{"id":43189,"date":"2017-06-14T10:25:49","date_gmt":"2017-06-14T13:25:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43189"},"modified":"2025-10-10T12:31:32","modified_gmt":"2025-10-10T15:31:32","slug":"para-entender-rush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/14\/para-entender-rush\/","title":{"rendered":"Para entender&#8230; Rush"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um tempo em que as polariza\u00e7\u00f5es que surgiam numa conversa n\u00e3o adivinham de posicionamentos datados e superficiais sobre posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mas sim de discuss\u00f5es sobre bandas as quais seria poss\u00edvel apenas amar ou odiar. Era um tempo mais divertido em que o atual, pelo menos nesse aspecto das opini\u00f5es extremadas, e nesse tempo nenhuma banda era mais evidente nas divis\u00f5es causadas que o Rush.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trio canadense, na ativa desde 1974, era visto pelos f\u00e3s como uma banda \u00fanica, capaz de combinar filosofia, ci\u00eancia, doutrinas orientais e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nas letras \u2013 embora falassem de outras coisas, principalmente de emo\u00e7\u00f5es e comportamentos cotidianos. Esses mesmos f\u00e3s tamb\u00e9m destacavam a habilidade singular de Alex Lifeson (guitarra), Geddy Lee (baixo e voz) e Neil Peart (bateria) em seus instrumentos, destacando sempre o homem das baquetas acima dos demais. Por outro lado, os detratores achavam tudo isso empola\u00e7\u00e3o e virtuosismo desnecess\u00e1rio, caracter\u00edsticas pioradas, segundo eles, pelo visual \u201crid\u00edculo\u201d da banda, que passou de exageros fantasiosos a cortes de cabelo e blazers pavorosos, at\u00e9 chegar ao b\u00e1sico jeans e camiseta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como toda polariza\u00e7\u00e3o, o caso do Rush n\u00e3o estava nem tanto ao C\u00e9u nem tanto a Terra. \u00c9 verdade que o trio \u00e9 bastante virtuoso em seus instrumentos, e que as letras \u2013 em sua enorme maioria de Neil Peart\u2013 s\u00e3o cheias de refer\u00eancias e constru\u00e7\u00f5es que podiam passar tanto por \u201cpo\u00e9ticas\u201d como \u201cpiegas\u201d, dependendo da can\u00e7\u00e3o e dos conceitos do ouvinte. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o visual, esse elemento cuja import\u00e2ncia tantos f\u00e3s insistem em negar quando se trata de m\u00fasica pop (e lembramos que o rock \u00e9 m\u00fasica pop), era dif\u00edcil de engolir \u2013 tanto que, no document\u00e1rio \u201cBeyond the Lighted Stage\u201d (2010), h\u00e1 um segmento inteiro de entrevistas dedicados a esse tema, no qual Geddy Lee reconhece que eles demoraram d\u00e9cadas at\u00e9 entender que poderiam simplesmente usar as roupas que eles usavam no dia a dia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/rush2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que no meio disso tudo h\u00e1 a m\u00fasica, e o Rush passou do hard rock influenciado por The Who e Blue Cheer dos primeiros \u00e1lbuns, (\u201cRush\u201d, de 1974, e \u201cFly By Night\u201d, de 1975) para can\u00e7\u00f5es complexas e intrincadas que renderam \u00e0 banda a pecha (restritiva) de \u201crock progressivo\u201d. Veio ent\u00e3o um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, mais pop, no come\u00e7o dos anos 1980, que trouxe o \u00e1lbum de maior sucesso comercial (\u201cMoving Pictures\u201d, de 1981) e alguns singles que se tornaram hits radiof\u00f4nicos, seguido por um per\u00edodo em que o som era assumidamente influenciado por bandas de tecnopop, mas dentro da estrutura de power trio de rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos ambos 90 \u2013 mais marcadamente, a partir do \u00e1lbum \u201cCounterparts\u201d (1993) \u2013 o Rush voltou a adotar um som mais pesado, sendo que os sintetizadores j\u00e1 haviam reduzido drasticamente seu protagonismo a partir de \u201cPresto\u201d (1989). Os lan\u00e7amentos tamb\u00e9m se tornaram mais espa\u00e7ados, e h\u00e1 dois anos a banda anunciou que n\u00e3o faria mais grandes turn\u00eas, devido \u00e0 tendinite cr\u00f4nica de Peart e a artrite psori\u00e1tica de Lifeson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil pin\u00e7ar cinco can\u00e7\u00f5es entre as compostas em mais de 40 anos de carreira para ilustrar as diversas facetas da banda (se voc\u00ea quiser se aprofundar, caro leitor, a colet\u00e2nea \u201cChronicles\u201d, dupla no CD, tripla no vinil e dispon\u00edvel com suas 28 faixas no Spotify, Deezer e quetais, ainda que lan\u00e7ada em 1990 \u2013 ou seja, com apenas 75% da hist\u00f3ria da banda \u2013 \u00e9 uma boa pedida). Aqueles f\u00e3s mais radicais (ainda existem) v\u00e3o debochar dizendo que a tarefa \u00e9 imposs\u00edvel, e os detratores empedernidos (ainda existem) dir\u00e3o que cinco m\u00fasicas do Rush \u00e9 tortura. Mas acho que estamos todos cansados de polariza\u00e7\u00f5es, e que vale refor\u00e7ar que este n\u00e3o \u00e9 um texto para quem acredita que a pr\u00f3pria opini\u00e3o \u00e9 superior a qualquer argumenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas um jeito modesto de reapresentar uma banda que \u00e9 grande em suas falhas e conquistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201c2112 \u2013 Overture\u201d<\/strong><br \/>\nA abertura do \u00e1lbum \u201c2112\u201d \u00e9 um marco \u2013 e o maior hit &#8211; da fase progressiva da banda. A su\u00edte completa dura 20 minutos, e trata de uma distopia gal\u00e1ctica inspirada pelo trabalho de Ayn Rand. Por seguran\u00e7a, fique s\u00f3 com a abertura.