{"id":43158,"date":"2017-06-10T12:49:48","date_gmt":"2017-06-10T15:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43158"},"modified":"2017-07-24T23:25:04","modified_gmt":"2017-07-25T02:25:04","slug":"entrevista-gustavo-telles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/10\/entrevista-gustavo-telles\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gustavo Telles"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo Telles n\u00e3o tem problema algum com identidade art\u00edstica: como artista solo ou como baterista da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/27\/entrevista-pata-de-elefante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pata de Elefante<\/a>, ele sabe que suas refer\u00eancias passam pelos nomes que, depois do boom dos anos 50, ajudaram a consolidar o rock como for\u00e7a cultural: The Band, Rolling Stones, Neil Young, esse pessoal \u2013 principalmente o per\u00edodo entre o fim dos anos 60 e o come\u00e7o dos 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como, ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel que sua m\u00fasica n\u00e3o soe datada? Dif\u00edcil explicar, mas passa pelo senso pop do rapaz, eternamente preocupado com melodias e com o formato can\u00e7\u00e3o \u2013 mesmo que a composi\u00e7\u00e3o seja instrumental. Esse era \u2013 e ainda \u00e9 \u2013 um dos principais diferenciais da Pata de Elefante: a capacidade de ter refr\u00e3os mesmo sendo instrumental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando entra letra na jogada, a coisa fica ainda mais evidente, como pode ser constatado nos dois \u00e1lbuns de est\u00fadio lan\u00e7ado sob o nome Gustavo Telles &amp; Os Escolhidos: \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/13\/gustavo-telles-joseph-tourton-maglore\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Do seu Amor, Primeiro \u00c9 Voc\u00ea quem Precisa<\/a>\u201d (2010) e \u201cEu Perdi o Medo de Errar\u201d (2013). Ou, se preferir uma s\u00edntese disso, o rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cAo Vivo no Theatro S\u00e3o Pedro\u201d, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gustavo.telles.5439\/posts\/618932861642201\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel apenas nas plataformas digitais<\/a>. \u00c9 imediatamente percept\u00edvel o quanto Telles ancora suas composi\u00e7\u00f5es no c\u00e2none do rock e do folk, caprichando nos arranjos que entrela\u00e7am viol\u00f5es, guitarras, teclados e piano como eixo principal da can\u00e7\u00e3o \u2013 quando n\u00e3o incluem tamb\u00e9m metais, percuss\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pluralidade se refletia na forma\u00e7\u00e3o flutuante d\u2019Os Escolhidos. Pela banda, j\u00e1 passaram seus companheiros (atuais e ex-integrantes) da Pata (Gabriel Guedes, Edu Meirelles, Julio Rizzo, Daniel Mossmann, Luciano Le\u00e3es \u2013 os dois \u00faltimos tamb\u00e9m dos Ac\u00fasticos e Valvulados), Marcio Petracco (TNT, Cowboys Espirituais), Tenente Cascavel e outras), Alexandre \u201cPapel\u201d Loureiro (P\u00fablica), Luciano Albo e muitos outros, tendo chegado ao inacredit\u00e1vel n\u00famero de 25 m\u00fasicos para um \u00fanico show!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preparando o terceiro disco de est\u00fadio ao mesmo tempo em que divulga o \u00e1lbum ao vivo, Telles bateu um papo com o Scream &amp; Yell para falar das cria\u00e7\u00f5es atuais, da volta consolidada da Pata de Elefante e da readequa\u00e7\u00e3o do formato pensado para Os Escolhidos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bJPkmjAb-4c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual o sentido de fazer um disco ao vivo, hoje? O que ele representa para voc\u00ea, depois de dois discos de material in\u00e9dito?