{"id":43402,"date":"2017-07-04T12:08:12","date_gmt":"2017-07-04T15:08:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43402"},"modified":"2017-08-26T20:31:17","modified_gmt":"2017-08-26T23:31:17","slug":"rodrigo-salem-um-jornalista-em-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/04\/rodrigo-salem-um-jornalista-em-la\/","title":{"rendered":"Rodrigo Salem, um jornalista brasileiro em Los Angeles"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que o Scream &amp; Yell surgiu, l\u00e1 na segunda metade dos anos 90, sempre buscamos deixar explicito o respeito e paix\u00e3o que t\u00ednhamos pela profiss\u00e3o de jornalista. N\u00e3o \u00e0 toa, nas edi\u00e7\u00f5es impressas do Scream &amp; Yell, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/fanzine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ainda fanzine<\/a>, criamos uma se\u00e7\u00e3o chamada \u201cMat\u00e9rias Antol\u00f3gicas\u201d, que visava resgatar textos de jornalistas que consider\u00e1vamos cl\u00e1ssicos e dar eles uma segunda vida, uma certa perenidade (logo que o Scream &amp; Yell estreou na web <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/antologica.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tratamos de recriar essa se\u00e7\u00e3o<\/a>, ainda hoje no ar com alguns de nossos textos favoritos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, em 17 anos de internet, o Scream &amp; Yell buscou sempre se posicionar como um ve\u00edculo independente bastante aberto, amplo e provocativo na tentativa de abra\u00e7ar as mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, ou como definiu resumidamente a Ag\u00eancia Publica em seu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2017\/03\/04\/mapa-do-jornalismo-independente-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mapa do Jornalismo Independente<\/a>, \u201cum site de jornalismo musical aprofundado independentemente do apelo do entrevistado: tratando Caetano Veloso, Romulo Fr\u00f3es e Loomer como iguais, porque todos fazem boa m\u00fasica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, seria natural que um dos v\u00e1rios p\u00fablicos caracter\u00edsticos do site fossem jornalistas e\/ou estudantes de jornalismo, profissionais em forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o Social que encontraram no Scream &amp; Yell um ref\u00fagio de ideias e novidades. Pensando nisso, surgiu uma ideia natural de conversar com jornalistas representativos em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o buscando ampliar o leque de conhecimento oferecendo relatos, experi\u00eancias e um certo aprofundamento dessa profiss\u00e3o que todo dia algu\u00e9m insiste em dizer que morreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para come\u00e7ar essa s\u00e9rie, o Scream &amp; Yell conversa com Rodrigo Salem, jornalista especializado na \u00e1rea de cinema, residindo e trabalhando em Los Angeles como correspondente da Folha de S\u00e3o Paulo, e colaborador de diversos ve\u00edculos. Rodrigo, nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, come\u00e7ou sua carreira profissional no Di\u00e1rio de Pernambuco ainda nos anos 90, e passou pelas revistas SET, Contigo!, GQ e pelo caderno Ilustrada, da Folha de S\u00e3o Paulo. No bate papo abaixo, dividido em v\u00e1rias trocas de e-mails, Rodrigo Salem conta um pouco de sua experi\u00eancia na \u00e1rea, al\u00e9m de hist\u00f3rias do meio cinematogr\u00e1fico. Confira.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/rodrigosalem1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De LA para Natal: como o jornalismo surgiu na sua vida? Algu\u00e9m na fam\u00edlia \u00e9 jornalista? Ou n\u00e3o tinha ningu\u00e9m pra te dizer \u201cmenino, n\u00e3o faz isso com a sua vida n\u00e3o!\u201d? (risos)<\/strong><br \/>\n(Risos) Ningu\u00e9m era jornalista, mas digamos que n\u00e3o era uma profiss\u00e3o muito comum na \u00e9poca. Na verdade, estudei para fazer medicina \u2013 talvez porque mirava meu pai, que \u00e9 m\u00e9dico \u2013, mas h\u00e1 poucos dias da inscri\u00e7\u00e3o no vestibular, acordei pensando em jornalismo: j\u00e1 gostava muito de quadrinhos, livros, m\u00fasica e cinema. Por que n\u00e3o escrever? Ainda fiz a faculdade de comunica\u00e7\u00e3o entre dois caminhos, pois ainda pensei em trabalhar com cria\u00e7\u00e3o em publicidade. Mas, aos poucos, notei que minha turma mesmo era no ramo do jornalismo: virei editor do jornal do curso, mesmo sendo mais jovem que meus colegas e nunca mais mudei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram as primeiras editorias que voc\u00ea trabalhou? Come\u00e7ou em Cultura direto ou rolou passar por Cidades, Esportes e outras?