{"id":42787,"date":"2017-05-09T16:30:27","date_gmt":"2017-05-09T19:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42787"},"modified":"2017-06-12T09:59:07","modified_gmt":"2017-06-12T12:59:07","slug":"balancao-bananada-2017-em-goiania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/09\/balancao-bananada-2017-em-goiania\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7\u00e3o: Festival Bananada 2017"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Textos por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gil Luiz Mendes<\/a><br \/>\nFotos por M\u00eddia Ninja (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/festivalbananada\/photos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Confira galeria<\/a>)<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DIA 1 &#8211; 08\/05\/2017 &#8211; SEGUNDA-FEIRA<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem esperou uma primeira noite de guitarras distorcidas na abertura da 19\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Bananada, dia 08 de maio em Goi\u00e2nia, pode ter encontrado isso em outras casas que recebem essa primeira etapa do festival, dedicada a showscases em bares, boates e teatros de Goi\u00e2nia somando no total 10 shows, mas n\u00e3o na ROCK. Em um palco dominado pelas mulheres, o que seu ouviu no espa\u00e7o, que \u00e9 misto de bar e galeria de arte, foram levadas folks, um pop promissor e cad\u00eancias sensoriais. Boa parte dos grupos que se apresentam nesses tr\u00eas primeiros dias s\u00e3o da nova safra de artistas da capital goiana. E a\u00ed percebe-se que um festival, que j\u00e1 ultrapassou a maioridade, come\u00e7a a colher uma segunda ou terceira safra de sementes que foram plantadas em d\u00e9cadas anteriores. Isso deve ser louvado por manter uma cena viva, dentro de um contexto de uma cidade que \u00e9 considerada a capital da m\u00fasica sertaneja no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cheri_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma prova de que o Bananada est\u00e1 dando espa\u00e7o para novos nomes \u00e9 a cantora Chell. A primeira atra\u00e7\u00e3o da noite na ROCK fazia seu segundo show de toda a breve carreira. Com 24 anos e <a href=\"https:\/\/itunes.apple.com\/br\/album\/chell-ep\/id1220206100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um EP lan\u00e7ado h\u00e1 menos de dois meses<\/a>, Chell era a respons\u00e1vel por atrair boa parte do p\u00fablico que chegou cedo ao espa\u00e7o, muitas j\u00e1 sabendo cantar suas m\u00fasicas. Se ela \u00e9 ne\u00f3fita nos palcos, por outro lado tem uma larga experi\u00eancia na internet com um canal no Youtube, junto com a namorada, que trata de temas LGBT, que em uma primeira audi\u00e7\u00e3o parecem estar nas letras de suas m\u00fasicas, mas aos poucos percebe-se que s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es e desilus\u00f5es amorosas comuns a meninas de vinte e poucos anos embalados por um folk juvenil, bem ao estilo Mallu Magalh\u00e3es, refer\u00eancia evidente para Chell. Mesmo tendo tocado apenas oito can\u00e7\u00f5es (as cinco do EP, duas in\u00e9ditas e uma vers\u00e3o da m\u00fasica \u201cBaba, Baby\u201d, da Kelly Key), a jovem cantora mostrou que tem potencial para ir al\u00e9m do seu nicho na internet. Para isso talvez seja preciso fugir das tenta\u00e7\u00f5es de f\u00f3rmulas j\u00e1 conhecidas e arriscar mais para fora do folk. O samba \u201cVestido\u201d e o quase xote \u201cMeu Bem\u201d mostram que outras vertentes podem ser mais exploradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/niela_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda a se apresentar na noite j\u00e1 estava no palco durante o primeiro show. Niela saiu da condi\u00e7\u00e3o de guitarrista da banda que acompanha Chell para assumir o centro das aten\u00e7\u00f5es. Certamente foi o show que concentrou mais gente em frente ao palco e que em alguns momentos se tornou uma mini pista de dan\u00e7a. Junto com a sua voz grave e acompanhada de uma excelente banda, Niela faz um pop simples, honesto e as vezes suingado. Chama aten\u00e7\u00e3o a habilidade que ela tem empunhando a sua Fender Telecaster e som que consegue tirar utilizando apenas um pedal de overdrive e alguns acordes dissonantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/sarah1_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrando a noite, Sarah Abdala subiu ao palco para mostrar can\u00e7\u00f5es do seu segundo \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/sarahabdala.bandcamp.com\/album\/o-e-s-t-e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Oeste<\/a>\u201d lan\u00e7ado no m\u00eas passado. O p\u00fablico era menor do que o do show anterior, mas foi seduzido a ficar mais perto da cantora pelo ar