{"id":43424,"date":"2017-07-07T10:21:04","date_gmt":"2017-07-07T13:21:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43424"},"modified":"2017-08-04T10:11:13","modified_gmt":"2017-08-04T13:11:13","slug":"entrevista-miguel-olivencia-premios-grafitti-uruguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/07\/entrevista-miguel-olivencia-premios-grafitti-uruguai\/","title":{"rendered":"Entrevista: Miguel Olivencia (Premios Grafitti, Uruguai)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criado em 2003, os Premios Grafitti s\u00e3o hoje a principal premia\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria musical uruguaia. Inicialmente dedicado ao rock, passou a abarcar cada vez mais categorias e hoje, como costuma acontecer em iniciativas semelhantes, abarca uma grande quantidade delas: eletr\u00f4nica, indie, tango, infantil, m\u00fasica tropical, m\u00fasica urbana, punk, hip hop e outros tantos, al\u00e9m de itens que v\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o de arte a reconhecimento de trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rigor, n\u00e3o h\u00e1 tanta diferen\u00e7a entre \u201clos Grafitti\u201d (como s\u00e3o conhecidos) e outras premia\u00e7\u00f5es do continente. Por\u00e9m, chama a aten\u00e7\u00e3o a grande presen\u00e7a de discos independentes entre os indicados, assim como a variedade musical contemplada. Ainda que seja alvo de discuss\u00f5es e pol\u00eamicas em todos os anos \u2013 como, frise-se, \u00e9 de praxe em elei\u00e7\u00f5es desse tipo \u2013 \u00e9 impressionante notar como uma premia\u00e7\u00e3o \u201cda ind\u00fastria\u201d n\u00e3o se fixa apenas na ind\u00fastria \u201coficial\u201d, tampouco trata os independentes com condescend\u00eancia. O j\u00fari, composto de profissionais uruguaios e estrangeiros, contempla a produ\u00e7\u00e3o musical como um todo, sem estabelecer distin\u00e7\u00f5es entre o mainstream e o underground.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/grafitti.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o de 2017 chama a aten\u00e7\u00e3o pela grande presen\u00e7a de artistas independentes. Podem ser os indies da Mushi Mushi Orquesta, o rock sombrio do Chillan Las Bestias, o hip hop de Puchero, o metal do Nameless, o candombe de Diego Jenssen ou o reggae de Pedro y Los Medusa, n\u00e3o importa: disputam igualmente com nomes de peso no pa\u00eds, como Luciano Supervielle (produtor musical, solista e tamb\u00e9m integrante do Bajofondo), Jaime Roos (possivelmente o maior nome vivo da m\u00fasica uruguaia) ou \u201csupergrupo de cantautores\u201d El Astillero (com Franny Glass, Garo e Diego Presa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrega dos Grafitti ocorre em duas etapas: em 12 de julho e em 9 de agosto (<a href=\"http:\/\/www.premiosgraffiti.com.uy\/nominados\/nominados-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">veja a lista de indicados aqui<\/a>). Antes que elas ocorressem, conversamos com Miguel Olivencia, organizador da premia\u00e7\u00e3o, para entender sua vis\u00e3o do momento atual do cen\u00e1rio musical uruguaio, que concentra uma das produ\u00e7\u00f5es mais diversificadas e instigantes do continente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ibvqc0eLnxA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 um ano em que h\u00e1 muitos independentes entre os indicados aos Premios Grafitti. Sempre houve um equil\u00edbrio entre o mainstream e o underground, mas em 2017 h\u00e1, de fato, muitos artistas dessa \u00faltima por\u00e7\u00e3o. Em sua percep\u00e7\u00e3o, qual foi a raz\u00e3o para isso?<\/strong><br \/>\nOs Premios Graffiti sempre incentivaram a participa\u00e7\u00e3o dos artistas independentes. O acesso \u00e0s novas tecnologias democratizou a produ\u00e7\u00e3o musical em todos os seus aspectos: a realiza\u00e7\u00e3o dos discos, a promo\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o aos canais de distribui\u00e7\u00e3o, o que fomenta ou mesmo obriga a produ\u00e7\u00e3o independente [a se intensificar]. Tamb\u00e9m passa pelo encolhimento do or\u00e7amento dos selos estabelecidos. Este novo mundo digital potencia as possibilidades dos artistas independentes tanto para o mercado dom\u00e9stico como para o global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comparada \u00e0 de outros pa\u00edses sul-americanos, como Brasil ou Argentina, a ind\u00fastria musical uruguaia \u00e9 menor. Ainda assim, \u00e9 muito rica, tanto em tradi\u00e7\u00e3o quanto em novidades. Por\u00e9m, \u00e9 dif\u00edcil para os m\u00fasicos viverem exclusivamente de m\u00fasica por a\u00ed.