<\/strong><br \/>\nSou um caso raro no jornalismo e n\u00e3o gosto do meu exemplo. Acho que um bom jornalista de cultura precisa ou deveria passar por uma editoria mais geral, para poder lapidar o texto. Aprender o beab\u00e1 para poder experimentar em cultura, que permite uma maior liberdade criativa nos textos (mas n\u00e3o tanto quanto algumas pessoas acham). Mas fui para o Di\u00e1rio de Pernambuco direto para a editoria de cultura. Eu tinha um portf\u00f3lio extenso de frilas feitos durante a \u00e9poca de estudante para revistas de S\u00e3o Paulo, como Wizard, Her\u00f3i, General, Bizz&#8230; No Recife, em 1997, cobria o que caia no meu colo, porque rep\u00f3rter n\u00e3o tem isso de escolher pauta. Depois, passei mais a fazer m\u00fasica com a sa\u00edda do setorista da \u00e9poca. Com um ano de jornal, Rogerio de Campos e Andr\u00e9 Forastieri me convidaram para ser editor da Her\u00f3i, em S\u00e3o Paulo, mas o jornal cobriu a oferta e me promoveu para rep\u00f3rter s\u00eanior. Nesta \u00e9poca, passei a me dedicar mais a cinema, principalmente porque estava fazendo v\u00e1rias colabora\u00e7\u00f5es para a revista SET, que era comandada por Isabela Boscov. Quando a revista passou da Abril para a editora Peixes, Roberto Sadovski, um amigo de inf\u00e2ncia em Natal, virou editor-chefe da revista e me convidou para ser editor da revista. Desta vez, nem passei a oferta para o jornal. Fui direto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de chegarmos a S\u00e3o Paulo, como foi essa experi\u00eancia no Di\u00e1rio, em Recife? Qual o per\u00edodo que voc\u00ea trabalhou l\u00e1? Tem alguma entrevista bacana que voc\u00ea fez nessa \u00e9poca que voc\u00ea curte?<\/strong><br \/>\nNo Di\u00e1rio de Pernambuco, entre 1997 e 2000. Foi p\u00f3s-morte de Chico Science, um cara que conheci ainda como estudante de jornalismo em Jo\u00e3o Pessoa e que conversamos muito sobre quadrinhos \u2013 principalmente, Sandman. Ent\u00e3o, a vontade de ir para Recife aumentou muito depois desse choque. Minha entrevista de emprego aconteceu semanas ou dias depois da morte dele. Eu trabalhava numa loja de discos em Jo\u00e3o Pessoa que era t\u00e3o boa que algumas pessoas de bandas de Recife iam comprar l\u00e1. Conheci v\u00e1rias bandas assim. No Di\u00e1rio de Pernambuco foi como aprendi a ser jornalista de verdade. Foi quando aprendi muito sobre isen\u00e7\u00e3o e reportagem com os editores Rodrigo Carreiro e Beto Resende. Algo que n\u00e3o bateu bem com a cultura, de certa forma, paternalista da cidade: os artistas do Recife achavam que precis\u00e1vamos seguir o mote do \u201ctudo que \u00e9 daqui \u00e9 bom.\u201d Ent\u00e3o, esse pouco deslumbramento e o fato de n\u00e3o ser da panelinha manguebeat renderam v\u00e1rias inimizades moment\u00e2neas, mas que entraram nos eixos com o passar dos anos, quando o artista entende que n\u00e3o \u00e9 nada pessoal. Um conselho SINGELO que guardo at\u00e9 hoje do autor Raimundo Carreiro, colunista do jornal e um dos escritores mais premiados do Brasil: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode ter amigos como rep\u00f3rter, porque amigos acham que podem enfiar o dedo no seu cu e sair sorrindo&#8221;. Meu Lester Bangs (risos). N\u00e3o lembro de alguma entrevista que tenha me marcado (deve ter, mas minha mem\u00f3ria \u00e9 p\u00e9ssima, porque lembro que entrevistei at\u00e9 Waldick Soriano em um circo), mas tenho bastante orgulho de ter sido um dos primeiros a escrever sobre o Los Hermanos. Eu tinha uma coluna de m\u00fasica chamada Microfonia e ouvi a demo na \u00e9poca, antes da banda tocar no Abril Pro Rock. Claro que pirei no som. Achei que era mais uma tira\u00e7\u00e3o de sarro, pois n\u00e3o existia aquele hardcore rom\u00e2ntico no Brasil na \u00e9poca. A banda me ligou assim que chegou ao Recife para o ApR, na rodovi\u00e1ria, e ajudei a chegar ao hotel onde ficariam. Ficamos bons amigos depois daquilo e compreendi melhor o som do grupo, que realmente admiro. Quando o segundo disco saiu, escrevi no jornal que era o mais importante lan\u00e7amento do rock nacional desde os primeiros discos de Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi e mundo livre S\/A. Muita gente falou que eu estava louco, choveram e-mails criticando. Mas, novamente, o tempo sempre \u00e9 amigo da raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E perrengue, rolou algum que hoje voc\u00ea ri, mas na \u00e9poca foi tenso?