intimista que a apresenta\u00e7\u00e3o propunha. Sentada com uma guitarra e acompanhada por mais dois m\u00fasicos, sintetizadores e viol\u00e3o, Sarah mostrou can\u00e7\u00f5es sensoriais, cheia de efeitos e delays. O show desacelerou de certa forma uma sequ\u00eancia de apresenta\u00e7\u00f5es que ia numa crescente. Ao mesmo tempo, Sarah s\u00f3 poderia tocar em um lugar fechado e aconchegante como a ROCK. Em um palco maior ou em uma \u00e1rea externa, suas m\u00fasicas n\u00e3o prenderiam tanto a aten\u00e7\u00e3o do publico. Por ter uma carreira mais consolidada do que as meninas que se apresentaram antes, Sarah foi escalada para encerrar a primeira noite, mas talvez seria mais interessante assisti-la antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/sarah2_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DIA 2 &#8211; 09\/05\/2017 &#8211; TER\u00c7A-FEIRA<br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda noite do Festival Bananada 2017 prometia 16 eventos divididos em v\u00e1rios lugares, e uma das casas, o Cafofo Est\u00fadio, deixou a desejar: abriu as portas com 40 minutos de atraso e ainda fez quem chegou no hor\u00e1rio marcado para os shows (ou seja, 40 minutos antes) assistir a passagem de som das bandas (e passagem de som \u00e9 uma das 10 coisas mais chatas do mundo). N\u00e3o bastassem os deslizes da casa, teve gente de imprensa pisando na bola tamb\u00e9m, postando-se dentro do palco com c\u00e2mera fotogr\u00e1fica a poucos cent\u00edmetros do rosto do artista, numa atitude nada agrad\u00e1vel para quem toca e para quem assiste. Tais problemas se mostraram pequenos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alta qualidade das tr\u00eas bandas que se apresentaram na noite: Lutre, Components e Manso trazem artistas jovens, mas que impressionam pela for\u00e7a sonora que demonstram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/lutre_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seis dias ap\u00f3s colocar seu primeiro disco no mundo, a Lutre subiu no palco para mostrar as vigorosas can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum \u201cApego\u201d. O power trio mostrou toda for\u00e7a, barulho e experimentalismo que guitarra, baixo e bateria podem fazer e soar melodicamente bem. A pot\u00eancia instrumental cheia de drives contrasta com timbre quase limpo da voz do cantor Marcello Victor. Com o palco montado nos fundos do Cafofo Est\u00fadio, o espa\u00e7o acolhedor e um p\u00fablico com v\u00e1rios rostos conhecidos fez o bom show parecer uma grande reuni\u00e3o de amigos e n\u00e3o h\u00e1 nada melhor para que faz m\u00fasica do que tocar para quem se gosta. Mesmo em pequeno n\u00famero, o p\u00fablico mostrou conhecer boa parte das can\u00e7\u00f5es, mesmo as menos cantadas e mais declamadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/components_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro moleques cabeludos com cara de quem acabou de sair do ensino m\u00e9dio. Essa \u00e9 a primeira impress\u00e3o que se tem ao ver os integrantes da Components. Isso at\u00e9 eles come\u00e7arem a tocar. Com os instrumentos ligados percebe-se que, mesmo com a pouca idade, eles j\u00e1 tocam h\u00e1 algum tempo juntos tamanho o entrosamento que mostram. No segundo show da noite n\u00e3o se ouviu uma nota fora do lugar. Al\u00e9m do som maduro e bem feito, destaca-se a performance do vocalista Matheus Azevedo, que mistura desengon\u00e7adas dan\u00e7as, ao melhor estilo Renato Russo, e a seguran\u00e7a de ser o front leader, mesmo que as vezes mostre uma pretensa timidez ao se dirigir ao p\u00fablico. O \u201cPeso do Papel\u201d, single lan\u00e7ado em 2016, talvez seja um resumo do que \u00e9 o personagem que ele encarna durante o show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/manso_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima atra\u00e7\u00e3o da noite era a formada por m\u00fasicos mais velhos e fez um show para um p\u00fablico maior e mais participativo. Manso \u00e9 uma banda de hard rock tradicional que pesa a m\u00e3o nas baladas rom\u00e2nticas e anda por cima de uma linha t\u00eanue que divide padr\u00f5es clich\u00eas e bregas da autenticidade que muitas vezes uma banda autoral precisa mostrar. F\u00e3s da Banda Malta, Bon Jovi e m\u00fasica sertaneja amorosa podem se identificar com o som honesto feito pela Manso. Prova disso foi a grande participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico na can\u00e7\u00e3o \u201cPalha\u00e7o\u201d. Mas a escala\u00e7\u00e3o da banda para encerrar a sequ\u00eancia de shows talvez n\u00e3o tenha sido acertada. Ficou estranho terminar a noite ouvindo viol\u00e3o e uma voz dram\u00e1tica depois de ouvir apresenta\u00e7\u00f5es que tiveram nas guitarras altas e