{"id":43200,"date":"2017-06-15T11:51:22","date_gmt":"2017-06-15T14:51:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43200"},"modified":"2017-07-13T17:14:27","modified_gmt":"2017-07-13T20:14:27","slug":"entrevista-ayrton-montarroyos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/15\/entrevista-ayrton-montarroyos\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ayrton Montarroyos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Marcos Paulino<\/strong><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando crian\u00e7a, o pernambucano Ayrton Montarroyos tinha vergonha das m\u00fasicas que escutava. Afinal, n\u00e3o foi sem surpresa que seus amigos descobriram que ele gostava de Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto e outros int\u00e9rpretes cl\u00e1ssicos. Mas Ayrton n\u00e3o deixou de admirar seus \u00eddolos, mesmo mantendo o ouvido aberto para sons mais \u201cmodernos\u201d. E foi interpretando can\u00e7\u00f5es da MPB que chegou \u00e0 final do \u201cThe Voice Brasil\u201d 2015, de onde saiu como um dos cantores preferidos do p\u00fablico, que dele ouviu \u201cFor\u00e7a Estranha\u201d e \u201cCarinhoso\u201d, entre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 21 anos, Ayrton lan\u00e7ou em abril de 2017 seu primeiro disco, misturando composi\u00e7\u00f5es de gente consagrada, como Caetano Veloso e Zeca Baleiro, e novos autores, a exemplo de Tin\u00e9 e Z\u00e9 Manoel. Em todas as faixas, ele faz sua releitura muito pessoal, a ponto de transformar o samba \u201cAlto L\u00e1\u201d, de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha, em tango com arranjo de Artur Verocai. Como descreveu Renan Guerra aqui mesmo no Scream &amp; Yell, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/30\/tres-discos-lupa-ayrton-montarroyos-e-laura-petit\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ayrton reverencia o passado, mas mira no futuro<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTive uma oportunidade n\u00e3o de me mostrar, mas de aprender\u201d, conta Ayrton em entrevista ao Mundo Plug, parceiro do Scream &amp; Yell, sobre sua experi\u00eancia no \u201cThe Voice Brasil\u201d, programa que ele havia recusado dois convites antes da \u00faltima tentativa da produ\u00e7\u00e3o, \u201cmeio em tom de ultimato\u201d. Ele aceitou, foi escolhido por Lulu Santos (\u201cEle foi r\u00edgido comigo, n\u00e3o me deixava errar\u201d) e conseguiu ser finalista do programa. Agora chega ao seu pr\u00f3prio disco e fala com bastante maturidade sobre sua carreira: \u201cTalvez seja loucura dos meus 21 anos o que estou falando, talvez n\u00e3o, s\u00f3 o tempo dir\u00e1\u201d. Confira o bate papo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DcpwdqQ1imQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a chance de participar do \u201cThe Voice Brasil\u201d?<\/strong><br \/>\nParticipei do \u201cEncontro com F\u00e1tima Bernardes\u201d, onde tive a oportunidade de cantar, e a\u00ed surgiu o primeiro convite para o \u201cThe Voice\u201d. Recusei dois convites pra participar de uma audi\u00e7\u00e3o, por achar que n\u00e3o tinha o perfil do programa. Sempre fui muito c\u00e9tico quanto \u00e0 competi\u00e7\u00e3o, achava que n\u00e3o poderia entrar. E n\u00e3o me entrava na cabe\u00e7a que o \u201cThe Voice\u201d tivesse interesse pelo estilo musical que eu cantava. A terceira liga\u00e7\u00e3o da Globo foi meio em tom de ultimato. Disseram que queriam investir em m\u00fasica popular brasileira, que seria muito bom que eu fosse. Passei pela audi\u00e7\u00e3o e me chamaram. E participar do programa foi uma das coisas mais importantes da minha vida. Tive uma oportunidade n\u00e3o de me mostrar, mas de aprender. O p\u00fablico do \u201cThe Voice\u201d foi meu o g\u00e1s pra cantar as coisas de que gosto. Quando cantei Lupic\u00ednio Rodrigues, consegui o recorde de vota\u00e7\u00e3o para aquela fase. Senti que n\u00e3o precisava ter vergonha do que fa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse gosto peculiar por cantores e compositores de v\u00e1rias d\u00e9cadas atr\u00e1s vem desde sua inf\u00e2ncia. Como seus amigos viam isso?