<\/strong><br \/>\nNa \u00e9poca do jornal, n\u00e3o que me lembre. J\u00e1 quando comecei a cobertura internacional pela SET, v\u00e1rios perrengues (risos).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/rodrigosalem4.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vamos para S\u00e3o Paulo: voc\u00ea trabalhou um bocado de tempo na SET, certo? Foi ali que o Cinema te pegou de jeito?<\/strong><br \/>\nTrabalhei 10 anos na revista como editor e, ent\u00e3o, editor-chefe. Eu j\u00e1 fazia mais cinema no Di\u00e1rio de Pernambuco, quando percebi que gostava mais de escrever sobre a \u00e1rea do que de m\u00fasica. Na SET, a gente (equipe de texto e arte) conseguiu se aprofundar mais uma ideia que t\u00ednhamos de explorar essa cultura mais nerd, algo que poucas publica\u00e7\u00f5es faziam em ve\u00edculos de editoras grandes na \u00e9poca \u2013 a &#8220;Her\u00f3i&#8221; era da Conrad\/Acme, uma editora min\u00fascula. Percebendo que a era dos astros estava no fim para a ascens\u00e3o da era dos &#8220;personagens&#8221;, deixamos a revista mais atraente para os jovens, explorando super-her\u00f3is, adapta\u00e7\u00f5es de fen\u00f4menos liter\u00e1rios e eventos cinematogr\u00e1ficos. Hoje em dia, muita gente acha que foi uma decis\u00e3o \u00f3bvia, mas vamos lembrar que est\u00e1vamos no in\u00edcio dos anos 2000. Nem a Comic-Con de San Diego, que a SET foi um dos primeiros a cobrir in loco, era muito visitada. Mudamos o ritmo das publica\u00e7\u00f5es pop, com capas diferentes de uma mesma edi\u00e7\u00e3o, capa folder, capa com cor especial, capa horizontal. Foi um per\u00edodo rico de criatividade e liberdade \u2013 por mais que alguns leitores ficassem putos por darmos capas para certos filmes ao ponto de nos chamar de vendidos, o dono da editora Peixes, Angelo Rossi, n\u00e3o interferia em nada neste sentido. O comercial nunca vetou ou imp\u00f4s nada na revista. Edi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas como a de &#8220;O Senhor dos An\u00e9is &#8211; A Sociedade do Anel&#8221; ou &#8220;Matrix Reloaded&#8221; chegaram a vender tanto quanto a revista principal da editora, a Sexy. Isso para uma revista de segmento era um feito e tanto. Tanto que precisamos imprimir mais dessas edi\u00e7\u00f5es, fizemos revistas p\u00f4steres, especiais etc. A SET virou uma das 10 mais importantes revistas de cinema do mundo sob a tutela da nossa equipe, cobrindo filmagens dos longas mais importantes da \u00e9poca (de \u201cStar Wars\u201d \u00e0 \u201cFant\u00e1stica F\u00e1brica de Chocolates\u201d).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/rodrigosalem5.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esses perrengues de cobertura internacional? Teve algum ator prometendo te pegar na porrada? Conta ae, conta ae \ud83d\ude42<\/strong><br \/>\nA grande maioria dos eventos chega a ser chato de tanto controle. Mas passei por algumas experi\u00eancias, digamos, educadoras. Uma que me vem a mente de cara \u00e9 quando fui convidado para acompanhar as filmagens de &#8220;Miss\u00e3o: Imposs\u00edvel III&#8221; em tr\u00eas pa\u00edses diferentes. Eram apenas 10 jornalistas convidados e era a primeira vez que Tom Cruise abria o set para a imprensa. No dia da visita ao set da cena na qual Ethan Hunt precisa pular uma ponte ao mesmo tempo q era alvo de m\u00edsseis, a irm\u00e3 de Tom Cruise \u2013 que tinha assumido a assessoria do ator havia pouco tempo, no auge da obsess\u00e3o dele pela Cientologia \u2013 chegou para os jornalistas e pediu que n\u00e3o revel\u00e1ssemos em nossas mat\u00e9rias o local exato das filmagens. Neguei o pedido e perguntei a raz\u00e3o. E ela falou que Tom Cruise acreditava que isso estragaria a magia do cinema, pois est\u00e1vamos em Los Angeles e a cena se passava na Virg\u00ednia. Eu repliquei: &#8220;Por acaso, Tom Cruise acha que o p\u00fablico acredita que \u2018Apollo 13\u2019 foi filmado na \u00f3rbita da Terra?