rias bandas, como tamb\u00e9m (e principalmente) permitiu que eu conhecesse pessoas incr\u00edveis, de todos os cantos do Brasil. Naquela \u00e9poca, a cena tinha v\u00e1rios problemas \u2013 alguns permanecem at\u00e9 hoje \u2013, mas tinha um plantel \u00f3timo de bandas. E tive o prazer de trabalhar com algumas delas na sHort: Pin Ups, Hateen, Snooze, Echoplex, Dread Full, Thee Butchers\u2019 Orchestra e por a\u00ed vai. O selo come\u00e7ou em 1995 e ficou na ativa at\u00e9 2004 (11 CDs lan\u00e7ados). Uma das coisas mais legais era a famosa banquinha, que misturava trabalho e prazer, com\u00e9rcio e risadas, e percorreu muitos quil\u00f4metros por esse Brasils\u00e3o: al\u00e9m de S\u00e3o Paulo, a banquinha da sHort tamb\u00e9m marcou presen\u00e7a em Goi\u00e1s, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Paran\u00e1 e Sergipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sHort foi criada numa \u00e9poca em que os selos musicais independentes come\u00e7aram a surgir. Voc\u00ea acha que hoje o grande n\u00famero de selos existentes, de alguma forma, d\u00e3o continuidade ao legado deixado por voc\u00ea, pela Midsummer Madness (ainda na ativa), a Banguela, a Rock it!. entre outros?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Tem muito selo legal colocando boa m\u00fasica na pra\u00e7a, dos mais diferentes g\u00eaneros da m\u00fasica alternativa (indie, punk, crust, experimental etc). E tem essa mescla de selos novos (Balaclava, Transfus\u00e3o Noise, Nada Nada Discos, HBB Recs, No Gods No Masters etc) com selos da antiga, afinal muitos est\u00e3o na ativa at\u00e9 hoje (L\u00e4j\u00e4, Submarine, Peculio, Midsummer etc). S\u00e3o os independentes de verdade, e n\u00e3o aqueles pseudo-independentes que apareceram nos anos 90 (Banguela, Tinitus), que eram subsidiados por majors. Fa\u00e7o sempre essa distin\u00e7\u00e3o, para separar o joio do trigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A parte das entrevistas musicais consegue expor cronologicamente como o universo da m\u00fasica mudou nos \u00faltimos anos. Foi intencional?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o foi intencional. A intencionalidade reside na tentativa de selecionar entrevistas das mais diferentes \u00e9pocas, desde material de meados dos anos 90 at\u00e9 coisas que foram feitas no ano passado (2016). Pode ser que essas mudan\u00e7as apare\u00e7am no conte\u00fado dessas conversas ao longo dos anos, de modo natural. Mas n\u00e3o foi algo planejado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E hoje em dia, quais artistas voc\u00ea tem acompanhado e recomenda?<\/strong><br \/>\nDo \u201cestrangeiro\u201d, posso dizer seguramente que a minha banda favorita da atualidade \u00e9 o DIIV. Nessa mesma onda, o \u00e1lbum novo do Beach Fossils tem pelo menos duas p\u00e9rolas (\u201cThis Year\u201d e \u201cDown the Line\u201d). O novo do Afghan Whigs tamb\u00e9m est\u00e1 bem legal (a maravilhosa \u201cOriole\u201d poderia estar tranquilamente no \u201cBlack Love\u201d). Al\u00e9m desses, tamb\u00e9m tenho escutado muito Turnover (toca no Brasil em dezembro), The Radio Dept., Run The Jewels, A Tribe Called Quest, Mars Red Sky e o punk grudento lindo do Beach Slang. Das bandas de c\u00e1, tem os de sempre: Hurtmold, Parteum, Merda etc. Das paradas que estou ouvindo agora, tenho gostado bastante do material mais recente da rapper L\u00edvia Cruz; a banda Rakta tem feito um trabalho impec\u00e1vel, acho foda; o Herzegovina, novo projeto do Rafael Crespo, encontrou uma sonoridade bem interessante; e acabei de escutar o EP novo da banda Os Ch\u00e1s (\u201cJ\u00e1 Del\u00edrio\u201d) e recomendo com entusiasmo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi editor da revista Cemporcentoskate e de livros lan\u00e7ados pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Como voc\u00ea entrou nessa \u00e1rea?<\/strong><br \/>\nCome\u00e7ando pela <a href=\"http:\/\/cemporcentoskate.