distorcidas como ponto em comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cafofo_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DIA 3 &#8211; 10\/05\/2017 &#8211; QUARTA-FEIRA<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor noite, at\u00e9 o momento, do Bananada 2017 levou \u00e0 Diablo tr\u00eas bandas diferentes em seus conceitos musicais, mas que tem em comum uma energia e entrega no palco at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o vista no festival. Quem compareceu ao local na noite desta quarta feira pode ver estilos de rock diferentes, mas que de alguma forma dialogam entre si. Por isso deve-se parabenizar a curadoria que escalou Trem Fantasma, Black Drawing Chalks e Far From Alaska. A rela\u00e7\u00e3o das bandas, cada uma ao seu modo, com o p\u00fablico goiano \u00e9 algo que deve ser levado em conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/trem_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os curitibanos da Trem Fantasma faziam naquele momento o seu primeiro show na cidade e respons\u00e1veis por abrir a noite pegaram uma casa que ainda n\u00e3o estava na sua lota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima. O show seguro pautado em cima do \u00e1lbum \u201cLapso\u201d (2016) agradou quem chegou cedo na Diablo. O visual e os timbres das guitarras e sintetizador deixam clara a influ\u00eancia do rock psicod\u00e9lico do final dos anos 60, principalmente nos primeiros discos do Pink Floyd.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/bdc_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se fosse um time de futebol poder\u00edamos assegurar que o Black Drawing Chalks estava jogando em casa, dando ol\u00e9 e levando a arquibancada ao del\u00edrio. O quarteto era o dono da festa e fez a pista da Diablo ferver. A alegria dos caras em cima do palco era n\u00edtida por tocar para um p\u00fablico t\u00e3o fiel e conhecido. O clima de confraterniza\u00e7\u00e3o era t\u00e3o grande que os integrantes dividiam goles em uma garrafa de u\u00edsque entre si e com parte p\u00fablico, e ainda abriram espa\u00e7o para convidar amigos para tocar algumas m\u00fasicas com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ffa_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Distante alguns milhares de quil\u00f4metros do seu lugar de origem, os potiguares da Far From Alaska podem considerar Goi\u00e2nia como uma segunda casa. Com cinco anos de exist\u00eancia, mas fazendo seu s\u00e9timo show na cidade, a FFA tem um bom n\u00famero de f\u00e3s fi\u00e9is que cantam a plenos pulm\u00f5es cada hit e vibram mesmo com as m\u00fasicas novas que tomaram conta de boa parte do repert\u00f3rio. O som que vem do palco tem o peso de um Metallica ao mesmo tempo que tem o pop chiclete de uma Selena Gomes. O resultado disso pode parecer estranho, mas agrada at\u00e9 os ouvidos mais desatentos. H\u00e1 de se destacar a presen\u00e7a de palco e a pot\u00eancia de voz de Emmily Barreto, vocalista do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-42878\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/bananada_divulgacao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/bananada_divulgacao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/bananada_divulgacao-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DIA 4 &#8211; 11\/05\/2017 &#8211; QUINTA-FEIRA<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 quinta-feira e o Bananada abriu as portas do principal espa\u00e7o do festival. O Centro Cultural Oscar Niemeyer recebeu um bom p\u00fablico para conferir as apresenta\u00e7\u00f5es da Orquestra Filarm\u00f4nica de Goi\u00e1s, Rollin Chama e Boogarins. Dos cinco palcos que abrigar\u00e3o shows no espa\u00e7o, apenas um foi utilizado. Segundo o idealizador do evento, Fabr\u00edcio Nobre, apenas 30% dos servi\u00e7os e atra\u00e7\u00f5es foram mostrados nesse primeiro dia. Longe da capacidade total, o que foi apresentado satisfez quem esteve presente no CECON. Algumas a\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o merecem ser destacadas. Tem \u00e1gua pra quem quiser e sem precisar pagar nada. Pode passar no balc\u00e3o dos bares e pedir um copo que ser\u00e1 concedido gratuitamente. Ainda na parte da alimenta\u00e7\u00e3o a ideia de colocar dos produtos em valores m\u00faltiplos de cinco. Cerveja R$ 5, chopp R$10, yakissoba R$ 15\u2026 Parece besteira, mas isso faz as filas flu\u00edrem mais r\u00e1pido e minimiza bastante aquele perrengue eterno por conta de troco. Pista de skate, chapelaria e espa\u00e7o para crian\u00e7as tamb\u00e9m s\u00e3o outras regalias que o evento oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/orquestra_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passava um pouco das 21h quando Carlos