\u201d Ela ficou possessa e disse que eu teria de sair do set se n\u00e3o aceitasse os termos. Falei que poderiam trazer o \u00f4nibus que havia nos levado ao set que iria embora sem problema, mas que n\u00e3o mudaria a minha mat\u00e9ria. Um RP das filmagens botou panos quentes e me deixaram ficar. Mas a irm\u00e3 de Tom Cruise passou o dia me chamando de trouble boy. Claro que esse tipo de atitude \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Tanto que ela acabou sendo demitida do cargo duas semanas depois, logo ap\u00f3s o epis\u00f3dio do sof\u00e1 da Oprah, e ainda voltei para a \u00faltima parte da mat\u00e9ria, na China. L\u00e1, Tom Cruise nos recebeu pedindo para tirar fotos ao nosso lado, com Katie Holmes gr\u00e1vida e tal (<em>nota do editor: aqui Rodrigo Salem <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rodrigo.salem\/posts\/10212439792683816\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conta a hist\u00f3ria completa<\/a><\/em>). Almocei com JJ Abrams num restaurante fechado para a produ\u00e7\u00e3o em uma cidadezinha perto de Xangai. Foi interessante. J\u00e1 vi chilique do diretor e roteirista de &#8220;Syriana&#8221;, que estava comigo sozinho para uma entrevista quando recebeu a not\u00edcia por telefone que seu filme n\u00e3o concorreria ao Oscar de melhor roteiro adaptado, mas de roteiro original \u2013 que era mais dif\u00edcil de ganhar na \u00e9poca. Novamente, esses ataques n\u00e3o s\u00e3o bem recebidos em Hollywood (da minha parte, adorei, porque tive algo diferente para escrever) e o diretor meio que sumiu por cinco anos depois desse filme. H\u00e1 coisas engra\u00e7adas tamb\u00e9m. Eu estava em Canc\u00fan cobrindo o lan\u00e7amento de diversos filmes de um mesmo est\u00fadio e calhou de estar tomando uma cerveja na praia com o ator Wagner Moura nas horas de folga. Matt Damon, que trabalhava com Wagner em &#8220;Elysium&#8221;, passou por n\u00f3s com a mulher e mandou: &#8220;Vamos praticar parapente, Wagner?&#8221;. O brasileiro recusou. E Damon brincou: &#8220;Que belo ator de a\u00e7\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, hein?&#8221; Damon, claro, \u00e9 uma das melhores pessoas dessa ind\u00fastria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/rodrigosalem2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois da SET voc\u00ea foi para a GQ, certo? Como foi sair de uma publica\u00e7\u00e3o especializada em cinema para outro com foco central no universo masculino? Como foi a adapta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA editora Peixes foi comprada e o executivo que assumiu era conhecido por desmembrar as empresas e vend\u00ea-las ou simplesmente deix\u00e1-las desaparecer. Percebi que logo algo aconteceria com a editora inteira, por mais verdes que os n\u00fameros da revista fossem na \u00e9poca. Foi quando me chamaram para ir para a Editora Abril, onde fiquei como editor da Contigo!, uma experi\u00eancia sensacional para lidar com uma revista semanal de grande p\u00fablico. Minha m\u00e3e ficou, finalmente, orgulhosa. Nesta \u00e9poca, ainda consegui entrevistar com exclusividade algumas pessoas como Harrison Ford, Meryl Streep etc. Por isso, quando o diretor de reda\u00e7\u00e3o Ricardo Cruz me chamou para compor a equipe para criar a primeira GQ no Brasil, a transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o chocante. A GQ, em qualquer pa\u00eds do mundo, \u00e9 reconhecida por grandes mat\u00e9rias e por perfis de destaques em cultura e estilo. Ent\u00e3o, n\u00e3o foi uma adapta\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil. Dif\u00edcil foi encontrar o tom da revista, que era revolucion\u00e1ria em termos de Brasil. Encontrar aquele leitor\/consumidor, o homem que gosta de se vestir bem, ser bem informado e possuir um estilo pr\u00f3prio. Uma revista assim t\u00e3o sofisticada nunca tinha sido feita no Brasil em grande escala, ent\u00e3o dificuldades sempre existem at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o