<\/strong><br \/>\nEra engra\u00e7ad\u00edssimo. Na minha casa, todo mundo trabalhou com m\u00fasica em algum momento, mas l\u00e1 n\u00e3o se ouvia muita m\u00fasica. Tinha um aparelho de som ali parado, com discos antigos, e eu colocava pra ouvir. Aquilo me tocava profundamente, eu me pegava chorando com Dalva de Oliveira e outros artistas cantando. Mas eu n\u00e3o sabia que aquilo n\u00e3o era atual, porque n\u00e3o assistia \u00e0 televis\u00e3o. Um dia, no col\u00e9gio, teve um trabalho pra gente falar sobre nossos \u00eddolos, e escolhi Dalva de Oliveira. Ningu\u00e9m sabia quem era essa mulher, a\u00ed que percebi que eu era diferente. Fiquei chocado e com vergonha de gostar. A \u00fanica coisa mais jovem que escutava era Rouge, \u201cAserehe ra de re\u201d, porque tocava em todo lugar. No mais, era Cauby Peixoto, Dalva e da\u00ed pra tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E no programa voc\u00ea conviveu com o Lulu Santos, seu t\u00e9cnico, que era o cara mais do pop, do rock. Como foi essa parceria?<\/strong><br \/>\nFoi interessante, porque o Lulu \u00e9 um cara muito antenado, assim como me julgo ser. Acho que voc\u00ea precisa conhecer os dois lados. O Lulu \u00e9 assim tamb\u00e9m, ele sabe tudo sobre m\u00fasica antiga, mas est\u00e1 sendo produzido por um menino chamado Silva, que \u00e9 um m\u00fasico talentoso, com pouca gente ligada nele. Ele tem essa capacidade de renova\u00e7\u00e3o. No programa, ele encontrou em mim essa voz brasileira que queria ter. Fomos um ponto de resist\u00eancia, eu era a pausa, representava o sil\u00eancio. Brincava com os diretores que tinha muita gente cantando muito alto, e \u00e0s vezes as pessoas queriam uma voz pequenininha. Escolhi os tons mais graves que podia, porque todo mundo quer mostrar que tem t\u00e9cnica musical cantando agudo. Queria mostrar a beleza do grave, aquela coisa do Dick Farney, do Cauby. O Lulu abra\u00e7ou isso de uma forma muito bonita. Ele foi r\u00edgido comigo, n\u00e3o me deixava errar, senti que teve uma conex\u00e3o imediata entre a gente desde o momento em que ele virou a cadeira. Eu disse a ele que minha meta era ser perfeito, que sabia que nunca chegaria l\u00e1, mas que n\u00e3o iria desistir. E ele gostou disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a escolha do repert\u00f3rio do disco?<\/strong><br \/>\nComecei esse disco em 2013, queria que as pessoas ouvissem o que eu fa\u00e7o. Sempre tive a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o soar deslocado do meu tempo. Voc\u00ea pode saber tudo do passado, mas n\u00e3o ser uma coisa que j\u00e1 passou. N\u00e3o posso querer ser um novo Cauby Peixoto ou um novo Francisco Alves porque o tempo \u00e9 outro. Sempre gostei de coisa moderna, ouvia Portishead e outras bandas pra sentir a sonoridade. Liguei pro Yuri Queiroga e disse que queria que ele produzisse meu disco, e ele foi me apresentando m\u00fasicas, pra ver de quais eu gostava, e eu trazia outras. Gravamos oito m\u00fasicas, e quando o disco ia pra mixagem, vi que n\u00e3o era o que eu queria. Era muito moderno, \u00e9 pra ser lan\u00e7ado em 2020. [Risos] No \u201cThe Voice\u201d, entendi que eu podia ser int\u00e9rprete de can\u00e7\u00e3o brasileira e moderno ao mesmo tempo. Ent\u00e3o liguei pro (produtor) Thiago (Marques Luiz) e falei que far\u00edamos o melhor disco que pud\u00e9ssemos. Parte das m\u00fasicas j\u00e1 t\u00ednhamos do primeiro disco, como \u201cE Ent\u00e3o\u201d. Outras foram surgindo de um jeito louco, como \u201cPort\u00e3o\u201d, que ouvi numa campanha publicit\u00e1ria. A m\u00fasica do Cartola (\u201cQue Sejas Bem Feliz\u201d), um amigo colocou pra eu ouvir no carro e disse que eu tinha que gravar. Elas foram vindo at\u00e9 mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00e1rias das