{"id":43359,"date":"2017-07-02T11:55:53","date_gmt":"2017-07-02T14:55:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43359"},"modified":"2017-08-04T10:11:51","modified_gmt":"2017-08-04T13:11:51","slug":"em-brasilia-picnik-festival-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/02\/em-brasilia-picnik-festival-2017\/","title":{"rendered":"Em Bras\u00edlia, PicniK Festival 2017"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto e entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo conclu\u00eddo h\u00e1 pouco sua 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o, \u00e9 seguro dizer que o Picnik se consolidou como a principal feira de economia colaborativa do Centro-Oeste, e uma das mais not\u00e1veis do pa\u00eds. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel afirmar que, do aspecto curatorial, o evento deu passos importantes no sentido de figurar tamb\u00e9m como um festival musical de proje\u00e7\u00e3o nacional. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que muitos n\u00e3o saibam que proposta \u00e9 essa, capaz de reunir cerca de 15 mil pessoas (p\u00fablico circulante) por dia num final de semana na capital federal. Por essa raz\u00e3o, o Scream &amp; Yell foi bater um papo com Miguel Galv\u00e3o, um dos fundadores e curadores do festival junto a Julia Hormann.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cProcuramos trabalhar uma est\u00e9tica que gostar\u00edamos de disseminar para a cidade, que seja original, seja pr\u00f3pria\u201d, conta Miguel Galv\u00e3o numa conversa que aconteceu em dois momentos: o primeiro, duas semanas antes da 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o, que aconteceu nos dias 24 e 25 de junho na Torre de TV, em Bras\u00edlia; o segundo, poucos dias depois do evento. A ideia era ter uma dimens\u00e3o mais ampla das ambi\u00e7\u00f5es e da origem do Picnik (que j\u00e1 ocorreu em diversos espa\u00e7os p\u00fablicos de Bras\u00edlia, do Parque da Cidade ao Setor Militar Urbano, entre outros), e tamb\u00e9m entender os riscos assumidos com a presen\u00e7a de nomes de maior envergadura no cen\u00e1rio musical brasileiro \u2013 e at\u00e9 internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pic2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Picnik tem muitas faces de atua\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 a base que sustenta todas essas faces?<\/strong><br \/>\nA gente pode encarar o Picnik como um canal de distribui\u00e7\u00e3o no qual a gente coloca no mesmo espa\u00e7o um grande mercado. S\u00f3 que ali, al\u00e9m de alimentos, roupas e afins, voc\u00ea encontra tamb\u00e9m ideias, projetos, bandas, v\u00e1rios tipos de manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica&#8230; A ideia \u00e9 criar esse grande mercado que tem tamb\u00e9m a possibilidade de veicular coisas legais, projetos e ideias legais, e que estejam abertas ao grande p\u00fablico, semeando um horizonte mais \u00e9tico. Essa \u00e9 nossa proposta. Ele come\u00e7ou como uma feira de economia criativa, com DJs e gastronomia, mas fomos vendo que tinha espa\u00e7o para workshop, ONG, banda \u2013 porque uma cena n\u00e3o se constr\u00f3i s\u00f3 discotecando m\u00fasica dos outros. Como Bras\u00edlia n\u00e3o tem esquina, o Picnik seria uma esquina para esse espa\u00e7o. A gente cria v\u00e1rios c\u00edrculos sin\u00e9rgicos de atividades que dialogam \u2013 tem ioga e medita\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m uma \u00e1rea exclusiva vegana, por exemplo. S\u00e3o coisas que dialogam, e que o cara talvez n\u00e3o encontre muito facilmente aqui em Bras\u00edlia. A ideia \u00e9 criar uma vitrine f\u00e9rtil de coisas legais que est\u00e3o acontecendo dentro da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interessante essa coisa de n\u00e3o se criar uma cena s\u00f3 discotecando m\u00fasica alheia. O Picnik come\u00e7ou escalando majoritariamente bandas do Distrito Federal, depois passou a trazer alguns nomes de outros Estados, e foi expandindo para incluir nomes nacionais maiores e at\u00e9 nomes