encontrar seu caminho, o que, eventualmente, aconteceu. \u00c9 um projeto do qual me orgulho bastante, pois trabalhei com grandes jornalistas, fot\u00f3grafos e produtoras para produzir um material inovador pela primeira vez no pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 brincadeira: nos EUA, quando voc\u00ea fala que trabalha para a GQ, qualquer um se impressiona. At\u00e9 o oficial da imigra\u00e7\u00e3o mandava: &#8220;Uau, GQ? E no Brasil? Que sorte&#8221;. haha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A GQ \u00e9 realmente bem bacana! E eu n\u00e3o sabia dessa hist\u00f3ria da Contigo!!! Cobrir famosos \u00e9 um grande aprendizado. As pessoas costumam achar que \u00e9 f\u00e1cil, que \u00e9 glamoroso e tal, mas \u00e9 uma editoria que exige muito do profissional. Falando em exig\u00eancias, da Abril tu foi para a Folha de S\u00e3o Paulo, integrar a equipe do caderno Ilustrada, um dos mais importantes do pa\u00eds. Voc\u00ea chegou a pensar l\u00e1 atr\u00e1s: quero trabalhar um dia na Ilustrada? Como foi a experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nSa\u00ed da GQ (Globo Cond\u00e9-Nast) para a Folha de S. Paulo. Sempre fui leitor da Ilustrada quando era menor, f\u00e3 de carteirinha de Andr\u00e9 Barcinski, Andr\u00e9 Forastieri, Ivan Finotti, S\u00e9rgio D\u00e1vila e tantos outros. Tamb\u00e9m lia o Rio Fanzine. O jornalismo cultural mais pop certamente teve impacto em mim, mas sempre gostei mais de revista: textos grandes e muita brincadeira visual. E comecei a carreira em jornal por tr\u00eas anos. Por isso, a experi\u00eancia n\u00e3o veio com a press\u00e3o nos ombros \u2013 al\u00e9m da press\u00e3o comum de qualquer mudan\u00e7a de reda\u00e7\u00e3o. Obviamente que voc\u00ea sente de cara que o impacto e a amplitude do que voc\u00ea escreve s\u00e3o bem maiores. Fazendo uma compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 como sair da dire\u00e7\u00e3o de bons filmes indies para fazer um longa de est\u00fadio. Acredito que me encaixei bem numa bela equipe que j\u00e1 estava formada pela editora Fernanda Mena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chegamos a Los Angeles \ud83d\ude42 Como rolou essa hist\u00f3ria de voc\u00ea mudar prai e h\u00e1 quanto tempo voc\u00ea trabalha como correspondente?<\/strong><br \/>\nDurante a faculdade, eu morei alguns meses em NY e sempre quis ter a experi\u00eancia de morar como adulto em outro pa\u00eds. Estar sozinho (em termos de socializa\u00e7\u00e3o) em outro lugar sempre me pareceu a melhor forma de conhecer a sua cultura de origem e a dos outros. Obviamente que isso \u00e9 mais uma declara\u00e7\u00e3o po\u00e9tica que pr\u00e1tica (risos). O fato \u00e9 que j\u00e1 estava no meu terceiro ano de Folha de S. Paulo e havia momentos no ano que ficava mais longe de casa do que desejava. Teve o componente de querer voltar a estudar e o fato da bolha imobili\u00e1ria em S\u00e3o Paulo estar no auge. Antes da crise institucional brasileira, um aluguel em SP e em LA eram quase equivalentes \u2013 com o b\u00f4nus de n\u00e3o precisar viajar tanto e de morar na cidade perfeita para minha \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Minha mulher tamb\u00e9m queria deixar o jornalismo um pouco de lado e estudar music business e marketing, cursos que a UCLA oferece com reconhecimento. No fim do ano, completo quatro anos em Los Angeles. N\u00e3o \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. LA \u00e9 a cidade menos amistosa dos EUA. N\u00e3o que seja feita de pessoas escrotas, mas por ser uma cidade de idas e vindas. Pessoas aqui est\u00e3o interessadas em fama ou em sonhos quase imposs\u00edveis, ent\u00e3o a grande maioria est\u00e1 procurando por conex\u00f5es e n\u00e3o amizades. Ao mesmo tempo, voc\u00ea tem acesso a muita cultura pop. Hoje \u00e9 a cidade que, por causa da tecnologia, une cinema, m\u00fasica e tecnologia. \u00c9 uma cidade que pode te engolir facilmente, mas interessante para quem gosta de cinema. Estudei roteiro por quase dois anos e aprendi coisas e conheci pessoas que me deram uma vis\u00e3o mais aprofundada da arte e da ind\u00fastria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/rodrigosalem3.