faixas j\u00e1 foram gravadas por artistas muito famosos. Mudar os arranjos e a maneira de cantar foi apenas pra deixar com seu estilo ou tamb\u00e9m uma forma de evitar compara\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nNem uma coisa nem outra. Eu s\u00f3 me enxergava cantando daquela forma. \u00c9 o caso de \u201cAlto L\u00e1\u201d, que vi a letra sem saber que era m\u00fasica. Aquilo me pegou forte, como um tango, me veio Piazzolla na cabe\u00e7a, Gardel. E quando escutei era um samba, e fiquei pensando como iria fazer aquilo. Fiz a base do arranjo e o Arthur Verocai fez o arranjo de cordas. A m\u00fasica \u00e9 linda como samba, mas n\u00e3o pra eu cantar com a dramaticidade que enxergava na letra. Na minha cabe\u00e7a, \u201cAlto L\u00e1\u201d nasceu como cantei, n\u00e3o tem outro jeito. [Risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi \u00e0 final do \u201cThe Voice\u201d por conquistar o p\u00fablico, mas o tipo de m\u00fasica que voc\u00ea canta dificilmente chega \u00e0 grande m\u00eddia. Como voc\u00ea v\u00ea esse paradoxo?<\/strong><br \/>\nTenho 21 anos, e nessa idade a gente \u00e9 otimista, \u00e9 maluco. Tenho que come\u00e7ar a me precaver quando eu chegar aos 50. Agora n\u00e3o tenho medo de nada e acho que vai dar tudo muito certo. Se tem uma coisa que aprendi no \u201cThe Voice\u201d \u00e9 a n\u00e3o subestimar o p\u00fablico. Ouvia de algumas pessoas l\u00e1 dentro que ningu\u00e9m conhecia Lupic\u00ednio. E ent\u00e3o eu dizia: \u201cN\u00e3o conhece, mas vai conhecer\u201d. A m\u00fasica bonita ningu\u00e9m segura. O problema n\u00e3o \u00e9 do p\u00fablico, mas de quem faz o mercado. Fui num show de Maria Beth\u00e2nia recentemente no SESC Itaquera que tinha mais de 20 mil pessoas. O mercado \u00e9 muito dif\u00edcil principalmente pra quem faz uma coisa latina, porque o que hoje \u00e9 visto como cool \u00e9 aquilo que lembra o pop americano. Os ritmos latinos acabam sendo considerados cafonas, ou distantes no tempo. Mas quando h\u00e1 insist\u00eancia, verdade e beleza com um trabalho, d\u00e1 certo. N\u00e3o vou ser como Ivete Sangalo, que tem uma grande massa de p\u00fablico, mas, dentro de um nicho, h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de trabalhar muito bem diversas coisas, n\u00e3o s\u00f3 eu como todos os outros cantores. Est\u00e1 surgindo uma leva de grandes cantores e grandes compositores e isso me anima, e eu a eles. Falta pra gente entender que o p\u00fablico \u00e9 inteligente, \u00e9 sofisticado, \u00e9 exigente, e que temos que melhorar sempre. Quando fa\u00e7o m\u00fasica hoje, me vejo com aquela sensa\u00e7\u00e3o de quando ouvia m\u00fasica na casa da minha av\u00f3. Fa\u00e7o o que amo e consigo pagar todas as minhas contas com isso. Nunca precisei cantar o que n\u00e3o queria. Talvez seja loucura dos meus 21 anos o que estou falando, talvez n\u00e3o, s\u00f3 o tempo dir\u00e1. [Risos]<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s7t99Kcbl7s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P2n9xHNqY0w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/njQ4Rh9vr58?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Paulino<\/a> \u00e9 editor do caderno Plug (<a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.mundoplug.com)<\/a>, da Gazeta de Limeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Tenho 21 anos, e nessa idade a gente \u00e9 otimista, \u00e9 maluco. Tenho que come\u00e7ar a me precaver quando eu chegar aos 50&#8221;, diz Ayrton ao Scream &#038; Yell\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/15\/entrevista-ayrton-montarroyos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":43201,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2001],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43200"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43202,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43200\/revisions\/43202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}