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CemporcentoSKAT<\/a>E. Sou colaborador da revista desde os prim\u00f3rdios: ela nasceu em 95 e meu primeiro texto foi publicado em 96. At\u00e9 2005 atuei como colaborador espor\u00e1dico, e em 2006 fui contratado para ser redator. Dois anos depois, passei a editor e fiquei no cargo at\u00e9 o final de 2012. E sigo colaborando com a revista at\u00e9 hoje. De certo modo, d\u00e1 pra dizer que o skate determinou o curso da minha vida. Ando de skate desde 1988, mas sempre soube que n\u00e3o seria um skatista profissional, o que me levou a trilhar o caminho de profissional do skate, atuando na m\u00eddia. Apesar de ser formado em Ci\u00eancias Sociais, minha atua\u00e7\u00e3o sempre se deu mais no campo do jornalismo. Tem at\u00e9 um fato curioso, ou melhor, incomum: o meu primeiro texto n\u00e3o foi publicado em um zine, mas sim em uma revista, a extinta One Street Magazine, no distante ano de 1994. O meu primeiro zine (The Answer), feito em parceria com o artista pl\u00e1stico Fl\u00e1vio Gr\u00e3o, s\u00f3 saiu em maio de 1995. Bom, depois da CemporcentoSKATE, fui chamado pelo Felipe (Gasnier) e pela Maria (Maier) para ser o editor da Edi\u00e7\u00f5es Ideal, no in\u00edcio de 2013. Foram quatro anos na casa, totalizando uns 36 livros no per\u00edodo. Foi muito legal dar um tempo na rotina di\u00e1ria do skate para me dedicar a um projeto focado na m\u00fasica. Livros de m\u00fasica! E acho que a editora plantou a semente de um projeto editorial bacana, com um nicho muito bem definido e que construiu um cat\u00e1logo bem interessante e diversificado. Al\u00e9m das biografias (Slayer, Mot\u00f6rhead, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ian Curtis<\/a>, Kid Vinil, The Cure etc), tamb\u00e9m teve espa\u00e7o para quadrinhos, livros infantis, fic\u00e7\u00e3o, jornalismo e livros de fotos. Muitos desses t\u00edtulos talvez n\u00e3o existissem no mercado brasileiro se n\u00e3o fosse pela iniciativa da Edi\u00e7\u00f5es Ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 ineg\u00e1vel a inter-rela\u00e7\u00e3o entre o skate, a m\u00fasica e a arte. Mas como foi que nasceu esta rela\u00e7\u00e3o para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nNasceu de forma natural, na medida em que esses elementos foram sendo incorporados na minha vida. Muita gente n\u00e3o sabe, mas durante a minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia eu desenhava, cheguei a cursar Desenho Art\u00edstico na ASBA (Associa\u00e7\u00e3o S\u00e3o Bernardense de Belas Artes). Mas depois optei pelos textos mesmo, o que acredito ter sido uma decis\u00e3o correta (risos). E a m\u00fasica j\u00e1 vinha despertando o meu interesse antes do skate entrar na minha hist\u00f3ria. J\u00e1 escutava Camisa de V\u00eanus, Replicantes, Garotos Podres, tinha j\u00e1 uma fogueira do punk acesa \u2013 e o skate s\u00f3 fez o fogo aumentar de intensidade (e direcionou com mais qualidade). Ent\u00e3o, com 14 anos eu j\u00e1 tinha esses tr\u00eas elementos inseridos na minha vida: j\u00e1 andava de skate, j\u00e1 curtia m\u00fasica alternativa e j\u00e1 tinha um interesse pelas artes que vinha desde pivete, principalmente com a fascina\u00e7\u00e3o pelo universo das HQs. Mas \u00e9 interessante notar como o skate tem essa capacidade de abrir horizontes culturais: tanto no \u00e2mbito das artes (as ilustra\u00e7\u00f5es dos adesivos, shapes e camisetas, por exemplo) quanto no campo musical (as trilhas dos v\u00eddeos, a m\u00fasica que toca no campeonato, na festa, a banda que \u00e9 entrevistada na revista, para citar algumas ocorr\u00eancias). Quando voc\u00ea come\u00e7a a andar de skate, essa bagagem cultural \u00e9 oferecida praticamente desde o primeiro dia. A\u00ed cada um decide o que fazer \u2013 ou n\u00e3o fazer \u2013 com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como fruto do \u201cdo it yourself\u201d(fa\u00e7a voc\u00ea mesmo) como voc\u00ea v\u00ea esta cultura hoje? Ela ainda preserva a ess\u00eancia do movimento?