Eduardo Miranda subiu ao palco, com seu habitual traje branco, para anunciar o in\u00edcio do festival apresentando a Orquestra Filarm\u00f4nica de Goi\u00e1s. Umas das bandeiras que o Bananada quer empunhar \u00e9 o da diversidade. O line up e a escala\u00e7\u00e3o de uma orquestra demonstra isso e h\u00e1 quem tor\u00e7a o nariz para dizer que o festival goiano tem muito pouco de rock atualmente. Sob a reg\u00eancia do maestro brit\u00e2nico Neil Thomsom, a promessa da OFG era tocar m\u00fasicas populares para uma assimila\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil de um p\u00fablico que n\u00e3o est\u00e1 acostumado a um repert\u00f3rio mais cl\u00e1ssico. Era dif\u00edcil esperar o sil\u00eancio sepulcral que normalmente h\u00e1 em teatros em dias de concertos, mesmo assim a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico estava presa no palco. Se n\u00e3o estavam habituados com os temas, pelo menos os ritmos eram familiares para parte da plateia. A orquestra acertou em cheio ao fazer uma grande varia\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros. De mambo \u00e0 valsa passando pelo jazz uma boa parte do tempo. Mas como o festival \u00e9 de rock, a OFG conseguiu colocar as pessoas para dan\u00e7ar nas duas \u00faltimas m\u00fasicas com o hit da disco music \u201cDancing Queen\u201d, do ABBA (que mereceu bis) e o cl\u00e1ssico \u201cAll You Need Is Love\u201d, dos Beatles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/rollin_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minutos depois de violinos, violoncelos, e flautas se calarem, come\u00e7ou um carnaval nonsense que pegou o p\u00fablico do CECON de surpresa. Um trio el\u00e9trico surgiu em meio a plateia, trazendo em cima a Rollin Chama, banda veterana da cena goiana. N\u00e3o foram poucas as vezes que o vocalista Fal, trajando um vestido de estampa de pele de on\u00e7a, disse se sentir a pr\u00f3pria Ivete Sangalo. Letras escrachadas que falam sobre maconha, ditadura militar e mulheres foram entoados e bem aceitos pelo p\u00fablico, que tinha uma grande identifica\u00e7\u00e3o com a banda, mesmo com o excesso de discursos e piadas do cantor. Era previs\u00edvel, mas o grupo fez uma grande exalta\u00e7\u00e3o a terra natal e de cima do trio el\u00e9trico jogava pequenas bandeiras do estado de Goi\u00e1s com a frase \u201cSou Goiano e Foda-se\u201d, t\u00edtulo do \u00faltimo \u00e1lbum da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/boogarins_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande atra\u00e7\u00e3o da noite ficou por conta da banda independente brasileira com maior repercuss\u00e3o fora do pa\u00eds. Filhos da terra, o Boogarins era esperado com ansiedade pelo p\u00fablico e n\u00e3o decepcionou com aquilo que eles fazem de melhor: m\u00fasica lis\u00e9rgica brasileira. O descompasso nas cad\u00eancias e o uso a exaust\u00e3o de efeitos sonoros d\u00e3o todo aspecto de psicodelia t\u00e3o usado hoje em dia por dezenas de grupos, mas h\u00e1 um groove que traz uma certa brasilidade ao som dos goianos que d\u00e1 singularidade \u00e0 m\u00fasica que fazem. Ainda trabalhando o \u00e1lbum \u201cManual\u201d, lan\u00e7ado em 2015, o Boogarins trouxe como novidade para esse show o single &#8220;A Pattern Repeated On&#8221;, que tem a participa\u00e7\u00e3o no vocais de John Schmersal, do Brainiac, mas que foi cantada em portugu\u00eas para a su4presa dos f\u00e3s. A apresenta\u00e7\u00e3o foi encerrado ao melhor estilo da banda: muito noise eversos repetidos em delays infinitos, num bis que durou mais de dez minutos encerrando mais um dia de Festival Bananada, que segue at\u00e9 o domingo aqui em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-42893\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/rollin1_divulgacao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/rollin1_divulgacao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/rollin1_divulgacao-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DIA 5 &#8211; 12\/05\/2017 &#8211; SEXTA-FEIRA<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">23 atra\u00e7\u00f5es se apresentaram no quinto dia do Bananada 2017. \u00c9 claro que seria imposs\u00edvel acompanhar todos os shows dos cinco palcos, at\u00e9 porque alguns ocorreram simultaneamente, mas quem gosta de diversidade de ritmos e passear por v\u00e1rios ambientes em uma \u00fanica noite, o Centro Cultural Oscar Niemeyer era uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o na sexta-feira. Os palcos ficam pr\u00f3ximos um dos outros \u2013 alguns at\u00e9 demais. Os palcos Slap e Spotify s\u00e3o pequenos e ficam frente a frente, numa dist\u00e2ncia m\u00e1xima de 30 metros, mas as apresenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o