{"id":43048,"date":"2017-05-28T22:36:40","date_gmt":"2017-05-29T01:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43048"},"modified":"2017-07-07T11:02:48","modified_gmt":"2017-07-07T14:02:48","slug":"entrevista-cpm22-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/28\/entrevista-cpm22-2017\/","title":{"rendered":"Entrevista: CPM22 (2017)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Marcos Paulino<\/strong><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua edi\u00e7\u00e3o de 2015, o Rock in Rio reuniu, em 24 de setembro, atra\u00e7\u00f5es como System of a Down, Lamb of God e Queens of the Stone Age. Por\u00e9m, antes dos astros internacionais, quem subiu ao palco principal foi uma banda que havia sido formada 20 anos antes, em Barueri, e que passeia entre o punk rock e o hardcore. Naquela noite, essa banda realizava um grande sonho. \u201cFicamos honrados de tocar ali\u201d, conta Badau\u00ed, vocalista do CPM22 e \u00fanico integrante que est\u00e1 no quinteto desde o in\u00edcio, sem qualquer hiato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show no Rio deu origem ao terceiro disco ao vivo dos paulistas, que j\u00e1 haviam gravado outros seis \u00e1lbuns de est\u00fadio. A participa\u00e7\u00e3o no Rock in Rio, inclusive, atrasou o s\u00e9timo \u00e1lbum de in\u00e9ditas, \u201cSuor e Sacrif\u00edcio\u201d, que acaba de ser lan\u00e7ado pela Universal, marcando o retorno do CPM22 a uma gravadora \u2013 eles come\u00e7aram independentes e j\u00e1 haviam sido do cast da Arsenal Music, de Rick Bonadio, at\u00e9 2009, quando romperam com o selo (que seria comprado pela Universal em 2012) e lan\u00e7aram o \u00e1lbum \u201cDepois de um Longo Inverno\u201d (2010) novamente independentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cSuor e Sacrif\u00edcio\u201d, Badau\u00ed, Luciano Garcia (guitarra), Fernando Sanches (baixo), Phil Fargnoli (guitarra) e Japinha (bateria) apresentam um disco muito bom, que deve permitir que o quinteto continue transitando para al\u00e9m das fronteiras do rock pesado. Nesta entrevista, Badau\u00ed faz um balan\u00e7o dessa trajet\u00f3ria e festeja o momento atual do CPM22: \u201cConseguimos passar por esse maremoto de mudan\u00e7a de comportamento de quem ouve rock e da m\u00eddia em geral. Agora, que estamos na maior gravadora do mundo, a tend\u00eancia \u00e9 que as coisas melhorem\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/es68nriwlqg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O CPM22 est\u00e1 completando 22 anos de carreira, marca bastante expressiva pra uma banda de hardcore. A que voc\u00ea atribui essa longevidade?<\/strong><br \/>\nQuando surgimos, pegamos uma fase em que as bandas de rock eram muito divulgadas na TV e nas r\u00e1dios, acho que a cabe\u00e7a era mais aberta. Participamos de muitos programas grandes na televis\u00e3o, a MTV era muito forte. Conseguimos formar um p\u00fablico muito grande e fiel, muito pr\u00f3ximo da banda. Demos sequ\u00eancia, apesar das mudan\u00e7as do pa\u00eds, da cena, sendo fiel \u00e0s origens, \u00e0 nossa identidade, sem nunca mudar o estilo. Por isso ainda temos esse p\u00fablico e boa parte dele vem se renovando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda j\u00e1 oscilou entre fases independentes e outras sob contrato com uma gravadora. Ser independente n\u00e3o compensa?