{"id":43529,"date":"2017-07-20T12:05:53","date_gmt":"2017-07-20T15:05:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43529"},"modified":"2017-11-24T23:51:07","modified_gmt":"2017-11-25T01:51:07","slug":"cinema-de-cancao-a-cancao-de-terrence-malick","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/20\/cinema-de-cancao-a-cancao-de-terrence-malick\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;De Can\u00e7\u00e3o a Can\u00e7\u00e3o&#8221;, de Terrence Malick"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea \u00e9 um diretor badalado de Hollywood que decide filmar sua nova hist\u00f3ria de desencontros amorosos nos badalados festivais de m\u00fasica de Austin, no Texas, com um dos melhores fot\u00f3grafos e alguns dos melhores atores do mundo. O passe vip de Hollywood permite que voc\u00ea leve seu amigo com uma c\u00e2mera na m\u00e3o e seus atores pelos bastidores dos festivais, onde voc\u00ea encontra e registra imagens de estrelas do showbusiness, que, depois, na sala de edi\u00e7\u00e3o, v\u00e3o ser coladas por uma narrativa em off tentando dar algum sentido a tudo isso. Pode funcionar, e \u00e0s vezes funciona mesmo, mas n\u00e3o com \u201cDe Can\u00e7\u00e3o em Can\u00e7\u00e3o\u201d (2017), novo experimento visual com narrativa picotada de Terrence Malick.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/09\/01\/tres-filmes-que-nao-pretendo-ver-de-novo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c1rvore da Vida<\/a>\u201d dividiu o mundo cinematogr\u00e1fico no meio em 2011 (50% amou, 50% odiou, a pesquisa n\u00e3o conseguiu encontrar dinossauros para opinar) e lhe rendeu a Palma de Ouro em Cannes, Malick tenta elevar ao mesmo status de Arte todo novo filme, e se \u201cAmor Pleno\u201d (2012) exibia \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/14\/cinema-amor-pleno-terrence-malick\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">imensos vazios preenchidos por belas imagens, falta de foco e t\u00e9dio<\/a>\u201d e \u201cCavaleiro de Copas\u201d (2015) \u201c<a href=\"http:\/\/www.detroitnews.com\/story\/entertainment\/movies\/2016\/03\/10\/movie-review-malick-christian-bale-wanders-aimless-knight-cups\/81626450\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">era uma bagun\u00e7a indecifr\u00e1vel<\/a>\u201d, este \u201cDe Can\u00e7\u00e3o em Can\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9, claramente, um amontoado de cenas filmadas sem nexo, no calor do momento (do festival e do improviso), que s\u00e3o jogadas na narrativa apenas como enfeite, como um quadro que ao inv\u00e9s de ficar preso a parede, gesticula, fala, dan\u00e7a, mas nada acrescenta ao filme.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cancao3.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ok, do come\u00e7o: \u201cDe Can\u00e7\u00e3o em Can\u00e7\u00e3o\u201d flagra o triangulo amoroso entre um famoso produtor musical, Cook (Michael Fassbender), com sua secretaria, Faye (Rooney Mara), que tamb\u00e9m \u00e9 musicista e se apaixona por um m\u00fasico, BV (Ryan Gosling), o qual Cook pretende tornar um astro. Cook \u00e9 o desenho que se espera de um produtor musical galanteador e rico no meio norte-americano, e soa como um Mefisto observando o caos sob seus p\u00e9s enquanto sorve um drink calmamente, e ri de canto de boca. Ele est\u00e1 acima de disputas, acima de todos, ainda que seu cora\u00e7\u00e3o possa trai-lo, o que acontece quando entra em cena Rhonda (Natalie Portman), uma gar\u00e7onete que est\u00e1 passando por s\u00e9rios problemas financeiros. H\u00e1 ainda Amanda (Cate Blanchett), personagem que vai do nada a lugar nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As belas imagens captadas pelo fot\u00f3grafo Emmanuel Lubezki (\u201cO Regresso\u201d, \u201cBirdman\u201d, \u201cGravidade\u201d, \u201c\u00c1rvore da Vida\u201d) s\u00e3o lan\u00e7adas na tela no mesmo estilo que Malick expos nos filmes anteriores, ou seja, quase que como um power point turistico, e d\u00e1-lhe sol estourando e se abrindo como flor no horizonte. Interessante: em v\u00e1rios momentos de improviso fica n\u00edtido que os atores n\u00e3o sabem se a cena acabou ou n\u00e3o. Perceba. Tamb\u00e9m h\u00e1 dinossauros (voc\u00ea achou que eles n\u00e3o estariam aqui?) do rock flagrados em seu habitat falando nada com nada: de John Lydon a Iggy Pop, de Val Kilmer ainda com Jim Morrison incorporado aos Red Hot Chili Peppers \u2013 a \u00fanica artista que consegue penetrar na narrativa confusa do filme \u00e9 Patti Smith e acrescentar poesia quando relembra seu casamento com Fred &#8220;Sonic&#8221; Smith.