{"id":43128,"date":"2017-06-06T23:09:03","date_gmt":"2017-06-07T02:09:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43128"},"modified":"2017-07-21T10:52:37","modified_gmt":"2017-07-21T13:52:37","slug":"entrevista-combo-cordeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/06\/entrevista-combo-cordeiro\/","title":{"rendered":"Entrevista: Combo Cordeiro"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gil Luiz Mendes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um disco que demorou quatro dias para ser gravado e um ano para ser lan\u00e7ado une dois expoentes da m\u00fasica pop paraense atual: Felipe, o filho, e Manoel, o pai, se juntam no projeto Combo Cordeiro, que re\u00fane m\u00fasica eletr\u00f4nica, experimentalismos e a tradicional guitarra amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 dispon\u00edvel nas plataformas de streaming, \u201cCombo Cordeiro\u201d, o disco exibe 10 faixas instrumentais em que os m\u00fasicos abusam, no melhor sentido da palavra, do uso de sintetizadores e batidas eletr\u00f4nicas pr\u00e9-programadas, algo bem caracter\u00edstico do techno melody feito no Par\u00e1. Mas para cada beat existe uma paletada, o que traz o sentido org\u00e2nico do disco ser uma das coisas que chamam mais a aten\u00e7\u00e3o nas primeiras audi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCombo Cordeiro\u201d conta com a participa\u00e7\u00e3o dos percussionistas Thomas Harres e M\u00e1rcio Teixeira, do saxofonista Thiago Fran\u00e7a e dos guitarristas Kiko Dinucci e Fernando Catatau. Os tr\u00eas \u00faltimos na faixa \u201cA Ravanche dos Mesti\u00e7os\u201d, onde n\u00e3o se ouve nada que n\u00e3o seja um sax e quatro guitarras endiabradas, enaltecendo um estilo genuinamente brasileiro de se tocar do instrumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, Felipe e Manoel contam dos experimentalismos que fez surgir o projeto, que a princ\u00edpio n\u00e3o seria para apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo, falam sobre m\u00fasica instrumental e como eles acreditam que o p\u00fablico ir\u00e1 receber o Combo Cordeiro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TpWvZSLLXns?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia de fazer um disco apenas entre voc\u00eas e abrindo m\u00e3o de uma banda convencional?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; Surgiu naturalmente, da gente come\u00e7ar a produzir assim e at\u00e9 se apresentar nesse formato. Fizemos algumas temporadas na Casa de Francisca em SP nesse formato e quando percebemos t\u00ednhamos um projeto pra realizar. Na Casa de Francisca interagimos com convidados distintos: Ju\u00e7ara Mar\u00e7al, Maur\u00edcio Pereira, Kiko Dinucci, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m, Benjamin Taubkin, Kassin, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; Registramos no disco algo que come\u00e7amos a desenvolver em 2010, quando comecei a tocar guitarra no disco \u201cKitsch Pop Cult\u201d, do Felipe. Desde esse tempo estudamos e aprimoramos juntos t\u00e9cnicas, timbres, fizemos pesquisas e desenvolvemos uma maneira particular de tocar. Ent\u00e3o, o Combo Cordeiro surgiu naturalmente, dessas viv\u00eancias juntos, da estrada e a\u00ed resolvemos gravar. N\u00e3o foi nada planejado, foi se desenhando, acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A base de todo o disco \u00e9 techno melody de Bel\u00e9m, mas foge do padr\u00e3o por ser um \u00e1lbum instrumental. Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; \u00c9 um h\u00edbrido de eletr\u00f4nico com instrumental que tem a pretens\u00e3o de fugir do padr\u00e3o mesmo, j\u00e1 chamaram de &#8220;Future Brega&#8221;, gostei. N\u00e3o \u00e9 exatamente m\u00fasica eletr\u00f4nica, isso fica claro em algumas faixas bem ac\u00fasticas e ruidosas. Mas provavelmente ser\u00e1 recebido como eletr\u00f4nico, e isso \u00e9 legal. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 crua e direta, sem muita ornamenta\u00e7\u00e3o. Para cada provoca\u00e7\u00e3o de beat eletr\u00f4nico, uma resposta instrumental. Para cada inser\u00e7\u00e3o HI TECH, uma resposta HI TOUCH. Tudo \u00e9 cru e direto. A maioria das m\u00fasicas nasceu no est\u00fadio, isso porque j\u00e1 t\u00ednhamos um conceito pr\u00e9 estabelecido e um n\u00edvel de entrosamento que sab\u00edamos que ia dar certo. Gravamos tudo em 4 dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; O \u201clance\u201d \u00e9 tocar composi\u00e7\u00f5es nossas com uma linguagem que nos parece boa. M\u00fasica instrumental, acompanhamentos com timbres eletr\u00f4nicos. Ou simplesmente expressar todo o romantismos e Glamour da faixa \u201cPal\u00e1cios dos Bares\u201d, de Belem do Par\u00e1, em um solo de duas guitarras com efeitos \u201camestrados\u201d. rs<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco est\u00e1 sendo lan\u00e7ado um ano depois da sua grava\u00e7\u00e3o. Houve muito trabalho na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, tendo em vista o grande n\u00famero de efeitos existente, principalmente dos sintetizadores?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; Quase n\u00e3o houve p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, o disco \u00e9 sujo, ruidoso e radicalmente espont\u00e2neo, apesar de ter batidas programadas. Demorou sair por conta de agenda e comprometimento nosso com outros projetos. Mas t\u00e1 vindo em boa hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; N\u00e3o houve muito trabalho, p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o. Resolvemos privilegiar a emo\u00e7\u00e3o de fazer ao vivo. Est\u00e1 sendo lan\u00e7ado s\u00f3 agora por conta de muitas atividades envolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na \u00faltima faixa, \u201cA Revanche dos Mesti\u00e7os\u201d, que tem a participa\u00e7\u00e3o do Fernando Catatau e do Kiko Dinucci, n\u00e3o h\u00e1 outro instrumento que n\u00e3o seja a guitarra. Foi uma forma que voc\u00eas encontraram para celebrar a guitarra genuinamente brasileira?