{"id":43144,"date":"2017-06-09T18:13:23","date_gmt":"2017-06-09T21:13:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43144"},"modified":"2017-08-11T11:30:50","modified_gmt":"2017-08-11T14:30:50","slug":"slowdive-o-shoegaze-chega-a-maturidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/09\/slowdive-o-shoegaze-chega-a-maturidade\/","title":{"rendered":"Slowdive: o shoegaze chega \u00e0 maturidade"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.damian.961\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Damian<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para uma banda retomar a carreira ap\u00f3s 22 anos de separa\u00e7\u00e3o. Mais dif\u00edcil ainda fazer um disco. E mais ainda fazer um disco bom \u2013 o Pixies \u00e9 o maior exemplo disso enquanto Swervedriver fez um disco OK na sua volta e o novo do Ride, pelas m\u00fasicas j\u00e1 ouvidas, estar\u00e1 longe de empolgar. O Slowdive, por\u00e9m, conseguiu. N\u00e3o s\u00f3 pelo grande talento dos envolvidos \u2013 Neil Halstead (vocal e guitarra), Rachel Goswell (vocais, guitarra, teclado e pandeiro), Nick Chaplin (baixo), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria) \u2013, mas tamb\u00e9m porque o Slowdive voltou como uma banda, unida, com maior participa\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos n\u00e3o-guitarristas e n\u00e3o t\u00e3o direcionada pelos instrumentos de seis cordas e seus m\u00faltiplos pedais, que basearam o som do grupo at\u00e9, pelo menos, o segundo disco, \u201cSouvlaki\u201d (1993). O terceiro, \u201cPygmalion\u201d, mais experimental, j\u00e1 contava com maior presen\u00e7a, pelo menos, do baterista Simon Scott.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em maio de 2017, 22 anos ap\u00f3s o \u00faltimo registro de est\u00fadio na d\u00e9cada de 90, \u201cSlowdive\u201d, o \u00e1lbum, \u00e9 o elo perdido entre \u201cSouvlaki\u201d e \u201cPygmalion\u201d, mas aponta para uma continuidade de carreira mais heterog\u00eanea, com foco maior na eletr\u00f4nica (a presen\u00e7a de um teclado nos shows, pilotado por Rachel, n\u00e3o \u00e9 ao acaso) e experimentalismo pop, e diminui\u00e7\u00e3o do noise que embasbaca os f\u00e3s de shoegaze. N\u00e3o \u00e9 uma coisa boa nem ruim. \u00c9 a escolha de uma banda madura, que nos faz esquecer que ficaram tanto tempo parados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/slowdive1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco, de oito m\u00fasicas na vers\u00e3o \u201cmundial\u201d e nove na vers\u00e3o japonesa, \u00e9 aberto e fechado com exemplos de experimentalismo pop mesclado com eletr\u00f4nica \u2013 respectivamente \u201cSlomo\u201d e \u201cFalling Ashes\u201d, e o mesmo vale para o b\u00f4nus track da edi\u00e7\u00e3o japonesa, \u201c30th June\u201d. A primeira faixa, \u201cSlomo\u201d, de quase sete minutos, tem vocais come\u00e7ando aos dois, ap\u00f3s uma bela introdu\u00e7\u00e3o de ambient pop, em que teclados, baixo, guitarra e baterias aparecem mixados no mesmo plano. Neil e Rachel aparecem com vocais alterados eletronicamente, e, mesmo sem o noise caracter\u00edstico, levam o ouvinte a uma deslumbrante viagem sonora. Um piano conduz a morna \u201cFalling Ashes\u201d, de 8 minutos, que tem vocais s\u00f3brios da dupla Neil\/Rachel, e refor\u00e7a o clima de experimenta\u00e7\u00e3o que permeia o disco. Assim como \u201c30th June\u201d, um exerc\u00edcio eletr\u00f4nico que n\u00e3o deve agradar os mais puristas do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recheio do \u00e1lbum traz mais tra\u00e7os do \u201cantigo\u201d Slowdive. A segunda m\u00fasica, \u201cStar Roving\u201d, tamb\u00e9m o primeiro single, \u00e9 disparada a mais alegre e agitada j\u00e1 gravada pela banda. T\u00e3o agitada que at\u00e9 lembra os \u00faltimos discos do Mojave 3, banda de alt-folk formada por Neil e Rachel, ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o do Slowdive, em 1995. \u201cDont\u2019 Know Why\u201d mant\u00e9m o clima agitado no come\u00e7o, com belo trabalho do batera Simon Scott e vocais et\u00e9reos da Rachel. Mas, antes do primeiro minuto, o clima abaixa e reminisc\u00eancias do primeiro disco, \u201cJust For a Day\u201d (1991), vem \u00e0 tona \u2013 embora sem o mesmo n\u00edvel de noise. A agita\u00e7\u00e3o do come\u00e7o volta no final.