{"id":42532,"date":"2017-04-16T04:38:41","date_gmt":"2017-04-16T07:38:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42532"},"modified":"2017-05-17T20:15:49","modified_gmt":"2017-05-17T23:15:49","slug":"entrevista-carlos-maltz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/16\/entrevista-carlos-maltz\/","title":{"rendered":"Entrevista: Carlos Maltz"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/argollopaulo\" target=\"_blank\">Paulo Argollo<\/a><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rock brasileiro nos brindou com diversos e exc\u00eantricos personagens ao longo dos anos. Certamente, Carlos Maltz \u00e9 um deles. Ele ficou conhecido como baterista fundador dos Engenheiros do Hawaii ao lado de Humberto Gessinger, Carlos Stein e Marcelo Pitz em 1985 e ficou sentado no banquinho da banda at\u00e9 1996 acumulando sete discos de est\u00fadio (quase todos com vendagens acima das 100 mil c\u00f3pias), dois \u00e1lbuns ao vivo, v\u00e1rios sucessos nacionais e grandes shows em cidades como Moscou e Leningrado em 1989 (cinco datas em cada cidade) e no Rock in Rio II, que aconteceu no Maracan\u00e3, em 1991, entre muitos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois que deixou os Engenheiros do Hawaii, Carlos Maltz montou o grupo Irmandade, que lan\u00e7ou os discos \u201cA Irmandade Interplanet\u00e1ria\u201d (1996) e \u201cAnjos de Metal\u201d (1997) evocando uma tem\u00e1tica de astrologia e extraterrestres (<a href=\"http:\/\/www.carlosmaltz.com.br\/musica\" target=\"_blank\">baixe os dois discos site<\/a>). Em 2001 lan\u00e7ou seu \u00fanico disco solo, \u201c<a href=\"http:\/\/www.carlosmaltz.com.br\/musica\" target=\"_blank\">Farinha do Mesmo Saco<\/a>\u201d, seguiu participando eventualmente de discos dos Engenheiros, mas deixou a m\u00fasica de lado para se dedicar a psicologia jungiana e a astrologia. Mudou do Rio de Janeiro para Bras\u00edlia, escreveu os livros &#8220;<a href=\"http:\/\/lojavirtual.vialettera.com.br\/literatura\/abilolado-mundo-novo.html\" target=\"_blank\">Abilolado Mundo Novo<\/a>&#8220;, de 2010, e\u00a0\u201c<a href=\"http:\/\/belasletras.com.br\/produto\/o-ultimo-rei-do-rock\/\" target=\"_blank\">O \u00daltimo Rei do Rock<\/a>\u201d, de 2015, mesmo ano em que voltou a gravar m\u00fasicas em Londrina, PR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, Carlos Maltz reaparece com uma regrava\u00e7\u00e3o de \u201cFolia de Rei\u201d, composi\u00e7\u00e3o de Chico Anysio e Arnould Rodrigues presente no disco \u201cBaiano &amp; Os Novos Caetanos\u201d, lan\u00e7ado em 1974. Para esse novo registro, Maltz contou com a participa\u00e7\u00e3o do amigo Humberto Gessinger, seu velho parceiro, no baixo e vocais, no primeiro registro conjunto da dupla em 10 anos &#8211; a \u00faltima colabora\u00e7\u00e3o entre Carlos Maltz e Humberto Gessinger havia sido em 2007, na can\u00e7\u00e3o \u201cCinza\u201d, do disco \u201cNovos Horizontes\u201d, dos Engenheiros do Hawaii. Ou\u00e7a a can\u00e7\u00e3o abaixo e confira o bom papo de um baterista e astr\u00f3logo com muita coisa a dizer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cIMEZ1x9_VM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu \u00fanico disco solo, \u201cFarinha do Mesmo Saco\u201d, foi lan\u00e7ado em 2001. De l\u00e1 para c\u00e1, al\u00e9m de algumas participa\u00e7\u00f5es, voc\u00ea voltou a entrar em est\u00fadio somente em 2015, quando gravou \u201cLanterna na Proa\u201d. O que aconteceu neste per\u00edodo de 14 anos? Voc\u00ea continuou compondo? O que te motivou a voltar para o est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nCara, acontece muita coisa na minha vida. As pessoas me conhecem como o baterista dos Engenheiros, um cara que faz umas m\u00fasicas e tal, mas eu estudo um monte de coisas, tenho um monte de outras atividades. Neste per\u00edodo todo, minhas filhas nasceram, morei por um per\u00edodo numa ch\u00e1cara, fiz faculdade de psicologia&#8230; Enfim, aconteceu um bocado de coisas. Depois que mudei para Bras\u00edlia, parei de tocar com banda. Enquanto eu estava morando no Rio, estava com a galera da Irmandade, ent\u00e3o eu compunha muito mais. Mas depois que me mudei, minha aten\u00e7\u00e3o se voltou para todas essas outras coisas, e meio que parei mesmo de compor, n\u00e3o tinha tempo e nem aten\u00e7\u00e3o para isso. Mas com a amizade que tenho com o El Escama (<em>nota: um amigo que est\u00e1 fazendo a produ\u00e7\u00e3o executiva de seus trabalhos atuais\u00a0e que est\u00e1 gravando um disco no mesmo est\u00fadio em Londrina em que ele