<\/strong><br \/>\nQuando voc\u00ea j\u00e1 tem um p\u00fablico grande ao seu lado, voltar a ser independente \u00e9 mais f\u00e1cil. Mas faz com que a gente tenha que se desdobrar, montar uma equipe pra suprir todo aquele trabalho que a gravadora faz, principalmente a divulga\u00e7\u00e3o. Isso tem um custo e voc\u00ea tem que fazer coisas que saem do lado art\u00edstico. Conseguimos passar por esse maremoto de mudan\u00e7a de comportamento de quem ouve rock e da m\u00eddia em geral, que n\u00e3o d\u00e1 mais tanto espa\u00e7o. Agora, que estamos na maior gravadora do mundo, a tend\u00eancia \u00e9 que as coisas melhorem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 tiveram m\u00fasica em trilha de novela (\u201cAtordoado\u201d, em \u201cDa Cor do Pecado\u201d, da TV Globo), tocaram em v\u00e1rios pa\u00edses e ainda t\u00eam espa\u00e7o em programas menos \u00f3bvios pro som do CPM22, como o \u201cEncontro com F\u00e1tima Bernardes\u201d. A gravadora \u00e9 fundamental pra abrir essas portas?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. Se a gravadora respeita a integridade da banda, \u00e9 important\u00edssimo contar com ela. O poder de barganha \u00e9 muito maior, elas t\u00eam um cast de artistas inclusive internacionais que atrai o interesse da televis\u00e3o. Ent\u00e3o fica mais f\u00e1cil de colocar o CPM na TV e nas r\u00e1dios. Como independente, \u00e9 mais complicada a negocia\u00e7\u00e3o, mas mesmo assim fizemos um bom trabalho. Nosso estafe fez um esfor\u00e7o grande pra continuarmos aparecendo como sempre foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pro Lucas Silveira, da Fresno, que como voc\u00eas experimentou os dois lados, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/12\/entrevista-fresno-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a gravadora traz muitas vantagens, mas ser independente d\u00e1 muito mais liberdade pra criar<\/a>. Mesmo numa grande gravadora, voc\u00eas se sentem livres?<\/strong><br \/>\nHoje em dia, sim. No novo disco, a gente teve total liberdade, assim como nos outros. Era mais complicado trabalhar na \u00e9poca do Rick (Bonadio, que foi diretor art\u00edstico da Arsenal), porque ele tem uma personalidade muito forte. O disco novo a gente fez com o Paul Ralphes, que \u00e9 da Universal, conhece bem a banda e respeitou muito o que quisemos fazer. Ele trouxe boas ideias na constru\u00e7\u00e3o do disco, mas nada que interferisse no sentimento das composi\u00e7\u00f5es. Fomos livres pra trabalhar e produzimos o disco como quisemos, mas sempre abertos pra ouvir novas ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 dif\u00edcil no Brasil uma banda de rock mais pesado conseguir espa\u00e7o fora desse segmento espec\u00edfico, e o CPM \u00e9 uma das exce\u00e7\u00f5es. A que voc\u00ea atribui isso?<\/strong><br \/>\nAcho que porque nossas m\u00fasicas t\u00eam muita melodia. S\u00e3o m\u00fasicas r\u00e1pidas, com atitude, postura e conte\u00fado, mas mel\u00f3dicas, al\u00e9m de cotidianas. Falamos sobre coisas pelas quais qualquer um passa. Mas \u00e9 dif\u00edcil explicar, porque h\u00e1 bandas com sonoridade pra isso, mas n\u00e3o conseguem. A gente vem de uma \u00e9poca em que bandas com um som mais pesado, como Charlie Brown Jr. e Raimundos, tinham postura, mas eram mainstream. Aproveitamos ao longo dos anos o que constru\u00edmos l\u00e1 no come\u00e7o, quando t\u00ednhamos muito espa\u00e7o na TV e no r\u00e1dio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TqOMV6NsqrI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSuor e Sacrif\u00edcio\u201d vem depois de uma das experi\u00eancias mais marcantes do CPM, que foi tocar no Rock in Rio 2015, abrindo pra grandes bandas. O show inclusive deu origem a um \u00e1lbum ao vivo. Gravar o novo disco depois de viver algo t\u00e3o importante trouxe alguma press\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFomos pressionados por n\u00f3s mesmos, porque fazia um tempo que n\u00e3o lan\u00e7\u00e1vamos um disco de in\u00e9ditas. Tocar no Palco Mundo, no mesmo dia de bandas de peso, traz um know-how muito grande. \u00c9 um palco muito seletivo e ficamos honrados de tocar ali. Esse disco ao vivo inclusive deu uma atrasada no \u201cSuor e Sacrif\u00edcio\u201d, que est\u00e1vamos compondo. J\u00e1 est\u00e1vamos bem confiantes pra fazer o disco por conta do clima que est\u00e1 a banda, da forma\u00e7\u00e3o atual, por estarmos na Universal. Tocar no Rock in Rio deu ainda mais seguran\u00e7a. O disco reflete a fase que estamos vivendo, mais velhos, com uma nova forma de pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesta fase mais madura, quais foram as influ\u00eancias da banda pra fazer \u201cSuor e Sacrif\u00edcio\u201d?