{"id":43109,"date":"2017-06-04T22:16:19","date_gmt":"2017-06-05T01:16:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43109"},"modified":"2017-07-18T09:47:50","modified_gmt":"2017-07-18T12:47:50","slug":"entrevista-do-amor-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/04\/entrevista-do-amor-2017\/","title":{"rendered":"Entrevista: Do Amor (2017)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o come\u00e7o de sua carreira, em 2007, a banda carioca Do Amor chamaria aten\u00e7\u00e3o pela estranheza, pelo choque entre um senso pop e a anarquia r\u00edtmica e mel\u00f3dica. Seu segundo \u00e1lbum de est\u00fadio, \u201c<a href=\"https:\/\/doamor.bandcamp.com\/album\/piracema\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Piracema<\/a>\u201d (2013), acentuaria ainda mais esse car\u00e1ter, e faria do quarteto uma refer\u00eancia esquizoide obrigat\u00f3ria na m\u00fasica contempor\u00e2nea brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, estranha iniciar a audi\u00e7\u00e3o do terceiro e mais recente \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.com\/disco\/album&amp;album_number=6078709460\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fodido Demais<\/a>\u201d, lan\u00e7ado em abril de 2017, e se deparar com a concis\u00e3o da \u00e1gil \u201cPeixe Voador\u201d, a delicadeza psicod\u00e9lica de \u201cEletricidade\u201d e a melodia indie pop de \u201cO Aviso Diz\u201d. Teria o quarteto \u2013 formado por Gabriel \u201cBubu\u201d Mayall (guitarra e voz), Gustavo Benj\u00e3o (guitarra e voz), Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo) \u2013 \u201ccriado ju\u00edzo\u201d e aprendido a domar sua aparente loucurinha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o exatamente. Primeiro porque a tal anarquia n\u00e3o era t\u00e3o freestyle quanto podia supor o ouvinte, e sim parte do processo de investiga\u00e7\u00e3o sonora empregado na composi\u00e7\u00e3o da banda. Segundo porque \u201cFodido Demais\u201d \u00e9, como disse Benj\u00e3o ao Scream &amp; Yell, melhor \u201csintetizado\u201d: a pluralidade da banda est\u00e1 l\u00e1. Continuam capazes de combinar Syd Barrett com BRock, psicodelia norte-americana dos anos 80 com indie pop, partido alto. S\u00f3 passaram a faz\u00ea-lo de forma mais coesa, sem os exageros que ora dificultavam a audi\u00e7\u00e3o integral de \u201cPiracema\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 as disson\u00e2ncias de praxe, para o bem e para o mal. No primeiro caso, basta ver como distorcem uma melodia dos Originais do Samba (compare os refr\u00e3os de \u201cMinhas Vozes\u201d com o cl\u00e1ssico \u201cSe Gritar Pega Ladr\u00e3o\u201d) para fazer um \u201cpartido ao meio\u201d, sua pr\u00f3pria leitura do partido alto, ou o samba-can\u00e7\u00e3o-folk-rock que \u00e9 \u201cMetaleiro Vento\u201d. No segundo, tem \u201cFrevo da Raz\u00e3o\u201d, uma desanimada releitura do ritmo pernambucano, com uma participa\u00e7\u00e3o vocal de Arnaldo Antunes que s\u00f3 aumenta o desconforto da audi\u00e7\u00e3o, e a repetitiva (e sem gra\u00e7a) brincadeira fon\u00e9tica de \u201cMake Songs\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer forma, dois pontos baixos em um disco de dez can\u00e7\u00f5es (onze, se contarmos a faixa b\u00f4nus \u201cOne Plus One\u201d) j\u00e1 seria motivo de aplauso. Por\u00e9m, \u201cFodido Demais\u201d merece muito mais que aplauso educado. \u00c9 um disco ousado, atraente e diferente do que se tem feito por a\u00ed. \u00c9 um \u00e1lbum que promete crescer conforme o tempo passa, mas antes disso \u00e9 preciso olhar a g\u00eanese da crian\u00e7a, e por isso o Scream &amp; Yell realizou a entrevista a seguir com Gustavo Benj\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/315058877&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\" width=\"100%\" height=\"450\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todo mundo que fala sobre \u201cFodido Demais\u201d \u2013 inclusive voc\u00eas \u2013 aponta o fato de ele estar menos &#8220;viagem&#8221;. Pra mim, soa como um disco mais pop, dentro da estranheza da banda. O que os levou a &#8220;descomplicar&#8221; o que se ouvia antes?