{"id":43004,"date":"2017-05-23T17:20:40","date_gmt":"2017-05-23T20:20:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=43004"},"modified":"2017-07-19T10:53:06","modified_gmt":"2017-07-19T13:53:06","slug":"harry-styles-e-a-adolescencia-da-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/23\/harry-styles-e-a-adolescencia-da-musica\/","title":{"rendered":"Harry Styles e a adolesc\u00eancia da m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ana Clara Matta<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo jovem cr\u00edtico promete para si que nunca come\u00e7ar\u00e1 um texto com \u201cUm estudo recente\u2026\u201d, mas o tempo passa, envelhecemos e quebramos nossas promessas. Sabia o que acontece tamb\u00e9m qAuando envelhecemos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.mtv.com.br\/noticias\/4bd10y\/coluna-marcelo-costa-depois-dos-33-anos-so-musica-antiga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Um estudo recente<\/a> de um consultor profissional do Spotify, publicado no blog Skynet &amp; Ebert, afirma que a partir dos 33 anos o consumidor padr\u00e3o de m\u00fasica quase p\u00e1ra de consumir novos artistas. O estudo utiliza dados do aplicativo, que possui acesso a correla\u00e7\u00f5es complexas de idade, perfil e audi\u00e7\u00f5es de diferentes faixas, e a conclus\u00e3o da an\u00e1lise desses dados \u00e9 simples: com a idade, seu gosto musical se cristaliza, e com tantas predile\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias e fios cruzados de influ\u00eancias na cabe\u00e7a, voc\u00ea busca o conforto da nostalgia e acaba discutindo com seu filho sobre como que \u201cna sua \u00e9poca era melhor\u201d. \u00c9 uma constata\u00e7\u00e3o dura, eu sei, mas pare de chorar, \u00e9 s\u00f3 sinal dos tempos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iScgCFyQ96A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso coloca sob uma luz diferente um p\u00fablico que enfrenta, em iguais medidas, o interesse e a rejei\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Musical: os adolescentes, essas criaturas cujos gostos musicais ainda n\u00e3o foram sedimentados. Muito mais inclinados a testar, se arriscar e conhecer coisas novas, os adolescentes querem que suas identidades sejam diferentes da de seus pais, e por isso est\u00e3o sempre liderando novas tend\u00eancias e adotando de maneira antecipada novos \u00edcones e sonoridades. Tudo o que gostamos hoje, um adolescente gostou primeiro. Mesmo assim, emulando a nossa percep\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia como fase da vida, a adolesc\u00eancia na m\u00fasica tem que ser transit\u00f3ria, precisa de uma data de validade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas vezes voc\u00ea j\u00e1 ouviu um artista dizendo que seu novo trabalho seria mais maduro, apelando para um p\u00fablico adulto, com temas mais profundos ou intensos? Essa mudan\u00e7a \u00e9 vista como o caminho natural da carreira de qualquer \u00edcone. Agradar os adolescentes pode ter sido o que te deu fama, mas s\u00f3 \u00e9 desej\u00e1vel por um tempo. At\u00e9 certo ponto, o que a m\u00fasica faz, d\u00e9cada a d\u00e9cada, \u00e9 trair sua gera\u00e7\u00e3o de adolescentes, negando sua falta de pretens\u00f5es art\u00edsticas, e ent\u00e3o se dissolvendo para dar espa\u00e7o para a tend\u00eancia que trair\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o de adolescentes. Se voc\u00ea quiser entender o caminho de um g\u00eanero musical na hist\u00f3ria, estude primeiro o caminho da gera\u00e7\u00e3o de adolescentes que acompanhou de perto esse g\u00eanero.