<\/strong><br \/>\nO disco vale enquanto obra, \u00e9 algo que fica, que tem peso. Pelo menos, continuo vendo dessa forma (risos). Esse registro foi feito em novembro de 2013, durante o show de lan\u00e7amento do segundo \u00e1lbum, \u201cEu Perdi o Medo de Errar\u201d. Como a grava\u00e7\u00e3o ficou boa, decidi compilar 12 das 18 m\u00fasicas que foram executadas naquela noite no Theatro S\u00e3o Pedro, em Porto Alegre. Das 12 can\u00e7\u00f5es apresentadas, cinco s\u00e3o do primeiro \u00e1lbum e sete s\u00e3o do segundo. Ou seja, encaro esse registro como fechamento de um ciclo, como fechamento de um determinado per\u00edodo de viv\u00eancias e de um tipo de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea optou por n\u00e3o lan\u00e7ar o disco fisicamente. Eu sei que voc\u00ea \u00e9 um cara que aprecia o formato f\u00edsico, ent\u00e3o queria entender o que motivou deix\u00e1-lo de lado dessa vez.<\/strong><br \/>\nDe um modo geral, as pessoas n\u00e3o escutam mais CD. As plataformas digitais s\u00e3o muito utilizadas, por isso decidi disponibilizar o \u00e1lbum nas plataformas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Os Escolhidos&#8221; foi um nome bem adequado para a banda, que traz muitos m\u00fasicos emblem\u00e1ticos do rock ga\u00facho da sua gera\u00e7\u00e3o. Mas imagino que n\u00e3o deva ter sido nem f\u00e1cil, nem pr\u00e1tico nem barato colocar esse povo todo na estrada. Por isso, te pergunto como foi fazer uma turn\u00ea com esse pessoal todo?<\/strong><br \/>\nDe fato, trabalhar com muitos m\u00fasicos n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil (risos). Mas vale muito a pena pela quest\u00e3o musical e pela intera\u00e7\u00e3o. No primeiro disco, foram 12 m\u00fasicos no total. No segundo, foram 15. No show no Theatro S\u00e3o Pedro, em que gravamos esse terceiro registro, foram 16. E no Sal\u00e3o de Atos da UFRGS, onde apresentamos novamente na \u00edntegra o repert\u00f3rio de \u201cEu Perdi o Medo de Errar\u201d, em setembro de 2014, foram 25 m\u00fasicos! Foi a\u00ed que me dei conta que tinha passado dos limites (risos). A partir da\u00ed, passei a fazer shows de quinteto. E posteriormente, de quarteto. Mas fico feliz por ter conseguido reunir tantos amigos talentosos em momentos diferentes, e tamb\u00e9m por termos conseguido realizar discos e shows com tamanha entrega e qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 onde chegou a turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nOs shows aconteceram principalmente no Rio Grande do Sul, e alguns rolaram em S\u00e3o Paulo. Agora estou muito a fim de mostrar meu trabalho em todo o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea pretende fazer isso?<\/strong><br \/>\nExistem maneiras, mas n\u00e3o \u00e9 moleza, n\u00e3o. Seja por meios de leis de incentivo, seja por conta pr\u00f3pria, por meio de projetos&#8230; Quero come\u00e7ar a rodar novamente, gosto da estrada. S\u00f3 que pra circular, tem que ter demanda. Tem que se planejar e ir construindo devagar, com os p\u00e9s no ch\u00e3o. Vai, faz o show em uma ou duas cidades de cada Estado, cria condi\u00e7\u00f5es legais para voltar no ano seguinte&#8230; \u00c9 ir construindo, com os p\u00e9s no ch\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4Ru0sHqLHXs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vejo no teu som uma refer\u00eancia muito forte de The Band, tanto nos arranjos como nas melodias. Eles s\u00e3o teu principal referente musical?<\/strong><br \/>\nThe Band \u00e9 uma refer\u00eancia muito forte, e certamente muito influente na forma como componho e como penso a m\u00fasica. Mas no momento, tenho ouvido outras coisas e me vejo experimentando outras possibilidades. No segundo disco, j\u00e1 tem umas m\u00fasicas numa onda soul, ele tem uma curva apontando para isso. Eu gosto muito de m\u00fasica negra, Ray Charles \u00e9 meu maior \u00eddolo e norteia as coisas que fa\u00e7o na m\u00fasica. Pra esse trabalho, pensei muito nos Staple Singers, o velho Pops Staples&#8230; Sou muito f\u00e3 de m\u00fasica gospel, e embora eu n\u00e3o cante dessa maneira (risos), me influenciou muito tamb\u00e9m. O novo disco continua tendo rock, mas tem muito de soul. E de blues, por que n\u00e3o? A gente vem do blues. Mas tudo com esse lado soul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 falando j\u00e1 de um quarto disco, com poss\u00edvel lan\u00e7amento para segundo semestre desse ano. O que muda e o que permanece igual?