intercaladas, n\u00e3o prejudicando os shows entre deles. J\u00e1 o palco Skol \u00e9 mais distante, mas por ser bem maior, \u00e0s vezes seu som chegava at\u00e9 o espa\u00e7o dos dois palcos menores, podendo ser ouvido principalmente no intervalo das m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/branda_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrindo o palco Slap com um atraso de meia hora, a banda Branda foi a primeira a se apresentar, e a demora ocasionou um efeito cascata e nenhum dos shows da noite teve in\u00edcio no hor\u00e1rio previsto. \u00c9 um som honesto, mas os goianos fizeram um show morno, para um p\u00fablico ainda pequeno e n\u00e3o mostraram muita coisa de diferente de milhares de bandas fazem mundo afora. Pela primeira vez tocando em um grande festival fora de S\u00e3o Paulo, os paulistanos da Ra\u00e7a mostraram potencial para se tornar uma grande banda. Um vocalista carism\u00e1tico, m\u00fasicas que s\u00e3o f\u00e1ceis de cantar em coro, algo que foi feito por quatro vozes em cima do palco Spotify. Apesar do show curto, cerca de 30 minutos, o som hora dan\u00e7ante, hora sensitivo, foi bem recebido pelo p\u00fablico goianiense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/barro_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um palco grande com apenas tr\u00eas m\u00fasicos e, na plateia, muito espa\u00e7o para um p\u00fablico ainda pequeno. Assim foi apresenta\u00e7\u00e3o do pernambucano Barro. Apesar de ter um power trio, a variedade de sons feita pela quantidade de efeitos e samples mostrava um som muito encorpado e sem espa\u00e7o para sil\u00eancios. Em seu show, Barro mostrou porque \u00e9 uma das gratas surpresas da nova m\u00fasica pop brasileira. Apresentando as can\u00e7\u00f5es de \u201cMioc\u00e1rdio\u201d (2016), seu aclamado disco de estreia, o m\u00fasico mostrou que sua mistura de sons contempor\u00e2neos com leves toque de ritmos regionais tem facilidade de cair no gosto do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ventre_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cariocas da Ventre foram os primeiros a subir no palco Chili Beans, o principal do evento, e foram recebidos por um grande p\u00fablico. A banda que j\u00e1 havia tocado no Bananada 2016 em um palco menor (e nessa mesma edi\u00e7\u00e3o dias atr\u00e1s no palco do SESC) fez um show competente mostrando que tem som de sobra para grandes festivais. Al\u00e9m de toda t\u00e9cnica com as baquetas, a baterista Larissa Conforto foi um dos destaques da apresenta\u00e7\u00e3o por seus discurso \u00e0 cerca do direito das mulheres, dizendo que j\u00e1 foi-se o tempo que as meninas iam para festivais acompanhar os namorados e que o momento agora \u00e9 delas ocuparem, cada vez mais, os palcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/fioti_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia no mesmo palco, Fi\u00f3ti. O show feito com maestria mostrou que j\u00e1 passou da hora de trat\u00e1-lo apenas como o irm\u00e3o do Emicida ou o grande homem de neg\u00f3cios do underground brasileiro. Todas as influ\u00eancias de m\u00fasica negra de algu\u00e9m que foi criado na Zona Norte de S\u00e3o Paulo est\u00e3o no seu show. Reggae, soul, samba, samba-rock\u2026 Fi\u00f3ti tamb\u00e9m \u00e9 um grande letrista e sua m\u00fasica inspirada nos ensinamentos de Darci Ribeiro mostram isso. Outro destaque da apresenta\u00e7\u00e3o foi a excelente releitura de \u201cOlha Pipa\u201d, um lado b de Jorge Ben do quase esquecido disco \u201cAl\u00f4 Al\u00f4, Como Vai\u201d, de 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/akua_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trazida para uma turn\u00ea no Brasil pelo Laborat\u00f3rio Fantasma, do j\u00e1 citado Fi\u00f3ti, a norte-americana Akua Naru mostrou toda for\u00e7a da m\u00fasica negra dos EUA. Com uma banda formada por excelentes m\u00fasicos, Akua se mostrou muito mais do que uma rapper e fez grande parte da sua apresenta\u00e7\u00e3o recheada de grooves mais cadenciados do R&amp;B. Mesmo se comunicando em ingl\u00eas, ela conseguiu ter uma grande intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico e um dos grandes momentos do show foi uma homenagem a diva Nina Simone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/ceu_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois \u00faltimos shows da noite foram de artistas que j\u00e1 tem sua legi\u00e3o de f\u00e3s consolidadas e que n\u00e3o d\u00e3o brechas para erros em suas apresenta\u00e7\u00f5es. C\u00e9u enfileirou uma sequ\u00eancia de hits que foram cantados de cabo a rabo pelo p\u00fablico. N\u00e3o chega a ser um show dan\u00e7ante, mas impressiona pelo fasc\u00ednio que exerce nos espectadores. J\u00e1 o Baiana System provou