grava<\/em>), quando fui lan\u00e7ar o livro \u201cO \u00daltimo Rei do Rock\u201d (2015), a editora (Belas Letras) me pediu algum material antigo dos Engenheiros para fazer algum tipo de promo\u00e7\u00e3o. Eu disse: &#8220;Olha, material antigo eu n\u00e3o tenho, at\u00e9 porque o que eu tinha j\u00e1 passei pra frente, para os f\u00e3s. N\u00e3o fico guardando essas coisas. Mas se voc\u00eas quiserem, gravo uma m\u00fasica nova e a gente usa como material promocional&#8221;. Os caras acharam \u00f3timo. Ent\u00e3o eu tinha essa m\u00fasica, \u201cLanterna na Proa\u201d, que eu j\u00e1 tinha composto h\u00e1 uns 10 anos, e apareceu essa oportunidade de gravar em Londrina. E foi aquela coisa: gravamos uma e &#8220;Ah, vamos gravar outra&#8230;&#8221;. E assim foi. A gente fez \u201cV\u00edcios de Linguagem\u201d, eu fiz a participa\u00e7\u00e3o no disco do El Escama, veio \u201cFolia de Reis\u201d, as coisas foram acontecendo. N\u00e3o \u00e9 nada muito planejado, do tipo: &#8220;Ah, agora vou me dedicar a isso!&#8221;. A minha vida parece um caminh\u00e3o descendo a ladeira desgovernado, cara. As oportunidades foram aparecendo e eu fui fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como rolou a grava\u00e7\u00e3o de \u201cV\u00edcios de Linguagem\u201d. Por que voc\u00ea decidiu grav\u00e1-la?<\/strong><br \/>\nFoi pelo momento pol\u00edtico do pa\u00eds mesmo. Acho que, na \u00e9poca em que essa m\u00fasica foi gravada, ela n\u00e3o recebeu a aten\u00e7\u00e3o merecida, ficou meio escondida ali no meio do \u201cSimples de Cora\u00e7\u00e3o\u201d. E eu falei: &#8220;P\u00f4, essa m\u00fasica tem tudo a ver com o que est\u00e1 acontecendo agora, vamos gravar ela de novo, com um andamento mais r\u00e1pido.&#8221; Porque ela tem uma pegada bem blues no disco e a gente quis dar uma cara mais punk rock, botar ela mais pra frente. E tinha tudo a ver, a gente soltou no dia em que estava sendo votado o impeachment da Dilma. Ent\u00e3o foi mais essa coisa de perceber a rela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica com o que estava acontecendo no pa\u00eds.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TGlu6wJwarc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E depois disso voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7ou a grava\u00e7\u00e3o de \u201cFolia de Reis\u201d. Ela j\u00e1 estava, inclusive, na demo do \u201cFarinha do Mesmo Saco\u201d. Como voc\u00ea chegou at\u00e9 essa m\u00fasica, por que ela n\u00e3o entrou no disco e por que grav\u00e1-la agora?<\/strong><br \/>\nBom, essa m\u00fasica \u00e9 antiga, da d\u00e9cada de 70. Lembrei-me dela, ouvi de novo, me amarrei. Eu j\u00e1 tocava ela de vez em quando e, realmente, ela entrou na demo do \u201cFarinha\u201d, mas acho que ela n\u00e3o tinha muito a ver com as outras. E agora, nesse momento, eu resolvi grav\u00e1-la. E teve um monte de coisas que envolveu essa grava\u00e7\u00e3o. Eu fui pra Londrina para fazer a participa\u00e7\u00e3o no disco do El Escama e parte da bateria que n\u00f3s gravamos sumiu, desapareceu no ar. Ent\u00e3o a gente teve que ir l\u00e1 de novo para gravar. Sobrou um tempo e eu disse: &#8220;Rapaz, vamos fazer alguma coisa, vamos gravar um neg\u00f3cio a\u00ed&#8221;. E gravei a bateria da \u201cFolia de Reis\u201d. No domingo seguinte eu ia gravar a voz, e meu pai faleceu em Porto Alegre. Era dia dos pais. E eu n\u00e3o consegui ir para Porto Alegre, n\u00e3o tive condi\u00e7\u00e3o de ir, de estar presente no enterro dele. E eu disse &#8220;Bom, vamos gravar. Estamos aqui mesmo, n\u00e3o tem nada mais que eu possa fazer&#8230;&#8221;. Gravei a voz nesse dia, do falecimento do meu pai. E ficou isso l\u00e1 gravado. E em Londrina \u00e9 quando aparece tempo, n\u00e9. O El Escama me ligou depois de uns meses e disse: &#8220;O Julio [Anizelli, produtor e dono do Plugue Est\u00fadio] vai pegar sua m\u00fasica pra trabalhar&#8221;. E naquele fim de semana eu ia para Maring\u00e1 e Curitiba para fazer uns atendimentos astrol\u00f3gicos. Fui uns dias antes para Londrina para acompanhar isso. Nessa \u00e9poca eu j\u00e1 estava com uns problemas de sa\u00fade, acabei tendo que passar por uma cirurgia. Eu estava sem dormir, praticamente, nessa \u00e9poca. E o El Escama me ligou de novo e disse: &#8220;Cara, voc\u00ea sabe quem vai estar aqui em Londrina no dia da sua grava\u00e7\u00e3o? O Humberto (Gessinger)!&#8221;. Eu disse: &#8220;Caralho! Nesse dia?!