{"id":42558,"date":"2017-04-18T08:45:27","date_gmt":"2017-04-18T11:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42558"},"modified":"2017-05-28T14:01:19","modified_gmt":"2017-05-28T17:01:19","slug":"entrevista-quartabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/18\/entrevista-quartabe\/","title":{"rendered":"Entrevista: Quartab\u00ea"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O visual de uniformes escolares \u00e0 inglesa da Quartab\u00ea j\u00e1 sugere humor \u00e0 primeira vista e, realmente, o quinteto paulista gosta de brincar. S\u00f3 que a folia aqui n\u00e3o s\u00e3o sacadinhas ir\u00f4nicas em letras \u2013 at\u00e9 porque o som \u00e9 instrumental. A brincadeira est\u00e1 na impressionante naturalidade com qual eles revisitam o repert\u00f3rio do maestro Moacir Santos, em releituras cheias de personalidade e ousadia \u2013 sem perder de vista a obra original inspiradora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moacir Santos (1926-2006) foi um compositor, arranjador e multi-instrumentista praticamente sem par na m\u00fasica brasileira (Hermeto Pascoal \u00e9 outra hist\u00f3ria). Foi professor, entre outros, de Jo\u00e3o Donato e Baden Powell. Seu trabalho \u00e9 refer\u00eancia em conservat\u00f3rios e escolas de m\u00fasica. Bandas que interpretam sua obra tendem a ser excessivamente reverentes, a ponto de engessar o que flu\u00eda naturalmente nos registros fonogr\u00e1ficos do mestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 o caso do Quartab\u00ea, que \u201cquebra\u201d e reconstr\u00f3i algumas de suas estruturas, tudo isso em meio a uma presen\u00e7a de palco festiva, que inclui dancinhas, coreografias e performances dos cinco integrantes \u2013 Mari\u00e1 Portugal (bateria), Joana Queiroz (saxofones), Maria Beraldo Bastos (clarinete e clarone), Ana Karina Sebasti\u00e3o (baixo) e Rafael \u201cChic\u00e3o\u201d Montorfano (piano e teclados). A banda foi rapidamente incorporada ao circuito de festivais, principalmente os dedicados ao jazz e \u00e0 m\u00fasica instrumental, e tem uma programa\u00e7\u00e3o de shows para 2017 que vai do festival Sonido, (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/1464490230290028\/\" target=\"_blank\">que acontece nesta semana<\/a>) em Bel\u00e9m (PA), passa pelo sul do pa\u00eds e chega at\u00e9 alguns palcos europeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, Chic\u00e3o e Mari\u00e1 Portugal relembram o recente come\u00e7o da banda (formada em 2015) e comentam sobre os passos a seguir, que incluem novo disco e outros objetos de estudo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HWDXvWZPYMY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos come\u00e7ar pela forma\u00e7\u00e3o da banda: \u00e9 f\u00e1cil imaginar o clich\u00ea de &#8220;amigos escutam _______ (insira banda ou g\u00eanero pop aqui), todos gostam, e decidem se juntar para formar uma banda&#8221;. Mas \u00e9 bem pouco comum pensar em &#8220;amigas (e um amigo) decidem virar no avesso a obra de Moacir Santos&#8221; (risos). Como isso tudo come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nA Quartab\u00ea foi praticamente uma inven\u00e7\u00e3o da Andrea Ernst Dias, flautista, pesquisadora e bi\u00f3grafa do Moacir e idealizadora do Festival Moacir Santos. Em mar\u00e7o de 2014, ela foi ver o show do Arrigo Barnab\u00e9, \u201cClaras e Crocodilos\u201d, na Audio Rebel, no Rio de Janeiro, e encomendou um projeto para as meninas da banda, especialmente para o Festival. \u00c9ramos eu, Mari\u00e1 Portugal, Joana Queiroz, Maria Beraldo Bastos e Ana Karina Sebasti\u00e3o, e a Andrea nos deu carta branca para fazermos algo completamente diferente das interpreta\u00e7\u00f5es convencionais da obra do Moacir. Como precis\u00e1vamos de uma harmonia, chamamos o Chic\u00e3o, que era um amigo pr\u00f3ximo e j\u00e1 tinha tocado bastante com a Maria, para completar o quinteto. Acontece que o grupo deu liga muito r\u00e1pido e o primeiro show foi super bem sucedido, com o p\u00fablico pedindo disco. Ent\u00e3o resolvemos seguir com o projeto e gravamos o &#8220;Li\u00e7\u00e3o #1: Moacir&#8221;. Acabamos de gravar um EP, com mais m\u00fasicas do Moacir e convidados especiais nos vocais, e a nossa &#8220;Li\u00e7\u00e3o #2&#8221; ser\u00e1 de novo dedicada a um outro compositor brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro? Podem adiantar qual?