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cancao2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa forma, \u201cDe Can\u00e7\u00e3o em Can\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o menos ambicioso dos \u00faltimos filmes de Terrence Malick: n\u00e3o h\u00e1 como negar que h\u00e1 uma linha de roteiro na trama, ainda que ela seja uma linha fr\u00e1gil praticamente constru\u00edda em off, o que d\u00e1 asas a subjetividade que o diretor tanto preza nos \u00faltimos anos, e que s\u00f3 encontra eco naqueles que querem realmente gostar do filme, ou ent\u00e3o est\u00e3o no mesmo n\u00edvel experimental do diretor. A escolha pelo ambiente dos festivais em Austin, ainda que renda belas imagens, \u00e9 desperdi\u00e7ada por n\u00e3o se conectar com a trama: Malick poderia ter filmado na Festa do Pe\u00e3o de Barretos, na Virada Cultural de S\u00e3o Paulo ou em Glastonbury que o resultado seria o mesmo, j\u00e1 que o problema n\u00e3o \u00e9 o ambiente, mas o roteiro (ou melhor, a falta de um).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wendy Ide, do Observer, foi cruel, mas certeira: \u201c<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/film\/2017\/jul\/09\/song-to-song-review-sprawling-sexy-and-shallow-terrence-malick-ryan-gosling-rooney-mara-fassbender\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tudo se resume a um lindo nada<\/a>\u201d. Kevin Maher, do Times, cravou: \u201c<a href=\"https:\/\/www.thetimes.co.uk\/article\/film-review-song-to-song-hmgqck0t3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Este \u00e9 o pior filme de Terrence Malick<\/a>\u201d. Por\u00e9m, quem melhor definiu foi Charles Steinberg, do Under The Radar: \u201c<a href=\"http:\/\/www.undertheradarmag.com\/reviews\/song_to_song\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O fracasso deste filme reside no abismo que continua a se alargar entre o estilo de dire\u00e7\u00e3o que Terrence Malick deseja exibir e o escopo da narrativa que ele deseja contar<\/a>\u201d. Perdido no meio desse abismo, o p\u00fablico tem a seu dispor belas imagens, grandes atores improvisando, alguns momentos de m\u00fasica, estrelas pop rock subaproveitadas e duas horas e nove minutos de ambi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica que mais parece uma Ferrari Testa Rossa a 200 km chocando-se a um muro. \u201cDe Can\u00e7\u00e3o em Can\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 um filme, \u00e9 um desastre.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gGwhErgN8e8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"129 minutos de ambi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica que mais parece uma Ferrari Testa Rossa a 200 km chocando-se a um muro. \u201cDe Can\u00e7\u00e3o em Can\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 um filme, \u00e9 um desastre.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/20\/cinema-de-cancao-a-cancao-de-terrence-malick\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":43532,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[87],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43529"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43529"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43529\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45149,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43529\/revisions\/45149"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43532"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}