{"id":43298,"date":"2017-06-23T10:32:35","date_gmt":"2017-06-23T13:32:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43298"},"modified":"2017-08-01T12:07:50","modified_gmt":"2017-08-01T15:07:50","slug":"saiba-como-foi-o-vento-festival-2017-em-sao-sebastiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/23\/saiba-como-foi-o-vento-festival-2017-em-sao-sebastiao\/","title":{"rendered":"Saiba como foi o Vento Festival 2017, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nFotos por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/helena.vmb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Helena Brigido<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Litoral Norte paulista, o munic\u00edpio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u00e9 conhecido pela pr\u00e1tica da vela esportiva e por abrigar as praias de Maresias e Boi\u00e7ucanga, famosas entre descolados e leitores de revistas que se posicionam contra o machismo ao mesmo tempo em que estampam garotas seminuas e sexualizadas na capa. N\u00e3o deve ser surpresa saber que a cidade \u00e9 muito mais que isso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O munic\u00edpio de cerca de 80 mil habitantes tem cerca de 100 km de orla e \u00e9 uma das cidades mais antigas do Estado de S\u00e3o Paulo, tendo sido fundada em 1636. Desde essa \u00e9poca, ela carrega uma longa hist\u00f3ria de resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, com a trucul\u00eancia portuguesa sendo oposta pela resist\u00eancia dos ind\u00edgenas ali nativos, denominados cai\u00e7aras a partir da palavra que designava a cerca (ka`aysara) que os segregava dos invasores brancos em sua pr\u00f3pria terra. A mesma resist\u00eancia que a popula\u00e7\u00e3o local teve que empregar quando a Petrobras, que ali instalou um gigantesco oleoduto e diversas opera\u00e7\u00f5es, come\u00e7ou a interferir de maneira invasiva e insalubre na vida local. Uma resist\u00eancia que ainda se faz necess\u00e1ria, j\u00e1 que o Governo do Estado de S\u00e3o Paulo insiste com um projeto para ampliar a \u00e1rea constru\u00edda do porto de 400 mil para quase 1 milh\u00e3o de metros quadrados. Barrado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, mas ainda pass\u00edvel de recurso, o projeto implicaria na destrui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda do Ara\u00e7\u00e1, essencial tanto para os habitantes locais como para a pesquisa acad\u00eamica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento3.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resist\u00eancia, portanto, faz parte da tradi\u00e7\u00e3o da cidade, que tamb\u00e9m registra revoltas de escravos, manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas muito particulares e uma arquitetura diversificada e bastante preservada em suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Tudo isso em um cen\u00e1rio que carrega ainda um passado de abusos clericais, rela\u00e7\u00e3o prom\u00edscua entre Igreja e Estado, segrega\u00e7\u00e3o social, repress\u00e3o policial desmedida e tantas outras mazelas que parecem estar ganhando volume e intensidade em nossos dias. Ou melhor: n\u00e3o \u201cparecem\u201d estar mais presentes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento4.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio, portanto, \u00e9 absolutamente prop\u00edcio para a terceira edi\u00e7\u00e3o do Vento Festival. As duas anteriores aconteceram em Ilhabela, mas a nova administra\u00e7\u00e3o municipal de l\u00e1, tomada pela bancada evang\u00e9lica, achou que n\u00e3o era boa ideia ter gente pouca afeita aos valores crist\u00e3os fazendo festa na ilha. Coube, ent\u00e3o, \u00e0 cidade que leva o nome do padroeiro informal dos homossexuais (porque, infelizmente, voc\u00ea sabe que n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o cedo que eles ter\u00e3o um padroeiro \u201coficial\u201d, n\u00e9?), a tarefa de sediar um festival que objetiva proporcionar \u201cautoconhecimento e empatia para somar\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento5.