estrangeiros. Essa edi\u00e7\u00e3o de junho \u2013 com O Terno, Ava Rocha, Bixiga70, Tagore, The Blank Tapes e outros \u2013 n\u00e3o destoa em lineup de muito festival estabelecido no pa\u00eds. O que fez voc\u00eas investirem mais na m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nA gente n\u00e3o consegue trabalhar com banda sempre por uma quest\u00e3o do or\u00e7amento. Boa parte do nosso or\u00e7amento vem dos expositores. \u00c9 um evento gratuito que se realiza em grande parte com o dinheiro aportado por eles. Eu diria que, at\u00e9 o ano passado, cerca de 70% do nosso investimento nas edi\u00e7\u00f5es vinha dos expositores. Nesse ano, conseguimos acesso a uma Lei de Incentivo do DF, e isso nos permitiu pegar um patrocinador maior, que foi a Claro. Mas ao contr\u00e1rio de outros eventos que s\u00f3 acontecem uma vez no ano, o meu trabalha com com\u00e9rcio. E com\u00e9rcio, voc\u00ea sabe, \u00e9 ponto e regularidade. As pessoas precisam saber que vai ter para ir l\u00e1 e consumir. Agora estamos tendo melhores or\u00e7amentos: no anivers\u00e1rio de Bras\u00edlia, em abril, a gente teve DJs, mas teve tamb\u00e9m um palco menor para bandas independentes. A gente sentiu essa demanda. Eu sou DJ, a Julia \u00e9 DJ, \u00e9ramos muito desse universo, mas n\u00e3o gost\u00e1vamos s\u00f3 de m\u00fasica eletr\u00f4nica. Gostamos de m\u00fasica. E aqui em Bras\u00edlia, a din\u00e2mica da cidade fez com que a coisa do DJ tomasse um tamanho desproporcional \u00e0 sua import\u00e2ncia. A gente \u00e9 uma cidade que tem o Clube do Choro, tem um hist\u00f3rico impressionante&#8230; Mas chegou a um ponto em que s\u00f3 funcionava DJ ou cover. O Picnik tem uma coisa da identidade da cidade, ent\u00e3o isso tinha que ser pensado [na programa\u00e7\u00e3o]. Bras\u00edlia \u00e9 muito nova, e nossa gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 tendo a oportunidade de desenhar qual vai ser a cara da cidade. O brasiliense s\u00f3 est\u00e1 fazendo isso agora. No campo de artes visuais, na arquitetura, temos nossas particularidades, mas isso n\u00e3o acontecia no campo da m\u00fasica. E j\u00e1 temos a Lei do Sil\u00eancio, tudo \u00e9 super burocr\u00e1tico&#8230; Mas \u00e9 preciso regar a coisa. Tem que ter um espa\u00e7o bom, com um backline decente para o cara tocar. Porque ele t\u00e1 super mal acostumado: toca em um bar super apertado ou na casa de um amigo no Lago Norte, e a\u00ed vem uma megafestival tipo Por\u00e3o do Rock e o cara vai tocar nesse palco gigante! Tem que ter outras alternativas, outros espa\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas come\u00e7aram a viabilizar isso, em termos pr\u00e1ticos?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 no segundo ano, com um patrocinador e um crowdfunding, conseguimos come\u00e7ar a mudar isso. Falamos, \u00e0 \u00e9poca: \u201colha, pessoal, n\u00e3o temos dinheiro para gastar com equipamentos, botar um P.A. decente, voc\u00eas topam rachar essa conta com a gente?\u201d Isso rolou, deu super certo, e come\u00e7ou a balan\u00e7ar o status quo da cena aqui. No ano seguinte a gente repetiu isso, conseguimos trazer o Beach Combers (RJ) e o Black Drawing Chalks (Goi\u00e2nia). At\u00e9 ent\u00e3o, cham\u00e1vamos de minifestival, porque era um dia s\u00f3. Mas em 2015 decidimos estender para dois dias, com uma programa\u00e7\u00e3o mais robusta. Teve Boogarins, Carne Doce, e outros. Fomos vendo o impacto disso na cidade de duas maneiras: a primeira \u00e9 que, quando tem banda, atra\u00edmos um p\u00fablico que tem a cara e o lifetsyle que a gente acredita pro Picnik. Como o evento acontece quatro vezes ao ano, n\u00e3o \u00e9 toda hora que a galera t\u00e1 vindo. Mas a curadoria dos shows nos permite enxergar nossa tribo ali. Por isso no final do ano passado fizemos novamente uma edi\u00e7\u00e3o com bandas. Conseguimos trazer o Gypsydelica, da Inglaterra, que eu tinha visto no Glastonbury, imagina! E a outra maneira \u00e9 que, com bandas, a gente atinge as pessoas em outro n\u00edvel de sensibilidade, e assim sensibilizado, ele fica mais aberto a interagir com o evento \u2013 e, por consequ\u00eancia, com os itens expostos ali nas nossas prateleiras. \u00c9 como se eu tivesse um acesso mais efetivo a essas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem faz a curadoria?