&#8221;, lembro que era 11 de novembro. Eu mandei mensagem para ele dizendo que estaria l\u00e1 gravando e (perguntando) se ele n\u00e3o queria participar. Ele topou, veio e fez a participa\u00e7\u00e3o. Enfim, as coisas foram acontecendo dessa maneira. Essa m\u00fasica tem toda uma hist\u00f3ria. Foi uma peleja para gente chegar at\u00e9 ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde \u201cLanterna na Proa\u201d, voc\u00ea tem gravado em Londrina, no Plugue Est\u00fadio. Como tem sido essa mudan\u00e7a, de estar num est\u00fadio menor, trabalhando com m\u00fasicos mais novos?<\/strong><br \/>\nPara mim n\u00e3o tem dificuldade, na verdade. Em 1995 eu estava em Los Angeles gravando o \u201cSimples de Cora\u00e7\u00e3o\u201d e em 1996 eu estava num quarto da minha casa gravando o disco da \u201cIrmandade Interplanet\u00e1ria\u201d com a galera, que era o Marcus Melgar, que era roadie do Lob\u00e3o \u2013 conheci ele atrav\u00e9s do Nilson Batista, que era meu roadie nos Engenheiros. Ent\u00e3o nunca tive essa dificuldade n\u00e3o, cara. Para mim, estar em Los Angeles ou em um Tascan de oito canais, ou estar em Londrina com o Juli\u00e3o e toda a galera l\u00e1, n\u00e3o tem dificuldade nenhuma isso a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rIiwWyMsYWc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a participa\u00e7\u00e3o do Humberto Gessinger em \u201cFolia de Reis\u201d, como foi?. Afinal, fazia muito tempo que voc\u00eas n\u00e3o se juntavam em est\u00fadio.<\/strong><br \/>\nSim. Antes teve aquela participa\u00e7\u00e3o no ac\u00fastico dos Engenheiros em 2005&#8230; desde essa \u00e9poca que a gente n\u00e3o tocava junto. A gente tinha tocado juntos no \u201cFarinha do Mesmo Saco\u201d, depois fizemos essa grava\u00e7\u00e3o do ac\u00fastico, a m\u00fasica \u201cDepois de N\u00f3s\u201d, e ent\u00e3o a gente se encontrou em Londrina, mas por obra do acaso, n\u00e9? Foi muita coincid\u00eancia o Humberto estar em Londrina justo naquele dia em que eu estava, e nem era pra estar. Enfim, as coisas conspiraram para que isso acontecesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[Nota do Editor: A \u00faltima colabora\u00e7\u00e3o entre Carlos Maltz e Humberto Gessinger antes de \u201cFolia de Reis\u201d foi em 2007, na can\u00e7\u00e3o \u201cCinza\u201d, do disco \u201cNovos Horizontes\u201d]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2017, o \u201cA Revolta dos D\u00e2ndis\u201d est\u00e1 completando 30 anos de lan\u00e7amento. Para os f\u00e3s, ele \u00e9 um disco emblem\u00e1tico, praticamente concebido no baixo e bateria, foi o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o GLM (Gessinger, Licks e Maltz) e traz alguns dos maiores cl\u00e1ssicos da banda at\u00e9 hoje. E para voc\u00ea, qual a representatividade deste disco?<\/strong><br \/>\nEsse disco \u00e9 o que mais gosto da banda. \u00c9 o que eu mais gosto de escutar. Acho que \u00e9 o melhor disco dos Engenheiros e foi o disco que empurrou a banda para outro patamar, n\u00e9? O \u201cLonge Demais das Capitais\u201d tinha sido um sucesso, ganhamos disco de ouro e abrimos umas portas no pa\u00eds, mas acho que o \u201cA Revolta dos D\u00e2ndis\u201d marcou a cara da banda, do trio, que ficou conhecido como a forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. E tinha aquela capa toda esquisita, com letra da m\u00fasica na capa. Eu me lembro que a gente estava numa r\u00e1dio em Porto Alegre fazendo divulga\u00e7\u00e3o e os Paralamas tamb\u00e9m estavam, a gente se encontrou e eu mostrei o disco pros caras e o Herbert [Viana] falou: &#8220;P\u00f4, legal o encarte, mas cad\u00ea a capa?&#8221;. Foi um disco muito importante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZESXC7xE9YI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre essa \u00e9poca, fica uma curiosidade sobre as tuas refer\u00eancias musicais. Todo mundo sabe que o Humberto Gessinger tem toda essa influ\u00eancia de rock progressivo, Pink Floyd e etc. Mas e voc\u00ea? Quais eram as tuas refer\u00eancias na \u00e9poca dos Engenheiros?