{"id":4296,"date":"2010-02-04T21:04:35","date_gmt":"2010-02-04T23:04:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=4296"},"modified":"2021-08-17T01:13:08","modified_gmt":"2021-08-17T04:13:08","slug":"entrevista-pitty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/04\/entrevista-pitty\/","title":{"rendered":"Entrevista: Pitty"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4297\" title=\"pitty_1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/pitty_1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/tiagoagostini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tiago Agostini<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 bom que as pessoas que gostam da gente se acostumem porque eu sou inquieta pra caralho e nunca vou conseguir fazer o mesmo sempre\u201d. Pitty, a autora da frase, come\u00e7a 2010 j\u00e1 com uma novidade no curr\u00edculo: dia 13 de fevereiro toca pela primeira vez em um trio el\u00e9trico no carnaval de Salvador, dentro do Circuito Osmar. Se isso vai desagradar os f\u00e3s xiitas, a baiana parece n\u00e3o estar nem a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim quando lan\u00e7ou no ano passado \u201cMe Adora\u201d, o primeiro single de seu terceiro trabalho em est\u00fadio, &#8220;Chiaroscuro&#8221;. Balada fortemente influenciada pelos grupos vocais femininos da Motown, a m\u00fasica causou estranheza em alguns e conquistou outros tantos. Ironia do destino, uma m\u00fasica que cont\u00e9m um semi-desabafo contra a cr\u00edtica musical foi eleita a 5\u00aa melhor do ano pela revista Rolling Stone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita no finalzinho do ano passado, Pitty admite que est\u00e1 em plena evolu\u00e7\u00e3o musical, que o \u00faltimo disco traz elementos que a cantora queria usar h\u00e1 muito tempo. Apesar de ainda trazer v\u00e1rias letras fracas, &#8220;Chiaroscuro&#8221; representa uma \u00f3tima evolu\u00e7\u00e3o sonora. A cantora aprendeu a trabalhar com as sutilezas- e \u201cMe Adora\u201d \u00e9 um grande exemplo disso &#8211; ao n\u00e3o precisar ser direta para expressar sua mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se a cantora sa\u00edsse de uma certa adolesc\u00eancia musical que predominava nos primeiros discos, em um amadurecimento claro e que todas as pessoas t\u00eam em algum momento da vida, mas que poucas vezes \u00e9 acompanhado como o dela, uma pessoa p\u00fablica e que expressa muito de si em suas letras. Acompanhar os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos dessa hist\u00f3ria pode trazer boas surpresas. Quem sabe num futuro n\u00e3o muito distante Pitty consiga processar em um disco completo todas as ideias e a criatividade que fizeram de \u201cMe Adora\u201d uma das grandes m\u00fasicas de 2009 no Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pitty - Me Adora (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/66PrK9b_WD8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>No dia do show do lan\u00e7amento em S\u00e3o Paulo, voc\u00ea falou que v\u00e1rias coisas mudaram entre o segundo e o terceiro discos. Quais foram as principais mudan\u00e7as?<\/strong><\/span><br \/>\nEssa coisa do tempo, ele vai passando e a gente vai adquirindo coisas novas e descobre novas formas de fazer as coisas. O que eu senti de diferen\u00e7a entre os primeiros discos e esse foi o aprendizado das coisas que v\u00eam com o tempo. Por mais que \u00e0s vezes eu tivesse vontade de fazer algumas coisas que eu fiz no &#8220;Chiaroscuro&#8221; antes, eu nem sabia como chegar naquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Que coisas?