<\/strong><br \/>\nEstou finalizando a master do quarto disco e vou lan\u00e7\u00e1-lo no segundo semestre, s\u00f3 ainda n\u00e3o defini a data. Este \u00e9 um disco mais soul, e que possui uma sonoridade bem mais crua. Gravamos de quarteto e quinteto, com guitarra, teclados, baixo bateria, vocais, e com percuss\u00e3o em algumas m\u00fasicas. Sem d\u00favida, as m\u00fasicas que integram esse \u00e1lbum poder\u00e3o ser executadas de forma mais fiel ao vivo, e a ideia foi essa exatamente essa desde o in\u00edcio. Outra coisa legal de se ressaltar \u00e9 que compusemos as can\u00e7\u00f5es no est\u00fadio, enquanto grav\u00e1vamos, e as compusemos juntos. O Daniel Mossmann, tamb\u00e9m integrante da Pata de Elefante, \u00e9 o guitarrista e produtor musical do disco. Eu, o Dani e o tecladista Murilo Moura mergulhamos nesse \u00e1lbum e vivenciamos intensamente todo o processo de grava\u00e7\u00e3o, juntamente com o Paulo Arcari, do Studio Rock, respons\u00e1vel pela grava\u00e7\u00e3o, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o. O Felipe Kautz, tamb\u00e9m integrante da Dingo Bells, quebrou tudo nas linhas de baixo e o Alexandre \u201cPapel\u201d Loureiro tocou v\u00e1rias baterias no disco, com a qualidade que lhe \u00e9 caracter\u00edstica. Tamb\u00e9m contamos com a participa\u00e7\u00e3o dos Dingo Bells e da Marina Garcia nos backing vocals de uma m\u00fasica e com o Vicente Guedes na percuss\u00e3o em uma outra can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras tamb\u00e9m v\u00e3o mudar?<\/strong><br \/>\nO primeiro \u00e9 um disco conceitual, de can\u00e7\u00f5es do amor. O segundo n\u00e3o fica s\u00f3 nisso. Esse agora tem uma que fala da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, tem cr\u00f4nicas da vida e do cotidiano, tem uma m\u00fasica que fala sobre um temporal que teve aqui em Porto Alegre em 29 de janeiro de 2016&#8230; E tem can\u00e7\u00f5es de amor, tamb\u00e9m! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Pata de Elefante parece estar de volta pra valer, a julgar pela agenda de show de voc\u00eas. Isso interfere de alguma maneira com o seu trabalho solo?<\/strong><br \/>\nEstamos tocando novamente com a Pata e tem sido muito legal. Tenho procurado me organizar para dar conta dos dois trabalhos. E n\u00e3o acho que um atrapalhe o outro. Pelo contr\u00e1rio, acho que um projeto impulsiona o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Rock ga\u00facho&#8221; \u00e9, para o bem e para o mal, um selo, uma identidade musical. Voc\u00ea, como representante de uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 acumula estrada, acha que o rock ga\u00facho ainda tem espa\u00e7o fora do Sul?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o vejo o rock ga\u00facho como um estilo ou corrente, mas sim como um r\u00f3tulo que abrange a todos que fazem m\u00fasica no estado ou que sa\u00edram daqui. E claro, vejo diversos artistas que iniciaram aqui e conseguem circular por diversos estados do Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1rp5dx_qPmo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_i6WeTdAiGs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de Rodrigo Marroni \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Preparando o terceiro disco de est\u00fadio ao mesmo tempo em que divulga o \u00e1lbum ao vivo, Telles bateu um papo com o Scream &#038; Yell para falar das cria\u00e7\u00f5es atuais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/10\/entrevista-gustavo-telles\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":43159,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1163,1882],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43158"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43161,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43158\/revisions\/43161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}