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ogCih4OavoY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSugar For the Pill\u201d, que vem na sequ\u00eancia, \u00e9 a mais melodiosa e pop de Slowdive. Tamb\u00e9m n\u00e3o lembra o come\u00e7o da banda e aponta para caminhos futuros menos ruidosos. Destaque aqui para o arquiteto sonoro Christian Saville, quase um operador de pedais na fase anterior e agora construindo timbres agudos, mas emotivos em sua guitarra. \u201cEveryone Knows\u201d j\u00e1 apresenta um pouco mais de noise, para agradar antigos f\u00e3s, enquanto \u201cNo Longer Making Time\u201d mostra toda a exuber\u00e2ncia do trabalho vocal da dupla Neil\/Rachel \u2013 este tamb\u00e9m um dos destaques de Slowdive. Uma certa dose de efeitos de guitarra no refr\u00e3o foram introduzidos para manter o interesse dos velhos f\u00e3s. E, finalmente, \u201cGo Get It\u201d traz um noise moderado, por\u00e9m o maior destaque tamb\u00e9m vai para o vocal de Neil, tanto o normal, quanto o alterado por efeitos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BxwAPBxc0lU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tem uma banda atual que conseguiu evoluir, apesar de duas d\u00e9cadas de separa\u00e7\u00e3o, e mostrar que ainda tem muito para criar no futuro \u00e9 o Slowdive. Puristas podem torcer o nariz, mas os f\u00e3s dos bons sons devem comemorar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/C1mT_zipAHY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Sjr6esFXJl4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. Na atual gera\u00e7\u00e3o do shoegaze, o 93MillionMilesFromtheSun \u00e9 um dos representantes mais significativos. Natural de Doncaster, Inglaterra, tem uma extensa discografia (<a href=\"https:\/\/93millionmilesfromthesunofficial.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispon\u00edvel no Bandcamp<\/a>). O nome da banda \u00e9 t\u00edtulo de uma m\u00fasica do Swervedriver e, at\u00e9 agora, a influ\u00eancia mais not\u00e1vel era Ride. Logo ap\u00f3s \u201cSlowdive\u201d (o disco) ser lan\u00e7ado, o 93MMFTS <a href=\"https:\/\/93millionmilesfromthesunofficial.bandcamp.com\/album\/slowdive-ep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">gravou um EP<\/a> com tr\u00eas m\u00fasicas da banda de Neil e Rachel, incluindo duas do disco novo (!). Quem imagina a agitada \u201cStar Roving\u201d tocada no estilo inicial do Slowdive, tem a sua curiosidade saciada neste EP: virou um shoegaze cl\u00e1ssico, com o t\u00edpico andamento arrastado e muitos efeitos de guitarra. \u201cFalling Ashes\u201d \u00e9 a outra m\u00fasica regravada. Segue a original, por\u00e9m, os vocais de Nick Noble s\u00e3o mixados atr\u00e1s dos outros instrumentos, parecendo mais \u201cshoegaze\u201d que a do Slowdive. O EP \u00e9 aberto, curiosamente, com a primeira m\u00fasica do Slowdive, que leva o nome da banda e \u00e9 quase id\u00eantica \u00e0 original. Os alunos aprenderam bem a li\u00e7\u00e3o dos mestres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/slowdive2.jpg\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para uma banda retomar a carreira ap\u00f3s 22 anos de separa\u00e7\u00e3o. Mais dif\u00edcil ainda fazer um disco. E mais ainda fazer um disco bom. 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