<\/strong><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o cultural uruguaia, e n\u00e3o apenas sua m\u00fasica, deve ser comparativamente menor que a de muitos pa\u00edses com economias mais fortes que a nossa. Por\u00e9m, acredito que essa fraqueza \u00e9 nossa maior fortaleza. Saber que viver exclusivamente de sua arte \u00e9 muito dif\u00edcil leva [um artista] a ser muito mais criativo na hora de produzir e sustentar-se dividindo suas atividades di\u00e1rias com a arte.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yDlkkbeIBG0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns artistas, como Papina de Palma e La Mujer P\u00e1jaro, que est\u00e3o presentes com seus primeiros trabalhos n\u00e3o apenas na categoria &#8220;artista novo&#8221;, mas tamb\u00e9m em outras categorias mais \u2013 digamos \u2013 \u201cestabelecidas\u201d. O que essa nova gera\u00e7\u00e3o da m\u00fasica uruguaia promete?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 desde alguns anos, as novas gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o somando ao seu talento um n\u00edvel de profissionalismo e prepara\u00e7\u00e3o que fazia falta \u00e0 m\u00fasica popular uruguaia. Um exemplo claro \u00e9 a estandartiza\u00e7\u00e3o do produtor musical, figura que antes n\u00e3o existia e agora somou um b\u00f4nus de qualidade nas produ\u00e7\u00f5es discogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 muitos entre os indicados que extrapolam as fronteiras do Uruguai. Supervielle \u00e9 um nome de peso em toda a Am\u00e9rica do Sul, Nicol\u00e1s Molina saiu em turn\u00ea pelos Estados Unidos e pelo Brasil v\u00e1rias vezes, al\u00e9m de nomes que j\u00e1 s\u00e3o refer\u00eancia no continente, como Francisco Fattoruso e Rub\u00e9n Rada. Voc\u00ea cr\u00ea que isso tem mais a ver com a facilidade de acessar a informa\u00e7\u00e3o musical hoje, ou \u00e9 algo mais relativo ao esfor\u00e7o dos m\u00fasicos para chegar a outros p\u00fablicos?<\/strong><br \/>\nA internacionaliza\u00e7\u00e3o requer um grande esfor\u00e7o pessoal, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter uma proposta profissional e um grande produto. Sem can\u00e7\u00f5es e sem um respaldo art\u00edstico e de talento, n\u00e3o se consegue nada no mundo de hoje.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/idA8XDBfgnM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje, qual a representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica que os Premios Grafitti t\u00eam?<\/strong><br \/>\nComo todo premio, representam um ano de produ\u00e7\u00e3o musical, suas virtudes e seus defeitos. Pr\u00eamios, em geral, valorizam, promovem e hierarquizam, mas por si s\u00f3 n\u00e3o mudam as realidades do que aconteceu no ano anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos \u00faltimos anos, as mudan\u00e7as aconteceram de forma muito r\u00e1pida na ind\u00fastria. Hoje, quando o \u00e1lbum \u00e9 mais uma quest\u00e3o art\u00edstica que uma fonte de renda, qual \u00e9 a maneira mais segura de garantir o crescimento da estrutura da ind\u00fastria musical para os pr\u00f3ximos anos?<\/strong><br \/>\nFortalecendo os artistas e sua rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. O disco e suas can\u00e7\u00f5es continua sendo o maior elemento f\u00edsico tang\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o de um m\u00fasico com seu entorno, e sua maneira de demonstrar o que quer expressar naquele momento. Ainda que a venda de discos diminua, nunca se escutou tanta m\u00fasica e nunca houve uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o direta entre os m\u00fasicos e seu p\u00fablico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-5QltWDGEic?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OBZbfTjvc9s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. Fotos do texto por Tomas Faquini \/ Divulga\u00e7\u00e3o. Confira a galeria completa de fotos <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/PicnikNoCalcadao\/photos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Criado em 2003, os Premios Grafitti s\u00e3o hoje a principal premia\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria musical uruguaia. O organizador Miguel Olivencia fala sobre a premia\u00e7\u00e3o deste ano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/07\/entrevista-miguel-olivencia-premios-grafitti-uruguai\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":43425,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43424"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43427,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43424\/revisions\/43427"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43425"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}