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse mote, veio a programa\u00e7\u00e3o: a m\u00fasica foi dividida entre o palco SON Estrella Gallicia, com curadoria de Anna Penteado; e a Oca, majoritariamente dedicada a DJs. Mas houve tamb\u00e9m conversas entre produtores culturais, discuss\u00f5es sobre \u201co poder transformador da cultura\u201d, sobre \u201colhar para dentro\u201d \u2013 voc\u00ea sacou o esp\u00edrito da coisa. Tanto que a abertura do festival coube com uma pequena cerim\u00f4nia de ind\u00edgenas da Aldeia Rio Silveiras, adequadamente sem pompa, em um gramado no meio da pra\u00e7a.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento6.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 15\/06 \u2013 Quinta-feira<\/strong><br \/>\nA Rua da Praia \u00e9 um mais que uma rua: ela abriga uma enorme pra\u00e7a\/cal\u00e7ad\u00e3o, com playground, quiosques de com\u00e9rcio local, e bancos que garantem uma vista maravilhosa do horizonte seja qual for a dire\u00e7\u00e3o que voc\u00ea olhe. A \u00e1rea ainda d\u00e1 acesso a um p\u00eder circular, onde o nome do festival faz especial sentido (o c\u00e9u aberto e o sol brilhando n\u00e3o impediram o frio). Esse foi o cen\u00e1rio onde (quase) tudo transcorreu, e o p\u00fablico que ali transitava no meio da tarde de quinta-feira se dividia entre contemplar a vista, comer pipoca com queijo provolone frito (uma especialidade do Vale do Para\u00edba e Litoral Norte), andar de skate e brincar com as crian\u00e7as enquanto a m\u00fasica n\u00e3o come\u00e7ava. Quando ela come\u00e7ou, tudo isso continuou acontecendo, apenas com o b\u00f4nus sonoro \u2013 \u201cocupar o espa\u00e7o p\u00fablico\u201d \u00e9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento7.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o havia mais que 100 pessoas quando o DJ Ubunto abriu os trabalhos. Na verdade, a maior parte desse pessoal ainda estava t\u00edmida, sentada na \u201cminiarquibancada\u201d em frente \u00e0 Oca quando o DJ abriu os trabalhos ali \u00e0s 16h30 (com meia hora de atraso). Logo depois, coube \u00e0 Paula Cavalciuk dar in\u00edcio \u00e0s atividades do palco principal. Sua estampa faz pensar em uma figura sa\u00edda de uma hist\u00f3ria em quadrinhos que passou pelo filtro de uma anima\u00e7\u00e3o indie, e ela usa essa persona muito particular \u2013 e sua boa voz \u2013 para ganhar a simpatia dos presentes. Seu pop traz influ\u00eancia tanto do rock de guitarra norte-americano quanto da m\u00fasica brasileira dos anos 70 \u2013 sintomaticamente, h\u00e1 can\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas e portugu\u00eas. Havia at\u00e9 gente cantando junto composi\u00e7\u00f5es como \u201cO Poderoso Caf\u00e9\u201d e \u201cMorte e Vida Uterina\u201d (que teve participa\u00e7\u00e3o de Juliana Strassacapa, da Francisco El Hombre), e n\u00e3o faltou quem a colocasse entre os melhores momentos do festival. Por\u00e9m, ainda \u00e9 um daqueles casos em que o carisma \u00e9 maior que o conjunto da obra. Mas calma: a mo\u00e7a tem apenas um disco, tem muito pela frente&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento8.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o atraso do in\u00edcio na Oca, o DJ Beatflavor tocava simultaneamente ao show, caprichando no set para ningu\u00e9m mais que tr\u00eas pessoas \u2013 um casal black de dar orgulho a Nelson Triunfo e uma mo\u00e7a de rosto pintado que estava ali desde o set de Ubunto, e n\u00e3o parou nem quando a m\u00fasica foi interrompida. Vamos denomin\u00e1-la \u201cFritadinha\u201d, pois voltaremos a ela em breve. \u00c0 medida em que a Oca ganhava mais gente, o mesmo acontecia com a prociss\u00e3o de Corpus Christi. Os fieis caminhavam sobre a tradicional decora\u00e7\u00e3o das ruas, em completo sil\u00eancio a n\u00e3o ser pelos ru\u00eddos do festival ao longe e pela repeti\u00e7\u00e3o t\u00edmida das ladainhas cat\u00f3licas. A cidade se entregava a uma tradi\u00e7\u00e3o na qual a religi\u00e3o cumpre sua fun\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e favorece a arte (n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o apreciar as imagens criadas nas ruas com serragem, tinta e materiais reciclados), em vez de querer legislar sobre a vida alheia. Ambos podem acontecer no mesmo espa\u00e7o, sem que um prejudique o outro. Fica a li\u00e7\u00e3o para a administra\u00e7\u00e3o municipal de Ilhabela.