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Aruv2nBqCBM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os motivos descritos acima tornam a declara\u00e7\u00e3o de Harry Styles para a Rolling Stone, elogiando a paix\u00e3o e inventividade de suas f\u00e3s adolescentes, absolutamente especial. Com seu primeiro disco solo, o gal\u00e3 brit\u00e2nico se distancia sonoramente de qualquer som que definir\u00edamos, em nosso pedantismo, como adolescente. O disco de Styles traz para a mesa uma quantidade impressionante de influ\u00eancias, que v\u00e3o da dicotomia cl\u00e1ssica de Beatles e Rolling Stones, passa pelo folk de compositores como Ryan Adams (que deve estar sofrendo por n\u00e3o ter escrito \u201cEver Since New York\u201d e \u201cTwo Ghosts\u201d para o \u00e1lbum \u201cGold\u201d), e flerta com glam (\u201cOnly Angel\u201d), blue-eyed soul (\u201cWoman\u201d) e at\u00e9 uma vertente bem pop do hard rock (\u201cKiwi\u201d). Styles poderia muito bem utilizar a oportunidade para dizer que amadureceu, e transcendeu a imagem de \u00eddolo adolescente. Mas ao inv\u00e9s disso, ele ousa perguntar a todos n\u00f3s: o que h\u00e1 de t\u00e3o errado em ser um \u00eddolo adolescente, afinal? N\u00e3o s\u00e3o os adolescentes que ditam o futuro da m\u00fasica? E pelo resultado de seu primeiro esfor\u00e7o solo, Harry Styles pode ser o futuro da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Harry Styles n\u00e3o \u00e9 o \u00eddolo adolescente sedimentado nos anos 50 com Frankie Avalon e Ricky Nelson, mesmo que, em sua imagem atual, fa\u00e7a refer\u00eancias bem atentas ao estilo de ambos, com gel no cabelo e ternos largos. O ex-membro da boyband One Direction n\u00e3o apenas n\u00e3o soa como um jovem rapaz em seu disco \u2013 em alguns momentos, ele soa positivamente como um compositor em sua meia-idade. Styles n\u00e3o vende a \u201ccommodity\u2019 do ser \u201ccool\u201d em seu disco, sendo confessional em suas letras e tra\u00e7ando melodias que remetem aos anos 70 ou 60. Ou talvez, na verdade, ele esteja redefinindo a \u201ccommodity\u201d do ser \u201ccool\u201d para a sua gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-C8ZtjoE6TE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas m\u00fasicas definem o alfa e o \u00f4mega do disco de estreia solo do cantor e compositor brit\u00e2nico. A primeira \u00e9 \u201cCarolina\u201d, a principal candidata do disco a convencer o seu amigo indie a gostar de Harry Styles. Com um contrabaixo estourado que soa como o caminhar estiloso de Travolta pela rua, um vocal pregui\u00e7oso que faria inveja a Britt Daniel e seu Spoon, ecos de \u201cPaperback Writer\u201d, e uma espinha dorsal inegavelmente mais Blur do que Oasis, \u201cCarolina\u201d tem o potencial para ser o hit mais peculiar de 2017. \u201cFrom The Dining Table\u201d \u00e9 outro destaque, e fecha o disco com uma fragilidade e entrega emocional que brilha at\u00e9 atrav\u00e9s de uma produ\u00e7\u00e3o crua e ac\u00fastica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSign of The Times\u201d fecha a nossa trindade, e de acordo com Harry em diferentes entrevistas, essa faixa pode ter sido escrita sobre uma variedade de temas atuais, como uma releitura da hist\u00f3ria da cicatriz do Coringa em \u201cO Cavaleiro das Trevas\u201d de Nolan. Quando ouvi essa power ballad pela primeira vez, ela parecia se encaixar perfeitamente no mundo em que vivemos exatamente agora\u2026 mas quando, e sobre o que, ela foi realmente escrita? Trump? Brexit? Talvez Harry Styles n\u00e3o saiba o que inspirou sua can\u00e7\u00e3o, afinal. Um hino nunca nasce como hino. Talvez o zeitgeist s\u00f3 possa realmente ser capturado, como um rel\u00e2mpago em uma garrafa, sem consci\u00eancia do ato. Talvez s\u00f3 a adolesc\u00eancia, em seu som e f\u00faria, seja capaz (e tenha a coragem) de criar o agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caro amigo de 33 anos, te trago uma proposta ousada. Que tal ouvir um artista novo? O nome dele \u00e9 Harry Styles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qN4ooNx77u0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ana Clara Matta (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@_ana_c<\/a>) \u00e9 editora do <a href=\"http:\/\/www.rocknbeats.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rock \u2018n\u2019 Beats<\/a> e do <a href=\"http:\/\/ovodefantasma.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ovo de Fantasma<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Caro amigo de 33 anos, te trago uma proposta ousada. Que tal ouvir um artista novo? 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