{"id":43023,"date":"2017-05-25T11:08:25","date_gmt":"2017-05-25T14:08:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43023"},"modified":"2017-07-07T11:03:23","modified_gmt":"2017-07-07T14:03:23","slug":"balanco-festival-fim-do-mundo-2017-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/25\/balanco-festival-fim-do-mundo-2017-bh\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: Festival Fim do Mundo 2017, BH"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto e fotos por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que rap e o punk tenham tido origens e dissemina\u00e7\u00e3o quase na mesma \u00e9poca nos anos 70, ambos n\u00e3o estabeleceram, inicialmente, um di\u00e1logo imediato j\u00e1 que o p\u00fablico de cada estilo na \u00e9poca diferia. Por\u00e9m, se h\u00e1 um elemento comum entre estes g\u00eaneros distintos \u00e9 o fato de que ambos trouxeram em suas letras o discurso subversivo das ruas que afrontavam governos opressores, questionavam o capitalismo entre tantas outras tem\u00e1ticas sociais, que se tornariam parte essencial de ambos os g\u00eaneros e seriam capazes de mudar realidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fimdomundo1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esperada uni\u00e3o s\u00f3 aconteceria anos mais tarde quando ent\u00e3o os Beastie Boys, inicialmente um grupo hardcore punk, iria agregar elementos do rap a sua sonoridade e estabeleceria o casamento. De l\u00e1 para c\u00e1, punk e rap sofreram dr\u00e1sticas modifica\u00e7\u00f5es. Como Phillip Long disse <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/29\/tres-perguntas-phillip-long\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em entrevista ao pr\u00f3prio Scream &amp; Yell<\/a>, a m\u00fasica de um modo geral tem se tornado irrelevante j\u00e1 que n\u00e3o quer falar sobre a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, perdeu o interesse de discutir a pr\u00f3pria realidade tornando-se decorativa e vazia. Entretanto h\u00e1, ainda, no underground brasileiro artistas que buscam a milit\u00e2ncia atrav\u00e9s da arte. E v\u00e1rios exemplos marcaram presen\u00e7a no line up do Festival do Fim do Mundo, em Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fimdomundo4.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realizado no \u00faltimo dia 20 de maio na F\u00e1brica, um novo espa\u00e7o para a m\u00fasica independente mineira, o festival uniu grafiteiros, artistas pl\u00e1sticos, fot\u00f3grafos e 12 atra\u00e7\u00f5es musicais em sua primeira edi\u00e7\u00e3o, que de maneira geral representaram boa parte que do que melhor tem se produzido, quando o assunto \u00e9 rap e punk, nos dias atuais nas Gerais, contando tamb\u00e9m com alguns convidados especiais de outros estados. Com dura\u00e7\u00e3o de 12 horas, o Festival do Fim do Mundo teve como destaque a segunda leva de atra\u00e7\u00f5es que come\u00e7ou com o mascarado trio Dops, que trouxe ao evento um punk rock visceral de can\u00e7\u00f5es velozes, furiosas e diretas. Ao final, covers de Olho Seco (o hino \u201cIsto \u00e9 Olho Seco\u201d) e do C\u00f3lera encerram a apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/deadpixels.jpg\" \/>O quinteto Filhos de Sandra mostrou uma sonoridade equilibrada entre rap, jazz, rock e m\u00fasica brasileira. Liderada pelo carism\u00e1tico MC Oreia, a banda fez da apresenta\u00e7\u00e3o um teste para seu diversificado repert\u00f3rio, como comprovam as faixas \u201cZandra\u201d e \u201cConsome\u201d, que devem render um disco cheio em breve. Liderados pelo guitarrista Claud\u00e3o Pilha, ic\u00f4nica figura do underground belo-horizontino, o The Dead Pixels mostrou seu garage punk numa apresenta\u00e7\u00e3o ensurdecedora que foi composta por can\u00e7\u00f5es presentes no EP de estreia lan\u00e7ado em 2014 al\u00e9m outras novidades cuja sonoridade oscila entre The Cramps e Black Flag.