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rush - 2112: Overture (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4wqnRYYrx1I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLimelight\u201d<\/strong><br \/>\nSe \u00e9 preciso listar apenas um dos grandes hits comerciais da banda, que seja essa sincera e peculiar leitura do estrelato e da fama, segundo maior hit de \u201cMoving Pictures\u201d (o primeiro sendo \u201cTom Sawyer\u201d, claro). O senso pop de Lee e Lifeson brilha tanto quanto a letra de Peart..<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rush - Limelight\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZiRuj2_czzw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSubdivisions\u201d<\/strong><br \/>\nEmblem\u00e1tica da fase \u201csintetizada\u201d, tamb\u00e9m merece destaque por trazer uma letra sobre inadequa\u00e7\u00e3o social motivada por bullying e preconceitos, o que s\u00f3 aumentou a associa\u00e7\u00e3o (bem-vinda) do Rush com os nerds de outrora.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rush - Subdivisions\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EYYdQB0mkEU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThe Pass\u201d<\/strong><br \/>\nAinda \u201cPresto\u201d (1989) tenha apontado pela banda como o \u00fanico \u00e1lbum que eles regravariam, se pudessem faz\u00ea-lo, ele traz essa que \u00e9 considerada pelo trio como uma de suas melhores can\u00e7\u00f5es, e certamente uma das preferidas. O apelo emocional intenso da letra encontra tradu\u00e7\u00e3o no arranjo \u00e9pico, mas sem perder o elemento pop de vista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rush - The Pass (HQ)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1NwI2yMRUxU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cOne Little Victory\u201d<\/strong><br \/>\nFaixa de abertura de \u201cVapor Trails\u201d (2002), \u00e9 um bom exemplo do Rush mais pesado que vigoraria dos anos 1990 at\u00e9 hoje. O \u00e1lbum em quest\u00e3o foi o primeiro da banda desde 1975 a ser gravado sem qualquer presen\u00e7a de teclados, e foi relan\u00e7ado em 2013 em uma \u00f3tima vers\u00e3o remixada que apagava o efeito \u201cloudness war\u201d do lan\u00e7amento original.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"One Little Victory (2013 Remix)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o_dzB1EX_2I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Para entender:<\/strong><br \/>\n\u2013 Para Entender: Electric Six -&gt; &#8220;Uma banda de heavy disco satanista&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/14\/para-entender-electric-six\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Bufallo Tom -&gt; O legado do Buffalo Tom ainda mexe com muita gente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/20\/para-entender-buffalo-tom\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Butthole Surfers -&gt; uma hist\u00f3ria, ultrajante, err\u00e1tica e incorreta (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/25\/para-entender-butthole-surfers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: New Model Army -&gt; Extensa discografia que merece ser vasculhada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/24\/para-entender-new-model-army\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Los Fabulosos Cadillacs -&gt; Uma das maiores bandas da Am\u00e9rica Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/09\/para-entender-los-fabulosos-cadillacs\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: The My Morning Jacket -&gt; Excelentes \u00e1lbuns e shows delirantes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/02\/para-entender-my-morning-jacket\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: The Replacements -&gt; Em seu auge, a banda lan\u00e7ou discos perfeitos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/28\/para-entender-the-replacements\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Mano Negra -&gt; Uma das bandas mais influentes da Fran\u00e7a (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/01\/para-entender-mano-negra\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Black Crowes -&gt; Uma m\u00fasica bela, intensa e pouco acomodada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/16\/para-entender-black-crowes\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Na m\u00e1quina do tempo com o Rush, por Thiago Pereira e Terence Machado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/25\/na-maquina-do-tempo-com-o-rush\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Rush no\u00a0Madison Square Garden (2011): um show de profissionalismo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/11\/domingo-guggenheim-e-rush\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 &#8220;Feedback&#8221;, do Rush, \u00e9 um disc\u00e3o de rock em meros 27 minutos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/10\/04\/feedback-o-album-de-covers-do-rush\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dif\u00edcil pin\u00e7ar cinco can\u00e7\u00f5es entre as compostas em mais de 40 anos de carreira para ilustrar as diversas facetas da banda, mas a gente tenta!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/14\/para-entender-rush\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":43190,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[131,2043],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43189"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43189"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91791,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43189\/revisions\/91791"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}