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento9.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta ao festival, hora da decep\u00e7\u00e3o com Do Amor. \u201cFodido Demais\u201d, lan\u00e7ado neste ano, \u00e9 o melhor \u00e1lbum da banda, por\u00e9m a brochada j\u00e1 come\u00e7a de cara, com uma vers\u00e3o barulhenta e instrumental da faixa t\u00edtulo, seguidas por \u201cPeixe Voador\u201d e \u201cO Aviso Diz\u201d. S\u00e3o tr\u00eas grandes can\u00e7\u00f5es, mas o volume ridiculamente alto as distorce al\u00e9m do limite suport\u00e1vel \u2013 culpa da banda, que durante a passagem de som, insistia pelo aumento do som. Com os ventos do anoitecer soprando forte numa \u00e1rea semiaberta, tanta distor\u00e7\u00e3o formava uma nuvem de ru\u00eddo que dificultava se aproximar do palco, e ajudou a lotar o at\u00e9 ent\u00e3o set vazio de Beatflavor \u2013 merecidamente. Gabriel Bubu parecia estar alheio, enquanto Gustavo Benj\u00e3o entoava os vocais sem \u00e2nimo, puxando uns \u201cFora Temer\u201d gratuitos e populistas. Na segunda metade do show, a barulheira foi substitu\u00edda por sambinhas e groovinhos displicentes, e nem a apela\u00e7\u00e3o suprema que foi a vers\u00e3o tosca de \u201cBaby-Doll de Nylon\u201d salvou. Deu saudade da vers\u00e3o do Bonde do Rol\u00ea, vai vendo&#8230; Seria o show uma met\u00e1fora metalingu\u00edstica, algo como \u201ctudo que vem Do Amor fatalmente nos decepcionar\u00e1\u201d? Possivelmente n\u00e3o, s\u00f3 desencontro e desrespeito pelo p\u00fablico mesmo. Apenas o novo baixista, Diogo Valentino (Ricardo Dias Gomes foi morar em Portugal), parecia estar com vontade de estar ali \u2013 o batera Marcelo Callado chegou a dizer no palco que \u201cprecisava ir embora r\u00e1pido).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento10.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Momboj\u00f3 subiu ao palco, todos os ambientes j\u00e1 estavam bem cheios. Apostando no lado mais introspectivo e rom\u00e2ntico do seu repert\u00f3rio \u2013 ainda que esse \u201clado\u201d seja quase sua ess\u00eancia, na real \u2013, os pernambucanos conseguiram ades\u00e3o da plateia e espantaram a apatia instalada pelo Do Amor. Minha vontade de n\u00e3o gostar da banda \u2013 motivada pelos discos um tanto lineares e chochinhos \u2013 sempre sucumbe \u00e0 qualidade de suas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo, e no Vento souberam crescer das baladinhas eletr\u00f4nicas pl\u00e1cidas para ritmos mais animadinhos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento11.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A essas tantas, o festival j\u00e1 tinha arrumado algumas pontas soltas \u2013 o bar funcionou um tempo sem servir drinks por falta de insumos, o wi-fi livre n\u00e3o entrava, essas coisas \u2013 e a friaca atingia seu m\u00e1ximo. Ent\u00e3o, por obra e gra\u00e7a da vida (e para cumprir o programado, logicamente), chega a hora da Francisco El Hombre subir ao palco. O show deles \u00e9 sempre certeza de uma festa, mas nessa noite a coisa transcendeu a alegria. Depois do furac\u00e3o r\u00edtmico que abriu a apresenta\u00e7\u00e3o, vem uma \u201cTriste, Louca ou M\u00e1\u201d com a participa\u00e7\u00e3o das vocalistas da Mulamba, Amanda Pac\u00edfico e Cacau de S\u00e1. Sabe-se l\u00e1 que esp\u00edrito baixou, mas o fato \u00e9 gerou-se uma conex\u00e3o entre Ju Strassacapa e as duas que transbordou na presen\u00e7a f\u00edsica de Cacau e&#8230; Olha, foi um daqueles momentos que, quem viu, n\u00e3o vai conseguir esquecer. \u201cEsse pa\u00eds nos v\u00ea assim [tristes, loucas ou m\u00e1s], e assim seremos por muito