mais uma vez porque \u00e9 considerado o grupo com a melhor apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo do pa\u00eds (nesta segunda-feira eles recebem o Pr\u00eamio APCA de Melhor Show). N\u00e3o h\u00e1 como ficar parado pela explos\u00e3o de graves que vem da mistura de dub, samba-reggae e afox\u00e9 do grupo. Sem intervalo, Russo Passapusso e sua trupe tocaram as can\u00e7\u00f5es do excelente \u201cDuas Cidades\u201d, improvisaram v\u00e1rios temas e n\u00e3o queria deixar o palco. Foi preciso que a produ\u00e7\u00e3o do evento pedisse para o grupo encerrar apresenta\u00e7\u00e3o por volta das 3h, mas certamente eles teriam energia para ficar tocando at\u00e9 o dia amanhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/baiana_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DIA 6 &#8211; 13\/05\/2017 &#8211; S\u00c1BADO<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegado o pen\u00faltimo dia do festival, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avaliar o Bananada 2017 como um evento que fez de tudo para surpreender e agradar o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas. E isso vai de pensar em detalhes de infraestrutura at\u00e9 na escolha das bandas e as noites em que cada uma tocaria. O s\u00e1bado ficou marcado pela nostalgia de um passado que n\u00e3o se viveu e pelo presente que certamente ficar\u00e1 marcado na hist\u00f3ria. Dito isto, um tipo de MPB desconstru\u00edda \u00e9 o que pode se falar da proposta da Consuelo, de Bras\u00edlia. A vocalista Cl\u00e1udia Daibert \u00e9 uma performer em todos os sentidos que a palavra possa alcan\u00e7ar. Com overdrives na voz e chifres na cabe\u00e7a, a cantora dizia ser o pr\u00f3prio diabo nas can\u00e7\u00f5es, executadas por grandes m\u00fasicos candangos, dentre eles Esdras Nogueiras, ex-M\u00f3veis Coloniais de Acaju, respons\u00e1vel pelo sax bar\u00edtono e flauta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/consuelo_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show seguinte, no palco Spotify, do mineiro JP Cardoso apresentou uma curiosidade dentro do Bananada. Respons\u00e1vel por fazer a curadoria do palco que leva bandas emergentes do underground brasileiro, Mancha Leonel, da celebrada Casa do Mancha, em S\u00e3o Paulo, tocou pela primeira vez no festival, assumindo as baquetas da banda de JP. Indie rock dos bons, com letras em ingl\u00eas, algo que at\u00e9 ent\u00e3o pouco tinha se visto no festival. O indie tamb\u00e9m foi a t\u00f4nica da apresenta\u00e7\u00e3o dos paulistanos da Terno Rei. A banda \u00e9 aclamada pelo som minimalista que faz, onde quase nunca se ouve as distor\u00e7\u00f5es das guitarras. Fizeram um show retil\u00edneio, sem falhas, mas tamb\u00e9m sem nenhum grande momento que mexesse com o, ainda, pequeno p\u00fablico no palco Skol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/romperayo_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levando todo experimentalismo que \u00e9 peculiar a banda, o Aeromo\u00e7as e Tenistas Russas conseguiu fazer um show dan\u00e7ante e contemplativo ao mesmo tempo. No Palco Chili Beans, o grupo mostrou o repert\u00f3rio que levar\u00e1 nos pr\u00f3ximos dias para uma turn\u00ea europeia, marcado por moods interessantes com uma grande pegada de trip-hop. \u00c9 um som eletr\u00f4nico, feito ao vivo de forma org\u00e2nica e que agrada muito aos ouvidos. A boa surpresa e melhor show da noite ficou por conta dos colombianos da Romperayo, quarteto que levou ao palco principal a sonoridade de ritmos caribenhos tradicionais como cumbia e guaracha, mas reproduzidos em novas leituras que somam jazz, pop e altos sintetizadores. O destaque da banda \u00e9 o baterista, que tamb\u00e9m faz as fun\u00e7\u00f5es de percussionista, e posiciona seu instrumento \u00e0 frente do palco. Superando v\u00e1rios problemas t\u00e9cnicos, o grupo de Bogot\u00e1 fez o show mais animado da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tagore_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pernambucano Tagore encerrou a noite do palco Spotify com um rock nordestino imerso at\u00e9 o pesco\u00e7o nas refer\u00eancias psicod\u00e9licas regionais, como Lula C\u00f4rtes e Z\u00e9 Ramalho. O show bom, curto e direto mostra que o m\u00fasico pode, em futuras edi\u00e7\u00f5es do Bananada, tocar em palcos maiores. J\u00e1 Liniker ostenta revolucion\u00e1rio na hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira. Anote: no futuro ir\u00e1 se falar dessa segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, per\u00edodo onde uma artista superou o raso discurso da sexualidade para entrar de vez para o hall dos grandes nomes da m\u00fasica brasileira. A apresenta\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel no Bananada e