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, eu e o Humberto somos f\u00e3s do Pink Floyd, do Roger Waters&#8230; acho que essa \u00e9 a nossa maior liga\u00e7\u00e3o musical. Algumas outras coisas que a gente tamb\u00e9m gostava era Rush. Mas a minha primeira refer\u00eancia musical \u00e9 o John Bonham, foi o primeiro cara que ouvi mesmo, 200 vezes por dia. Naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha internet, era tudo no toca disco. E era mais isso, al\u00e9m do Pink Floyd, o Rush&#8230; E a gente tamb\u00e9m era influenciado pela m\u00fasica que se fazia na \u00e9poca no Rio Grande do Sul, caras como o Nei Lisboa e o Saracura. Eu n\u00e3o sei como que a gente n\u00e3o se encontrou na adolesc\u00eancia, a gente estava presente sempre nos mesmos shows e nunca se encontrou. A gente foi se encontrar s\u00f3 mais para frente, na faculdade de arquitetura. Ent\u00e3o as influ\u00eancias eram essas, basicamente, o rock ingl\u00eas da d\u00e9cada de setenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso mudou muito ao longo do tempo? Voc\u00ea mudou muito o seu gosto ao longo desses 30 anos? At\u00e9 porque voc\u00ea gravou o Z\u00e9 Ramalho no \u201cFarinha do Mesmo Saco\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nO Z\u00e9 Ramalho eu j\u00e1 ouvia em 1977. Praticamente a \u00fanica grande refer\u00eancia que tenho de m\u00fasica brasileira \u00e9 o Z\u00e9. Eu n\u00e3o curtia Chico, Caetano e esses caras, achava meio papo furado [risos]. Reconhe\u00e7o o talento deles e tudo, mas nunca me interessou. Comecei a escutar m\u00fasica brasileira mesmo com o Z\u00e9 Ramalho. Em 77 ouvi o primeiro disco dele e vi um show no Teatro Ipanema, no Rio, e comecei achar poss\u00edvel ouvir m\u00fasica em portugu\u00eas, porque at\u00e9 ent\u00e3o, achava chato. Depois do Z\u00e9, comecei a ouvir outros caras, Alceu Valen\u00e7a, principalmente. Esses caras que misturavam rock com m\u00fasica nordestina. At\u00e9 hoje continuo meio que a mesma coisa. De coisas mais novas, o que eu escuto \u00e9 o Muse, que j\u00e1 nem \u00e9 t\u00e3o novo assim, d\u00e9cada de 90. Acho pouco atraente a m\u00fasica que se faz hoje em dia. Os caras est\u00e3o fazendo muito revival, tudo \u00e9 muito Retroland, ent\u00e3o por que vou ficar ouvindo a c\u00f3pia do que sempre ouvi o original, entende? Mas \u00e9 \u00f3bvio que tem muita coisa boa por a\u00ed, o talento nunca acaba, gra\u00e7as a Deus. Eu que t\u00f4 por fora. Meu foco na vida \u00e9 outro, t\u00f4 focado em outros assuntos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tEwxYcxBXQA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabendo ent\u00e3o dessas suas influ\u00eancias e tal, como foi a sua evolu\u00e7\u00e3o para a Irmandade, compor coisas novas, voc\u00ea teve ainda muita influ\u00eancia dos Engenheiros do Hawaii para produzir suas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nNesse caso, tive que fazer as m\u00fasicas eu mesmo, e fui fazendo do jeito que sabia, do jeito que podia. Acho que s\u00e3o muito simples as coisas que eu fa\u00e7o, musicalmente sou um cara meio limitado, meu conhecimento t\u00e9cnico \u00e9 limitado e as m\u00fasicas que eu gosto sempre foram as mesmas a vida inteira: eu gosto de rock, m\u00fasica com energia. Me vejo mais como um baterista emocional do que como um baterista t\u00e9cnico. Ent\u00e3o fa\u00e7o o que gosto, n\u00e3o sou profissional, n\u00e3o vivo mais disso, ent\u00e3o posso me dar ao luxo de fazer o que bem entender. Acho aquele disco da Irmandade muito doido, muito fora de qualquer contexto. Tanto que a gente n\u00e3o conseguiu nada. Eu achava que ia arranjar gravadora, continuar em turn\u00ea do mesmo jeito que eu estava com os Engenheiros. Ledo engano. N\u00e3o aconteceu nada. Ent\u00e3o fui fazer outras coisas da vida, estudar outros assuntos. Mas considero minha composi\u00e7\u00e3o bem elementar, bem simples, meio punk rock com pretens\u00f5es progressivas, mel\u00f3dicas. E dou o recado do jeito que estou pensando mesmo, sem papas na l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fala bastante do punk rock e a Irmandade soa muito p\u00f3s punk. \u00c9 uma refer\u00eancia natural sua?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o que a gente ouvia em 1984, 1985. Echo and the Bunnymen, o come\u00e7o do U2, o Police, principalmente, o The Clash&#8230; Acho que tem sim uma coisa desse pessoal, que \u00e9 o que a gente ouvia no come\u00e7o dos Engenheiros. Pode ver que o primeiro disco dos Engenheiros \u00e9 um disco da d\u00e9cada de 80 e o segundo disco \u00e9 da d\u00e9cada de 70. Parece que a gente regrediu. [risos]<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UVudhGJ4MJ0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cFarinha do Mesmo Saco\u201d parece ser um disco de transi\u00e7\u00e3o para voc\u00ea. Al\u00e9m de ser um disco que leva o seu nome, e n\u00e3o o de uma banda, voc\u00ea j\u00e1 tinha se mudado para Bras\u00edlia, j\u00e1 estava estudando astrologia e etc. \u00c9 por a\u00ed? Esse disco marca uma transi\u00e7\u00e3o na tua vida?