{"id":42725,"date":"2017-05-03T00:02:22","date_gmt":"2017-05-03T03:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42725"},"modified":"2017-05-20T15:04:05","modified_gmt":"2017-05-20T18:04:05","slug":"conexao-latina-kevin-johansen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/03\/conexao-latina-kevin-johansen\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Latina: Kevin Johansen"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhece Kevin Johansen? Ele pode ter passado pelo seu caminho sem voc\u00ea saber, afinal o rapaz j\u00e1 fez muitos shows no Brasil, gravou participa\u00e7\u00e3o em programas de TV daqui, e n\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil encontrar can\u00e7\u00f5es dele em muitas das playlists populares dos servi\u00e7os de streaming. Ainda n\u00e3o associou nome \u00e0 pessoa? Ajuda se eu disser que \u00e9 um sujeito nascido no Alasca, que cresceu em Buenos Aires, passou um tempo no Uruguai e hoje reside novamente na Argentina, onde ocupa aquela posi\u00e7\u00e3o de \u201cconhecido o bastante para n\u00e3o ser underground, n\u00e3o t\u00e3o pop a ponto de ser mainstream\u201d? Que \u00e9 um cidad\u00e3o bem apessoado, que canta em pelo menos tr\u00eas idiomas (espanhol, portugu\u00eas e ingl\u00eas) e adora fazer letras com trocadilhos lingu\u00edsticos? E que ele j\u00e1 apareceu em muitos quadrinhos do Liniers (o autor das tiras Macanudo), virando at\u00e9 parceiro musical do quadrinhista, a ponto de excursionarem juntos em um projeto que misturava ilustra\u00e7\u00e3o e m\u00fasica (e que, veja s\u00f3, passou pelo Brasil tamb\u00e9m)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois \u00e9, Kevin Johansen sempre esteve por perto, e veja que nem mencionamos suas turn\u00eas internacionais, que j\u00e1 inclu\u00edram Europa e Austr\u00e1lia, sempre acompanhado da banda The Nada (como se disse, ele adora trocadilhos lingu\u00edsticos&#8230;). Sua m\u00fasica \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o do folk de seu pa\u00eds natal com o daqueles pa\u00edses onde morou. Cabe nela um apelo pop muito grande, que \u00e9 adequado ao seu incomum \u201ccanto falado\u201d, grave e baixa, e ajuda a compor o carimbo pessoal de suas can\u00e7\u00f5es. Risonho e sem pressa, Johansen conversou com o Scream &amp; Yell por telefone a duas semanas de uma nova temporada brasileira. Como em suas can\u00e7\u00f5es, misturava os tr\u00eas idiomas, e o resultado lingu\u00edstico soava muito peculiar. Por\u00e9m, optou-se por traduzir integralmente para o portugu\u00eas, para assegurar a clareza da leitura. Confira abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3OHmXp--RAM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua rela\u00e7\u00e3o com o Brasil j\u00e1 \u00e9 extensa: tocou aqui muitas vezes, colaborou com artistas locais, tem toda sua amizade e parceria art\u00edstica com o Paulinho Moska&#8230; Voc\u00ea se lembra como isso come\u00e7ou, o que desencadeou essa rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3xima com o Brasil?<\/strong><br \/>\nSim. Come\u00e7ou com meu amigo Jorge Drexler, que me falou do Paulinho [Moska] e me apresentou para ele. Tamb\u00e9m teve um festival em Porto Alegre, n\u00e3o me lembro qual, foi em 2004, ou 2005. Minha amizade com Jorge e com Paulinho cresceu, e ele teve vontade de me levar para tocar no S\u00e3o Paulo e no Rio, l\u00e1 por 2006 ou 2007. Foi o come\u00e7o da nossa \u201csociedade\u201d, e come\u00e7amos a fazer alguns shows mais seguidos sempre no Rio e em S\u00e3o Paulo. Eu e minha banda tamb\u00e9m abrimos uns shows da Vanessa da Mata, tamb\u00e9m rolaram alguns programas de interc\u00e2mbio latino-americano