<\/span><\/strong><br \/>\nEu sempre pirei muito em coros, sempre gostei muito de blues e jazz, e aqueles coros meio Motown, mas eu n\u00e3o sabia como fazer pra executar aquilo dentro do meu som, n\u00e3o sabia como juntar. Nesse disco eu j\u00e1 consegui chegar mais perto do resultado que eu imaginava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As m\u00fasicas do disco novo parecem mais densas, intensas. H\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o para isso?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o racional, s\u00f3 posso supor, assim como todo mundo. Tamb\u00e9m concordo com voc\u00ea. N\u00e3o sei objetivamente, mas eu atribuo ao tempo, a gente vai se descobrindo ao passo que fica mais velho, vai descobrindo do que gosta, o que \u00e9 influencia mais externa, o que \u00e9 passageira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 um clich\u00ea no rock que diz que \u00e0 medida que as bandas crescem elas amadurecem e suavizam o som. Com voc\u00ea foi o contr\u00e1rio, este novo est\u00e1 mais pesado que os outros.<\/strong><br \/>\nHoje o som pesado pra mim est\u00e1 associado a outras coisas. Som pesado pra mim quando eu era mais nova era guitarra alta, distorcida e r\u00e1pida. Eu descobri que n\u00e3o \u00e9 apenas isso. Peso tem a ver com densidade, com elementos, com timbre. Tem a ver com a mixagem da m\u00fasica, a ordem que voc\u00ea coloca os elementos, camadas, voc\u00ea pode fazer uma m\u00fasica muito mais pesada se voc\u00ea tiver v\u00e1rias camadas sonoras. Nesse disco eu experimentei muito as texturas, em todas as m\u00fasicas tem uma camada de som que voc\u00ea n\u00e3o identifica a primeira vez que houve, mas ela est\u00e1 l\u00e1, pra fazer essa parede, isso faz com que a m\u00fasica fique mais densa. Foi um lance que eu saquei escutando coisas como TV On The Radio, Last Shadow Puppets, Scarlett Johansson, escutando as m\u00fasicas deles eu pensava que aquilo n\u00e3o era necessariamente pesado, mas \u00e9 denso pra caramba. Por que, como? Ai eu fui pesquisar como eles faziam isso e descobri o lance das texturas, das camadas diferentes. E as bandas influenciaram de uma forma sutil, porque dificilmente quem ouve meu disco reconhece essa influ\u00eancia, mas est\u00e1 ali. Voc\u00ea pega um pouco de tudo que ouve. Eu acho esse disco bem foda em termos de textura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Voc\u00ea possui muitas letras confessionais. Parafraseando o filme \u201cQuase Famosos\u201d, \u00e9 preciso ter vivido uma situa\u00e7\u00e3o para escrever sobre, \u00e9 preciso sofrer por amor pra escrever sobre isso?<\/span><\/strong><br \/>\nDepende. Tem gente que consegue captar a dor do outro sem nunca ter vivido e tem gente que s\u00f3 sabe escrever sobre coisas que sentiu. Eu me encaixo na segunda op\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o tenho a sensibilidade de sentir o que as outras pessoas sentiram, tipo o Chico Buarque que escreve de uma forma feminina, mas ele n\u00e3o \u00e9 mulher. Ele consegue captar a parada. Eu n\u00e3o tenho muito isso, me expresso melhor sobre coisas que eu senti, por isso fica bem confessional. Eu costumo escrever muito em primeira pessoa, e talvez isso seja um reflexo do ter que sentir para escrever. J\u00e1 tentei, como exerc\u00edcio, escrever em terceira pessoa, escrever sobre um fato isolado. Ainda estou nesse exerc\u00edcio, quero descobrir outras formas de escrever, mas at\u00e9 ent\u00e3o minha melhor forma de express\u00e3o tem sido a respeito de coisas que eu senti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, se voc\u00ea escreve sobre as coisas que realmente sente, falando da m\u00fasica que abre o disco, \u201c8 ou 80?, voc\u00ea se diverte mais com os culpados? Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 uma culpada? O que \u00e9 ser um culpado?