{"id":42592,"date":"2017-04-20T01:14:54","date_gmt":"2017-04-20T04:14:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42592"},"modified":"2017-05-18T11:05:12","modified_gmt":"2017-05-18T14:05:12","slug":"entrevista-giovani-cidreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/20\/entrevista-giovani-cidreira\/","title":{"rendered":"Entrevista: Giovani Cidreira"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O baiano Giovani Cidreira \u00e9 um veterano da cena local: em 2006 ele j\u00e1 se apresentava a frente da banda Velotroz. Mas foi s\u00f3 em 2015 que ele decidiu se aventurar na carreira solo com um EP hom\u00f4nimo. De l\u00e1 para c\u00e1, Giovani conseguiu o patroc\u00ednio da Natura Musical e veio trabalhando meticulosamente em seu disco de estreia, \u201cJapanese Food\u201d (2017). Rec\u00e9m-lan\u00e7ado em parceria com a Balaclava Records, o trabalho tem como t\u00edtulo o nome de uma banda imagin\u00e1ria da inf\u00e2ncia de sua namorada, o que confere um ar nonsense para o projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De car\u00e1ter nost\u00e1lgico, por\u00e9m atento ao nosso tempo, Giovani Cidreira cria um disco extremamente s\u00f3lido, que n\u00e3o se perde em seu universo amplo, versando sobre temas diversos, desde o vazio de nossas vidas at\u00e9 a complexidade de se viver nas cidades nos tempos atuais. De refer\u00eancias que v\u00e3o de Clube da Esquina a Mac DeMarco, \u201cJapanese Food\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de camadas, que vai envolvendo o ouvinte, que quando menos percebe descobre novos sentidos para uma determinada can\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio artista j\u00e1 revelou que ele mesmo ainda descobre aos poucos o significado daquilo que escreveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado no est\u00fadio Casa das M\u00e1quinas, em Salvador, o \u00e1lbum \u00e9 dirigido por Tadeu Mascarenhas, Filipe Castro e pelo pr\u00f3prio Giovani, e conta com a mixagem do carioca Diogo Strausz. <a href=\"http:\/\/www.giovanicidreira.com.br\/\" target=\"_blank\">Dispon\u00edvel para download gratuito no site do artista<\/a>, \u201cJapanese Food\u201d \u00e9, desde j\u00e1, um dos grandes lan\u00e7amentos nacionais de 2017, aquele tipo de disco que voc\u00ea ouve e, na hora, j\u00e1 separa para sua listinha de melhores do ano. Para falar sobre a produ\u00e7\u00e3o do disco, a cena baiana e suas influ\u00eancias, Giovani Cidreira conversou por telefone com o Scream &amp; Yell e o bate papo voc\u00ea confere abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/38aZZ6LsGUo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cJapanese Food\u201d foi gravado com o patroc\u00ednio da Natura. Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nUm amigo meu, o Tadeu Mascarenhas, me falou do edital. Eu estava fazendo shows aqui em Salvador e tinha lan\u00e7ado um EP. Fui ao est\u00fadio dele procurando-o para uma grava\u00e7\u00e3o, eu estava com um repert\u00f3rio para gravar talvez um (outro) EP, e ele me falou do edital. Com a ajuda de mais dois amigos escrevi o projeto, mandei e foi assim, uma coisa inesperada e maravilhosa. Eu estava com as m\u00fasicas ali guardadas h\u00e1 um tempo, tocando elas nos shows, ent\u00e3o veio numa hora perfeita. E o Tadeu Mascarenhas acabou dirigindo o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acredita que esse tipo de patroc\u00ednio de empresas, como a Natura e a Skol fazem, \u00e9 um caminho positivo para a m\u00fasica independente?