{"id":42887,"date":"2017-05-12T11:18:51","date_gmt":"2017-05-12T14:18:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42887"},"modified":"2017-06-04T22:25:20","modified_gmt":"2017-06-05T01:25:20","slug":"entrevista-luiza-lian-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/12\/entrevista-luiza-lian-2017\/","title":{"rendered":"Entrevista: Luiza Lian (2017)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, Luiza Lian estreou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/18\/entrevista-luiza-lian\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com um celebrado \u00e1lbum hom\u00f4nimo<\/a>, que recuperava elementos do rock dos anos 1970 do Brasil e da gringa para junt\u00e1-los a seu universo de refer\u00eancias m\u00fasico-espirituais que passam pelas religi\u00f5es afro-brasileiras e pelos rituais xam\u00e2nicos \u2013 uma esp\u00e9cie de viagem espiritual movida a uma turbinada nas estruturas do rock cl\u00e1ssico. Dois anos depois, ela volta com \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d desprezando totalmente um dos elementos dessa receita \u2013 o rock \u2013 e intensificando o segundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a m\u00fasica que Luiza nos traz hoje apresenta o universo musical de sua forma\u00e7\u00e3o espiritual embalado numa mistura muito particular de trip hop, eletr\u00f4nica e at\u00e9 batidas desconstru\u00eddas de funk. \u00c9 tudo esparso, como se a intui\u00e7\u00e3o fosse dispersada em estruturas l\u00f3gicas e um tanto quebradas. S\u00f3 \u201cManada\u201d \u00e9 mais org\u00e2nica, levada apenas em voz e palmas. A faixa-t\u00edtulo e \u201cTucum\u201d tem potencial para a dan\u00e7a, desde que num contexto de distopia urbana. As outras cinco can\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais fortemente introspectivas, e o conjunto delas forma&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, na verdade, \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d n\u00e3o existe como um disco convencional. Ele surge como um \u201c\u00e1lbum visual\u201d, nascendo junto com um m\u00e9dia-metragem (assista abaixo) e um site interativo (<a href=\"http:\/\/www.luizalian.com.br\/oyatempo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), e a ideia de Luiza e dos demais artistas envolvidos \u00e9 que a obra seja apreciada e consumida como um todo. Por e-mail, Luiza respondeu \u00e0s perguntas do Scream &amp; Yell sobre \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d, e aproveitou para revelar que j\u00e1 est\u00e1 trabalhando em um novo \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CqXM3uwklF8\" width=\"750\" height=\"440\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que algumas composi\u00e7\u00f5es j\u00e1 existiam h\u00e1 um tempo, ent\u00e3o gostaria de saber como foi a ideia de agrup\u00e1-las dentro do filme. E aproveito para perguntar: apesar da unidade dada pelo filme, n\u00e3o se trata de um \u00e1lbum conceitual, certo?<\/strong><br \/>\n\u201cOy\u00e1 Tempo\u201d \u00e9 um trabalho que foi tomando forma conforme foi sendo feito. At\u00e9 muito pr\u00f3ximo de lan\u00e7a-lo n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos um entendimento do que ele seria: se seria um \u00e1lbum, um site, uma performance. At\u00e9 que entendemos que, tendo trabalhado em diversas camadas, a melhor maneira de chama-lo seria de \u201c\u00e1lbum visual\u201d feito por mim e outros quatro artistas: Charles Tixier, que produziu musicalmente; Camila Maluhy e o Oct\u00e1vio Tavares, da [produtora] Filmes da Diaba, que fizeram o filme; e o Dedos (Rafael Trabassos), que fez o site. O processo n\u00e3o foi o de agrupar as m\u00fasicas dentro de um filme, mas sim criar uma das poss\u00edveis linhas narrativas pra uma trilha que j\u00e1 existia, as m\u00fasicas j\u00e1 eram muito visuais. Como \u00e1lbum visual, Oy\u00e1 \u00e9 trabalhado em tr\u00eas eixos: site (vertical), filme (horizontal) e performance (espiral). E cada um desses eixos tra\u00e7a paralelos sobre