<\/strong><br \/>\nTotalmente, me divirto mais com os culpados. O que eu escrevo \u00e9 muito verdade, s\u00e3o confiss\u00f5es. O refr\u00e3o de &#8220;8 ou 80&#8221; foi uma conclus\u00e3o que cheguei de que as pessoas que eu mais me dou bem s\u00e3o aquelas que n\u00e3o s\u00e3o convencionais perante a sociedade, que n\u00e3o agem de acordo com todas as regras, os marginais. Eu me identifico com eles, com os malditos, \u00e9 pra eles que eu olho com admira\u00e7\u00e3o, tipo \u201cachei minha galera\u201d. Claro, eu consigo conviver com os inocentes, mas acho que eles s\u00e3o muito inofensivos, e o fato de ser inofensivo n\u00e3o cria em mim uma fascina\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande quanto as pessoas que vivem de forma marginal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e1 pra dizer que escrever \u00e9 uma terapia pra voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nTotalmente, \u00e9 minha maior terapia e no momento a \u00fanica. Desde que eu me entendo por gente, desde que aprendi a escrever, eu soube que isso me fazia muito bem. Come\u00e7ou de forma bem cotidiana, de ser menina e ter um di\u00e1rio, aos 8 anos de idade. Com o tempo isso foi evoluindo, a escrita foi ficando cada vez mais profunda e reveladora e mais com car\u00e1ter aliviador pra mim. Durante muito tempo, at\u00e9 hoje, eu consigo resolver coisas no papel que eu n\u00e3o consigo resolver na vida real. Elaborando essas quest\u00f5es a meu respeito e \u00e0s coisas \u00e0 minha volta no papel eu consigo olhar pra elas com um distanciamento que \u00e9 saud\u00e1vel pra mim, \u00e9 como se tirasse isso de mim e observasse de fora e me entendesse um pouco mais.<br \/>\n<strong><br \/>\nFalando especificamente do primeiro single, \u201cMe Adora\u201d, quando voc\u00ea tocou ele no mesmo show em S\u00e3o Paulo fez meio que um desabafo, falando que algumas pessoas tinham reagido mal a talvez a musica mais diferente que voc\u00ea gravou at\u00e9 hoje. Rolou isso de f\u00e3 n\u00e3o entender?<\/strong><br \/>\nA aceita\u00e7\u00e3o foi maior que a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma m\u00fasica que tem suas peculiaridades dentro da nossa carreira, \u00e9 diferente do que a gente tinha feito, tem um refr\u00e3o com um palavr\u00e3o, \u00f3bvio que ia causar uma rea\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel em algumas pessoas. N\u00e3o \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, apesar de ser muito pop e mel\u00f3dica, mas \u00e9 um pop estranho, tem suas arestas, n\u00e3o \u00e9 macia, n\u00e3o desce redondo. O que rolou de n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 que alguns f\u00e3s antigos s\u00e3o muito radicais, querem que a banda continue sempre a mesma coisa, tem saudade do que a banda fez no primeiro disco, e \u00e9 normal esse tipo de gente existir. Acho que, na verdade, acontece com a maioria das pessoas, que querem que as coisas continuem do jeito que elas conhecem. A mudan\u00e7a traz desconforto. Mudan\u00e7a \u00e9 voc\u00ea lidar com o novo, \u00e9 pensar tudo de novo sobre uma coisa, ent\u00e3o muita gente teve que repensar a nosso respeito. Isso traz um conflito, mas \u00e9 pro bem. \u00c9 bom que as pessoas que gostam da gente se acostumem porque eu sou inquieta pra caralho e nunca vou conseguir fazer o mesmo sempre, ent\u00e3o se eles t\u00eam essa expectativa \u00e9 melhor gostar de outra coisa que vai ser sempre igual, que eles v\u00e3o se decepcionar menos. Porque eu acho que mudan\u00e7a \u00e9 sempre positiva, \u00e9 sempre pra frente. \u201cMe Adora\u201d trouxe tanta coisa boa, pra gente foi t\u00e3o bacana ouvir pessoas que nem gostavam do nosso som e falaram \u201cagora sim, agora bateu\u201d. Pessoas mais velhas que t\u00eam outras refer\u00eancias, que n\u00e3o s\u00e3o as mesmas de um moleque de 14 anos. Galera mais nova vai reconhecer isso daqui um tempo, eu sei porque quando eu tinha 14 anos eu tamb\u00e9m n\u00e3o conhecia, eu conhecia Dead Kennedys e Bad Brains e achava que aquilo era tudo na vida. \u00c9 80%, mas n\u00e3o \u00e9 tudo. Teve mais benesses que coisas ruins. Valeu a pena comprar essa briga.