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Acho que voc\u00ea conseguiu sintetizar bem. \u00c9 um disco de transi\u00e7\u00e3o. Eu apare\u00e7o ali j\u00e1 bem diferente do cara que eu era com uma banda. Tem umas m\u00fasicas mais antigas, mas tem m\u00fasicas mais novas, trazendo outros assuntos, fazendo uma ponte com as coisas que eu viria a desenvolver na minha vida depois. Ele fecha uma \u00e9poca. Gosto muito dele. Tem at\u00e9 gente que diz que ele \u00e9 o melhor disco dos Engenheiros depois do \u201cSimples de Cora\u00e7\u00e3o\u201d [risos]. Eu mesmo n\u00e3o digo isso, deixo para voc\u00eas, f\u00e3s, decidirem, Mas enfim estamos l\u00e1, eu e o Humberto, tocando juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2010 voc\u00ea lan\u00e7ou o livro \u201cAbilolado Mundo Novo\u201d. Como \u00e9 que rolou essa mudan\u00e7a de m\u00eddia? Como pintou essa ideia de escrever um livro?<\/strong><br \/>\nVeja bem, quando eu comecei a gravar, fazer m\u00fasica, eu olhava para aquelas m\u00fasicas que eu fazia e pensava: &#8220;Mas rapaz, isso aqui parece mais um tratado filos\u00f3fico de tanta palavra que tem&#8221;. De terem tantos assuntos e assuntos t\u00e3o complexos, pensei que acaba sendo mais neg\u00f3cio escrever livros do que escrever letra de m\u00fasica, porque essas letras de m\u00fasicas acabam saindo esses tratados filos\u00f3ficos. Ent\u00e3o fui fazer o \u201cAbilolado Mundo Novo\u201d, que \u00e9 uma pretens\u00e3o de trazer para uma linguagem bem acess\u00edvel, aquela coisa das pessoas estarem na internet conversando assuntos dos mais diversos, temas espirituais, temas de complexidade psicol\u00f3gica e tal. E me pareceu que tinha isso a internet, pelo menos no come\u00e7o. Depois popularizou mais, hoje parece que ficou mais imbecil. Mas no come\u00e7o era um ve\u00edculo muito interessante, tinha muita coisa interessante circulando, com uma acessibilidade que n\u00e3o existia at\u00e9 ent\u00e3o. Hoje em dia voc\u00ea precisa de qualquer livro, voc\u00ea encontra online. P\u00f4, na d\u00e9cada de 70a, a gente ia para Buenos Aires, porque l\u00e1 o disco do Pink Floyd chegava seis meses antes de chegar aqui. Hoje \u00e9 uma coisa impens\u00e1vel, um disco j\u00e1 est\u00e1 circulando antes de ser lan\u00e7ado. E o come\u00e7o da internet era essa coisa, muito interessante, essa mistura de assuntos sofisticados com uma linguagem mais acess\u00edvel. O \u201cAbilolado Mundo Novo\u201d \u00e9 fruto disso, desse momento come\u00e7o dos anos 2000.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IVe_9G85n_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa \u00e9poca voc\u00ea tinha uma comunidade, a Com-Unidade-1-Manos. O livro saiu dali, daquelas conversas?<\/strong><br \/>\nExatamente. Eu olhei para aquilo ali e falei: \u201cRapaz, isso aqui \u00e9 muito interessante&#8221;. Porque a gente est\u00e1 discutindo temas super bacanas com uma linguagem muito acess\u00edvel. Ent\u00e3o pensei em como transformar isso numa m\u00eddia. Era um desafio porque eu n\u00e3o poderia simplesmente reproduzir, pegar o papo da comunidade e publicar. Tive que criar aqueles personagens, que nasceram de um sorteio aleat\u00f3rio que fiz de n\u00fameros, para gerar datas, que geraram mapas astrol\u00f3gicos, e coloquei esses mapas na parede e passei a dialogar com esses caras, que tinham nascido nesse sorteio. E esses nicknames eu tirei da internet, misturando alguns, criei outros&#8230; e surgiram essas pessoas. Eu tinha os mapas delas na minha frente, ent\u00e3o elas tinham personalidade pr\u00f3pria e surgiam esses di\u00e1logos. Fui trazendo os assuntos e esses caras iam discutindo comigo, para a gente poder reproduzir o ambiente de di\u00e1logo que tinha na comunidade, nos f\u00f3runs de discuss\u00e3o, no Orkut e essas coisas do come\u00e7o da internet. Hoje a coisa fica meio limitada a 140 caracteres, n\u00e9? Mas naquela \u00e9poca o pessoal escrevia o quanto quisesse. Ent\u00e3o o livro foi uma tentativa de transformar em literatura aquela linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o processo de concep\u00e7\u00e3o d&#8217;\u201dO \u00daltimo Rei do Rock\u201d foi muito diferente do \u201cAbilolado Mundo Novo\u201d?<\/strong><br \/>\nAh, sim. Bem diferente. Quando lancei o \u201cAbilolado Mundo Novo\u201d, pensei: &#8220;\u00c9 isso a\u00ed. Para mim est\u00e1 bom. Minha contribui\u00e7\u00e3o para a literatura fica por aqui&#8221;. Dai algumas pessoas vieram para mim e falaram: &#8220;Olha, legal, mas voc\u00ea vai pagar royalties para esses caras que fizeram junto o livro com voc\u00ea?&#8221;. E eu: &#8220;Mas que caras? Eles s\u00e3o personagens. Eu inventei esses caras!