tempo&#8221;, vociferou Amanda. Vi essa can\u00e7\u00e3o ser executada ao vivo v\u00e1rias vezes, por\u00e9m jamais houve tamanha comunh\u00e3o. O que d\u00e1 para dizer factualmente \u00e9 que se dissolveu qualquer barreira entre artista e p\u00fablico, e a Francisco aproveitou isso para retomar seu lado mais en\u00e9rgico. Aportaram varia\u00e7\u00f5es no repert\u00f3rio, como \u201cPrimavera\u201d (raramente tocada ao vivo) e a estreia de uma arrepiante vers\u00e3o de \u201cMi Revoluci\u00f3n\u201d, dos uruguaios Cuatro Pesos de Propina. A cada show, a Francisco El Hombre d\u00e1 mostras de ser a banda com condi\u00e7\u00f5es reais de estabelecer um novo momento de influ\u00eancia e relev\u00e2ncia na m\u00fasica brasileira. Aguardemos \u2013 e enquanto esperamos, vai bem continuar dan\u00e7ando.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento12.jpg\" \/><br \/>\n<strong>Dia 16\/06 \u2013 Sexta-feira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teve mais gente, e melhor distribu\u00edda pelos espa\u00e7os da Rua da Praia; teve mais intera\u00e7\u00e3o entre locais e turistas, e teve os primeiros Spotify Talks (com diminuta plateia). Rolou ainda muita comida boa, frio ainda mais intenso, e uns shows&#8230; dif\u00edceis. Comecemos pelo final: ao Met\u00e1 Met\u00e1 coube o papel de headliner da noite. Ju\u00e7ara Mar\u00e7al \u00e9 uma presen\u00e7a marcante em corpo e voz, os instrumentistas s\u00e3o not\u00e1veis, mas quem n\u00e3o penetra em seu afrometal p\u00f3s-punk de suingue torto n\u00e3o consegue aproveitar o show. Era o meu caso \u2013 e de uns bons tantos que preferiram ficar pela Oca aguardando a festa com BeatFlavor e Mauro Farina, que seguiriam groovando madrugada adentro. Afinal, sejamos honestos: \u00e9 necess\u00e1rio uma entrega muito grande, e um estado de esp\u00edrito muito peculiar, para entrar no clima de uma can\u00e7\u00e3o como \u201cTr\u00eas Amigos\u201d (\u201cs\u00e3o tr\u00eas amigos para matar \/ mais doze santos para apedrejar \/ um grande amor a sodomizar\u00e1\u201d), para ficar em apenas um exemplo. Quem ficou por l\u00e1, por\u00e9m, teve a catarse esperada neste que, rigorosamente empatado com Francisco El Hombre, foi o show do festival segundo o j\u00fari convidado pelo Scream &amp; Yell (confira no fim do texto). Nota interessante: foi a primeira vez que Ju\u00e7ara se apresentou em sua cidade natal com a banda.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento13.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o dia tinha tido ventos mais leves para esse que aqui escreve, come\u00e7ando bem cedo com uma imers\u00e3o pelo Centro Hist\u00f3rico de S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Deu tamb\u00e9m para curtir o Museu de Arte Sacra e descobrir que os artistas de l\u00e1 eram punks antes que o termo fosse inventado: a maior parte da arte sacra regional ignorava as escolas vigentes na \u00e9poca, com uma cria\u00e7\u00e3o quase instintiva \u2013 o quadro da pris\u00e3o de Jesus \u00e9 emblem\u00e1tico disso, j\u00e1 que o artista n\u00e3o tinha qualquer refer\u00eancia hist\u00f3rica e encheu a tela de elementos do seu tempo (os soldados romanos est\u00e3o vestidos como moradores do litoral, por exemplo). Nem Alex Cox (\u201cWalker\u201d, algu\u00e9m viu?) nem Baz Luhrmann se atreveriam a tanto, tampouco teriam resultados t\u00e3o bons (\u201cbom\u201d e \u201cBaz Luhrmann\u201d dificilmente andam na mesma frase, eu sei). Tarde de fotos entre as muitas vistas encantadoras do Centro Hist\u00f3rico, embalado pelos tradicionais sorvetes sebastianenses. No passeio, encontro a Fritadinha, ainda calada, ainda dan\u00e7ando&#8230; mesmo sem nenhuma m\u00fasica tocando. E com a mesma roupa e a mesma pintura facial do dia anterior.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento14.