a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, principalmente na forma emocionada que participou da can\u00e7\u00e3o \u201cZero\u201d, mostram isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/liniker_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 quase certo que grande parte todo p\u00fablico presente no Centro Cultural Oscar Niemeyer nunca tinha visto ao vivo uma das bandas mais importantes da hist\u00f3ria do rock nacional e, por isso, era explicada a expectativa por ver os Mutantes, que se apresentaria com apenas um integrante da forma\u00e7\u00e3o original. S\u00e9rgio Dias \u00e9 uma lenda viva e poder v\u00ea-lo atuando ainda como um grande virtuose da guitarra \u00e9 um privil\u00e9gio. Come\u00e7ando o show dando uma bronca p\u00fablica no seu roadie e contando das lembran\u00e7as de um long\u00ednquo festival em 1972, no parque \u00c1gua Branca, em S\u00e3o Paulo, o l\u00edder da banda chamou Fabr\u00edcio Nobre ao palco para homenage\u00e1-lo antes de tocar a primeira m\u00fasica do show. Com poucas m\u00fasicas novas no set, Os Mutantes fizeram no Bananada o que o p\u00fablico mais ansiava: uma apresenta\u00e7\u00e3o recheada de cl\u00e1ssicos como \u201cBatmacumba\u201d, \u201cMinha Menina\u201d, \u201cTop Top\u201d, \u201cBalada do Louco\u201d, \u201cAndo Meio Desligado\u201d e, encerrando com um bis emocionante, \u201cPanis et Circenses\u201d<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mutantes_divulgacao.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DIA 7 &#8211; 14\/05\/2017 &#8211; DOMINGO<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o clara do espectador atento \u00e9 de que a edi\u00e7\u00e3o 2017 do Bananada foi feita para ser marcante. Durante os sete dias do evento, a produ\u00e7\u00e3o mostrou que est\u00e1 atento ao que de melhor est\u00e1 acontecendo na m\u00fasica pop brasileira, sem deixar de lado o underground, abrindo o palco para novas bandas, e reverenciando grandes nomes. Essa f\u00f3rmula parece ter dado certo e deve se repetir ainda por algum tempo. A \u00faltima noite de shows foi, inclusive, um resumo disso. Com o dia ainda claro e algumas bandas passando o som em outros palcos, os mineiros do El Toro Fuerte come\u00e7aram seu show no palco Spotify com um p\u00fablico pequeno formado por parentes, amigos e algumas pessoas que queriam aproveitar cada momento do \u00faltimo dia. O quarteto \u00e9 de uma gera\u00e7\u00e3o que teve seu primeiro contato com a m\u00fasica em meados dos anos 2000, durante a explos\u00e3o do emo, e que pouco tempo depois encontrou a MPB e o rock. O resultado disso \u00e9 bem confuso, assim como a voz de um dos vocalistas que soa id\u00eantica em timbre e m\u00e9trica a de Rodrigo Amarante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/teto_preto.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No hor\u00e1rio previsto para o in\u00edcio do show do Rakta, a banda j\u00e1 estava no palco Skol, mas ainda passando o som. Demorou cerca de 30 minutos para o in\u00edcio da apresenta\u00e7\u00e3o de um dos nomes mais badalados de 2016, e a sonoridade No Wave, com batidas retas e sintetizadores, do trio paulistano rendeu um show honesto, mas abaixo da expectativa do p\u00fablico que, em pequeno n\u00famero, at\u00e9 ensaiou pequenos gestos de entusiasmo. O in\u00edcio da noite foi o momento mais pesado do festival. Enquanto o Far From Alaska fazia no palco Chili Beans seu oitavo show em Goi\u00e2nia, o Mad Monkee oferecia distor\u00e7\u00e3o para que estivesse disposto a bater cabe\u00e7a. A banda cearense mostrou can\u00e7\u00f5es do disco lan\u00e7ado este ano, produzido Carlos Eduardo Miranda, um dos apresentadores do Bananada, com um forte de pegada de metal e stoner rock, no melhor estilo Red Fang.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/forgotten.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a novidade de ter o ex-guitarrista Chucky Hip\u00f3tilo na bateria, o Forgotten Boys fez um show dentro do esperado, com riffs e melodias que seus f\u00e3s mais dedicados j\u00e1 conhecem h\u00e1 um bom tempo. A volta de Chucky para banda parece ter dado um som mais cru e direto para o grupo, vide o set de bateria simples e a aus\u00eancia de viradas virtuosas desnecess\u00e1rias. J\u00e1 a apresenta\u00e7\u00e3o da aclamada Teto Preto foi mais visual do que auditiva. N\u00e3o que o som estivesse ruim, mas a vocalista Laura Diaz subiu ao palco Skol com uma grande capa pl\u00e1stica amarela e em poucos minutos ficou nua em pelo. A atitude transgressora aumentou o interesse de parte do p\u00fablico pelo show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tulipa.