e um deles nos levou \u00e0 Bras\u00edlia. Teve mais algumas desculpas para irmos a\u00ed (risos), ent\u00e3o estamos sempre passando por esse grande pa\u00eds, do norte ao sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea veio aqui com o Liniers uma vez. Ele n\u00e3o \u00e9 propriamente um artista massivo, mas certamente \u00e9 um dos quadrinistas estrangeiros mais conhecidos por aqui. Pode ter tido um bom n\u00famero de pessoas que foi no show porque o conhecia, mas n\u00e3o sabia quem voc\u00ea era (risos). Uma situa\u00e7\u00e3o de um n\u00e3o-m\u00fasico atraindo para a m\u00fasica, talvez. Deve ter sido uma experi\u00eancia bem at\u00edpica.<\/strong><br \/>\nLiniers faz algo que n\u00e3o se escuta e eu fa\u00e7o algo que n\u00e3o se v\u00ea \u2013 porque a m\u00fasica \u00e9 invis\u00edvel. Foi algo muito org\u00e2nico que surgiu da nossa amizade e da vontade de fazer algo juntos. Descobrimos que o p\u00fablico gostava das duas disciplinas de uma maneira encantadora, e foi um primeiro descobrimento de uma forma de apresentar a m\u00fasica e a arte conjuntamente. Bom, sempre houve colabora\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos com artistas pl\u00e1sticos na hist\u00f3ria, n\u00e3o d\u00e1 para dizer que inventamos a p\u00f3lvora. Simplesmente encontramos nossa forma de faz\u00ea-lo: um desenhista em uma c\u00e2mera digital projetando as imagens em tamanho grande paralelamente \u00e0s can\u00e7\u00f5es. Registramos isso no DVD \u201cViva M\u00e9xico\u201d e isso nos permitiu passar por boa parte da Am\u00e9rica Latina. No Brasil, chegamos quando come\u00e7\u00e1vamos com essa ideia, n\u00e3o chegou a ser uma apresenta\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E existe a possibilidade de voc\u00eas voltarem a passar por aqui novamente, s\u00f3 que com a apresenta\u00e7\u00e3o oficial?<\/strong><br \/>\nSim (ri). S\u00f3 que agora ele est\u00e1 morando em Vermont, na Am\u00e9rica do Norte, e eu moro em Buenos Aires. Estamos um pouco distantes, e eu estou com as apresenta\u00e7\u00f5es do \u201cMis Americas\u201d. J\u00e1 faz seis meses que n\u00e3o nos vemos, mas vamos nos encontrar agora que ele vir\u00e1 para a Feira do Livro de Buenos Aires, e estou muito feliz por isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T1fJQgLBoiM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em toda sua trajet\u00f3ria, as colabora\u00e7\u00f5es s\u00e3o comuns. H\u00e1 algum artista de Brasil com quem voc\u00ea gostaria de colaborar, al\u00e9m dos muitos que j\u00e1 gravaram contigo, como Kassin, Arnaldo Antunes (em \u201cTorcer a Favor\u201d, de 2016) e Moska?<\/strong><br \/>\nUh, milhares! (risos) \u00c9 um pouco como diz Paulinho: a m\u00fasica no Brasil \u00e9 imensur\u00e1vel. Ele fala que h\u00e1 g\u00eaneros e estilos que nem ele, brasileiro, conhece. \u00c9 uma hist\u00f3ria t\u00e3o vasta, n\u00e3o d\u00e1 para aprender tudo o que acontece no pa\u00eds. Sempre digo que o Brasil \u00e9 um imperialista musical, pela forma que sua m\u00fasica conquistou o mundo. O boom p\u00f3s-bossa nova foi o que mais me chegou por aqui, os tropicalistas dos anos 70 foram muito fortes em Buenos Aires. Chico Buarque, Maria Beth\u00e2nia, Gal Costa e os cl\u00e1ssicos dos 70. Tenho a sorte de tocar com Zurdo Roizner, o mesmo baterista que tocou em La Fusa (casa de shows portenha) com Vinicius de Moraes (no disco \u201cGrabado en Buenos Aires con Maria Creuza y Toquinho\u201d). \u00c9 um baterista de 77 anos (risos), e j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 quase 14 anos comigo, conta umas hist\u00f3rias incr\u00edveis&#8230; Mas voltando \u00e0 sua pergunta: quando fui tocar no CCC (Centro