{"id":43419,"date":"2017-07-06T11:37:27","date_gmt":"2017-07-06T14:37:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43419"},"modified":"2017-08-31T09:38:50","modified_gmt":"2017-08-31T12:38:50","slug":"tres-perguntas-leticia-marques-faca-voce-mesma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/06\/tres-perguntas-leticia-marques-faca-voce-mesma\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Let\u00edcia Marques (&#8220;Fa\u00e7a Voc\u00ea Mesma&#8221;)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Riot Grrrl \u00e9 um movimento musical que nasceu no estado de Washington, nos EUA, no in\u00edcio dos anos 90 e trouxe a tona uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es ligadas ao universo feminista que, alinhadas ao manifesto pol\u00edtico e ao discurso punk de nomes como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/23\/entrevista-sini-anderson\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bikini Kill<\/a>, Bratmobile e Heavens to Betsy, entre outros, acabaram por resultar numa das mais consistes e influentes manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas da \u00e9poca, reverberando com impacto nas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O barulho gerado no per\u00edodo reverberou a n\u00edvel mundial, gerando inclusive uma s\u00f3lida influ\u00eancia na cena brasileira com diversas bandas como Domintrix, Bulimia e Lava, entre tantas outras, que acabaram por protagonizar iniciativas pr\u00f3prias e fizeram hist\u00f3ria na musica underground brasileira. E para trazer a tona \u00e0 hist\u00f3ria destas mulheres est\u00e1 em processo de constru\u00e7\u00e3o (com crowdfunding em aberto no Catarse) o document\u00e1rio \u201cFa\u00e7a Voc\u00ea Mesma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, a diretora Let\u00edcia Marques conta como nasceu a iniciativa de produzir o filme (\u201cA ideia vem da percep\u00e7\u00e3o de que esta cena n\u00e3o tinha sido inscrita na hist\u00f3ria musical brasileira\u201d), a influ\u00eancia da cena Riot Grrrl e os seus efeitos at\u00e9 hoje, o revival cinematogr\u00e1fico da cena musical brasileira dos anos 90 (via \u201cTime Will burn\u201d e \u201cGuitar Days\u201d) e a necessidade de documentar este importante movimento musical brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Participe do crowdfunding: <a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/faca_voce_mesma_filme_9b8b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.catarse.me\/faca_voce_mesma_filme_9b8b<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/221422853\" width=\"747\" height=\"420\" frameborder=\"0\" title=\"Promo | Fa&ccedil;a Voc&ecirc; Mesma\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;Fa\u00e7a Voc\u00ea Mesma&#8221; voc\u00ea promove um olhar para a cena musical brasileira feminina dos anos 90. Como se deu esta iniciativa?<\/strong><br \/>\nEm 2013, depois que eu li o livro &#8220;Riot Grrrl Revolution Grrrl Style Now&#8221;, de Nadine Monem, escrevi um esbo\u00e7o e deixei a ideia guardada at\u00e9 que, entre conversas no Facebook sobre a representatividade feminina na cena musical, a Patr\u00edcia Saltara me deu um salve pra eu fazer um filme na nossa vers\u00e3o riot e entrei de cabe\u00e7a instantaneamente. Foi em um momento de reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria cena, onde at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o existia nenhum registro \u201cdocument\u00e1rio\u201d e sim materiais de arquivo de algumas pessoas espalhadas por a\u00ed. A ideia ent\u00e3o vem de querer juntar este material, e da percep\u00e7\u00e3o de que at\u00e9 ent\u00e3o esta cena n\u00e3o tinha sido contada ou inscrita na hist\u00f3ria da cena musical brasileira. Ent\u00e3o decidi levar este projeto em uma resid\u00eancia em NYC e apresentar o projeto l\u00e1, que ainda era uma ideia embrion\u00e1ria. Filmamos ent\u00e3o algumas entrevistas em maio de 2016 e levei este material comigo para resid\u00eancia e o filme ent\u00e3o come\u00e7ou a ganhar forma depois destas 4 semanas no Union Docs, em Nova Iorque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No in\u00edcio dos anos 90, a influ\u00eancia da cena Riot Grrrl norte-americana foi de suma import\u00e2ncia para o movimento. De l\u00e1 para c\u00e1 o que mudou?