{"id":43193,"date":"2004-10-04T10:37:00","date_gmt":"2004-10-04T13:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43193"},"modified":"2017-06-14T10:41:20","modified_gmt":"2017-06-14T13:41:20","slug":"feedback-o-album-de-covers-do-rush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/10\/04\/feedback-o-album-de-covers-do-rush\/","title":{"rendered":"&#8220;Feedback&#8221;, o \u00e1lbum de covers do Rush"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Rush \u00e9 uma das bandas mais cercadas de pr\u00e9-conceitos (bons e ruins) que existe. Adoradores idolatram a banda quase sem ju\u00edzo (como toda idolatria) e detratores detonam sem nunca ter ouvido um disco inteiro da banda. N\u00e3o cabe dizer qual est\u00e1 certo ou fazer um retrospecto hist\u00f3rico da banda, mas \u201cFeedback\u201d, seu novo disco, \u00e9 muito dos bons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e1, \u00e9 um disco de covers. O baterista Neil Peart pode dizer que \u00e9 um disco que foi feito para comemorar os 30 anos da banda, que eles se sentiram como garotos novamente e etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer forma, vai ficar aquela pulga atr\u00e1s da orelha de que o pique n\u00e3o \u00e9 o mesmo, afinal at\u00e9 a regularidade de um disco ao vivo para cada quatro de est\u00fadio foi quebrada com o lan\u00e7amento prematuro do populista (e bom) \u201cRush In Rio\u201d (2003). Mas a idade chega e Peart e seus amigos lan\u00e7aram um disco decente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9_8fGUrVGEU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o t\u00e3o bom quanto os tr\u00eas excelentes \u00faltimos discos, \u201cCounterparts\u201d (1993, indispens\u00e1vel), \u201cTest For Echo\u201d (1996) e \u201cVapor Trails\u201d (2002), mas muito bom. Dinossauros como Led, Who e Floyd lan\u00e7aram discos med\u00edocres antes de se desmebrarem ou de seus integrantes baterem as botas. O Rush, fora a fase pop sintetizada de \u201cSignals\u201d (1982), \u201cGrace Under Pressure\u201d (1984) e \u201cPower Windows\u201d (1985) na primeira metade dos anos 80, n\u00e3o deram nenhum furo n&#8217;\u00e1gua. E \u201cFeedback\u201d honra a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Honra as ra\u00edzes canadenses tamb\u00e9m: h\u00e1 dois covers do Buffalo Springfield. \u201cMr. Soul\u201d \u00e9 a \u00fanica que n\u00e3o caiu bem no disco porque \u00e9 meio complicado transformar um country rock fossento num rock\u00e3o estilizado e sombrio. Mas \u201cFor What It&#8217;s Worth\u201d virou rock\u00e3o de primeira, com um crescendo que torna indel\u00e9vel os versos &#8220;hey, hey, what&#8217;s that sound? Everybody knows what&#8217;s going down\u201d. E a\u00ed s\u00e3o s\u00f3 acertos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No geral, o pau come solto. \u201cFor What It&#8217;s Worth\u201d pode ser at\u00e9 mais cadenciada (mas n\u00e3o menos empolgante), mas \u201cThe Seeker\u201d e \u201cSeven And Seven Is\u201d est\u00e3o a\u00ed para lavar os ouvidos de quem est\u00e1 com saudades de uma guitarrona alta e cristalina, mas sem &#8220;polimentos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O hit do Who virou uma bordoada saltitante, coisa de quem n\u00e3o tem saco para ficar com riff de folk rock sincopado, enquanto que a faixa mais manjada do Love d\u00e1 espa\u00e7o para Peart mostrar porque que \u00e9 uma lenda nas baquetas e pedais. A abertura, a carga de \u201cSummertime Blues\u201d, tamb\u00e9m \u00e9 uma britadeira s\u00f3, rebimbando vitalidade e soando muito divertida na voz aguda de Geddy Lee.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a cereja est\u00e1 no final: \u201cCrossroads\u201d, de Robert Johnson, emulada da vers\u00e3o do Cream, circula e serpenteia de forma direta e aguda na guitarra de Alex Lifeson, enquanto a cozinha espalha o pavimento com uma jam acachapante. \u00c9 curioso ver Lifeson, habitualmente o mais &#8220;cerebral&#8221; e contido instrumentista do Rush, soar t\u00e3o barulhento e instintivo aqui. Um lance chamado feeling, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda duas rendi\u00e7\u00f5es ao pop, ambas surrupiadas dos Yardbirds: \u201cShapes of Things\u201d e \u201cHeart Full Of Soul\u201d, sendo a \u00faltima a can\u00e7\u00e3o com a sonoridade mais evidentemente retro. \u00c9 um disco preso ao passado? \u00c9. Nost\u00e1lgico? N\u00e3o. Ele recupera can\u00e7\u00f5es mais bacanas e lhes confere, mesmo \u00e0 datada e \u201cHeart Full Of Soul\u201d, uma roupagem atemporal (e n\u00e3o &#8220;moderna&#8221;). O Rush n\u00e3o \u00e9 moderno, nunca foi. Bem produzido, tecn\u00f3filo, a\u00ed talvez sim. Mas \u00e9 uma banda desvencilhada de conven\u00e7\u00f5es de tempo. Uma banda que consegue fazer um disc\u00e3o de rock em meros 27 minutos, lavado, direto e na cara. E divertid\u00edssimo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1x_bIL1TMdw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Na m\u00e1quina do tempo com o Rush, por Thiago Pereira e Terence Machado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/25\/na-maquina-do-tempo-com-o-rush\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Rush no\u00a0Madison Square Garden (2011): um show de profissionalismo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/11\/domingo-guggenheim-e-rush\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Cinco m\u00fasicas escolhidas a dedo para&#8230; entender o Rush (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/14\/para-entender-rush\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Rush n\u00e3o \u00e9 moderno, nunca foi. 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