Cultural Carioca) com Paulinho, Caetano foi nos ver. Ele foi muito querido, nos convidou a comer pizza com ele&#8230; Caetano \u00e9 uma dessas fantasias l\u00f3gicas que um m\u00fasico tem de colaborar em algum momento, assim como com todos os grandes. Depois tem o pessoal que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo geracionalmente, como a Maria Gad\u00fa, com quem eu e Paulinho gravamos uma vers\u00e3o de \u201cOh My Love, My Love\u201d, Paula Toller fez vers\u00f5es minhas (\u201c\u00c0 Noite Sonhei Contigo\u201d e \u201cGlass (I\u2019m So Brazilian)\u201d), eu cantei com a Daniela Mercury&#8230; Creio que a m\u00fasica latino-americana em espanhol tem seu lugar, a brasileira tamb\u00e9m, e s\u00e3o mercados t\u00e3o grandes que \u00e9 um milagre j\u00e1 quando se consegue meter o p\u00e9 na porta. \u00c9 um milagre para mim ir quase todos os anos a S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma base para continuar crescendo. \u00c9 algo que acaba de come\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a quest\u00e3o idiom\u00e1tica? O jogo das palavras, explorando ao m\u00e1ximo o sentido delas, \u00e9 uma das caracter\u00edsticas de sua composi\u00e7\u00e3o. A maior parte das letras s\u00e3o em espanhol ou em ingl\u00eas, mas o portugu\u00eas aparece vez ou outra. Como \u00e9 nosso idioma para voc\u00ea, em termos de sonoridade e po\u00e9tica?<\/strong><br \/>\nAcredito que o portugu\u00eas tem algo muito universal, n\u00e3o? \u00c9 uma ilha lingu\u00edstica. Temos um espelho da pen\u00ednsula ib\u00e9rica, Portugal e Espanha, na forma\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica do nosso continente. Tenho a sorte de ser filho de uma m\u00e3e intelectual, que se dedicava \u00e0s letras, e vem da\u00ed a curiosidade pelos idiomas e letras. Minha m\u00e3e falava bem o portugu\u00eas e nos incentivava a praticar o idioma. De algum modo \u2013 obviamente muito intuitivo \u2013 e com as viagens ao Brasil, deu para ir adquirindo um vocabul\u00e1rio. Eu me interesso pelos climas, as culturas, de algum modo sou um subtropicalista (risos). Porque o clima marca as culturas: aqui temos um clima mais como Londres, mais europeu, e quanto mais pro sul [da Argentina], mais frio. Tamb\u00e9m se dizia que Buenos Aires era a Paris do Sul. Temos o tango, h\u00e1 mais italianos, ent\u00e3o somos mais fanfarr\u00f5es e, em alguns momentos, antip\u00e1ticos, apaixonados (risos). Mas tamb\u00e9m se aprecia o que a outra cultura tem. Estamos longe idiomaticamente: acredito que na Am\u00e9rica de hablaespana dever\u00edamos aprender o portugu\u00eas como segunda l\u00edngua, e no Brasil, deveria ser ensinado o espanhol como segunda l\u00edngua, para estarmos mais ligados. E em segunda inst\u00e2ncia, dever\u00edamos todos aprender o ingl\u00eas, porque \u00e9 um idioma universal importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas continuamos como uma ilha. Nem nas cidades fronteiri\u00e7as \u00e9 comum encontrar brasileiros que falem espanhol.<\/strong><br \/>\nTotalmente. \u00c0s vezes fico chocado quando um jornalista brasileiro me diz: \u201cPodemos fazer a entrevista em ingl\u00eas\u201d. Como assim? (risos) Vamos tentar nos comunicar em portunhol, cada um fala um pouco seu idioma&#8230; (risos) \u00c9 uma luta constante, e creio que tem raiz na hist\u00f3ria entre Portugal e Espanha. Aconteceram coisas entre os dois pa\u00edses, culturalmente, para dividir uma pen\u00ednsula (risos). Mas podemos tamb\u00e9m pensar nas pequenas ilhas que h\u00e1 na Espanha, n\u00e3o? Pa\u00eds Basco, Catalunha, Gal\u00edcia&#8230; Gal\u00edcia tem um portunhol marcado, n\u00e9? (risos) O surpreendente \u00e9 