<br \/>\n<strong><br \/>\nE voc\u00ea j\u00e1 falou que, al\u00e9m de ser uma m\u00fasica de amor, ela tamb\u00e9m \u00e9 uma m\u00fasica pra cr\u00edtica musical. Teve alguma cr\u00edtica especifica em todo esse tempo que te incomodou demais, que essa m\u00fasica seja uma resposta?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 pra nenhum fato espec\u00edfico, n\u00e3o foi pra um jornalista espec\u00edfico, mas na real \u201cMe Adora\u201d, quando aplicada a essa circunst\u00e2ncia, \u00e9 um resumo de tudo que aconteceu desde o come\u00e7o at\u00e9 hoje. Foi meu jeito de observar todas as vezes que a gente foi criticado de maneira completamente superficial e leviana, at\u00e9 o fato de voc\u00ea se deparar com a pregui\u00e7a mental de um monte de gente que t\u00e1 ali pra resenhar sua obra mas que n\u00e3o t\u00e1 muito preocupado em descobrir qual a parada, t\u00e1 a fim mesmo de te colocar no mesmo balaio da nova gera\u00e7\u00e3o do rock e tal, t\u00e1 na mesma \u00e9poca \u00e9 tudo igual. Existe gente que vai resenhar o disco e ouve cinco segundos de cada faixa s\u00f3 porque \u00e9 um trabalho, ele t\u00e1 ali sem vontade, e acha que j\u00e1 tem opini\u00e3o pra falar sobre aquilo. O grande negocio \u00e9 aprender a lidar com isso. Por que ao mesmo tempo tem outra galera que ouve com cuidado e que por mais que n\u00e3o goste do som consegue sacar o que tem de bom e ruim ali. E eu dou muito valor \u00e0s cr\u00edticas construtivas, \u00e9 bacana ter a vis\u00e3o de fora. O que eu mais gosto nesta m\u00fasica, voltando, \u00e9 o duplo sentido, \u00e9 o fato de que ela \u00e9 um mist\u00e9rio, ela pode ser aplicada a tudo isso e a mais n situa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"605\" height=\"402\" class=\"size-full wp-image-4298 aligncenter\" title=\"pitty_2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/pitty_2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/pitty_2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/pitty_2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual foi a experi\u00eancia de gravar o disco com uma c\u00e2mera registrando tudo, teve desconforto?<\/strong><br \/>\nDesconforto nenhum, mas s\u00f3 pelo fato de que o (Ricardo) Spencer \u00e9 um amigo \u00edntimo h\u00e1 muitos anos, n\u00e3o era um cara com uma c\u00e2mera, era ele, nosso brother, que eu conhe\u00e7o desde que tenho 15 anos. Ent\u00e3o o conforto e tranq\u00fcilidade v\u00eam disso, e de confiar nele totalmente, de saber que as coisas que ele vai captar s\u00e3o condizentes, eu conhe\u00e7o ele enquanto cineasta e sei das refer\u00eancias dele, que s\u00e3o iguais \u00e0s minhas, ent\u00e3o tem uma confian\u00e7a enorme no trabalho um do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem te chama aten\u00e7\u00e3o no rock brasileiro independente hoje em dia?<\/strong><br \/>\nTem muita gente legal fazendo coisas no underground, e eu acompanho porque s\u00e3o todos meus amigos. Muita coisa fico sabendo por causa do Fabr\u00edcio Nobre, essa galera que est\u00e1 sempre fomentando a cena, e s\u00e3o todos meus amigos desde aquela \u00e9poca. Das bandas novas eu sou completamente apaixonada pelo Macaco Bong, acho um absurdo os tr\u00eas no palco. Bruno (Kayapy) \u00e9 o Hendrix da minha vida. Gostei muito do Black Drawing Chalks, de Goi\u00e2nia, ouvi umas m\u00fasicas na internet. De banda nov\u00edssima essas duas. Gosto muito do Vanguart, curto muito o primeiro disco. Tem o Instituto que eu acho massa, eles tem uma noite de dub que voc\u00ea vai e dan\u00e7a a noite toda. As coisas est\u00e3o rolando, e a dist\u00e2ncia da vis\u00e3o das pessoas e realidade ao meu respeito \u00e9 muito louca, a banda deu certo e hoje eu tenho a oportunidade de tocar no programa da Hebe, mas as pessoas n\u00e3o sabem que eu continuo andando com a mesma galera, continuo indo ver show aqui na Augusta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que rock no Brasil \u00e9 gueto?