&#8221;. Teve gente que falou: &#8220;Eu n\u00e3o entendi por que voc\u00ea lan\u00e7ou esse livro. Voc\u00ea pegou uma conversa da internet e publicou.&#8221;. Percebi que consegui criar uns personagens que tem alguma verossimilhan\u00e7a com a realidade, porque as pessoas est\u00e3o achando que copiei pessoas reais. Da\u00ed me veio a ideia de escrever um livro de fic\u00e7\u00e3o mesmo, contar uma hist\u00f3ria. Eu estava com esse cara na cabe\u00e7a, que nasceu no mesmo dia, na mesma hora e no mesmo hospital em que o John Lennon foi declarado morto. Eu tinha o mapa astrol\u00f3gico dele tamb\u00e9m: Nova York, 8 de dezembro de 1980, 23 horas e 45 minutos. A hist\u00f3ria dele come\u00e7ou a aparecer na minha cabe\u00e7a. O pai dele era argentino e colocou esse nome, Juan Leno, no filho que teve com uma brasileira, e ele tocava numa banda de punk chamada Paralelep\u00edpedos do \u00d3bvio, e a hist\u00f3ria dessa coisa de controlar o pensamento das pessoas, que, no livro, eu escrevi de uma forma figurada. Quer dizer, o cara vai colocar um implante na cabe\u00e7a das pessoas, mas voc\u00ea v\u00ea que essa coisa do controle dos pensamentos \u00e9 um tema que a gente vive hoje, n\u00e9? As pessoas at\u00e9 me perguntam se escrevi inspirado na s\u00e9rie \u201cBlack Mirror\u201d, mas o livro veio bem antes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UP0MNAJQ2GY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E, mesmo sendo uma obra de fic\u00e7\u00e3o, ele justamente \u00e9 um livro bem questionador dos tempos atuais. Como \u00e9 a recep\u00e7\u00e3o do livro para o p\u00fablico e o que exatamente voc\u00ea quis dizer com ele?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei o que eu quis passar [risos]. \u00c9 mais o lance de compartilhar com as pessoas coisas que me angustiam. O que me leva a escrever \u00e9 mais isso do que passar uma mensagem, ou qualquer coisa assim. Ent\u00e3o essas quest\u00f5es do controle de pensamento e da liberdade s\u00e3o grandes quest\u00f5es do momento em que estamos vivendo. O que \u00e9 a liberdade e de que maneira n\u00f3s estamos negligenciando a liberdade, ou estamos fugindo da liberdade na hora que nos colocamos no lugar de v\u00edtimas da sociedade. E essas pessoas que querem controlar as outras, quem s\u00e3o essas pessoas, como elas est\u00e3o fazendo isso? Eu estou escrevendo mais um livro. Tem o \u201cRetroland\u201d, que est\u00e1 esperando para ser lan\u00e7ado, mas tem mais um para ser escrito que vai entrar mais nessa quest\u00e3o pol\u00edtica mesmo. Como esse controle de pensamento acontece atrav\u00e9s do que eu chamo de parques tem\u00e1ticos pol\u00edticos, que n\u00f3s vivemos hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a m\u00fasica \u201cLanterna na Proa\u201d saiu como um single promocional com o lan\u00e7amento d&#8217;\u201dO \u00daltimo Rei do Rock\u201d. Depois veio \u201cV\u00edcios de Linguagem\u201d, agora vem a\u00ed \u201cFolia de Reis\u201d, tudo em plataformas digitais, s\u00e3o can\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas independentes. A maneira como a gente consome m\u00fasica hoje mudou muito. Como \u00e9 essa evolu\u00e7\u00e3o para voc\u00ea, com menos \u00e1lbuns sendo lan\u00e7ados em formato f\u00edsico e etc.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, sou um old fashion guy, das antigas. Gosto de disco. O CD, para mim, j\u00e1 \u00e9 um neg\u00f3cio muito avan\u00e7ado, embora ainda tenha a capa. Sou um cara que adora capas de discos, de livros, j\u00e1 comprei muito disco por causa da capa. As capas do Pink Floyd n\u00e3o tinham foto dos caras! Tinha s\u00f3 aquela coisa conceitual e adoro isso. Hoje em dia a gente tem acesso a muito mais quantidade de coisas, o que sinceramente n\u00e3o me entusiasma muito. O cara diz pra mim: &#8220;Maltz, vou te dar aqui um mp3 com os 200 mil melhores solos de guitarra de todos os tempos!&#8221;. Eu n\u00e3o quero ouvir isso, t\u00e1 entendendo? Se ouvir isso, provavelmente n\u00e3o vou querer mais ouvir nada pro resto da minha vida. N\u00e3o quero essa quantidade de coisa. Tenho esses pen drives, devo ter uns cinco no meu carro, e s\u00e3o os mesmos h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. Eu fico ouvindo os mesmos discos dos Ramones, ou do Rush. Mas, sei l\u00e1, n\u00e3o aconselho ningu\u00e9m a seguir o meu exemplo [risos] N\u00e3o sei se \u00e9 muito saud\u00e1vel. Mas esse sou eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pegando esse gancho do passar do tempo, voc\u00ea citou que o seu pai faleceu durante a grava\u00e7\u00e3o de \u201cFolia de Reis\u201d, e voc\u00ea teve um problema card\u00edaco. Como foi passar por tudo isso? Essa experi\u00eancia \u00e9 refletida na m\u00fasica? E como foi receber o suporte do teu p\u00fablico pela internet?