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea cobriu in loco o Globo de Ouro e Oscar este ano. O que voc\u00ea achou das cerim\u00f4nias? Qual \u00e9 seu balan\u00e7o da temporada 2016 e o que espera para 2017?<\/strong><br \/>\nFoi meu primeiro ano cobrindo os dois eventos de uma s\u00f3 vez. Foi interessante ver a diferen\u00e7a entre os dois. Enquanto o Globo de Ouro possui um clima mais relaxado para quem est\u00e1 dentro do Beverly Hilton Hotel, com jornalistas trombando e conversando com as estrelas da noite, o Oscar segue um padr\u00e3o organizacional quase militar \u2013 atentados a eventos em outros pa\u00edses deixaram o pr\u00eamio mais paranoico. As entrevistas do Globo de Ouro s\u00e3o mais longas ap\u00f3s as premia\u00e7\u00f5es, enquanto as do Oscar s\u00e3o curtas. Mas a comida do Oscar \u00e9 melhor. (risos) A safra 2016 foi uma das mais fracas que testemunhei nestes 20 anos de cobertura. Fica muito claro que Hollywood decidiu deixar a qualidade de lado para apostar em mercados mais inocentes e lucrativos, como o chin\u00eas, usando blockbusters de US$ 200 milh\u00f5es que nada possuem de subst\u00e2ncia e s\u00f3 apelam para efeitos especiais anest\u00e9sicos. N\u00e3o \u00e9 algo novo, claro. O mesmo fen\u00f4meno ocorreu em meados dos anos 1990, quando a influ\u00eancia de &#8220;Duro de Matar&#8221; come\u00e7ou a se diluir. Antes de &#8220;Matrix&#8221;, &#8220;Clube da Luta&#8221; e outros filmes grandes surgirem, Hollywood era dominada por filmecos esquec\u00edveis que apostavam nos exageros. 2017 vai seguir essa linha, pois o mercado internacional est\u00e1 se expandido em uma velocidade maior que o dom\u00e9stico (americano). Mas h\u00e1 sa\u00eddas, infelizmente complicadas para quem mora no Brasil: ir aos cinemas para ver os filmes independentes, que est\u00e3o em uma das suas melhores fases, ou mergulhar no Netflix, que est\u00e1 sendo a v\u00e1lvula de escape de v\u00e1rios desses longas alternativos. Mas n\u00e3o se engane: independ\u00eancia \u00e9 onde est\u00e1 o bom cinema. Veja quantos filmes independentes foram indicados ao Oscar e quantos foram bancados por est\u00fadios \u2013 alguns disfar\u00e7am, claro, usando selos alternativos, como &#8220;Sony Classics&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 s\u00e3o quase 20 anos cobrindo cinema. Revela para os leitores quais s\u00e3o os atores realmente legais na ind\u00fastria? E os dif\u00edceis?<\/strong><br \/>\nSempre bom ter em mente que \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o profissional, muitos atores sabem da import\u00e2ncia da apar\u00eancia para a m\u00eddia. Por exemplo: voc\u00ea l\u00ea muitas coisas sobre Tom Cruise e Cientologia e contratos secretos de confidencialidade, mas nunca encontrei algu\u00e9m t\u00e3o profissional e cort\u00eas na minha carreira. E olhe que perguntei a amigos que trabalharam com ele nos bastidores e j\u00e1 vi o cara escapar de perguntas escabrosas (&#8220;Voc\u00ea acredita em ET. Ent\u00e3o, como voc\u00ea acha que encontraremos outros planetas?&#8221;). Matt Damon sempre \u00e9 muito simp\u00e1tico, ao ponto de ser quase um t\u00e9dio se voc\u00ea est\u00e1 procurando por algo mais contundente. Jamie Foxx \u00e9 um showman, assim como Will Smith. Angelina Jolie \u00e9 um prazer entrevistar, n\u00e3o apenas pela beleza e intelig\u00eancia, mas por n\u00e3o desviar de nenhum assunto, por falar extremamente bem e ainda pedir para n\u00e3o ter nenhum assessor por perto \u2013 algo raro em Hollywood. Passei uma noite sem dormir quando soube que teria 30 minutos com Woody Allen em Cannes, mas ele se mostrou uma pessoa incr\u00edvel, um retrato fiel dos seus personagens e foi um dos auges da minha carreira. Peter Sarsgaard \u00e9 fan\u00e1tico por futebol brasileiro e, especificamente, por S\u00f3crates. As entrevistas dif\u00edceis nem sempre s\u00e3o relativas a atitudes rudes dos entrevistados. Philip Seymour Hoffman, por exemplo, odiava falar sobre seus m\u00e9todos e n\u00e3o escondia como odiava fazer entrevistas de divulga\u00e7\u00e3o dos seus filmes. Era quase doloroso entrevist\u00e1-lo. A \u00faltima vez que o encontrei foi em Veneza, quando falamos sobre &#8220;O Mestre&#8221;, de Paul Thomas Anderson. Terrence Howard foi o mais insano: a entrevista passou por momentos de constrangimento