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco principal, Mulamba entrou surpreendendo todo mundo que teve paci\u00eancia com a confus\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, que colocou a passagem de som praticamente no hor\u00e1rio previsto para o show. Muita gente se colocou perto do palco crente que estava vendo a apresenta\u00e7\u00e3o \u201cpra valer\u201d, e teve que ser avisada pela vocalista Amanda Pac\u00edfico que ainda n\u00e3o era o caso. Deixado de lado o incidente, o sexteto curitibano entregou um folk \u2013 palavra desgastada pelo uso \u00e0 frente \u2013 visceral. A banda chegou ao festival eleito por voto popular na competi\u00e7\u00e3o Open Mic. Normalmente, quando voc\u00ea escuta que tal banda entrou em um festival a partir de uma seletiva, j\u00e1 pensa naquela coisa meio incipiente, e s\u00f3 consegue curtir o show tomando uma generosa colher de boa vontade. N\u00e3o foi preciso: est\u00e1vamos diante de um show pronto, mesmo com a banda ainda formando seu repert\u00f3rio. Buscar refer\u00eancias para definir o som das mo\u00e7as \u00e9 bobagem: \u00e9 intenso em letra e interpreta\u00e7\u00e3o, mesmo que se apoie na delicadeza mel\u00f3dica e n\u00e3o precise de arranjos altos. \u00c9 extremamente contestat\u00f3rio e contundente em sua atitude, mas o grito vem das entranhas, n\u00e3o do volume. A banda tem presen\u00e7a suficiente para preencher o grande palco \u2013 mesmo Fer Koppe, que obviamente tem que ficar sentada para tocar seu violoncelo, se faz notar com musicalidade e entrega.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento15.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No discurso, a quest\u00e3o do amor homoafetivo surge naturalmente \u2013 e enquanto eu fazia essa anota\u00e7\u00e3o no meu celular, o corretor trocou \u201chomoafetivo\u201d por \u201chomof\u00f3bico\u201d. Sintom\u00e1tico. A Mulamba bate forte no sexismo e no preconceito, e \u201cP.U.T.A.\u201d (com Ju Strassacapa retribuindo a participa\u00e7\u00e3o) proporcionou outro momento de dissolu\u00e7\u00e3o dos limites entre p\u00fablico e plateia. Showz\u00e3o. Perdi o set de Jo\u00e3o Laion na Oca para o caf\u00e9 cai\u00e7ara, uma especialidade local servida gratuitamente na Casa de Cultura. Em vez da \u00e1gua, usa-se garapa (caldo de cana), e o resultado convence at\u00e9 quem acha que caf\u00e9 com a\u00e7\u00facar \u00e9 t\u00e3o profano quanto h\u00f3stia com catchup. Para acompanhar, bolos (de banana e de milho), batata doce cozida e bolinho de chuva. Abandonei esse momento t\u00e3o agrad\u00e1vel para assistir ao show de Negro L\u00e9o. Isso me fez lembrar-se de uma velha can\u00e7\u00e3o da Graforreia Xilarm\u00f4nica: \u201cSe arrependimento matasse \/ hoje eu estaria num cemit\u00e9rio qualquer \/ apodrecendo de raiva&#8230;\u201d O som de Negro Leo \u00e9 do tipo que d\u00e1 m\u00e1 fama ao universo alternativo: uma MPB cabe\u00e7uda e cheia de falsetes, com muito conceito para pouca frui\u00e7\u00e3o. O show parece um Fiat 147 combalido: nunca engata al\u00e9m da segunda. L\u00e1 pelas tantas, a fot\u00f3grafa chega e pergunta: \u201cO cara t\u00e1 fazendo barulho e falando (com voz fininha) \u2018papaizinho\u2019&#8230; \u00e9 isso mesmo?!\u201d. A indaga\u00e7\u00e3o resume bem a coisa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento16.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo que parecia estar nas inten\u00e7\u00f5es de Negro L\u00e9o acontece de verdade no show de Ava Rocha (sim, ela e Leo s\u00e3o parceiros, mas isso n\u00e3o quer dizer nada na carreira de cada um). Tem conceito, subst\u00e2ncia e inven\u00e7\u00e3o ali, embora seja t\u00e3o perform\u00e1tico que, assim como o Met\u00e1 Met\u00e1, n\u00e3o funciona para todo mundo (se precisa ou n\u00e3o funcionar para todo mundo s\u00e3o outros quinhentos). Bem mais roqueira que em disco, Ava usa bem sua banda. Mas fica a d\u00favida: precisa brigar tanto contra o pop? Tem can\u00e7\u00f5es que parecem que v\u00e3o assumir uma faceta mais amig\u00e1vel, mas logo adotam uma sa\u00edda algo herm\u00e9tica. Ainda assim, valeu a pena, e a experi\u00eancia s\u00f3 n\u00e3o foi melhor porque gastei uns bons minutos lidando com um vendedor de artesanato doid\u00e3o que insistia em me dar li\u00e7\u00f5es de mastiga\u00e7\u00e3o e degluti\u00e7\u00e3o enquanto eu comia uma esfiha (\u201cTem que sentir no ritmo, cada mastigada um sabor diferente\u201d etc). Foi minha oportunidade de exercer a toler\u00e2ncia e contribuir para um mundo melhor, acho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento17.