{"id":43278,"date":"2017-06-21T08:51:37","date_gmt":"2017-06-21T11:51:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43278"},"modified":"2017-07-19T10:47:44","modified_gmt":"2017-07-19T13:47:44","slug":"entrevista-ze-bigode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/21\/entrevista-ze-bigode\/","title":{"rendered":"Entrevista: Z\u00e9 Bigode"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael Donadio<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perto de completar um ano do lan\u00e7amento do EP hom\u00f4nimo, Z\u00e9 Bigode disponibilizou nas plataformas digitais, no dia 3 de maio, o primeiro \u00e1lbum da carreira, \u201c<a href=\"https:\/\/zebigode.bandcamp.com\/album\/fluxo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fluxo<\/a>\u201d. As influ\u00eancias do afrobeat, bai\u00e3o, maracatu, samba e rap, j\u00e1 muito presentes no trabalho de 2016, juntaram-se, ainda com mais peso, ao jazz. N\u00e3o s\u00f3 no estilo musical, mas tamb\u00e9m na forma, no improviso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora tente imaginar gravar com nove m\u00fasicos, de uma forma que se prestigie, acima de tudo, o improviso. Sim, foi penoso. O jeito foi colocar todos esses marmanjos, juntos, dentro da sala 1 do Est\u00fadio Cia dos T\u00e9cnicos, em Copacabana, antigo est\u00fadio da RCA. Foram dois dias e mais uma pequena reserva para algumas horas, em um terceiro dia, para uma surpresa inesperada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda formada por Z\u00e9 Bigode (guitarra), Daniel Bento (baixo), Eric Brand\u00e3o (bateria), Jayant Victor (guitarra), Victor Lemos (sax alto e tenor), Thiago Garcia (trompete), Rodrigo Mar\u00e9 (timbal, percuss\u00e3o), Bruno Durans (bongas) e Pedro Guinu (Rhodes, piano, clavinete, moog, org\u00e3o) contou ainda com os convidados Belle Nascimento, Alexandre Berreldi, Eduardo Rezende, Reubem Neto, Ingra da Rosa e Victor Hugo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atriz e escritora carioca Ingra \u00e9 quem pede licen\u00e7a logo nos primeiros segundos e chama os ouvintes para o caminho aberto pelas oito m\u00fasicas instrumentais que comp\u00f5em o trabalho, que seguem o vento, firmam os tempos, plantam a f\u00e9 e conduzem o fluxo que a banda toca. Z\u00e9 Bigode \u00e9 respons\u00e1vel pela composi\u00e7\u00e3o de sete faixas. \u201cMarijuana, Mon&#8217; Amour\u201d foi composta pelo flautista Fernando Grilo, que faleceu no fim de 2015 e, segundo o guitarrista, foi uma grande refer\u00eancia de como continuar fazendo as coisas, mesmo quando o sistema n\u00e3o est\u00e1 do nosso lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O motivo do apelido Z\u00e9 Bigode est\u00e1 na cara e foi dado ao compositor e instrumentista carioca Jos\u00e9 Roberto Rocha na \u00e9poca em que tocava no projeto Ludi Um e As Cabe\u00e7as. \u201cNa hora de apresentar a banda, o Ludi achava estranho ser s\u00f3 Z\u00e9. Como eu tinha um bigodinho, ficou f\u00e1cil: Z\u00e9 Bigode. Quando a banda se desfez eu achei bacana manter\u201d, relatou o m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica sempre esteve presente na vida de Rocha, desde quando come\u00e7ou a tocar de \u201corelhada\u201d aos 13 anos de idade. O lance de fazer da m\u00fasica profiss\u00e3o veio depois que come\u00e7ou a estudar formalmente, h\u00e1 cinco anos, com 21. Mas o verdadeiro estalo surgiu com o jazz e outros estilos. Foi a\u00ed que ele viu que a m\u00fasica ia muito al\u00e9m das coisas que escutava quando moleque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da prefer\u00eancia pelo tocar, Bigode sempre trabalhou com profiss\u00f5es relacionadas \u00e0 m\u00fasica. Formado em Produ\u00e7\u00e3o Fonogr\u00e1fica, o carioca \u00e9 sonoplasta \/ operador de \u00e1udio na R\u00e1dio MEC e Nacional, que fazem parte do Grupo EBC. Em conversas por Facebook e alguns e-mails, ele nos falou sobre o processo de grava\u00e7\u00e3o, influ\u00eancias diversas e de uma viagem a Cuba, a resist\u00eancia de se trabalhar com arte no Brasil e outros papos. Confira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yshVs6a9U2o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda com o peso da m\u00fasica brasileira e do afrobeat, \u00e9 poss\u00edvel perceber um peso maior do jazz no \u201c<a href=\"https:\/\/zebigode.bandcamp.com\/album\/fluxo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fluxo<\/a>\u201d. O disco teve alguma influ\u00eancia mais pontual do jazz?