o tempo. O filme criado pela Diaba \u00e9 horizontal, tem uma linha narrativa, come\u00e7o, meio e fim; foi a cria\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o que eles fizeram ainda que em cima de conversas nossas sobre espiritualidade e sexualidade. Musicalmente eu estava caminhando em duas frentes de trabalho, pensava em fazer um EP focado nos pontos \/ can\u00e7\u00f5es umband\u00edsticas para come\u00e7ar a dar vaz\u00e3o a essas m\u00fasicas mais espirituais, por que tenho muitas. Em paralelo a isso eu vinha desenvolvendo algumas poesias para uma performance sobre virtualidade e tempo que iria na dire\u00e7\u00e3o spoken word, chamei o Charles pra produzir os beats, pois a gente sempre teve essa troca e afinidade com essa sonoridade e o Dedos pra produzir um site, pois dentro dessa performance ou trabalho multim\u00eddia, era importante propor um outro tipo de experi\u00eancia virtual e visual quem fosse escutar essas m\u00fasicas\/poemas. Conforme fui encontrando com o Charles, as poesias e os pontos foram se unindo de uma forma muito org\u00e2nica. Percebi que a espiritualidade era inerente a discuss\u00e3o das poesias tamb\u00e9m, fez sentido criar uma trilha que atravessasse o virtual, o corp\u00f3reo e o esp\u00edrito. Agora, tem v\u00e1rios conceitos que atravessam o trabalho como um todo, por que n\u00e3o seria um \u00e1lbum conceitual? Eu n\u00e3o pensei nesses r\u00f3tulos quando fiz, mas acho que ele \u00e9 conceitual tamb\u00e9m, experimental e pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu primeiro disco tinha a presen\u00e7a forte do Tim Bernardes (d\u2019O Terno), e agora voc\u00ea trabalha com o Charles Tixler (Charlie e os Marretas), outro compositor que tem uma assinatura de peso. A mudan\u00e7a de sonoridade tem a ver com a mudan\u00e7a de parceiro, ou o parceiro muda porque voc\u00ea j\u00e1 concebia uma proposta diferente?<\/strong><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o musical vai ser determinada a partir da orienta\u00e7\u00e3o e do estilo das minhas m\u00fasicas. Tanto no primeiro disco quanto neste, eles assinaram junto comigo a produ\u00e7\u00e3o musical, mas n\u00e3o as composi\u00e7\u00f5es em si. O Charles j\u00e1 \u00e9 meu parceiro h\u00e1 muito tempo, ainda que essa seja a primeira vez que trabalhamos nesse formato. O outro disco foi concebido por toda a banda ainda que guiado principalmente pelo Tim, pois a assinatura dele \u00e9 de fato muito forte tanto nos arranjos como na forma de tocar. O Charles j\u00e1 estava no outro disco e n\u00f3s temos uma banda de jazz juntos. Al\u00e9m disso, temos uma afinidade muito grande de gosto musical, principalmente no que diz respeito ao hip hop. Por isso quando pensei em trabalhar essas poesias, j\u00e1 de cara pensei nele. A minha parceria com o Tim continua viva, agora mesmo estamos trabalhando os tr\u00eas juntos no meu pr\u00f3ximo disco, que est\u00e1 caminhando pra outras sonoridades, distintas do primeiro e do \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d. Este ser\u00e1 produzido pelo Charles com co-Produ\u00e7\u00e3o do Tim, mas a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica continua sendo minha. Eles s\u00e3o meus parceiros e amigos de muitos anos j\u00e1, crescemos juntos (musicalmente) e acredito que vamos trabalhar juntos por muito tempo, de diversas formas. A maneira que isso vai se dar ser\u00e1 determinada pelo sentido com o tom do conjunto de m\u00fasicas que formos trabalhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos coment\u00e1rios de &#8220;Oy\u00e1 Tempo&#8221; no Youtube chama o som de &#8220;funk psicod\u00e9lico&#8221;, e achei isso bem interessante. As can\u00e7\u00f5es t\u00eam mais elementos eletr\u00f4nicos, mas eles parecem fluidas, sem arranjos definitivos. D\u00e1 para brincar com elas, perceb\u00ea-las de formas diferentes, como se fosse um trabalho em permanente muta\u00e7\u00e3o. Ao vivo, voc\u00ea pretende explorar essas muitas possibilidades que as can\u00e7\u00f5es oferecem?