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o (risos). O disco sai em 2018, em breve a gente conta&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo o \u201cLi\u00e7\u00e3o #1\u201d tendo a base de Moacir Santos, as releituras do Quartabe apresentam outros elementos que n\u00e3o apareciam na obra do maestro. Qual \u00e9 a raiz dessa est\u00e9tica mais &#8220;quebrada&#8221; e imprevis\u00edvel da banda?<\/strong><br \/>\nTodos os integrantes v\u00eam de cen\u00e1rios musicais bem diferentes e possuem refer\u00eancias distintas tamb\u00e9m. Ouvimos de tudo: can\u00e7\u00e3o popular de v\u00e1rios g\u00eaneros, m\u00fasica eletr\u00f4nica, m\u00fasica contempor\u00e2nea, m\u00fasica cl\u00e1ssica, m\u00fasica experimental. N\u00f3s colocamos tudo isso no nosso caldeir\u00e3o, sem discriminar nada. Isto fica evidente nos mashups que costumamos fazer: no &#8220;Li\u00e7\u00e3o #1&#8221; tem mashup de Moacir Santos com Brad Mehldau, Tony Allen, Arrigo Barnab\u00e9, [George] Gershwin. A colagem, a cita\u00e7\u00e3o, a sobreposi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o recursos que usamos muito, o que acaba dando essa cara pra banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao vivo, a banda \u00e9 bastante perform\u00e1tica. Por que a performance tem esse papel &#8211; n\u00e3o de protagonista, mas certamente de destaque &#8211; nos seus shows?<\/strong><br \/>\nEsse car\u00e1ter perform\u00e1tico foi uma coisa espont\u00e2nea que pintou desde o princ\u00edpio da banda, e achamos que tem muito a ver com as personalidades que comp\u00f5em o grupo. Mas mais que isso, que tem a ver com a pr\u00f3pria maneira como encaramos a m\u00fasica do Moacir e a m\u00fasica em geral. Desde os primeiros ensaios para nossa estreia no Festival Moacir Santos, nosso clima era de brincadeira, de divers\u00e3o, de experimenta\u00e7\u00e3o, um clima l\u00fadico, no fim das contas. A gente se sentia uma classe, aprendendo com um professor, e fazendo uma li\u00e7\u00e3o de casa ou um trabalho em grupo super divertido de fazer. Por isso o nome da banda, Quartab\u00ea, e o nome do primeiro disco. Acho que, quando est\u00e1 no palco, um performer se conecta com o que ele tem de infantil de maneira geral. Voc\u00ea v\u00ea isso em grandes artistas de palco. Pra n\u00f3s, estar no palco \u00e9 pura divers\u00e3o e brincadeira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wFgWbtNkE_0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse ano reserva a primeira turn\u00ea europeia. Que li\u00e7\u00e3o os palcos brasileiros trouxeram ser\u00e1 levada para a Europa?<\/strong><br \/>\nUma coisa que deixa a gente muito feliz nos shows da Quartab\u00ea, \u00e9 que as pessoas ficam realmente emocionadas e tocadas. Os shows realmente comunicam com o p\u00fablico, e acho que isso se d\u00e1 por uma s\u00e9rie de fatores. Acho que n\u00e3o \u00e9 comum uma banda instrumental e experimental ter esse tipo de postura no palco, l\u00fadica, perform\u00e1tica. Al\u00e9m disso, a Quartab\u00ea joga com a tradi\u00e7\u00e3o de uma maneira bem particular, bem latino-americana, no fim das contas. Porque lida com o que \u00e9 considerado tradi\u00e7\u00e3o de uma maneira bem mais leve, sem romper exatamente, e nem colocar num pedestal. E, claro, tem a m\u00fasica assombrosa do Moacir, que nunca deixa ningu\u00e9m inc\u00f3lume.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que a pergunta \u00e9 clich\u00ea, mas ao mesmo tempo imagino que voc\u00eas reconhe\u00e7am que a presen\u00e7a de mulheres instrumentistas no universo do jazz n\u00e3o \u00e9 comum. \u00c9 triste que seja assim, mas o fato \u00e9 que assim ainda \u00e9. Mas a pergunta \u00e9: em que sentido isso ajuda a atrair aten\u00e7\u00e3o para a banda, e at\u00e9 onde essa aten\u00e7\u00e3o por esse fator \u00e9 nociva?