<\/strong><br \/>\nO jazz veio presente mais na forma, no sentido forte de improviso que ele tem, por isso at\u00e9 o nome \u201cFluxo\u201d. Deixar fluir. Nem sempre temos que ter as r\u00e9deas das coisas, \u00e0s vezes \u00e9 bom deixar ser levado. Ultimamente tenho ouvido muito aquela galera do novo jazz: Kamasi Washington, Thundercat, Robert Glasper. E tamb\u00e9m a linguagem da mistura do jazz com o rap, que me agrada muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o suas outras influ\u00eancias musicais?<\/strong><br \/>\nEla \u00e9 vari\u00e1vel, ou\u00e7o muita coisa. Mas n\u00e3o s\u00f3 musica me influencia. Gosto de observar o cotidiano e suas interliga\u00e7\u00f5es, mas se for citar nomes, rola muito Miles Davis, Criolo, Dayme Arocena, Kamasi Washington, Hermeto Pascoal, Matana Roberts, Met\u00e1 Met\u00e1, Baiana System, Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Robert Glasper, Mario Adnet, Herbie Hancock, Wayne Shorter, T\u00e1ssia Reis, OQuadro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Certa vez, voc\u00ea comentou sobre a dificuldade de colocar oito cabe\u00e7as dentro do est\u00fadio para gravar. Explique como foi o processo.<\/strong><br \/>\nAssim que lancei o primeiro EP, j\u00e1 tinha em mente alguns temas novos e j\u00e1 comecei a trabalhar esses temas com o pessoal. No fim de 2016, achei que era o momento de registrar as coisas. Penso no disco como se fosse uma fotografia, registro do momento. Aluguei dois dias no est\u00fadio e, por ser uma sala grande e ter v\u00e1rias divis\u00f3rias \u2013 para se ter uma no\u00e7\u00e3o, \u201cCoisas\u201d, do Moacir Santos, e o \u201cTim Maia Racional\u201d foram gravados nessa sala \u2013, conseguimos colocar a banda toda para tocar junto e ainda sim ter autonomia de limar os vazamentos. Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel. Um fato curioso \u00e9 que o \u00e1lbum teria sete faixas. J\u00e1 t\u00ednhamos gravado tudo quando no final de fevereiro eu escrevi um tema e apresentei \u00e0 banda em um ensaio. Tocamos e de primeira soou como se j\u00e1 v\u00ednhamos tocando h\u00e1 anos, a\u00ed geral se olhou e sab\u00edamos que t\u00ednhamos que gravar. Voltamos para mais um dia extra em est\u00fadio para gravar. O nome da faixa \u00e9 \u201cAmal\u00e1\u201d. Tocamos apenas uma vez antes de grav\u00e1-la. O que se ouve no disco \u00e9 um dos primeiros takes tamb\u00e9m. \u00c9 uma coisa muito louca quando a m\u00fasica vem e se materializa ali como se j\u00e1 tivesse toda pronta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que a preocupa\u00e7\u00e3o de gravar ao vivo?<\/strong><br \/>\nO m\u00e9todo de grava\u00e7\u00e3o que o mercado adotou como ideal \u00e9 a grava\u00e7\u00e3o por canal. Primeiro vai l\u00e1 e grava a bateria, depois o baixo, e assim subsequente. Eu acho esse m\u00e9todo muito podador de potencialidades. A m\u00fasica existe no espont\u00e2neo e muita coisa boa surge do erro tamb\u00e9m. Quando pensei na concep\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, de cara eu sabia que n\u00e3o poder\u00edamos gravar por canal. Saberia que teria que ser geral junto, olhando no olho, errando e acertando junto. E foi o que rolou. Foi a melhor maneira de registrar o que tocamos nos ensaios e ao vivo. Esse m\u00e9todo ainda rola no jazz e no samba. Gostaria que as coisas fossem feitas mais livres, e no est\u00fadio tudo \u00e9 poss\u00edvel, n\u00e9? O cara vai l\u00e1, regrava o pr\u00f3prio solo, voz, mil vezes, tudo perfeito. A\u00ed chega ao vivo e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom assim, fica fake.