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequencia, Tulipa Ruiz surgiu para se apresentar diante da grande legi\u00e3o de f\u00e3s que tem na capital goiana. A identifica\u00e7\u00e3o do p\u00fablico feminino com suas can\u00e7\u00f5es que tratam sobre relacionamentos cresceu e fez mais sentido nas tr\u00eas m\u00fasicas que ela cantou com a participa\u00e7\u00e3o surpresa de Liniker, que real\u00e7ou uma apresenta\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era bem \u00f3tima. A maior aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas na frente de um palco durante a noite, por\u00e9m, aconteceu na apresenta\u00e7\u00e3o de Karol Conka, e toda essa multid\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 assistiu ao show como dan\u00e7ou em todas as m\u00fasicas da rapper, que deu uma pr\u00e9via do single que ser\u00e1 lan\u00e7ado nos pr\u00f3ximos dias e que tem como tem\u00e1tica o sexo oral feminino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/karolconka1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande expectativa da noite (e do festival) era para o show de Mano Brown e seu \u201cBoogie Naipe\u201d \u2013 essa seria apenas a segunda vez que o l\u00edder do Racionais Mcs apresentaria seu show solo, lan\u00e7ado dias antes em S\u00e3o Paulo. Acostumado a ter ao seu lado em cima do palco os tr\u00eas parceiros que formam o maior grupo de rap da hist\u00f3ria do Brasil, dessa vez Brown surge acompanhado de um big band formada por nada mais que 13 m\u00fasicos. E \u00e9 a banda Boogie Naipe que d\u00e1 ao show um aspecto de baile black paulistano dos anos 70, com pesados funks, soul e R&amp;B. \u00c9 nesse clima de festa que surge um outro Mano Brown, que ri, dan\u00e7a, bebe e fuma no palco, diferente daquele que se apresenta nos shows do Racionais sempre de cara emburrada e com grandes discursos sociais. Seu Jorge, que faria apenas uma participa\u00e7\u00e3o durante o show, n\u00e3o saiu mais do palco depois que entrou e passou a ser mais um integrante da banda se revezando entre a flauta transversa e os backing vocals. Muita gente esperava que um dos grandes nomes da m\u00fasica negra brasileira entoasse algum cl\u00e1ssico dos Racionais, mas ao inv\u00e9s de frustra\u00e7\u00e3o, a maior parte do p\u00fablico deixou o Centro Cultural Oscar Niemeyer com uma grande satisfa\u00e7\u00e3o e uma grata surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/manobrown.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s sete dias de shows, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o Bananada tem o m\u00e9rito de ser um festival que preza pela diversidade e isso conta a favor tanto das pessoas que v\u00e3o \u00e0 Goi\u00e2nia em busca de novidades, como para aquelas que s\u00e3o f\u00e3s de determinado estilo, pois \u00e9 certo que o evento de alguma forma vai agradar em algum momento. O saldo final do festival \u00e9 bastante positivo, reunindo alguns dos melhores shows do pa\u00eds na atualidade, mas, para os pr\u00f3ximos anos, a organiza\u00e7\u00e3o precisa ter mais cuidado com a quest\u00e3o dos hor\u00e1rios, afinal de contas o p\u00fablico n\u00e3o paga ingresso para assistir passagem de som, e um atraso em um palco atrapalha quem sai de casa com os hor\u00e1rios planejados antecipadamente. \u00c9 um problema menor, mas que precisa ser sanado para que o festival se torne impec\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/karolconka3.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"curator-description\">&#8211; Gil Luiz Mendes (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes<\/a>), jornalista, 32 anos, viveu boa parte da vida no Recife e hoje mistura a sua loucura com a de S\u00e3o Paulo. Tem passagens pelas r\u00e1dios Jornal do Commercio, CBN , Central3 e tem textos publicados no IG e na Carta Capital. \u00c9 skatista e m\u00fasico quando d\u00e1 tempo.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A sensa\u00e7\u00e3o clara do espectador atento \u00e9 de que a edi\u00e7\u00e3o 2017 do Bananada foi feita para ser marcante! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/09\/balancao-bananada-2017-em-goiania\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":40,"featured_media":42901,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1948,1127,1925,1870,1938,231,1946,1128,1926,1935,1941,1943,214,191,1788,1952,1942,926,1500,1934,1951,1936,1927,1944,1453,1953,1939,1908,1949,1928,1945,839,1572,977,1937,1848,1947],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42787"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/40"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42787"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42787\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42792,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42787\/revisions\/42792"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}