{"id":42664,"date":"2017-04-27T23:48:45","date_gmt":"2017-04-28T02:48:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42664"},"modified":"2017-05-28T14:38:07","modified_gmt":"2017-05-28T17:38:07","slug":"balanco-festival-sonido-2017-belem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/27\/balanco-festival-sonido-2017-belem\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: Festival Sonido 2017, Bel\u00e9m"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nFotos por Bruno Carachesti e Liliane Moreira<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um festival de m\u00fasica instrumental lotando um espa\u00e7o que \u00e9 uma verdadeira joia arquitet\u00f4nica do Norte do Brasil por duas noites seguidas. Parece delirante, mas a afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fruto de uma insola\u00e7\u00e3o ou da ingest\u00e3o de ervas amaz\u00f4nicas com poderes psicotr\u00f3picos. \u00c9 um resumo bastante justo do que foi a segunda edi\u00e7\u00e3o do Festival Sonido, que aconteceu nos dias 20 e 21 de abril na capital paraense. Embora seja a segunda edi\u00e7\u00e3o, os organizadores do evento s\u00e3o veteranos: Marcelo Damaso e Renee Chalu, da Se Rasgum Produ\u00e7\u00f5es, organizam h\u00e1 11 anos o festival que leva o nome de sua produtora. A experi\u00eancia de ambos ajuda a nortear uma curadoria que equilibra metade de atra\u00e7\u00f5es locais e a metade de outros Estados do pa\u00eds. S\u00e3o duas noites de entrada gratuita, com quatro shows cada, tudo no Mercado de Carnes Francisco Bolonha, a por\u00e7\u00e3o mais carn\u00edvora do famoso mercado Ver-o-Peso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42665\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00e9dio \u00e9 um espet\u00e1culo: mesmo que a conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja das melhores, \u00e9 um dos mais belos exemplos do estilo neocl\u00e1ssico, com quatro pavilh\u00f5es met\u00e1licos que abrigam os boxes comerciais, que durante o festival vendiam de vatap\u00e1 a cachorro-quente, e cerveja long neck a inacredit\u00e1veis R$ 3. Na fachada, um videomapping concebido por Roberta Carvalho com imagens da Bel\u00e9m antiga, seus azulejos e outros detalhes ajudava a compor o visual \u00fanico, enquanto os spots de luz em funcionamento na parte interna, que \u00e9 coberta apenas parcialmente, davam um tom de del\u00edrio da selva \u00e0 coisa toda, mesmo quase n\u00e3o havendo vegeta\u00e7\u00e3o por perto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42667\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira noite, um temporal desabou pouco antes do in\u00edcio festival, se transformando logo depois em uma chuva fina e insistente. Isso gerou um pequeno atraso (14 minutos). Formou-se uma curiosa sequencia de guarda-chuvas coloridas mais pr\u00f3ximos ao palco, embora muitos dos presentes n\u00e3o se incomodassem com o tempo (\u201cAqui \u00e9 Bel\u00e9m, a gente t\u00e1 mais que acostumado\u201d, me disse um motorista de Uber que se deu folga para estar ali). O Jardim Percussivo abriu o festival. Trata-se de um projeto do m\u00fasico e professor Marcio Jardim, bastante conhecido na cidade. Com alguns de seus alunos, montou uma numerosa agremia\u00e7\u00e3o que faz jus ao nome. O resultado, ao contr\u00e1rio do que esse background pode sugerir, \u00e9 bastante cerebral \u2013 acad\u00eamico mesmo. Cada batida parece ter sido pensada, o volume cuidadosamente dimensionado. Em alguns minutos, \u00e9 \u00e9pico. Em outros, soa como uma esp\u00e9cie de cruzamento de rock progressivo (h\u00e1 guitarra e baixo) com jazz fusion. No fim, e bom, mas n\u00e3o emociona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42668\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tom j\u00e1 mudaria radicalmente com o segundo show, um encontro entre os tamb\u00e9m locais Rafael Azevedo e N\u00eago J\u00f3. Ambos s\u00e3o m\u00fasicos com trabalhos fortemente apoiado no groove, principalmente no funk, e a jun\u00e7\u00e3o de ambos no mesmo palco foi a convite do festival \u2013 faz parte da premissa do Sonido promover encontros musicais. E a proposta deu certo: com o fim da chuva e uma apresenta\u00e7\u00e3o mais org\u00e2nica, comprovou-se o mito de que os belenenses saem de casa para dan\u00e7ar, e nunca dan\u00e7ar pouco. A coisa come\u00e7ou com um pezinho nos anos 80 \u2013 a quem duvidasse disso, bastaria ver o visual de N\u00eago J\u00f3, que ainda tocava keytar, aquele teclado apoiado na bra\u00e7adeira. Por\u00e9m, a raiz musical era o funk 70 classic\u00e3o mesmo. Azevedo (baixo) veio acompanhado de sua banda e foi o seu repert\u00f3rio