que o Brasil conseguiu unificar sua linguagem mesmo em um territ\u00f3rio t\u00e3o vasto, e conseguiu encontrar sua identidade. Levou tempo, e acho que agora vejo que o Brasil est\u00e1 come\u00e7ando a olhar um pouquinho para o resto da Am\u00e9rica Latina, que j\u00e1 abra\u00e7a o Brasil faz tempo. O Brasil s\u00f3 tem que parar de nos dar as costas, olhar para n\u00f3s. Por\u00e9m, Buenos Aires tamb\u00e9m sempre olhou para a Europa, e nisso existe uma identifica\u00e7\u00e3o entre Brasil e Argentina: primeiro vamos para o norte, e depois vamos para os arredores, para a Am\u00e9rica Latina. No \u201cMis Americas\u201d falo muito celebrar as diferen\u00e7as \u2013 que \u00e9 o contr\u00e1rio do que o Trump diz, o discurso de temer as diferen\u00e7as. Se fosse tudo igual, seria tudo muito chato, n\u00e3o?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gOvED7cWjQc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falemos de \u201cMis Americas\u201d, inclusive. Ele vem mais um pouco mais dan\u00e7ante e bem mais pop \u2013 s\u00e3o duas dire\u00e7\u00f5es que vem aparecendo cada vez mais na sua obra. O que tem te empurrado nessa dire\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFoi um caminho muito org\u00e2nico. Mat\u00edas Cella, produtor e amigo que trabalha muito comigo e com Drexler, me disse: \u201cPor que n\u00e3o vamos para Nova Iorque e gravamos com seus amigos dos anos 90?\u201d Eu vivi ali at\u00e9 os anos 2000. Fomos e gravamos num est\u00fadio do Brooklyn. Mat\u00edas tamb\u00e9m falava muito do Kassin, que queria trabalhar com ele, e fomos para Botafogo, no Rio, e trabalhamos com ele. Por fim, viemos a Buenos Aires, juntamos The Nada \u2013 que me acompanha j\u00e1 h\u00e1 quase 15 anos \u2013 e terminamos. O t\u00edtulo \u201cMis Americas\u201d me pareceu acertado [nesse contexto], e coloquei o subt\u00edtulo \u201cVolume \u00bd\u201d (\u201cvolume meio\u201d) em vez de \u201cvolume 1\u201d, porque era o princ\u00edpio das Am\u00e9ricas que eu conhe\u00e7o, que s\u00e3o os pa\u00edses do Atl\u00e2ntico Sul, mais Nova Iorque, que foi onde vivi dos 25 aos 335 anos, e tamb\u00e9m na inf\u00e2ncia. Vivi na \u201cWest Coast\u201d quando crian\u00e7a, e na \u201cEast Coast\u201d de adulta. De algum modo, \u201cMis Americas\u201d tem esse som muito urbano, no qual entra o folclore urbano, que tamb\u00e9m \u00e9 pop, e alguns sons roqueiros. Mas est\u00e1 atravessado pelo folk do Norte e o do Sul, porque eu queria muito ter um som bem ac\u00fastico, que \u00e9 a nossa cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMis Am\u00e9ricas\u201d saiu no ano passado, voc\u00ea o tocou bastante ao vivo. Isso deve ter mudado sua vis\u00e3o dessas can\u00e7\u00f5es. Assim sendo, quando vier um poss\u00edvel pr\u00f3ximo volume, voc\u00ea consegue antever o que ele trar\u00e1?<\/strong><br \/>\nSim, ser\u00e1 o \u201cvolume \u00be\u201d (risos). De fato, estou trabalhando nisso. Sempre sobra um disco inteiro de cada disco, n\u00e9? Estou trabalhando umas coisas muito brasileiras, que tenho vontade que entrem no pr\u00f3ximo disco, e quero continuar trabalhando com Kassin, porque foi uma experi\u00eancia linda. Sobraram duas faixas, que certamente estar\u00e3o no pr\u00f3ximo disco. Uma se chama \u201cMi Querido Brasil\u201d, que \u00e9 uma homenagem ao pa\u00eds, \u00e0 sua cultura, que eu pessoalmente adoro, e o outro, que tem um som bem urbano brasileiro, um pouco funky, que se chama \u201cTortura\u201d, que fala de uma rela\u00e7\u00e3o amorosa de longe. H\u00e1 um nativo de Cuba, tem um aceno ao country e ao folk norte-americano, haver\u00e1 algo mexicano tamb\u00e9m \u2013 o M\u00e9xico \u00e9 outro imperialismo musical enorme, com suas cores e sons caracter\u00edsticos. Vamos investigar um bocado, mas vamos aos poucos, porque \u00e9 um plano ambicioso, mas que deve ser conduzido com humildade para preservar os estilos e execut\u00e1-los fielmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 um grande f\u00e3 de m\u00fasica, d\u00e1 para notar&#8230;<\/strong><br \/>\nHehehe, sim!