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o achamos essa aten\u00e7\u00e3o nociva, de maneira nenhuma. Nocivo \u00e9 o machismo que ainda impera no meio musical, infelizmente. Quanto mais bandas houver como a Quartab\u00ea, melhor. Num primeiro momento as pessoas podem at\u00e9 se sentir atra\u00eddas por ser uma banda feminina em sua maioria, mas o fato \u00e9 que nunca ouvimos coisas do tipo &#8220;pra um bando de mulher voc\u00eas tocam bem&#8221;, ou qualquer coisa assim. As pessoas v\u00eam falar do som, da performance, do show em geral. No fim das contas, ter quatro mulheres na banda \u00e9 s\u00f3 mais uma coisa que \u00e9 jogada no caldeir\u00e3o do que \u00e9 a Quartab\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica instrumental brasileira parece estar num momento muito especial. Nunca houve tantos espa\u00e7os &#8211; de festivais a casas noturnas &#8211; para bandas que dispensam letras tocar, independentemente do g\u00eanero. Claro que estamos longe de entender &#8220;instrumental&#8221; como &#8220;pop&#8221; (mesmo quando \u00e9 acess\u00edvel), mas a que voc\u00eas atribuem esse bom momento?<\/strong><br \/>\nTalvez tenha a ver com uma constru\u00e7\u00e3o que os grandes monstros da m\u00fasica instrumental brasileira foram criando durante anos e anos de carreira. Hermeto, Egberto, Arismar &#8211; para citar poucos, porque s\u00e3o muitos &#8211; criaram uma obra muito consolidada, que virou refer\u00eancia total para os jovens musicistas embarcarem na onda instrumental. E tivemos grandes conservat\u00f3rios e universidades que deram um foco bem direcionado \u00e0 esse tipo de som, por isso acho que nossa gera\u00e7\u00e3o tem t\u00e3o bons m\u00fasicos que se jogaram nesse tipo de m\u00fasica. A partir desse cen\u00e1rio com \u00f3timos m\u00fasicos, e um caminho que os antigos mestres foram trilhando [incluindo aqui a cativa\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico atento e entendedor], acho que abriram-se algumas janelas para o estilo, fora a organiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios m\u00fasicos, como por exemplo o Movimento Elefantes aqui em S\u00e3o Paulo, que foi uma uni\u00e3o de v\u00e1rias big bands da cidade que se organizaram e promoveram um show de gra\u00e7a por semana durante dois anos das melhores big bands que estavam rolando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em algum momento, caber\u00e1 uma busca mais autoral no trabalho da Quartabe?<\/strong><br \/>\nClaro, j\u00e1 estamos pensando sobre isso. Todos n\u00f3s da banda somos compositores e temos bastante vontade de fazer um trabalho autoral da Quartab\u00ea. Mas o fato \u00e9 que n\u00e3o separamos muito composi\u00e7\u00e3o de arranjo, e satisfazemos bastante nossas vontades criativas relendo a obra de compositores como o Moacir, porque absorvemos tanto a obra e criamos t\u00e3o livremente em cima que por um instante parecem ser nossas pr\u00f3prias m\u00fasicas. Por enquanto queremos seguir nessa linha, aprendendo com outros professores, mas quem sabe no futuro\u2026<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pvdu-kN5HUg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de Jos\u00e9 de Holanda \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O quinteto Quartab\u00ea \u201cquebra\u201d e reconstr\u00f3i m\u00fasicas de Moacir Santos, tudo isso em meio a uma presen\u00e7a de palco festiva, que inclui dancinhas. Conhe\u00e7a!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/18\/entrevista-quartabe\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":42559,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1863],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42558"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42591,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42558\/revisions\/42591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42559"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}