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; Na verdade tem ainda a participa\u00e7\u00e3o do Thiago Fran\u00e7a, ali\u00e1s, participa\u00e7\u00e3o fundamental. O Thiago com sua verve experimental e ruidosa somou muito nessa faixa, na verdade at\u00e9 resolveu a sonoridade, j\u00e1 que ficou com as frequ\u00eancias mais graves, equilibrando o ru\u00eddo extremo dos guitarristas. Mas o lance de ter Catatau e Dinucci tem a ver com celebrar uma linhagem de guitarra brasileira contempor\u00e2nea bem original. Pouco ou nada tem a ver com a tradi\u00e7\u00e3o do instrumento ligada ao blues, jazz e rock. O Kiko Dinucci chama pra isso de &#8220;sotaque el\u00e9trico&#8221;, acho que \u00e9 por a\u00ed mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; Emo\u00e7\u00e3o total. Cada qual comp\u00f4s a sua parte no est\u00fadio, um pouco antes da grava\u00e7\u00e3o. Foi \u201cpunk\u201d, sensacional! Contamos ainda com o genial Thiago Fran\u00e7a no sax tenor\/Bar\u00edtono. \u00c9 a m\u00fasica brasileira em sua plenitude e sem filtro. As guitarras brasileiras dialogando muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estive no show de lan\u00e7amento desse projeto durante a Virada Cultural, no Parque Ch\u00e1cara do Jockey, e apesar da empolga\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, muita gente n\u00e3o conseguiu entender bem a proposta. Voc\u00eas acham que esse trabalho \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil de compreender do que os discos feito por voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; Natural que algumas pessoas n\u00e3o estivessem por dentro, at\u00e9 porque tudo ali era novo. Mas fiquei com uma \u00f3tima impress\u00e3o da receptividade. Acho que \u00e9 uma m\u00fasica mais espec\u00edfica, tem a ver com o ambiente de pista eletr\u00f4nica, vai naturalmente encontrar esse destino. Mas n\u00e3o acho que seja mais dif\u00edcil de compreender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; Era nosso primeiro show oficial. Muita coisa nova pra gente, mais os teclados, sinc\u2019s. Mas, resumindo: nosso trabalho \u00e9 simples e uma proposta nova. Fiquei feliz com o retorno. Tive a sensa\u00e7\u00e3o de que foi muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grupos instrumentais como o Bixiga 70 e N\u00f4made Orquestra mostra que tem p\u00fablico para m\u00fasica instrumental no pa\u00eds. Voc\u00eas acreditam que isso \u00e9 uma tend\u00eancia atualmente?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; Acho que a tend\u00eancia \u00e9 n\u00e3o enxergar a m\u00fasica instrumental como algo t\u00e3o tradicional e engessado num formato. Ela cabe em v\u00e1rios ambientes e tende a ser mais experimental. Isso amplia seu alcance. Hoje, a m\u00fasica instrumental \u00e9 pura cultura pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; A m\u00fasica instrumental \u00e9 uma express\u00e3o art\u00edstica que existe h\u00e1 muito tempo. N\u00e3o \u00e9 novo e nem tend\u00eancia. \u00c9 m\u00fasica instrumental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas v\u00e3o trabalhar esse projeto? Tem agenda de shows e turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; No in\u00edcio n\u00e3o pens\u00e1vamos em fazer show, pois se trata de um projeto, digamos, paralelo. Mas j\u00e1 vimos que vamos fazer mais shows com ele, \u00e9 gostoso e divertido. J\u00e1 temos alguns shows em vista sim, vamos divulgar em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; Chamamos esse projeto de especial, paralelo. Pretendemos fazer alguns shows, mas o mais importante foi ter jogado esse disco no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que tem nesse disco que n\u00e3o tem em nenhum outro que voc\u00eas j\u00e1 fizeram?<\/strong><br \/>\nFelipe &#8211; Um mergulho na nossa verve mais experimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel &#8211; Experimentei a sensa\u00e7\u00e3o de ter feito algo novo. Somando o eletr\u00f4nico com org\u00e2nico (indiv\u00edduo), em alta octanagem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t0yCKJoP8Rg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em><span class=\"curator-description\">\u2013 Gil Luiz Mendes (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes<\/a>), jornalista, 32 anos, viveu boa parte da vida no Recife e hoje mistura a sua loucura com a de S\u00e3o Paulo. Tem passagens pelas r\u00e1dios Jornal do Commercio, CBN , Central3 e tem textos publicados no IG e na Carta Capital. \u00c9 skatista e m\u00fasico quando d\u00e1 tempo. A foto que abre o texto \u00e9 de Jos\u00e9 de Holanda \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um disco que demorou quatro dias para ser gravado e um ano para ser lan\u00e7ado une dois expoentes da m\u00fasica pop paraense atual: Felipe, o filho, e Manoel, o pai\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/06\/entrevista-combo-cordeiro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":40,"featured_media":43131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2016,915,2015],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43128"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/40"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43128"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43128\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43129,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43128\/revisions\/43129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}