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se descomplicar seria o termo&#8230; Talvez \u201csintetizar\u201d caiba melhor. Nesse disco, resolvemos ser mais concisos e fazer um disco que, de certa forma, se op\u00f5e ao o que foi o \u201cPiracema\u201d, sem necessariamente jogar abaixo o que constru\u00edmos como banda no processo do disco anterior. \u201cPiracema\u201d foi um disco fundamental pra gente artisticamente, mas achamos que \u201cFodido Demais\u201d deveria ser um disco mais direto e conciso, menos contemplativo e mais \u201ccomplementativo\u201d (sic) no que diz respeito a como vemos o mundo e a vida. A vida de certa forma \u00e9 um tiro curto, e a modernidade feroz \u00e0s vezes pede que sejamos mais diretos e contundentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que voc\u00eas j\u00e1 tenham respondido isso bastante, mas \u201cFodido Demais\u201d \u00e9 no bom ou no mau sentido? (risos) A que(m) o &#8220;fodido&#8221; se refere?<\/strong><br \/>\nDepende de onde voc\u00ea est\u00e1, onde voc\u00ea nasceu&#8230; o que o mundo te diz? O \u201cfodido\u201d se refere a n\u00f3s mesmos e esse mundo a nossa volta. Ele pode ser maravilhosamente fodido de bom em alguns momentos, como poder estar em cima do palco fazendo o que se gosta, mas se voc\u00ea para pra pensar a cultura t\u00e1 fodida demais&#8230; Pensa que um monte de gente n\u00e3o tem acesso a cultura, lazer, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e etc nesse mundo, existem milhares de refugiados, t\u00e1 rolando uma explos\u00e3o de viol\u00eancia, o crescimento da direita reacion\u00e1ria&#8230; voc\u00ea acha que \u00e9 fodido de bom, ou na verdade estamos fodidos demais? Essa ambiguidade da express\u00e3o, quando dita de forma solta, \u00e9 algo que consideramos muito representativa da condi\u00e7\u00e3o humana. Mesmo na barb\u00e1rie completa, teremos a capacidade de fazer arte em cima disso, e talvez isso seja o \u00faltimo resqu\u00edcio de humanidade que vamos ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea e Callado fizeram \u00e1lbuns solos (&#8220;<a href=\"https:\/\/gustavobenjao.bandcamp.com\/releases\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hardcore Neg\u00f4<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"https:\/\/marcelocallado.bandcamp.com\/album\/meu-trabalho-han-sollo-vol-ii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Meu Trabalho Han Sollo Vol. II<\/a>&#8220;, respectivamente), bastante diferentes do que \u00e9 a pegada do Do Amor. De alguma maneira, o feitio desses discos influenciou na realiza\u00e7\u00e3o de \u201cFodido Demais\u201d?<\/strong><br \/>\nTalvez tenhamos ganhado alguma experi\u00eancia na realiza\u00e7\u00e3o dos nossos discos solos, que Ricardo tamb\u00e9m fez, se me permite a errata (&#8220;<a href=\"https:\/\/ricardodiasgomes.bandcamp.com\/releases\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">-11<\/a>&#8220;). Acho que aprendemos de v\u00e1rias formas na nossa carreira, e essa [os \u00e1lbuns solos] foi mais uma. Pra banda, talvez o processo do \u201cPiracema\u201d tenha sido mais importante do que nossos discos individuais, por exemplo. Mas alguma coisa sempre aprendemos. Talvez tenha sido trabalhar melhor o conceito do disco, j\u00e1 que em nossos trabalhos tivemos que conceituar sozinhos, o que \u00e9 um puta desafio pra qualquer artista. Trabalhar sozinho \u00e9 intensidade o tempo inteiro. Na banda, existe um equil\u00edbrio da energia que \u00e9 pensada e criada, e o exerc\u00edcio \u00e9 justamente controlar a intensidade das suas ideias pra gerar harmonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das coisas que mais surpreende no disco s\u00e3o os timbres. Assim, gostaria de perguntar sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o: para a maioria das bandas, o arranjo \u00e9 a \u00faltima coisa a ser definida. Mas a timbragem de voc\u00eas \u00e9 t\u00e3o peculiar que parece nascer junto com a can\u00e7\u00e3o. Confere ou nem?