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Oca, os DJ sets abriram uma janela para o show de Craca e Dani Nega. A dupla ganha acr\u00e9scimo de m\u00fasicos ao vivo, e transformou a Oca \u2013 onde inexplicavelmente se apresentaram \u2013 em palco principal, Dani canta com o f\u00edgado na boca, usando as palavras e seu vozeir\u00e3o para dar socos na cabe\u00e7a dos desavisados, mas a f\u00faria n\u00e3o a impediu de descer em meio ao p\u00fablico \u2013 que abarrotava o local \u2013 para interagir com todos. Mais veloz que em est\u00fadio, sua apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ofereceu muitas brechas para respirar, mas fez muito mais que passar o recado do duo \u2013 \u00e9 aquele show que praticamente \u201cte obriga\u201d a assistir novamente o artista ao vivo na primeira chance que tiver. A mistura de soul, eletr\u00f4nica e hip hop que sai dali \u00e9 de alta octanagem. Falando em alta performance: no meio do p\u00fablico, trombo com a Fritadinha de novo. Me impressiona seu desprezo pelo frio (vestia \u2013 h\u00e1 mais de 24 horas, pelo visto \u2013 uma tentativa de camiseta frente \u00fanica que mais parecia uma t\u00fanica inacabada). Quando fui embora, l\u00e1 pelo meio da madrugada, ela mantinha seu transe. Para alguns, a festa nunca termina.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento18.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 17\/06 \u2013 S\u00e1bado<\/strong><br \/>\nAlgumas horinhas na praia de Maresias j\u00e1 colaboram para fechar o corpo e animar o esp\u00edrito. S\u00f3 que o rol\u00ea praiano, e o necess\u00e1rio descanso subsequente, fazem com que eu perca o primeiro show de s\u00e1bado, do pernambucano Barro, que come\u00e7ou com 1h15 de atraso. Logo depois, o Tono veio em formato trio (sem a cantora Ana Claudia Lomelino). O baterista Rafael Rocha assumiu a maior parte dos vocais, mas todos os tr\u00eas m\u00fasicos (Bem Gil, filho de voc\u00ea sabe quem, na guitarra) cantam bem. O som da banda cruza ritmos brasileiros dos mais diversos e pop, e se tivessem sido um pouquinho mais animados no palco, teriam seduzido o p\u00fablico. Como foi, fizeram \u201cs\u00f3\u201d um show simp\u00e1tico, adequado ao hor\u00e1rio. A varia\u00e7\u00e3o de timbres e a intelig\u00eancia mel\u00f3dica comp\u00f5em uma sonoridade evocativa sem ser psicod\u00e9lica \u2013 e sem descambar para a frouxid\u00e3o. Pena que as can\u00e7\u00f5es mais suaves tenham sido prejudicadas pelo som alto que vinha da Oca, ativa simultaneamente. Isso n\u00e3o impediu que houvesse um entusiasmado pedido de bis, digno de headliner.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento19.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O frio resolveu dar uma tr\u00e9gua, e o Macaco Bong ajudou a esquentar a noite. O trio, agora estabelecido em S\u00e3o Paulo, comprova que vive seu melhor momento. Da brilhante \u201cBeijim da Nega Flor\u201d \u00e0 virulenta \u201cMacaco\u201d, mostram que conseguiram \u201cdescomplicar\u201d seu som, decantando sua ess\u00eancia e facilitando o estado de transe. Faixas de seus tr\u00eas discos compuseram o set, que adiantou ainda vers\u00f5es impressionantes de \u201cIn Bloom\u201d e \u201cCome As You Are\u201d, que far\u00e3o parte de uma releitura do \u201cNevermind\u201d. Gente de todas as idades dava aquelas gingadinhas de olhos fechados e girava os bra\u00e7os \u2013 parece que um show do Macaco Bong \u00e9 muito bom para tirar as inibi\u00e7\u00f5es. Eu mesmo quase fui enfiar a l\u00edngua num amplificador para lamber o som. Mas achei melhor n\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento20.