<\/strong><br \/>\nCom certeza, o meu ao vivo est\u00e1 em constante muta\u00e7\u00e3o, acho que aprendi isso com o jazz e levo para a forma que fa\u00e7o minhas m\u00fasicas. Mesmo as do primeiro disco j\u00e1 passaram por muitos arranjos diferentes. Mas a minha vontade agora \u00e9 a de que elas se modifiquem conforme cada fase ou show. O show de \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d \u00e9 bem espec\u00edfico, sou s\u00f3 eu e o Charles, e ele vai seguir uma determinada instrumenta\u00e7\u00e3o e sonoridade. Meu pr\u00f3ximo show pode levar as algumas m\u00fasicas do Oy\u00e1 tocadas de forma distinta de agora, mas isso \u00e9 um pr\u00f3ximo passo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QnvzA1w0rwo\" width=\"750\" height=\"440\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar em shows: o filme ser\u00e1 projetado neles, ou o show \u00e9 outra experi\u00eancia dissociada do filme?<\/strong><br \/>\nO show \u00e9 uma experi\u00eancia distinta do filme, mas n\u00e3o dissociada. V\u00e1rios elementos da experi\u00eancia visual de Oy\u00e1 ser\u00e3o projetados no show\/instala\u00e7\u00e3o, tanto do filme quanto do site, e ainda outras coisas que n\u00e3o est\u00e3o em nenhum dos dois. Mas a ideia \u00e9 que o show misture essas narrativas em um outro bra\u00e7o do \u00e1lbum visual: o da espiral, do esp\u00edrito. As m\u00fasicas t\u00eam muitas camadas, a narrativa de um filme ou clipe constru\u00eddo para elas (acho que em qualquer caso de videoclipe) \u00e9 uma das muitas poss\u00edveis. Para mim n\u00e3o faria sentido simplesmente cantar em cima desse filme, pois seria limitante para o filme e para a experi\u00eancia das m\u00fasicas. A performance dialoga com as outras partes do projeto, a proje\u00e7\u00e3o do filme e do site entra na cria\u00e7\u00e3o de uma nova camada de sensa\u00e7\u00f5es para o todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro \u00e1lbum j\u00e1 tinha muitos elementos xam\u00e2nicos e naturistas. Nesse disco de agora, isso parece ainda mais vivo, mais assumido \u2013 inclusive nos ritmos e melodias. Por que voc\u00ea decidiu trazer isso mais \u00e0 tona?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o decidi, aconteceu. Eu fui levada por essas m\u00fasicas at\u00e9 que chegamos nesse projeto, ali\u00e1s acho que como um todo eu decidi muito poucas coisas a respeito do \u201cOy\u00e1\u201d, foi uma sucess\u00e3o de experi\u00eancias e encontros que formaram esse disco. Como eu disse, em princ\u00edpio n\u00e3o era nem um disco&#8230; Eu vinha de processos muito fortes, ao mesmo tempo que estava olhando e sentindo esse clima de guerra e polaridade que vem sendo criado e aumentando cada vez mais no plano macro\/mundial e no micro\/individual, discursivo, das redes sociais, talvez isso tenha trazido mais a tona ainda a quest\u00e3o espiritual. N\u00e3o a toa Oy\u00e1 tamb\u00e9m \u00e9 uma deusa da guerra. Talvez esse disco venha de uma emo\u00e7\u00e3o ou um momento mais espec\u00edfico, e por isso ele tem uma unidade mais forte do que o anterior. Quanto a sonoridade. deve parecer mais assumida tamb\u00e9m por que o disco, por ser mais eletr\u00f4nico e voltado para os beats, \u00e9 mais r\u00edtmico e cru de alguma maneira, estando mais a servi\u00e7o dessas melodias e sonoridades do que o anterior. Espiritualidade \u00e9 inerente ao meu trabalho, mesmo quando eu n\u00e3o estiver falando dela ela provavelmente estar\u00e1 presente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r75nDJx7rMM\" width=\"750\" height=\"440\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Um8d5E8fpoM\" width=\"750\" height=\"440\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dRixnDpNIT4\" width=\"750\" height=\"440\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dois anos ap\u00f3s a estreia Luiza volta com \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d desprezando o rock e intensificando as refer\u00eancias m\u00fasico-espirituais. 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