<\/strong><br \/>\nConfere! Sempre acabamos pensando nos timbres quando vamos levantando as ideias. Pra fazerem sentido, nossas ideias musicais geralmente j\u00e1 v\u00eam com penduricalhos conceituais que podemos ou n\u00e3o aproveitar. No geral, gosto de pensar que a primeira ideia \u00e9 o ponto de partida. N\u00e3o obrigatoriamente, mas instintivamente, \u00e9 em cima dessa ideia que podemos trabalhar os timbres com calma. Se funciona musicalmente, voc\u00ea acaba desenvolvendo o timbre por causa da funcionalidade da ideia no arranjo geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A Lince&#8221; \u00e9 uma das minhas preferidas no disco, e tanto ela como &#8220;Make Songs&#8221; j\u00e1 estavam no EP \u201c<a href=\"https:\/\/doamor.bandcamp.com\/album\/aperitivo-for-destruction-ep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Aperitivo for Destruction<\/a>\u201d. Por que voc\u00eas decidiram inclui-las tamb\u00e9m no \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nPorque n\u00e3o havia porque n\u00e3o inclu\u00ed-las. Quanto soltamos o EP, t\u00ednhamos uma negocia\u00e7\u00e3o pra lan\u00e7ar o disco primeiramente em Portugal, mas essa ideia n\u00e3o foi pra frente. O EP serviu pra tocarmos por l\u00e1 com material novo e etc. Colocar as m\u00fasicas do EP no disco j\u00e1 era a ideia desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os discos anteriores da banda est\u00e3o dispon\u00edveis para download gratuito. Por que optaram por n\u00e3o fazer o mesmo com esse?<\/strong><br \/>\nSe as pessoas ainda podem e querem consumir m\u00fasica, por que n\u00e3o vend\u00ea-la? A quest\u00e3o \u00e9 o que vale a pena: podemos n\u00e3o colocar nas plataformas [online], pois talvez a arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja representativa, ou vamos disponibilizar logo? Decidimos optar pelo download pago pra ver se vale a pena ou n\u00e3o. Mas a ideia \u00e9 soltar em breve pra download gratuito em algum lugar e fazer disso uma a\u00e7\u00e3o promocional do trabalho, como sempre fizemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/doamor1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. As duas fotos do texto s\u00e3o de Alisson Louback \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Entrevista (2011): Do Amor -&gt; \u201cPoderemos seguir um caminho mais experimental\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/12\/do-amor-em-lisboa-encantamento\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Em 2010: Do Amor faz piada, homenageia, diverte. Por\u00e9m, parece ter perdido o timing. Ser\u00e1? (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/17\/musica-do-amor-do-amor\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cPiracema\u201d ainda n\u00e3o \u00e9 a obra-prima que o Do Amor idealizou, mas refor\u00e7a compet\u00eancia (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/22\/do-amor-jennifer-souza-a-banda-mais\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nesse disco, resolvemos ser mais concisos e fazer um disco que, de certa forma, se op\u00f5e ao o que foi o \u201cPiracema\u201d, explica Gustavo Benj\u00e3o ao Scream &#038; Yell\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/04\/entrevista-do-amor-2017\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":43110,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[270],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43109"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43109"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43116,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43109\/revisions\/43116"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}