com uma assessora brasileira que precisou correr atr\u00e1s de McDonald&#8217;s para ele at\u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que ele tinha a cura para o c\u00e2ncer. Foi uma das minhas mat\u00e9rias preferidas, claro. Amanda Seyfreid \u00e9 outra meio estranha: ela chegou chorando para uma entrevista e falou que o c\u00e3ozinho dela estava doente. Tentamos perguntar mais para acalm\u00e1-la, mas aparentemente \u00e9 algo que ela fazia sempre: o assessor dela s\u00f3 dizia para seguir em frente, para n\u00e3o ligar para o drama (o c\u00e3o estava no quarto ao lado). Laurence Fishburne foi intrag\u00e1vel comigo, principalmente quando perguntei sobre sua adapta\u00e7\u00e3o de &#8220;O Alquimista&#8221;, de Paulo Coelho. Eu adoro entrevistar Jennifer Lawrence, mas esteja preparado para ouvir se fizer alguma pergunta sem sentido, porque ela n\u00e3o tem papas na l\u00edngua. Jim Jarmusch \u00e9 outro que odeia falar sobre os sentidos por tr\u00e1s dos seus filmes, mas ama conversar sobre tudo, \u00e9 sincero e n\u00e3o d\u00e1 entrevistas com menos de uma hora, seja para quem for. Tom Hardy \u00e9 quase bipolar: na minha primeira entrevista com ele, chegou com uma lanterna apontando para meus olhos para &#8220;descobrir a verdade&#8221; e gravou a entrevista inteira \u2013inclusive mandando um &#8220;N\u00e3o estou aqui para falar sobre isso&#8221; quando perguntei de Batman, anos atr\u00e1s. Em &#8220;Mad Max&#8221;, foi todo brincalh\u00e3o. \u00c9 uma fauna interessante essa de Hollywood, tenho planos de escrever um livro sobre todas essas experi\u00eancias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/rodrigosalem6.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente cobre cerveja artesanal no Scream &amp; Yell e voc\u00ea v\u00eam fazendo algumas pautas bacanas na \u00e1rea. Como \u00e9 morar na Calif\u00f3rnia, uma das mecas da cerveja artesanal no mundo? Voc\u00ea tem um Top 3 de cervejas que bebeu este ano?<\/strong><br \/>\nBem, voc\u00ea foi uma das pessoas que me levaram para a cerveja artesanal. E admito que n\u00e3o sabia o que era uma IPA de verdade at\u00e9 me mudar para a Calif\u00f3rnia. Ainda estou longe de entender do assunto, mas acredito que j\u00e1 tenha uma bagagem para saber o que \u00e9 ruim ou bom neste mundo. Na Calif\u00f3rnia, comecei a visitar as cervejarias e, hoje, \u00e9 um dos meus programas preferidos como turista, sempre tento encaixar algumas nas viagens. Hoje, j\u00e1 visitei cerca dei 50 cervejarias nos EUA e estou preparando um projeto chamado &#8220;The Hop Tourist&#8221;, um guia online de servi\u00e7os dessas cervejarias menos concentrado nas cervejas e mais nas dicas, servi\u00e7os, comidas, atra\u00e7\u00f5es por perto delas etc. Ficando nas IPAS, meu TOP 3 seria: 1) Swish, da Bissell Brothers; 2) Bomb Atomically, da Monkish; e 3) Very Green, da Tree House. Hoje, na minha opini\u00e3o, as duas melhores cervejarias de IPA dos EUA s\u00e3o a Monkish e a The Veil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao jornalismo, h\u00e1 uma interessante transi\u00e7\u00e3o na sua hist\u00f3ria profissional entre revistas semanais, mensais e os di\u00e1rios. Quais as diferen\u00e7as principais em cada reda\u00e7\u00e3o, quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de material mesmo? Como s\u00e3o os planejamentos de pauta, como foi a sua percep\u00e7\u00e3o do dia a dia em cada dessas reda\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEu comecei em di\u00e1rio, passei para mensal (SET), fui para uma semanal (Contigo), voltei para uma mensal (GQ) e retornei para um di\u00e1rio (Folha). C\u00edrculo completo. A diferen\u00e7a entre os tr\u00eas modos de publica\u00e7\u00e3o \u00e9 grande, principalmente no que diz respeito ao tempo. Quando cheguei \u00e0 SET vindo do Di\u00e1rio de Pernambuco, minha produ\u00e7\u00e3o era muito mais r\u00e1pida que o necess\u00e1rio. Ent\u00e3o, aprendi a pensar um pouco mais na pauta, explorar os assuntos relacionados a ela, pensar em arte com calma (e com a ajuda das designers). Editar a &#8220;Contigo&#8221; depois de uma mensal foi o oposto: corrida contra o tempo. Mas tive contato com uma reda\u00e7\u00e3o pequena, por\u00e9m azeitad\u00edssima, quase uma m\u00e1quina para