que ocupou a primeira metade do show. Sabe aquelas trilhas sonoras de filme de a\u00e7\u00e3o, aquelas que voc\u00ea nunca sabe quem est\u00e1 tocando, mas n\u00e3o consegue deixar de esbo\u00e7ar uma dan\u00e7adinha? Ent\u00e3o, ia por a\u00ed. Mas quando Nego J\u00f3 deixou as teclas e assumiu o trombone, a coisa mudou de figura. As harmonias ficaram mais velozes e pesadas, e a presen\u00e7a de palco do N\u00eago, que agora puxava a banda (todos com cara de que estavam se divertindo horrores), fez o Mercado de Carnes virar um bail\u00e3o sem cheiro de bolor. Teve at\u00e9 seguran\u00e7a deixando seu posto para ver o show mais de perto, com um sorris\u00e3o no rosto. Enquanto isso, um sujeito que parecia uma vers\u00e3o reduzida do Brandon Lee em \u201cO Corvo\u201d entrou c\u00e9lere em um dos boxes vazios do mercado e dan\u00e7ou animada e ininterruptamente para si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42669\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido5-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por falar em ficar \u00e0 vontade, o clima era de chamego livre, com casais de todos os tipos, o que chegava a impressionar. Voc\u00ea pode argumentar que isso n\u00e3o deveria ser motivo de aten\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 correto. Por\u00e9m, sabemos que o mundo n\u00e3o obedece \u00e0 l\u00f3gica do respeito e da civilidade, e que n\u00e3o \u00e9 em todo lugar que \u201cn\u00e3o-h\u00e9teros\u201d podem se beijar sem medo de alguma repres\u00e1lia. Ali, isso n\u00e3o era problema algum \u2013 e lembre-se que \u00e9 uma parte vital da cidade. Mais um ponto para Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42670\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com seus uniformes pretos que n\u00e3o ornavam com o clima abafado, o quarteto Aeromo\u00e7as e Tenistas Russas, de S\u00e3o Carlos (SP), se dividiu entre samples, controladoras, bateria, percuss\u00e3o eletr\u00f4nica, guitarra e baixo para trazer um som inspirado em diferentes fontes: rock oitentista, trance, dubstep e ambient se misturavam e ganhavam uma releitura mais tecnol\u00f3gica. Era a primeira apresenta\u00e7\u00e3o de seu novo show, e a fartura de trilhas e programa\u00e7\u00f5es contrastou com a organicidade da apresenta\u00e7\u00e3o anterior, mas isso n\u00e3o representou problemas. O come\u00e7o sugeria que estar\u00edamos diante do show da noite: p\u00fablico dan\u00e7ando e batendo palmas, berrando ap\u00f3s trechos empolgantes, essas coisas. Por\u00e9m, se perderam na introdu\u00e7\u00e3o de um tema, que repetiram por nada menos que tr\u00eas vezes, Faltou aos s\u00e3o-carlenses um pouco mais de tranquilidade para lidar com essa situa\u00e7\u00e3o \u2013 acabaram perdendo a conex\u00e3o que tinham estabelecido com o p\u00fablico e tiveram que suar para recuper\u00e1-la. Conseguiram: o saldo final foi positivo. Poderia ter sido excepcional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42671\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido7-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O brasiliense <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/21\/tres-perguntas_esdras-nogueira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Esdras Nogueira<\/a> fechou a noite. O ex-M\u00f3veis Coloniais de Acaju alterna suas can\u00e7\u00f5es com temas de gente como Hamilton de Hollanda, Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal, entre outros \u2013 a nata da m\u00fasica instrumental brasileira. Nesse repert\u00f3rio, ele e seus m\u00fasicos encontram caminhos inesperados, trazendo peso sem abandonar as nuances. O saxofone, instrumento de Nogueira \u00e9 obviamente a estrela, mas ele dialoga bastante com a forte base percussiva (o baterista em especial \u00e9 um monstro). Desse relacionamento nasce a din\u00e2mica do show, que mesmo n\u00e3o sendo dan\u00e7ante do come\u00e7o ao fim, mant\u00e9m a hipnose. N\u00e3o estivesse o termo t\u00e3o barateado pelo mau uso, poder\u00edamos dizer que foi psicod\u00e9lico, j\u00e1 que a viagem instrumental empurrava a cabe\u00e7a para longe, enquanto o corpo dava um jeito de se mexer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42672\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido8-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda noite come\u00e7ou atraso de quase uma hora \u2013 problemas na passagem de som come\u00e7aram cedo e se repetiram para todos os artistas. Eram 19:55 quando o quinteto Albery Project come\u00e7ou seu show, novamente sob uma chuva fina que mais aumentava a sensa\u00e7\u00e3o de calor que refrescava. Casa mais cheia que no