<\/strong><br \/>\nEu e a Julia. Procuramos trabalhar uma est\u00e9tica que gostar\u00edamos de disseminar para a cidade, que seja original, seja pr\u00f3pria. Tentamos seguir um caminho \u00fanico. Durante um tempo, houve uma onda neohippie, flower power, e fomos vendo que essa era uma est\u00e9tica que os boys da cidade conseguiam facilmente pegar. A gente at\u00e9 cunhou o termo \u201chippies de porcelana\u201d (risos). N\u00e3o acho isso legal, n\u00e3o tem coer\u00eancia nenhuma. Quando a gente teve a oportunidade de fazer o show do Mac DeMarco \u2013 investimos todo o nosso lucro para viabilizar que ele viesse e tocasse de gra\u00e7a \u2013 vimos que essa pegada lo-fi, psicod\u00e9lica, meio indie era algo a apostar. Tipo, o cara que saber rir muito de si mesmo para querer imitar isso. Ao mesmo tempo, n\u00e3o representa uma coisa que \u00e9 s\u00f3 fazer uma tatuagem e botar uma roupinha. Nossa curadoria tem, ent\u00e3o, um olhar misto: a gente procura esse movimento com conte\u00fado, olhando ao redor atr\u00e1s de coisas novas que n\u00e3o vieram para Bras\u00edlia ainda, e ver tamb\u00e9m como est\u00e1 o cen\u00e1rio aqui. E como eu e a Julia somos DJs, montamos o lineup como se a estiv\u00e9ssemos discotecando. Assim criamos uma linha que faz sentido na programa\u00e7\u00e3o, com oportunidade de apresentar bandas para quem talvez n\u00e3o a conheceriam n\u00e3o fosse pelo Picnik. E buscamos a qualidade de conex\u00e3o entre o artista e as pessoas. Algo de o cara falar daqui a uns anos que viu a Ava Rocha num palco quase na cara dele, que ele se sentiu pr\u00f3ximo do som, p\u00f4de interagir com a artista&#8230; Isso que queremos proporcionar \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bras\u00edlia parece estar vivendo uma reapropria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, com as pessoas dando uso a lugares que ficaram inativos por anos. Claro, tem a Lei do Sil\u00eancio e tinha v\u00e1rias quest\u00f5es legais que dificultava, e ainda hoje dificultam (a Lei em quest\u00e3o \u00e9 bastante amb\u00edgua, de modo que at\u00e9 uma rodinha de viol\u00e3o entre amigos pode ser qualificada como viola\u00e7\u00e3o dela). O Picnik \u00e9 uma das iniciativas que leva as pessoas de volta \u00e0 rua, ent\u00e3o queria te perguntar se voc\u00ea acredita que o brasiliense est\u00e1 mesmo retomando a pr\u00f3pria cidade .<\/strong><br \/>\nSim, com certeza. Bras\u00edlia, como eu disse, \u00e9 uma cidade muito nova. A gente ainda est\u00e1 descobrindo como utiliz\u00e1-la, e seria pretensioso da nossa parte dizer que j\u00e1 dominar\u00edamos o pleno uso dela com apenas 57 anos, ainda mais no Brasil, onde sempre temos for\u00e7as atrasadas querendo desvirtuar o caminho das coisas. H\u00e1 uma magia muito bacana aqui, que \u00e9 a vontade de fazer diferente e o v\u00ednculo com o belo, com a simetria. Esse podem ser dois nortes muito interessantes para uma na\u00e7\u00e3o carente, e \u00e9 por isso que a gente escolhe viver nessa cidade e se arriscar nessas aventuras. Por conta de umas mentalidades mais \u2013 vamos dizer \u201cantigas\u201d, uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 passando \u2013 a gente tem uma queda-de-bra\u00e7o. Sabe a mentalidade de que \u201cessa planta \u00e9 t\u00e3o bonita que temos que engessar\u201d? E no fim, n\u00e3o se deixa a planta crescer, mostrar tudo o que pode&#8230; Estava conversando com um arquiteto, e ele me disse que o Lucio Costa defendia que, se o p\u00fablico cria um \u201ccaminho-de-rato\u201d \u2013 que \u00e9 aquele trecho para pedestres onde n\u00e3o havia nada para eles \u2013 ele tem que ser pavimentado. Porque se as pessoas transformaram aquilo em um caminho, que vire ent\u00e3o um caminho de verdade. Essa gera\u00e7\u00e3o nova, que est\u00e1 se encontrando agora, t\u00e1 mostrando que os espa\u00e7os que a cidade oferece podem representar o novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pic3.