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem foi para a Oca na sequ\u00eancia assistiu ao rapper Acau\u00e3, de Ilhabela, desperdi\u00e7ar as chances que teria para mostrar sua m\u00fasica para um p\u00fablico, preferindo gastar mais tempo em discursos desnecess\u00e1rio que em can\u00e7\u00f5es. Pena: parecia ter coisa boa para garimpar ali. Mas depois do Macaco Bong, n\u00e3o dava para aguentar papinho e ret\u00f3rica confusa. Valia mais comer algo ali nas redondezas e logo se posicionar para a apresenta\u00e7\u00e3o de Anelis Assump\u00e7\u00e3o. E para se ter uma ideia de como foi, basta dizer que mesmo os vendedores de morango com chocolate dan\u00e7avam sem medo de derrubar suas bandejas. Anelis investiu fundo no reggae, e cativou sem precisar a recorrer a nada al\u00e9m de sua voz \u2013 e de sua excelente banda, claro, que tem gente do calibre de Saulo Duarte e Z\u00e9 Nigro em sua forma\u00e7\u00e3o. Foram 80 minutos de show \u2013 fol\u00eago e dura\u00e7\u00e3o de headliner, e meio que foi mesmo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento21.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeio\u201d porque ainda tinha o Abayomy. Verdade seja dita, o p\u00fablico dan\u00e7ou bastante, e foi bom ver Benj\u00e3o participando do show muit\u00edssimo mais animado que em seu show com o Do Amor (embora insistisse nos \u201cFora Temer\u201d populistas e gratuitos). Dessa leva de bandas que repassam os clich\u00eas do afrobeat (a leva \u00e9 grande), a Abayomy \u00e9 a mais cancioneira, o que j\u00e1 \u00e9 um m\u00e9rito (tem muita influ\u00eancia da turma do funk soul brasileiro ali). No fim, \u00e9 uma banda de baile, do tipo que voc\u00ea dan\u00e7a na hora e esquece depois. Mas todos j\u00e1 t\u00ednhamos tido mais que a cota de grande arte em tr\u00eas dias, ent\u00e3o o neg\u00f3cio foi desencanar de avalia\u00e7\u00f5es e simplesmente deixar pezinhos e quadris \u00e0 vontade para reagir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento22.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O domingo ainda reservaria um cortejo com o bloco Tarado Ni Voc\u00ea, mas as obriga\u00e7\u00f5es da vida nos fizeram subir a Serra de volta \u00e0 vida metropolitana. Por\u00e9m, enquanto escrevo esse texto, \u00e9 dif\u00edcil tirar o festival de dentro de mim \u2013 e nem h\u00e1 raz\u00e3o para faz\u00ea-lo. A introspec\u00e7\u00e3o prevista na premissa do Vento aconteceu, sim: a olhos vistos (como nos shows da Francisco El Hombre, do Met\u00e1 Met\u00e1, da Mulamba), e os dias de conv\u00edvio intenso com tanta gente diferente, que podia ir desde ind\u00edgena nativo a alto executivo hoteleiro em um intervalo de menos de cinco minutos, nos provavam que \u00e9 poss\u00edvel sair desse estado de belicosidade irrefletida que vivemos. \u00c0 sua maneira, o Vento foi uma forte declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e um chamado \u00e0 introspec\u00e7\u00e3o e ao respeito. E musicalmente, levou um recorte bastante relevante da nova produ\u00e7\u00e3o brasileira a um p\u00fablico que n\u00e3o costuma tomar conhecimento dela, e que a acolheu de bra\u00e7os abertos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento23.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Vento tem a ver com acreditar que ainda podemos fazer juntos um mundo melhor\u201d, comentou Anna Penteado ap\u00f3s o fim do evento. \u201cPassaram por aqui todos os tipos de pessoas, foram mais de 20 mil nos quatro dias, segundo a Policia Militar. N\u00e3o tivemos nenhuma briga, e apenas 6 ocorr\u00eancias no hospital do festival: quatro por [excesso de] bebida e duas pessoas que ca\u00edram e se machucaram. Foram encontradas quatro carteiras, todas com dinheiro, uma tinha 250 reais, v\u00e1rios cart\u00f5es de banco e documentos de identidade: todos resgatados por quem perdeu. Isso mostra que podemos sim ter um mundo de todos, um mundo inclusivo, um mundo onde o respeito e a empatia pelo pr\u00f3ximo est\u00e1 presente. Dentro das diferen\u00e7as que todos tempos, podemos encontrar as semelhan\u00e7as que os unem\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento24.