dia anterior, e l\u00e1 pelas 21 horas a entrada j\u00e1 estava fechada, com a entrada de mais pessoas liberada apenas ap\u00f3s a sa\u00edda de outras tantas. Albery Albuquerque \u00e9 um personagem sem igual. Sua carreira remonta \u00e0 d\u00e9cada de 70, quando integrava a banda O Sol do Meio-Dia. Porem, ele ficou 18 anos sem se apresentar (\u201cTinha dois empregos, eu precisava trabalhar e n\u00e3o podia mais ter uma rela\u00e7\u00e3o com o viol\u00e3o como eu acho que teria que ser\u201d, diria mais tarde) Sua pesquisa musical busca mapear sons da natureza e conceitos da f\u00edsica (isso mesmo!) para poder \u201cidentificar as linguagens\u201d e ser capaz de compor e improvisar a partir delas. N\u00e3o, ele n\u00e3o faz transcri\u00e7\u00f5es musicais de cantos de p\u00e1ssaros (\u201cIsso seria chato, sem sentido\u201d), A coisa \u00e9, definitivamente, outra, e infelizmente suas grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio, dispon\u00edveis online, n\u00e3o fazem jus ao que acontece ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42673\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido9.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido9-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim como eu posso mapear, estudar e aprender, a linguagem da bossa nova e compor uma can\u00e7\u00e3o nesse estilo sem plagiar Tom Jobim, posso mapear a linguagem do tucano e compor \u2018em tucano\u2019\u201d, explica. Engana-se quem pensa que isso resulta em uma sonoridade complacente ou \u201cnew age\u201d: O som \u00e9 cheio, encorpado, e \u00e9 surpreendentemente como ele consegue cativar o p\u00fablico e, como se diz em dramaturgia, fazer todos respirarem na mesma frequ\u00eancia. Em alguns momentos, \u00e9 poss\u00edvel pensar num cruzamento de Frank Zappa (sem escatologia, claro) com Hermeto Pascoal. Uma grande figura \u2013 e um show brilhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42674\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido10.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido10.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido10-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa onda contagiou o p\u00fablico, que acolheu bem o quarteto Astronauta Marinho, de Fortaleza. Sua receita de p\u00f3s-rock e minimalismo segue a f\u00f3rmula \u201ccome\u00e7o introspectivo seguido de acelera\u00e7\u00e3o\/explos\u00e3o\u201d. Fosse num teatro ou em um show s\u00f3 deles, talvez a percep\u00e7\u00e3o fosse outra, mas o Albery Project tinha colocado o sarrafo numa altura bastante elevada, e isso favoreceu a impress\u00e3o de que o Astronauta flutuasse naquela \u00f3rbita de \u201cmais do mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42675\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido11-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas Estrela &amp; Uan\u00e1 System, segundo encontro promovido pelo festival, subiu ao palco com status de grande atra\u00e7\u00e3o da noite, e fez (muito) por merec\u00ea-lo. Uan\u00e1 System \u00e9 uma dupla que conta com Waldo Squash (Gang do Eletro) e Luan Rodrigues montando fus\u00f5es audiovisuais da m\u00fasica paraense e da est\u00e9tica eletr\u00f4nica. Lucas \u00e9 um prod\u00edgio local. Com uma apar\u00eancia entre Pepeu Gomes e David Bowie, com direito a guitarra cravejada de pequenas l\u00e2mpadas, ele tem toda a persona do pop star, para o bem e para o mal. Apesar de jovem, tem dom\u00ednio absoluto de p\u00fablico \u2013 a ponto de apresentar a banda ainda na segunda can\u00e7\u00e3o sem deixar a energia cair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42676\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido13-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O repert\u00f3rio combinou can\u00e7\u00f5es de seu primeiro \u00e1lbum, \u201cSal ou Moscou\u201d, e trouxe algumas de seu sucessor, ainda sem t\u00edtulo, a ser lan\u00e7ado em agosto pela Natura Musical, acrescido das composi\u00e7\u00f5es do Uan\u00e1. Lucas tira timbres \u00fanicos de sua guitarra, e dobra muitos de seus riffs com o saxofone. A dupla, por sua vez, pesava nos graves em suas batidas, e conseguiu puxar um espont\u00e2neo coro de \u201cFora, Temer\u201d s\u00f3 com seus beats (que viria a ser repetido mesmo ap\u00f3s o fim do show). Carimb\u00f3, guitarrada, cumbia, rock e lambada passavam por esse filtro \u201ctecnoamaz\u00f4nico\u201d e se transformavam em outra coisa que ainda n\u00e3o tem nome, mas j\u00e1 d\u00e1 para saber que \u00e9 \u00fanica. Showza\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42677\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido14.