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Picnik Festival na Torre de TV &#8211; Balan\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Picnik \u00e9 o \u00fanico festival que representa o que Bras\u00edlia \u00e9 hoje\u201d, disse Jo\u00e3o Victor Canizares, vocalista da Cassino Supernova. De fato, o festival mostra uma Capital Federal na qual os jovens n\u00e3o parecem acreditar no servi\u00e7o p\u00fablico como rota de salva\u00e7\u00e3o, as causas LGBT s\u00e3o tema mais de di\u00e1logo que de confronto, e na qual o \u201cvelho\u201d n\u00e3o precisa ser substitu\u00eddo pelo \u201cnovo\u201d \u2013 ambos podem conviver no mesmo espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nos dois dias de junho em que ocorreu na Torre de TV, \u201cmesmo espa\u00e7o\u201d era literal. Era impressionante como tantas atividades transcorriam normalmente sem maiores tumultos e desencontros. Sim, houve falhas estruturais \u2013 os shows chegaram a atrasar em mais de uma hora, houve interrup\u00e7\u00f5es no som da Pista de Dan\u00e7a no domingo, o fluxo de alguns espa\u00e7os ficou apertado, n\u00e3o havia ilumina\u00e7\u00e3o nos banheiros qu\u00edmicos, e em muitas das cabines faltava \u00e1gua e papel higi\u00eanico. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se mostraram frequentes em edi\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pic4.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre isso, Miguel Galv\u00e3o pontua: \u201cFoi a primeira vez que trabalhamos na Torre de TV, num evento que j\u00e1 chegou l\u00e1 muito grande, o que torna muito mais complicado de realizar ajustes j\u00e1 com o evento em andamento. Direcionamos muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da seguran\u00e7a, que hav\u00edamos identificado como maior amea\u00e7a \u2013 a regi\u00e3o fica perigosa depois das 20 horas em \u2018dias normais\u2019 . Temos consci\u00eancia que temos muito a melhorar, mas nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa edi\u00e7\u00e3o superou todas as nossas expectativas. Tivemos muitos pontos positivos, como o envolvimento desse p\u00fablico mais fam\u00edlia, muito identificado com a cidade. Apesar de ter tido alguns gargalos, sobretudo na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o, o fluxo circular favoreceu bastante os expositores e manteve o PicniK muito vivo a todo momento. E com\u00e9rcio \u00e9 fluxo, n\u00e9? E acredito que conseguimos criar uma oportunidade das pessoas reviverem as saudosas tardes gostosas de final de semana na Torr de TV, h\u00e1bito candango que se perdeu um pouco depois que mudaram a feirinha [da Torre] de lugar, mas que n\u00e3o pode ser esquecido\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pic1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse resgate das tardes, dava para comer bem sem gastar os tubos \u2013 um prato de galinhada por R$ 10, paella valenciana por R$ 20, tapiocas por at\u00e9 R$ 3, entre outras op\u00e7\u00f5es, que iam desde arroz com carne de jaca (!) at\u00e9 um simples saquinho de pipoca. Havia tamb\u00e9m cerveja para todos os gostos e bolsos (inclusive um stand de degusta\u00e7\u00e3o de produtos das cervejarias locais), drinks e vinhos. Nesse cen\u00e1rio, e com uma temperatura atipicamente amena para o cerrado, ficava f\u00e1cil circular pelo gramado da Torre de TV. No domingo, a pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o teve os seus gargalos, mas nada que impossibilitasse a compra de comida. Para quem encara os custosos e lentos bares das casas de shows de S\u00e3o Paulo, era um cen\u00e1rio tranquilo, at\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pic6.