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o foi brincadeira. Inclusive, quando dei entrada no hospital, a mulher perguntou: &#8220;Quando foi que voc\u00ea fez um exame do cora\u00e7\u00e3o pela \u00faltima vez?&#8221; e eu falei &#8220;Nessa encarna\u00e7\u00e3o?&#8221; [risos]. Achei que eu estava acima dessas coisas, entende? N\u00e3o sou frequentador de m\u00e9dicos e nem tomador de rem\u00e9dios. Tinha at\u00e9 certo machismo ufanista ga\u00facho nesse aspecto. Errei, n\u00e9. Tive que passar por uma cirurgia de emerg\u00eancia. Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o que passei&#8230; Eu cheguei ao hospital no limite, com um aneurisma na aorta. \u00c9 uma coisa que n\u00e3o d\u00e1 sinal, diferente do cara ter uma art\u00e9ria entupida ou algo assim. Eu n\u00e3o sentia dor nem nada, foi uma coisa muito repentina e quando vi, j\u00e1 estava na UTI do hospital. E a UTI do hospital \u00e9 um lugar muito bom para voc\u00ea avaliar a sua vida, o que realmente importa na sua vida, o que tem valor, quem s\u00e3o as pessoas com quem voc\u00ea pode contar&#8230; E foi muito bacana o apoio que tive, e que n\u00e3o imaginava. Era um monte de gente, de tudo quanto \u00e9 tipo. F\u00e3s dos Engenheiros, pessoas que eu atendia como astr\u00f3logo, como psic\u00f3logo, enfim, gente que me conhece de um tanto de lugar por a\u00ed. Pessoas super ligadas me dizendo que estavam fazendo corrente de ora\u00e7\u00e3o. Fiquei at\u00e9 envergonhado porque n\u00e3o costumo fazer esse tipo de coisa pelas pessoas, ali\u00e1s n\u00e3o costumava. Porque agora at\u00e9 revi essa posi\u00e7\u00e3o depois de passar por tudo isso. Ent\u00e3o foi uma coisa muito forte na minha vida, tanto no sentido da reflex\u00e3o que tive que fazer, estando numa cama de UTI, e tamb\u00e9m essa mobiliza\u00e7\u00e3o toda das pessoas. At\u00e9 o Augusto Licks [Ex-guitarrista dos Engenheiros, &#8220;sa\u00eddo&#8221; da banda em 1993 e sumido da m\u00eddia desde ent\u00e3o] me mandou mensagem se oferecendo para fazer transfus\u00e3o de sangue ou qualquer coisa assim. E eu n\u00e3o tinha contato com o Augusto h\u00e1 n\u00e3o sei quantos anos, 20 e tantos. Ent\u00e3o foi um momento muito importante, que trouxe algumas transforma\u00e7\u00f5es. Mas ainda acho muito cedo para falar que mudou isso ou mudou aquilo. J\u00e1 estou vendo algumas coisas de outra forma. O valor de uma amizade, de um cara como o El Escama, por exemplo, pessoas que est\u00e3o comigo h\u00e1 tanto tempo, que eram f\u00e3s da banda e est\u00e3o comigo at\u00e9 hoje. Isso, para mim, hoje em dia tem outro valor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OrNaofcAZ8o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E depois de passar tanta coisa, voc\u00ea foi um cara que via o mundo do ponto de vista ateu e materialista, vivendo em uma banda de rock famosa. Agora voc\u00ea acha que encontrou o seu ponto de equil\u00edbrio em Bras\u00edlia, trabalhando com psicologia e astrologia? E como isso reflete na sua vida como m\u00fasico e escritor?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sou uma pessoa muito equilibrada, sabe? At\u00e9 do ponto de vista astrol\u00f3gico, sou de escorpi\u00e3o com ascendente em \u00e1ries. \u00c9 dif\u00edcil uma coisa dessas ser muito equilibrada. Ent\u00e3o me equilibro na velocidade. Na minha vida acontece um monte de coisas e eu acredito que preciso dessa velocidade pra eu conseguir ter algum equil\u00edbrio. Sou ciborgue! T\u00f4 a\u00ed com v\u00e1lvula, cano, esses neg\u00f3cios [risos]. Ent\u00e3o tenho que pegar mais leve. \u00c9 pela necessidade. Mas o meu equil\u00edbrio acontece dessa forma. N\u00e3o sou um cara muito zen. Agora tive que reduzir porque o motor j\u00e1 t\u00e1 com pe\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 original de f\u00e1brica. Mas n\u00e3o vou dizer pra voc\u00ea que sou um cara que j\u00e1 alcancei o equil\u00edbrio. At\u00e9 porque ainda pretendo ficar aqui por esse planeta por um bom tempo, n\u00e9? E eu acho que quando o cara chega ao equil\u00edbrio j\u00e1 n\u00e3o tem mais muita coisa pra fazer por aqui, entende? Ent\u00e3o que eu continue desequilibrado pelo menos mais uns 30 anos. Porque tenho coisa pra fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pra finalizar, eu queria falar um pouco do futuro. Voc\u00ea j\u00e1 disse que est\u00e1 com dois livros engatilhados, mas voc\u00ea tem planos de voltar pra Londrina pra continuar gravando? Como s\u00e3o os seus projetos?