<\/strong><br \/>\nContinuamos bebendo das mesmas fontes. Conseguimos nos expressar bem, fomos fieis ao que ouvimos, o punk rock californiano, toda aquela cena dos anos 90 e 2000. Conseguimos soar mais como uma banda gringa. Mas somos uma banda brasileira, e n\u00e3o tem como n\u00e3o colocar isso nas composi\u00e7\u00f5es. S\u00f3 o fato de cantar em portugu\u00eas j\u00e1 remete ao Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na faixa que tem a participa\u00e7\u00e3o do Trever Keith, do Face To Face, \u201cNever Going To Be the Same\u201d, voc\u00eas cantam em ingl\u00eas. N\u00e3o pintou uma vontade de fazer um disco s\u00f3 em ingl\u00eas?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 pensei nisso. Falo ingl\u00eas, mas n\u00e3o domino a l\u00edngua, e pra compor o buraco \u00e9 mais embaixo. Mas poderia ser um EP com cinco m\u00fasicas em ingl\u00eas, vers\u00f5es de faixas que j\u00e1 gravamos. Isso passa pela nossa cabe\u00e7a, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a participa\u00e7\u00e3o do Trever?<\/strong><br \/>\nFoi uma honra. O Face To Face \u00e9 uma das bandas que mais influenciaram a gente, pela sonoridade e pela postura. Demais ele ter participado e ainda mais ter escrito a letra. Isso mostra que hoje ele sabe o que \u00e9 o CPM e nos respeita. Tenho uma tatuagem da banda dos caras e ele nos trata de igual pra igual. Isso nos enche de orgulho, \u00e9 uma grande conquista n\u00e3o s\u00f3 pro CPM, porque abre caminho pra outras bandas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vai ter uma turn\u00ea espec\u00edfica do novo disco?<\/strong><br \/>\nNosso show vai mudando aos poucos. Por exemplo, j\u00e1 inclu\u00edmos cinco m\u00fasicas do disco novo que foram lan\u00e7adas antes. O show \u00e9 uma confraterniza\u00e7\u00e3o, tem que tocar m\u00fasicas de todos os discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesses 22 anos, s\u00e3o sete discos de est\u00fadio, tr\u00eas ao vivo, cinco DVDs, shows em v\u00e1rios pa\u00edses, programas de r\u00e1dio e TV. Quando a banda come\u00e7ou, em Barueri, voc\u00ea imaginava que passaria por tudo isso?<\/strong><br \/>\nQuando voc\u00ea \u00e9 jovem, sonha. Desde o come\u00e7o, trabalhamos pra vencer. Mas tocar esse tipo de m\u00fasica no Brasil \u00e9 muito dif\u00edcil. Tenho 41 anos, vivo de uma banda de punk rock, fazemos shows super cheios aonde vamos, ent\u00e3o sou realizado. Agrade\u00e7o todo dia pela oportunidade que a gente teve de viver de algo alternativo, por poder me expressar da maneira que eu quero. Batalhamos demais e continuamos trabalhando muito pra que esse legado continue forte. N\u00e3o \u00e9 um mar de rosas, passamos por muitas coisas, mas com certeza me sinto realizado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s1H-xcmNgPQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Paulino<\/a> \u00e9 editor do caderno Plug (<a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.mundoplug.com)<\/a>, da Gazeta de Limeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; CPM22 (2013): &#8220;Somos uma banda de punk rock. A identidade e a postura continuam no sangue&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/20\/entrevista-o-lado-acustico-do-cpm-22\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;No novo disco, a gente teve total liberdade, assim como nos outros. 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