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quesito shows, mesmo com o Bixiga 70 comandando seu groove eficiente de sempre, que ainda teve a estreia ao vivo do single \u201cPrimeiramente\u201d (tocado com o Congresso Nacional e a Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes ao fundo), o dia foi de Ava Rocha. Uma semana antes, no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/23\/saiba-como-foi-o-vento-festival-2017-em-sao-sebastiao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vento Festival<\/a>, a experi\u00eancia de ver Ava Rocha no palco fora totalmente perform\u00e1tica e impessoal, diversa do show suarento, empolgante e pesado do Picnik. No final da tarde ainda rolou Firefriend, que proporcionou uma descoberta: ainda existem bandas indies repetitivas e ensimesmadas que cantam em ingl\u00eas. J\u00e1 no domingo, teve mais shows e mais varia\u00e7\u00f5es. The Blank Tapes combinou o cancioneiro californiano, power pop e uma ou outra guitarreira lis\u00e9rgica em um show simples, convidativo e sexy. Matt Adams e Veronica Bianchi se fizeram acompanhar de dois outros m\u00fasicos brasileiros e entregaram v\u00e1rios de seus hits de culto, como \u201cLong Ago\u201d, \u201cSexxy Skyype\u201d, \u201cLook Into The Light\u201d (com direito \u00e0 tradicional jam no meio da can\u00e7\u00e3o) e \u201cCoast to Coast\u201d, mas especial mesmo foi v\u00ea-los tocando \u201cBrazilia\u201d na cidade que inspirou a can\u00e7\u00e3o (e que Adams nunca visitara at\u00e9 ent\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pic5.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Terno era esperado com status de headliner (mesmo sendo a antepen\u00faltima), e entregou um show mais pesado e imprevis\u00edvel que seus discos. Logo na sequ\u00eancia, Tagore fez um set encurtado (a pedido da produ\u00e7\u00e3o, devido aos atrasos), e parece ter usado o tempo reduzido a seu favor: trouxe quatro can\u00e7\u00f5es de \u201cMovido a Vapor\u201d (2014) e quatro de \u201cPineal\u201d (2016), mais uma in\u00e9dita, em vers\u00f5es pesad\u00edssimas. Parecia um show de est\u00e1dio, tamanho o corpo da sonoridade e o entrosamento dos cinco m\u00fasicos. Um dos shows do ano! Teve ainda Supervibe e Glue Trip, a boa surpresa The R\u00e1ulis, de Pernambuco, com sua mistura de cumbia amaz\u00f4nica e surf music; teve o surf rock veterano e sempre certeiro dos s\u00e3o-carlenses The Dead Rocks, o folk agringalhado e meio fantasiado de Mustache e Os Apaches, e a homenagem ao baixista Pedro Souto (Almirante Shiva, Judas), feita pela Cassino Supernova, recentemente reformada para saudar o antigo integrante, recentemente vitimado por um aneurisma. Ainda tinha o palco da Lombra Records, Fusca de cervejas, \u00e1rvores coloridas, fontes de \u00e1gua, comida e tantas outras coisas que n\u00e3o consegui usufruir nem da metade. O PicniK concilia uma envergadura consider\u00e1vel com uma proposta comercial n\u00e3o-agressiva. Poucos s\u00e3o os eventos que conseguem igualar tal equa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, se \u00e9 que h\u00e1 algum. \u00c9 um exemplo para se olhar de perto, aprender e multiplicar. Podemos todos ter muito a ganhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pic7.jpg\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. Fotos do texto por Tomas Faquini \/ Divulga\u00e7\u00e3o. Confira a galeria completa de fotos <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/PicnikNoCalcadao\/photos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/09\/em-brasilia-picnik-festival-2016\/\">PicniK Festival 2016 mostra que h\u00e1 gente decidida a ocupar a cidade com respeito e boas ideias<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O PicniK concilia uma envergadura consider\u00e1vel com uma proposta comercial n\u00e3o-agressiva. \u00c9 um exemplo para se olhar de perto, aprender e multiplicar. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/02\/em-brasilia-picnik-festival-2017\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":43360,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2083],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43359"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43359"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43379,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43359\/revisions\/43379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}