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sempre fez m\u00fasica instrumental?<\/strong><br \/>\nSempre tive projetos que continham voz. Embora eu n\u00e3o cante em muitos deles, eu participava do processo de composi\u00e7\u00e3o, fazia at\u00e9 letra em alguns deles, mas sempre me sentia travado porque precisava de algu\u00e9m para levar adiante o que estava na minha cabe\u00e7a, e nem sempre ficava como eu tinha imaginado anteriormente. \u00c0s vezes ficava at\u00e9 melhor, mas de um modo geral n\u00e3o cobria a expectativa. O fim do \u00faltimo projeto que me envolvi nesse formato coincidiu com uma \u00e9poca de descobertas musicais, principalmente o jazz, a\u00ed foi um pulo para me dedicar a fazer s\u00f3 m\u00fasica instrumental (que \u00e9 um rotulo besta, mas vi aqui que tem uma pergunta sobre isso mais embaixo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Duda Victor, da banda Terremotor, que participou da colet\u00e2nea \u201cSem Palavras\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/24\/download-baixe-o-album-sem-palavras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ada pelo selo Scream &amp; Yell<\/a>, comentou sobre a produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica sem voz (agora vamos nos referir assim). \u201cA liberdade n\u00e3o seria na fase de composi\u00e7\u00e3o e sim no lance que sendo instrumental n\u00e3o existem fronteiras pra essa m\u00fasica. O que vale \u00e9 o sentimento.\u201d Essa liberdade teria sido um dos motivos tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nSim. A m\u00fasica sem vocal \u00e9 mais livre para ir para onde for, principalmente se o som for baseado em improvisos. A coisa flui melhor e a energia entre os m\u00fasicos \u00e9 mais potente, porque voc\u00ea precisa estar muito ligado no que a pessoa que est\u00e1 tocando com voc\u00ea est\u00e1 fazendo, ent\u00e3o a conex\u00e3o fica mais agu\u00e7ada. J\u00e1 quando rola uma voz tudo tem que girar em torno dela, \u00e9 como se os demais instrumentos fossem a passagem para voz caminhar em cima. Na m\u00fasica instrumental todos s\u00e3o protagonistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O organizador dessa mesma colet\u00e2nea, Leonardo Vinhas diz \u201cTemos que parar de ver \u2018m\u00fasica instrumental\u2019 como g\u00eanero. N\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o tem letra que a composi\u00e7\u00e3o deixa de ser rock, reggae, cachacera ou seja l\u00e1 qual for o estilo. \u00c9 apenas uma op\u00e7\u00e3o de dispensar a letra\u201d. O que acha sobre isso?<\/strong><br \/>\n\u00c9 isso. Para mim, m\u00fasica \u00e9 m\u00fasica. Certa vez, ouvi do Heraldo do Monte que, antigamente no Brasil, a m\u00fasica instrumental n\u00e3o tinha esse r\u00f3tulo, era tocada nas r\u00e1dios como qualquer outro som, rolava um choro sem letra, depois um bolero e tudo certo, o p\u00fablico gostava. N\u00e3o rolava essa separa\u00e7\u00e3o, mas a\u00ed a ind\u00fastria do entretenimento come\u00e7a a se desenvolver forte e, como tudo no mundo capitalista precisa ser etiquetado e colocado numa prateleira, inventaram o r\u00f3tulo \u201cm\u00fasica instrumental\u201d. O jazz, por exemplo, \u00e9 um estilo que tem mais m\u00fasica sem letra que os outros e ningu\u00e9m que toca jazz fala \u201ceu fa\u00e7o m\u00fasica instrumental\u201d. Fala \u201ceu toco jazz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que essa m\u00fasica sem voz tem uma \u201cposi\u00e7\u00e3o\u201d inferior no Brasil?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o diria inferior, mas sim elitista. Com a divis\u00e3o de m\u00fasica cantada e instrumental, acabou que a m\u00fasica instrumental ficou sendo som s\u00f3 para musico. Esse estigma afastou a galera que n\u00e3o saca tanto de m\u00fasica. A\u00ed a ind\u00fastria larga m\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em um momento em que vivemos cada vez mais retrocesso pol\u00edtico e cultural, chegando ao ponto de vermos caso de censura, como no caso da banda Al\u00e1fia que teve parte da m\u00fasica editada no programa Cultura Livre, da TV Cultura, qual a dificuldade de se fazer arte?