<\/strong><br \/>\nAinda \u00e9 gueto, mas acho que j\u00e1 foi mais. Pra deixar de ser, a pr\u00f3pria galera que faz rock tem que perder um pouco o medo de se deparar com as coisas mais populares. Sinto que o pessoal tem muito medo. Toda vez que aparece uma oportunidade mais popular pra fazer, tem medo do que v\u00e3o falar, de \u201cse eu for em tal programa v\u00e3o achar quer eu n\u00e3o sou mais rock\u201d. Tem que se desprender dos medos e ser a mesma banda no Inferno ou na Virada do Ano na Paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bateu esse medo em voc\u00ea quando saiu do independente de Salvador?<\/strong><br \/>\nBateu e bate. Por que eu sei que a vis\u00e3o das pessoas fica meio turva quando voc\u00ea vai pra grande m\u00eddia. A gente precisa da grande m\u00eddia pra divulgar o nosso som, mas \u00e0s vezes ela n\u00e3o est\u00e1 preparada pra divulgar esse tipo de som. Rola um certo desconhecimento, desse tipo de segmento, ent\u00e3o acaba te juntando com um monte de coisa que \u00e9 nada a ver. Claro que bateu o medo, e bate at\u00e9 hoje. Muitas das coisas que eu n\u00e3o fiz na minha carreira foi por causa desse medo, de ser confundida, tipo \u201cse eu fizer isso aqui eu sei que vou falar pra um monte de gente, mas uma galera que curte rock vai achar que agora zoou mesmo\u201d. Ent\u00e3o s\u00e3o muitas escolhas. Tenho consci\u00eancia de que a galera que olha pra gente hoje s\u00f3 sabe das coisas que eu fiz, n\u00e3o sabe das que eu n\u00e3o fiz, que eu disse n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra que voc\u00ea disse n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFazer playback em todos os programas de televis\u00e3o que voc\u00ea possa imaginar, e isso \u00e9 s\u00f3 um exemplo que lembrei agora. Fomos constantemente convidados a fazer playback, e eu sempre recusei com cuidado pra n\u00e3o parecer presun\u00e7oso, eu achava que n\u00e3o ia ser bom pra gente. Foi uma op\u00e7\u00e3o que eu nunca quero que soe arrogante. Disso at\u00e9 recusar posar nua por muito dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chegou a ter convite pra posar nua?<\/strong><br \/>\nChegou, mais de uma vez, e eu optei pelo n\u00e3o, porque dinheiro n\u00e3o \u00e9 tudo. Eu ia ganhar muita grana, mas n\u00e3o ia nem conseguir usar ela depois de tanta vergonha.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pitty - Fracasso (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gGbrYw7Lf_c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tiago Agostini \u00e9 jornalista e assina o blog A Day in The Life<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"605\" height=\"911\" class=\"size-full wp-image-4299 aligncenter\" title=\"pitty_3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/pitty_3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/pitty_3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/pitty_3-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Agostini\nA cantora baiana fala sobre sua rela\u00e7\u00e3o com a cr\u00edtica, elege suas bandas prediletas e diz que recusou convite para posar nua.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/04\/entrevista-pitty\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1009],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4296"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4296"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61991,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4296\/revisions\/61991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}