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230; ent\u00e3o, para encerrar, falemos de suas vers\u00f5es. Voc\u00ea faz um bom n\u00famero delas, e fica claro que empresta sua sonoridade para todas, ainda que consiga tamb\u00e9m deixar o elemento essencial da original ali. \u201cLa Estaca\u201d, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NzI8FGLQBo0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que voc\u00ea gravou para o tributo aos Aterciopelados<\/a>, \u201cEl Dorado\u201d, \u00e9 um \u00f3timo exemplo disso: o deboche da original persiste, mas sem a f\u00faria punk, ela vem outro humor e bem mais folk. Quais os crit\u00e9rios que voc\u00ea emprega na hora de escolher e arranjar as can\u00e7\u00f5es que voc\u00ea vai recriar?<\/strong><br \/>\n(ri) Para mim, um bom cover ou uma boa vers\u00e3o acontece quando voc\u00ea se apropria da can\u00e7\u00e3o, sente-a como algo pr\u00f3prio, e ao mesmo tempo, voc\u00ea tem que confiar que a can\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa que ela pode sobreviver a qualquer transmuta\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica. Por exemplo, fiz uma vers\u00e3o country de \u201cModern Love\u201d, de David Bowie, totalmente lenta, ou seja, o contr\u00e1rio da original, que \u00e9 um pop oitentista, veloz, r\u00e1pido. Agora, por exemplo, estou fazendo uma vers\u00e3o de \u201cPerfect Day\u201d, de Lou Reed, como folclore argentino, um zamba (pronunciado como o \u201csamba\u201d brasileiro, mas \u00e9 um ritmo tradicional da prov\u00edncia de Salta). Fiz tamb\u00e9m temas de Caetano, fiz uma vers\u00e3o de \u201cMenino do Rio\u201d, que me pareceu uma vers\u00e3o acabada, melhor que a original. Fiz tamb\u00e9m uma de \u201cTrilhos Urbanos\u201d, uma can\u00e7\u00e3o que gosto muito. Tento sempre, ou quase sempre, fazer a vers\u00e3o de um modo diferente da original, e a\u00ed fica demonstrado que uma cria\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 sobreviver ao mau gosto dos arranjos da \u00e9poca (risos). Porque \u00e0s vezes a moda era aquele som horr\u00edvel de teclado (risos), que nos soa feio hoje em dia. Mas a\u00ed voc\u00ea vai, tira esse som, e v\u00ea que sobra uma can\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel em termos de estrutura. Eu gosto de ir atr\u00e1s da est\u00e9tica e da estrutura das can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PW8pEV6B2Ew?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/81QoLJrr2nc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na Argentina, Kevin onde ocupa aquela posi\u00e7\u00e3o de \u201cconhecido o bastante para n\u00e3o ser underground, n\u00e3o t\u00e3o pop a ponto de ser mainstream\u201d. Saiba mais sobre ele!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/03\/conexao-latina-kevin-johansen\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":42726,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,1529],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42725"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42725"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42725\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42764,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42725\/revisions\/42764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}