produzir uma revista semanal de alta circula\u00e7\u00e3o que podia ter at\u00e9 100 p\u00e1ginas. Me dedicar apenas \u00e0 edi\u00e7\u00e3o foi o mais dif\u00edcil para mim, ent\u00e3o sempre escapava para fazer textos para a &#8220;Bravo&#8221;, que era a reda\u00e7\u00e3o vizinha. ahaha A &#8220;GQ&#8221; foi mais a dificuldade de criar uma revista do zero e para um p\u00fablico que muitos acreditavam n\u00e3o existir no Brasil. J\u00e1 o jornal \u00e9 a volta da loucura de correr atr\u00e1s de pauta, disputar exclusividades, ficar mil vezes atento aos erros que podem surgir em fechamentos r\u00e1pidos. Mas jornalismo \u00e9 jornalismo em qualquer local. \u00c9 procurar a verdade, se manter isento, ter fontes confi\u00e1veis e ter o leitor sempre na mente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 90, o Andr\u00e9 Forastieri publicou um texto na Folha dando dicas para quem queria trabalhar com jornalismo musical &#8211; e o Alvaro Pereira Jr <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/08\/15\/blog-do-editor-quer-ser-jornalista-na-area-de-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicou um texto semelhante em 2003<\/a>. O que voc\u00ea diria para o\/a estudante que est\u00e1 na faculdade e sonha em trabalhar com jornalismo cultural, com cinema? Quais as dicas de Rodrigo Salem?<\/strong><br \/>\nO pr\u00f3prio Forastieri costumava come\u00e7ar suas palestras em faculdade meio neste tom: &#8220;Caiam fora enquanto podem&#8221;. (risos). Falando s\u00e9rio, a experi\u00eancia do jornalismo cultural \u00e9 muito pessoal e muda ao longo do tempo. Coisas como &#8220;n\u00e3o pago para ver filme&#8221; ou &#8220;viajo para os EUA para fazer entrevistas&#8221; s\u00e3o superatraentes para quem est\u00e1 do lado de fora e come\u00e7ando, mas tornam-se vazias com o passar do tempo. Ainda mais hoje em dia, com o jornalismo impresso cada vez mais entrando em retra\u00e7\u00e3o e &#8220;jornalistas&#8221; oferecendo trabalhos gr\u00e1tis (e empresas oferecendo o espa\u00e7o para &#8220;visibilidade&#8221; em vez de pagar pelos textos). Ou seja: a grana n\u00e3o est\u00e1 aqui. \u00c9 uma escolha que voc\u00ea ter\u00e1 de fazer com mais urg\u00eancia que eu. Se voc\u00ea Meu conselho seria: aprenda tudo que gira em torno da veicula\u00e7\u00e3o de uma not\u00edcia, de programa\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo. O Brasil ainda engatinha em YouTube s\u00e9rios de jornalismo cultural. A grande maioria \u00e9 formada por aventureiros sem o menor conhecimento do assunto ou que fazem usos de adjetivos hiperb\u00f3licos para fazer v\u00eddeos sobre cinema. Alguns outros encontraram um nicho em algo anti\u00e9tico, mas, como poucos se formaram em jornalismo, poucos est\u00e3o se lixando, caso de fazer entrevistas pagas por est\u00fadios sem avisar isso para o leitor. Isso vai acontecer mais e mais enquanto n\u00e3o existe regulamenta\u00e7\u00e3o. YouTubers e &#8220;influencers&#8221; que recebem para falar bem de certos filmes, para divulgar hashtags, mas que n\u00e3o avisam ao leitor de tal pr\u00e1tica. Ent\u00e3o, aprenda para ser um \u00f3timo jornalista de impresso, mas corra para dominar outras ferramentas. No futuro, o indiv\u00edduo ser\u00e1 t\u00e3o importante quanto um ve\u00edculo, mas esse indiv\u00edduo precisar\u00e1 navegar em inova\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas constantes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/rodrigosalem7.jpg\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rodrigo Salem, nascido em Natal, ncome\u00e7ou sua carreira no Di\u00e1rio de Pernambuco nos anos 90, e passou pelas revistas SET, Contigo!, GQ e pelo caderno Ilustrada\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/04\/rodrigo-salem-um-jornalista-em-la\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":43403,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[733,2092],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43402"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43402"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43402\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43412,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43402\/revisions\/43412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}