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um ano em que a sobreviv\u00eancia dos festivais alternativos foi questionada devido \u00e0s muitas complica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, o Vento foi essencial para demonstrar a relev\u00e2ncia e o alcance desse tipo de evento. Que cres\u00e7a nas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es, especialmente em resultados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento25.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Top 5 \u2013 Leonardo Vinhas, Scream &amp; Yell<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Francisco, El Hombre<br \/>\n2 \u2013 Macaco Bong<br \/>\n3 &#8211; Anelis Assump\u00e7\u00e3o<br \/>\n4 &#8211; Craca e Dani Nega<br \/>\n5 &#8211; Mulamba<\/p>\n<p><strong>Top 5 \u2013 Rakky Curvelo, Tenho Mais Discos que Amigos (<a href=\"http:\/\/www.tenhomaisdiscosqueamigos.com\/2017\/06\/20\/vento-festival-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia a cobertura<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Francisco, El Hombre<br \/>\n2 &#8211; Met\u00e1 Met\u00e1<br \/>\n3 &#8211; Mulamba<br \/>\n4 &#8211; Craca e Dani Nega<br \/>\n5 &#8211; Anelis Assump\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Top 5 \u2013 Pedro Alexandre Sanches, Farofaf\u00e1\/Carta Capital<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Francisco el Hombre<br \/>\n2 &#8211; Anelis Assump\u00e7\u00e3o<br \/>\n3 &#8211; Tono<br \/>\n4 &#8211; Mulamba<br \/>\n5 &#8211; Met\u00e1 Met\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Top 5 \u2013 Lucas Br\u00eada, Rolling Stone (<a href=\"http:\/\/rollingstone.uol.com.br\/noticia\/vento-2017-meta-meta-ava-rocha-festival-esquenta-feriado-frio-praia-sao-sebastiao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia a cobertura<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Met\u00e1 Met\u00e1<br \/>\n2 &#8211; Anelis Assump\u00e7\u00e3o<br \/>\n3 &#8211; Francisco El Hombre<br \/>\n4 &#8211; Ava Rocha<br \/>\n5 &#8211; Abayomy<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Top 5 \u2013 Anderson Meneses, Catraca Livre<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Met\u00e1 Met\u00e1<br \/>\n2 &#8211; Craca e Dani Nega<br \/>\n3 &#8211; Anelis Assump\u00e7\u00e3o<br \/>\n4 &#8211; Francisco El Hombre<br \/>\n5 &#8211; Ava Rocha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Top 5 \u2013 Rodolfo Rodrigues, Elefante Sessions (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/elefantesessions\/posts\/1346188545476488\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">confira a cobertura<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Met\u00e1 Met\u00e1<br \/>\n2 &#8211; Ava Rocha<br \/>\n3 &#8211; Mulamba<br \/>\n4 &#8211; Barro<br \/>\n5 &#8211; Paula Cavalciuk<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Top 5 &#8211; MELHORES SHOWS DO VENTO FESTIVAL 2017<\/strong><br \/>\n20 pontos \u2013 Francisco, El Hombre (cinco votos)<br \/>\n20 pontos \u2013 Met\u00e1 Met\u00e1 (cinco votos)<br \/>\n15 pontos \u2013 Anelis Assump\u00e7\u00e3o (cinco votos)<br \/>\n9 pontos \u2013 Mulamba (quatro votos)<br \/>\n8 pontos \u2013 Craca e Dani Nega<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/vento26.jpg\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" \u00c0 sua maneira, o Vento foi uma forte declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e um chamado \u00e0 introspec\u00e7\u00e3o e ao respeito\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/23\/saiba-como-foi-o-vento-festival-2017-em-sao-sebastiao\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":43299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2057,2058,1870,2055,270,1356,1570,2054,1151,2056,792,929,2059],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43298"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43298"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43504,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43298\/revisions\/43504"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}