<\/strong><br \/>\n\u00c9 grande. Principalmente com essa mentalidade geral de que arte \u00e9 algo menor, que n\u00e3o \u00e9 um trabalho \u201cs\u00e9rio\u201d, e sim algo ligado a uma atividade descontra\u00edda, para aliviar o estresse, algo inofensivo. Muito disso porque nossas vidas est\u00e3o enraizadas no conceito que s\u00f3 \u00e9 trabalho se seguir o status quo, que \u00e9 acordar cedo e bater o ponto. A arte vai no caminho inverso. Arte \u00e9 o observar, a an\u00e1lise, a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o da norma geral. Para mim, n\u00e3o existe arte sem enxergar a sociedade ao redor. E se voc\u00ea enxerga a sociedade, automaticamente voc\u00ea sai da in\u00e9rcia. Isso n\u00e3o \u00e9 interessante para o conservador, por isso eles querem tanto sabotar a cultura e a arte. Sem contar que a grande parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso \u00e0 arte. Esse direito \u00e9 vetado. Hoje, quem vive de arte pode se dizer um privilegiado. A grande maioria s\u00f3 consegue porque tem uma rede de apoio, seja familiar ou financeira, mas a\u00ed a coisa fica s\u00f3 circulando entre as mesmas pessoas. \u00c9 muito dif\u00edcil para algu\u00e9m que n\u00e3o tem essa moral resistir e continuar fazendo. As contas precisam ser pagas. A\u00ed a pessoa acaba tendo que arrumar outra atividade e acaba deixando de lado a arte. E com esse desgoverno a coisa tende a ir mais ladeira abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acha que precisa, mais do que antes, ter um maior posicionamento pol\u00edtico dos artistas, na m\u00fasica e na arte como um todo?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 preciso. A arte e a m\u00fasica tem o poder de transforma\u00e7\u00e3o imenso, chega onde poucas coisas conseguem ir, que \u00e9 no inconsciente. Arte \u00e9 uma arma poderos\u00edssima. Mas sem cair naquela caricatura do artista engajad\u00e3o, que, \u00e0s vezes, soa falso demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que a sua m\u00fasica carrega em rela\u00e7\u00e3o a isso?<\/strong><br \/>\n\u00c9 a resist\u00eancia de continuar fazendo mesmo quando tudo parece desmoronar. Nessa onda de conservadorismo, \u00e9 preciso continuar tocando o barco. Ocupando com m\u00fasica os locais que o estado n\u00e3o se faz presente, as pra\u00e7as, tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelas redes sociais eu \u201csegui\u201d um pouco sua viagem por Cuba, logo ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o do EP. O que do Pa\u00eds tem nesse disco?<\/strong><br \/>\nTem mais coisas em rela\u00e7\u00e3o ao modo de vida cubano do que necessariamente algo que venha traduzido em melodias, mas d\u00e1 pra notar uma influ\u00eancia forte da rumba em algumas faixas, como \u201cOm\u00e3\u201d, que \u00e9 onde esse lance vem mais na cara<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aconteceram mudan\u00e7as no que voc\u00ea estava fazendo ou planejava fazer no disco depois da viagem?<\/strong><br \/>\nApenas mudan\u00e7as no sentido de viv\u00eancias e refer\u00eancias de como se fazer m\u00fasica. Em vez de pensar somente na parte do &#8220;mercado&#8221;, poder fazer m\u00fasica do jeito que quiser, com mais liberdade de sonoridades.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TUI5Pkr9-FA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Rafael Donadio (Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rafael.p.donadio<\/a>) \u00e9 jornalista do Di\u00e1rio do Norte do Paran\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Nessa onda de conservadorismo, \u00e9 preciso continuar tocando o barco. 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