<\/strong><br \/>\nCom certeza, porque na internet, em nosso campo de trabalho, h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o, muita dispers\u00e3o. A gente n\u00e3o tem ideia do tamanho e da quantidade de artistas que todo dia vai chegando. Acho que esse tipo de projeto tra\u00e7a um tipo de panorama, ent\u00e3o d\u00e1 pra levantar pessoas assim como eu, que nunca teriam a possibilidade de gravar um CD, sabe? Acho que deveriam existir mais 20 projetos desses; muito mais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do Natura Musical, seu disco est\u00e1 sendo lan\u00e7ado pela Balaclava Records. Como se deu esse contato com o pessoal de S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nIsso a\u00ed foi a vida! [risos] No final de 2016 fui a S\u00e3o Paulo, era a minha segunda vez l\u00e1. Eu tinha ido mixar o disco com o Diogo Strausz, e como eu j\u00e1 estava no Rio, pensei: \u201cVou pra S\u00e3o Paulo, \u00e9 pertinho\u201d. Eu n\u00e3o teria outra oportunidade para ir a S\u00e3o Paulo se n\u00e3o fosse naquela hora. E fui sem grana, sem nada, fazer uns shows. Fiquei hospedado na casa dos meninos do Maglore, que s\u00e3o meus conterr\u00e2neos e amigos h\u00e1 muito tempo. Nessa onda de procurar bandas acabei conhecendo o Rubens Adati, que toca com o Ale Sater, do Terno Rei. A gente armou um show juntos, convidei eles pra tocar comigo no Breve, uma casa que \u00e9 da Balaclava, no bairro da Pompeia. Fiz esse show e acabei conhecendo os meninos, o [Rafael] Farah ficou super interessado nas m\u00fasicas e me disse que se eu precisasse de alguma ajuda, eles estavam por a\u00ed. Quando cheguei a Salvador, a gente come\u00e7ou a trocar mensagens no Facebook, trocando figurinhas. A coisa se desenrolou assim. A gente vai conhecendo as pessoas que gostam tanto quanto a gente e as coisas v\u00e3o acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No caso do Diogo Strausz tamb\u00e9m foi por esses caminhos distintos que voc\u00ea acabou conhecendo e trabalhando com ele, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTeve um determinado momento da produ\u00e7\u00e3o do disco que achei que a gente j\u00e1 estava muito submerso nele. Hav\u00edamos submergido muito nas m\u00fasicas e, para mim, dev\u00edamos ter uma vis\u00e3o de algu\u00e9m de fora trazendo novos ares para o CD. Sou f\u00e3 do trabalho do Diogo, tanto do disco da Alice [Caymmi] que ele gravou quanto do disco solo dele, que \u00e9 muito bom e eu estava ouvindo muito na \u00e9poca. Ent\u00e3o mandei uma mensagem: \u201cP\u00f4, e a\u00ed cara, vamos mixar esse disco?\u201d. Mandei as m\u00fasicas e ele gostou e topou. Fui pro Rio, na casa dele, e foi ai que a gente se conheceu pessoalmente. Foi tudo assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As suas influ\u00eancias s\u00e3o bem amplas e algumas bem not\u00e1veis no trabalho, como o Clube da Esquina, por exemplo. O que mais te influenciou nesse processo todo?<\/strong><br \/>\nAcho que fiz meio que uma volta pra mim mesmo, porque na \u00e9poca comecei a visitar umas coisas que eu n\u00e3o ouvia fazia um tempo, tipo Prince, Legi\u00e3o Urbana, Madonna. Acho que s\u00e3o coisas que apareceram em timbres no disco. E Clube da Esquina \u00e9 um neg\u00f3cio que sempre ou\u00e7o, Milton Nascimento para mim \u00e9 o maior cantor do planeta! E isso faz parte da minha forma\u00e7\u00e3o musical mesmo. Na adolesc\u00eancia, era o que eu consumia. Meus amigos estavam ouvindo, sei l\u00e1\u2026 o rock que estava rolando na \u00e9poca e eu estava comprando vinil do Roberto Carlos, do [Gilberto] Gil, da Elizete Cardoso, da Elis Regina, do [Jo\u00e3o] Bosco, do Belchior, do Fagner, do Itamar [Assump\u00e7\u00e3o], do Jo\u00e3o [Gilberto]. E hoje em dia isso \u00e9 uma coisa meio intr\u00ednseca em mim, foi um neg\u00f3cio que consumi tanto que nem preciso estar ouvindo pra fazer algo que remeta. \u00c9 algo que est\u00e1 bem enraizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda que te acompanhou nesse processo de grava\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por baianos, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nTenho uma banda em Salvador e outra em S\u00e3o Paulo. Aqui em Salvador toco com dois meninos da Maglore, que \u00e9 o Felipe [Dieder], o baterista, e o Lelo [Brand\u00e3o], que \u00e9 a guitarra, mas pela agenda dos caras n\u00e3o d\u00e1 pra gente alinhar todos os shows, isto \u00e9, os meus shows e os deles. Meu plano \u00e9 fazer uma banda em cada lugar do pa\u00eds. \u00c9 um caminho para mim, fica mais f\u00e1cil. Agora mesmo vou pra S\u00e3o Paulo em maio, e a\u00ed j\u00e1 estou formando outra banda diferente. O Ale Sater vai tocar o baixo comigo, o Rubens Adati vai continuar tocando guitarra e estamos em busca de um baterista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acredita que ainda h\u00e1 essa dificuldade de produzir m\u00fasica para quem est\u00e1 fora do eixo Rio &#8211; S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei&#8230; Acho que o Rio n\u00e3o t\u00e1 mais nesse eixo tanto assim. Achei o Rio parecido com Salvador. Parece que tem muita coisa fervilhando, mas n\u00e3o tem lugar pra tocar. \u00c9 mais dificultoso&#8230; e \u00e9 t\u00e3o dificultoso quanto Salvador. S\u00e3o Paulo \u00e9, para mim, a melhor cidade para trabalhar com m\u00fasica hoje. Enquanto o Rio sofreu com essa fal\u00eancia da ind\u00fastria das grandes gravadoras, parece que a galera de S\u00e3o Paulo nunca precisou disso e est\u00e1 se virando sozinha h\u00e1 um tempo. Tenho a impress\u00e3o de que isso est\u00e1 mais estruturado na cabe\u00e7a das pessoas l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea a cena alternativa da Bahia? Ainda h\u00e1 aquela dicotomia entre rock e ax\u00e9, de que os dois n\u00e3o se misturam?<\/strong><br \/>\nSim, sim, aqui o que n\u00e3o falta \u00e9 gente pensando isso. Eu nunca disse isso, nunca pensei em dizer isso. Mas hoje \u00e9 a melhor fase que Salvador atravessou nos \u00faltimos tempos em quest\u00e3o de m\u00fasica. BaianaSystem \u00e9 um grande exemplo. Livia Nery \u00e9 outra cantora porreta daqui. Tem rolado v\u00e1rias bandas legais. Fazia tempo que eu n\u00e3o gostava tanto das coisas que est\u00e3o sendo produzidas aqui. O If\u00e1 lan\u00e7ou um disco foda pela Natura tamb\u00e9m dia desses. Acho que a gente vive um bom momento, mas a\u00ed tamb\u00e9m \u00e9 aquela velha hist\u00f3ria da atua\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da cidade, toda essa situa\u00e7\u00e3o que fica dif\u00edcil trabalhar mesmo, pois aqui n\u00e3o h\u00e1 lugar pra tocar. At\u00e9 temos algumas casas e tal, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente para a quantidade de gente que est\u00e1 fazendo coisas aqui.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K4t5isHaNpQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VwnGsmZQoNA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\">A Escotilha<\/a> e Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/azevedolobo\" target=\"_blank\">Azevedo Lobo<\/a> \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O m\u00fasico baiano est\u00e1 lan\u00e7ando &#8220;Japanese Food&#8221; que, desde j\u00e1, se apresenta como um dos grandes \u00e1lbuns nacionais lan\u00e7ados em 2017. 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