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido14.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido14-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A responsabilidade de passar a r\u00e9gua no Sonido coube ao paulistano <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/18\/entrevista-quartabe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quartab\u00ea<\/a>. Quem os viu ao vivo sabe que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o curtir suas releituras de Moacir Santos: n\u00e3o h\u00e1 nenhum momento musical previs\u00edvel, e as folias de Maria, Mari\u00e1, Ana Karina, Joana e Chic\u00e3o s\u00e3o algo a se observar por si s\u00f3. Todos vestidos em uniformes escolares \u201ctrocados\u201d (as mo\u00e7as de shorts e o mancebo de saia), passeiam pelo palco como se fossem crian\u00e7as brincando no intervalo entre as aulas (as caretas da baterista Mari\u00e1 Portugal, em especial, s\u00e3o impag\u00e1veis). Por\u00e9m, a Quartab\u00ea \u00e9 uma dona de uma sonoridade com muitos sil\u00eancios, e o clima deixado pelo show anterior era de explos\u00e3o. Cerca de um quarto dos presentes acabou indo embora, mas quem ficou topou brincar junto, e a noite terminou de forma divertida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42679\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido12.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido12.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido12-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presenciar um festival como o Sonido permite fazer algumas dedu\u00e7\u00f5es, e at\u00e9 ter algumas conclus\u00f5es. A primeira delas se refere \u00e0 m\u00fasica instrumental brasileira: nunca ela esteve t\u00e3o prestigiada pelo p\u00fablico jovem (gente com mais de 35 anos era minoria no Francisco Bolonha). Isso tamb\u00e9m se nota em festivais como Ilhabela Instrumental, Savassi Festival e Instrumenta Bras\u00edlia, alguns dos eventos dedicados a essa est\u00e9tica, que ainda se faz presente de forma constante em outros festivais \u201cn\u00e3o-exclusivos\u201d, como Rec-Beat, Dosol, Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua e Bananada. A diversidade de eventos e bandas tamb\u00e9m \u00e9 sintoma desse interesse \u2013 o que n\u00e3o deixa de ser curioso, j\u00e1 que existe uma fal\u00e1cia na ind\u00fastria musical de que \u201cningu\u00e9m quer saber de m\u00fasica sem letra\u201d. A lota\u00e7\u00e3o esgotada de ambas as noites do Sonido mostra que n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42681\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido16.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido16.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido16-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, j\u00e1 faz tempo que se fala do Par\u00e1 como um dos maiores celeiros musicais desse pa\u00eds. O sucesso de alguns nomes mais populares, de Calypso a Gaby Amarantos, pode fazer torcer o nariz dos esnobes, mas a postura de p\u00fablico e artistas nesse evento \u2013 e da Lambateria, uma concorrid\u00edssima festa semanal conduzida por F\u00e9lix Robatto, tamb\u00e9m presenciada pelo rep\u00f3rter \u2013 foi um sinal de que o paraense pouco se importa com r\u00f3tulos ou esnobismo. Eles querem apenas boa m\u00fasica, algo que a regi\u00e3o est\u00e1 mais que disposta a dar \u2013 e receber.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Top 3 Scream &amp; Yell \u2013 2\u00ba Sonido<br \/>\nLucas Estrela<br \/>\nAlbery Project<br \/>\nEsdras Nogueira<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-42680\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido15.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido15.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/sonido15-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um festival de m\u00fasica instrumental lotando um espa\u00e7o que \u00e9 uma verdadeira joia arquitet\u00f4nica do Norte do Brasil por duas noites seguidas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/27\/balanco-festival-sonido-2017-belem\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":42666,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1403,1894,1895,1794,1891,1896,1893,1863,1892,1897],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42664"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42664"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42664\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42683,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42664\/revisions\/42683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}