<\/strong><br \/>\nAs cenas tiveram repercuss\u00f5es parecidas at\u00e9 2008 com festivais como Ladyfest acontecendo nos Estados Unidos e em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m. Em 2008, algumas bandas terminaram e a\u00ed o movimento riot deu uma desacelerada. At\u00e9 este ano (2017) eu n\u00e3o tinha acompanhado o Girls Rock Camp Brasil e ent\u00e3o me dei conta que, em parte, acho que ele \u00e9 respons\u00e1vel por reunir estas mulheres novamente, as da primeira gera\u00e7\u00e3o l\u00e1 dos anos 90 e as que vieram depois dos anos 2000. E o primeiro (evento) aconteceu em 2013. Acho que a partir de 2013 as mulheres come\u00e7aram a se reunir novamente, dar oficinas, trocar experi\u00eancias e, de um ano para c\u00e1, esta cena ressurgiu com mais festivais de musica em SP e BH, entre outras cidades, com bandas da terceira gera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tomando mais a cena. E esta cena se reconfigura muito pelo advento da internet onde a comunica\u00e7\u00e3o ficou mais f\u00e1cil, direta e instant\u00e2nea. Ent\u00e3o hoje se voc\u00ea quer conhecer as bandas, ouvir as musicas, ter infos de shows, voc\u00ea acha facilmente e isso fortaleceu a rede entre elas, o contato e a extens\u00e3o do movimento riot. Agora em termos de representa\u00e7\u00e3o feminina (e g\u00eaneros) acho que h\u00e1 mais bandas, mais representatividade, e isso se liga a Primavera Feminista tamb\u00e9m, momentos de reflex\u00e3o e de mudan\u00e7a de padr\u00f5es e paradigmas porque n\u00e3o da mais pra viver no mundo velho. Mais mulheres ocupando os fronts dos palcos, mas tamb\u00e9m dos escrit\u00f3rios, de qualquer forma de se ser no mundo. E vale lembrar que algumas bandas brasileiras nunca pararam como Dominatrix e The Biggs. E nos Estados Unidos, a Kahtleen Hanna voltou com The Julie Ruin e o Sleater Kinney tamb\u00e9m retornou depois de 10 anos em hiato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O recente document\u00e1rio &#8220;Time Will Burn&#8221; (de Marko Panayotis e Ot\u00e1vio Sousa) e o ainda in\u00e9dito &#8220;Guitar Days&#8221; (de Caio Augusto Braga) tamb\u00e9m rememoram a mesma \u00e9poca, cada um com seu vi\u00e9s. Por que voc\u00ea acha que o interesse por esta \u00e9poca veio \u00e0 tona?<\/strong><br \/>\nAcredito que, 20 anos depois, percebi o potencial e impacto que o Riot Grrrl teve na minha vida e como foi um movimento que moveu muitas meninas tamb\u00e9m. Perceber a import\u00e2ncia que teve na cena underground, perceber que me formou e formou as pessoas que conhe\u00e7o at\u00e9 hoje foi crucial para querer contar estas hist\u00f3rias e, pra mim, coincidiu com o fato de querer escrever e fazer document\u00e1rios, algo que eu tinha deixado de lado desde 2008. A Patr\u00edcia Saltara (Wee, Hidra, Las Dirces) comenta que por terem lan\u00e7ado estes dois document\u00e1rios que voc\u00ea cita e as mulheres e bandas femininas n\u00e3o serem de fato representadas nele \u00e9 que ela resolveu me chamar aten\u00e7\u00e3o para fazermos um filme, e esse coment\u00e1rio dela veio depois de um post da Mari Crestani (Fishlips, Pullovers, Wee, Bloody Mary una chica band) sobre essa atual documenta\u00e7\u00e3o da cena brasileira e de n\u00e3o se sentirem representadas. E finalizando, como vivemos estas hist\u00f3rias acho que foi um momento de amadurecimento e de poder se distanciar destas experi\u00eancias para poder olhar pra tr\u00e1s, refletir e conseguir fazer um filme. O momento tamb\u00e9m acompanha esse ressurgimento do riot grrrl e do movimento feminista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/209953881\" width=\"747\" height=\"420\" frameborder=\"0\" title=\"Teaser | Fa&ccedil;a Voc&ecirc; Mesma\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pigner<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Na foto que abre o texto, a equipe do filme entrevista Debora Bianna, em maio de 2016 \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diretora do document\u00e1rio, Let\u00edcia fala sobre o movimento Riot Grrrl e a import\u00e2ncia de registrar a cena musical brasileira feminina dos anos 90\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/06\/tres-perguntas-leticia-marques-faca-voce-mesma\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":43420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43419"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43419"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43538,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43419\/revisions\/43538"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}