<\/strong><br \/>\nAcho que o \u201cdo it yourself\u201d permanece absolutamente vivo e v\u00e1lido. As gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o se sucedendo, mas o esp\u00edrito continua reinando. Ele fica ali, pairando no ar e agu\u00e7ando a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade das pessoas. \u00c9 engra\u00e7ado porque hoje muito se fala sobre o tal do empreendedorismo, tem todo esse culto ao empreendedor, mas a cena independente j\u00e1 sabe disso h\u00e1 anos, j\u00e1 pratica isso h\u00e1 d\u00e9cadas, mas sem os clich\u00eas corporativos e enfadonhos dos \u201ccomentaristas\u201d da Globo News. N\u00e3o \u00e9 pelo lucro, mas sim pela cultura (ou contracultura) na qual voc\u00ea est\u00e1 envolvido. Vejo tanta gente vomitando esnobismo, com uma postura do tipo \u201csou empreendedor, sou um ser digno de rever\u00eancia, blablabla\u201d, enquanto a menina (ou menino) do punk lan\u00e7a disco, faz zine, monta distro, organiza show, traz banda gringa pra tocar aqui, vai com a sua banda pra tocar no exterior, edita livro, cria blog, canal do YouTube, a porra toda! Pergunte pra essa pessoa se ela \u00e9 empreendedora ou punk, acho que sabemos a resposta. Vou al\u00e9m: faz tudo isso, colabora ativamente com a cena e n\u00e3o fica com aquele discurso de vitimismo (\u201caimeudeus, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ser empreendedor no Brasil\u201d ou \u201caimeudeus, os encargos trabalhistas aniquilam o meu neg\u00f3cio\u201d ou qualquer equivalente). E o fa\u00e7a voc\u00ea mesmo pode ser aplicado nos mais diversos segmentos: para citar um exemplo recente, acabou de acontecer em S\u00e3o Paulo o UGRAFEST 2017. Evento incr\u00edvel, inspirador. Muito bom ver a quantidade de gente produzindo publica\u00e7\u00f5es independentes de alt\u00edssima qualidade. Enquanto existir contracultura, existir\u00e1 tamb\u00e9m a presen\u00e7a do esp\u00edrito \u201cdo it yourself\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Podemos esperar por um &#8220;Ent\u00e3o&#8221; Vol. 2?<\/strong><br \/>\nTenho pensado sobre isso. Principalmente porque cortamos 10 entrevistas da sele\u00e7\u00e3o inicial. Mas n\u00e3o \u00e9 algo que eu v\u00e1 fazer nos pr\u00f3ximos meses. De todo modo, quero tamb\u00e9m sentir como ser\u00e1 o resultado do livro, se vou conseguir escoar toda a tiragem e tal. Em termos de projetos autorais, tenho uma outra ideia em mente, ainda na fase embrion\u00e1ria, mas posso adiantar que n\u00e3o ser\u00e1 uma obra jornal\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8220;Ent\u00e3o&#8221; pode ser adquirido nas lojas abaixo, presencialmente ou online:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ugra: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/5u2AWP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/goo.gl\/5u2AWP<\/a><br \/>\nLocomotiva: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/ueWNWh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/goo.gl\/ueWNWh<\/a><br \/>\nHS Merch: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/HxZ9tl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/goo.gl\/HxZ9tl<\/a><br \/>\nHBB Store: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/sJszhT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/goo.gl\/sJszhT<\/a><br \/>\nSebo Clepsidra: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/oo5U2d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/goo.gl\/oo5U2d<\/a><br \/>\nSensorial: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/H2LLD1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/goo.gl\/H2LLD1<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/viegas1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pigner<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. As fotos coloridas do texto s\u00e3o de Holyver Yoshida; a foto PB \u00e9 de Marcelo Ribeiro, todas de divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cEnt\u00e3o\u201d, colet\u00e2nea de entrevistas do jornalista Marcelo Viegas, compila em pouco mais de 220 p\u00e1ginas mais de 20 anos dedicados ao jornalismo cultural\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/21\/entrevista-marcelo-viegas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":43540,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[2116],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43539"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43539"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43545,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43539\/revisions\/43545"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}