<\/strong><br \/>\nA gente tem planos de gravar um CD mesmo, que as pessoas possam comprar e guardar. Atualmente o nome dele \u00e9 &#8220;El Cool Del Mondo&#8221;, mas esse ainda \u00e9 um nome tempor\u00e1rio. Pode ser e espero que mude! (risos) Atualmente estou fazendo palestras dentro de um projeto novo que se chama #Jung4Young, que \u00e9 trazer esse conhecimento do Jung pra galera jovem. N\u00f3s vamos inaugurar um canal no Youtube que se chama justamente #Jung4Young, onde a gente vai trazer isso. Ent\u00e3o l\u00ea um trecho de uma obra do Jung, comenta e depois relaciona com os acontecimentos atuais do mundo. Considero que o Jung vem ter no s\u00e9culo XXI mais ou menos a import\u00e2ncia que o Freud teve pra cultura no s\u00e9culo XX. Mas embora muita gente fale do Jung, poucas pessoas conhecem realmente o pensamento dele, que ainda \u00e9 muito avan\u00e7ado em rela\u00e7\u00e3o ao que a gente est\u00e1 vivendo. Tem essa ideia. Vou, provavelmente, lan\u00e7ar um livro sobre a palestra que estou fazendo, que \u00e9 o \u201cNingu\u00e9m = Ningu\u00e9m\u201d. Sobre os tipos psicol\u00f3gicos que j\u00e1 falei no \u201cAbilolado Mundo Novo\u201d, mas aprofundando o assunto. Vou lan\u00e7ar um livro sobre a minha maneira de trabalhar com a Astrologia, porque \u00e9 uma maneira bem particular. Eu n\u00e3o vou dizer que inventei isso, mas fui adaptando uma s\u00e9rie de coisas que existem por a\u00ed. E tem esse outro livro que eu pretendo escrever ainda, sobre essa figura que \u00e9 um l\u00edder populista latino-americano que, de repente, entra num processo de decad\u00eancia e tal. Ent\u00e3o estou com esse projeto e, quem sabe ano que vem, a gente consegue entrar em est\u00fadio pra fazer mais m\u00fasicas e lan\u00e7ar o CD. Ent\u00e3o tem coisa a\u00ed pra fazer, amigo. [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-42536\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/maltz1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/maltz1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/maltz1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/maltz1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><em>As duas fotos que ilustram o texto s\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizRPhotos\" target=\"_blank\">Luiz Augusto Rodrigues<\/a> \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Veja tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 21 artistas da nova gera\u00e7\u00e3o rendem tributo aos Engenheiros do Hawaii. Ou\u00e7a (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/11\/download-tributo-aos-engenheiros-do-hawaii\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Humberto Gessinger (2016): \u201cTalvez o que eu tenha a dizer n\u00e3o seja muito linear\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/27\/entrevista-humberto-gessinger-2016\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Humberto Gessinger (2014): \u201cQuero viver esse momento com intensidade\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/13\/entrevista-humberto-gessinger\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Ao vivo em S\u00e3o Paulo, Humberto Gessinger segue em frente dignamente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/29\/humberto-gessinger-ao-vivo-em-sp\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cInsular\u201d: Gessinger est\u00e1 ficando velho. Mas continua o mesmo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/02\/tres-cds-humberto-wander-e-nei\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas CDs dos Engenheiros do Hawaii (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/05\/tres-cds-do-engenheiros-do-hawaii\/\">aqui<\/a>) e o \u201cAc\u00fastico MTV\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/11\/11\/acustico-mtv-engenheiros-do-hawaii\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Maltz reaparece com uma regrava\u00e7\u00e3o de \u201cFolia de Rei\u201d, do Baiano &#038; Os Novos Caetanos, com a participa\u00e7\u00e3o do amigo Humberto Gessinger\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/16\/entrevista-carlos-maltz\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":42534,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1862,322,1488],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42532"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42557,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42532\/revisions\/42557"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}