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fimdomundo2.jpg\" \/>O rapper Vini\u00e7\u00e3o, revela\u00e7\u00e3o que gradualmente vem conquistando espa\u00e7o no cen\u00e1rio nacional, baseou a sua apresenta\u00e7\u00e3o no seu \u00f3timo EP de estreia, \u201cEssa \u00e9 a Fita Mesmo\u201d (2015), comprovando que o barulho provocado nas in\u00fameras batalhas de MCs vencidas em BH fazem todo o sentido. As Mercen\u00e1rias, ic\u00f4nico grupo punk feminino paulista dos anos 80, vieram em seguida mostrando can\u00e7\u00f5es dos cl\u00e1ssicos \u00e1lbuns \u201cCad\u00ea as Armas?\u201d (1986) e \u201cTrashland\u201d (1987). Com apenas tem Sandra Coutinho da forma\u00e7\u00e3o original, o trio \u2013 acrescido da guitarrista Mari Crestani e da baterista Michelle Abu \u2013 mant\u00e9m a energia bruta do repert\u00f3rio original e fizeram a melhor apresenta\u00e7\u00e3o da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mercenarias.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O BCC Crew, duo de MCs formado por Barbara Sweet e Sarah Guedes, trouxe can\u00e7\u00f5es embaladas pelos beats do rap e do funk que versam sobre o feminismo, esbanjando sensualidade em sua performance. O celebrado DV Tribo foi a pen\u00faltima atra\u00e7\u00e3o da noite. Formado pelos MCs Oreia (Filhos de Sandra), Clara Lima, Hot e Djonga, o coletivo come\u00e7ou a escrever a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria na cena local belorizontina desde 2015. De maneira explosiva, o grupo no palco se entrega por completo resultando numa performance eletrizante e condizente ao repert\u00f3rio, como \u00e9 percept\u00edvel no single \u201cGera\u00e7\u00e3o elevada\u201d, que aos poucos \u00e9 divulgado em redes como o Spotify. Olho neles!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/bbccrew.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob a alcunha O Sat\u00e2nico Dr. Mao e os Espi\u00f5es Secretos, os ex-Garotos Podres Mao (vocal) e Cac\u00e1 Saffiotti (guitarra), acompanhados de Uel (baixo) e Shu (bateria), fecharam a noite. Em apresenta\u00e7\u00e3o correta e sem rodeios, Mao e seus comparsas mesclaram can\u00e7\u00f5es de todas as fases dos Garotos Podres. Hinos como \u201cPapai Noel Velho Batuta\u201d, \u201cNasci Para Ser Selvagem\u201d e \u201cVou Fazer Coc\u00f4\u201d foram cantadas a plenos pulm\u00f5es pelo pequeno, mas devoto p\u00fablico presente. Se o mainstream opta por, de modo geral, ignorar a realidade apostando numa linha hedonista e festiva, \u00e9 louv\u00e1vel saber que a milit\u00e2ncia atrav\u00e9s da arte segue de vento em popa no underground, que ainda tem fome de dizer algo relevante e instigante para o p\u00fablico. E quem bom que existem iniciativas como a deste Festival do Fim do Mundo, que se preocupam a dor voz aos famintos. Que assim sempre o seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-43024\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/garotos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/garotos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/garotos-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pigner<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Primeira edi\u00e7\u00e3o do festival abre espa\u00e7o para a milit\u00e2ncia atrav\u00e9s da arte underground e re\u00fane artistas de rap e hardcore na capital mineira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/25\/balanco-festival-fim-do-mundo-2017-bh\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":43025,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1988,1984,1990,1982,1985,1986,975,1989,1983,1991,1987],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43023"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43023"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43028,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43023\/revisions\/43028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}