{"id":42485,"date":"2017-04-10T19:04:20","date_gmt":"2017-04-10T22:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42485"},"modified":"2017-05-30T10:30:20","modified_gmt":"2017-05-30T13:30:20","slug":"nublu-jazz-festival-sao-paulo-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/10\/nublu-jazz-festival-sao-paulo-2017\/","title":{"rendered":"Nublu Jazz Festival S\u00e3o Paulo 2017"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto e fotos por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante quatro dias (m\u00e1gicos) do m\u00eas de abril, o Sesc Pompeia recebeu em sua Comedoria (antiga \u2013 politicamente incorreta \u2013 Choperia) a s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o brasileira do Nublu Jazz Festival, surgido em Nova York em 2002. Neste ano, o evento promovia uma interessante fus\u00e3o de estranhezas nacionais com o <em>cr\u00e8me de la cr\u00e8me<\/em> do jazz, funk e spoken word gringo. Quem conseguiu vencer a sempre concorrida corrida por ingressos do Sesc viu, com certeza, alguns fortes concorrentes a shows do ano nessa pobre terra golpeada chamada Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 1 \u2013 QUINTA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/absurdo.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A feliz tarefa de introduzir o p\u00fablico no Nublu Jazz Festival Brasil 2017 coube ao (power) trio Sambas do Absurdo, que pouca gente ainda conhece com esse nome, ainda que seja fruto da reuni\u00e3o de tr\u00eas m\u00fasicos badalados da cena indie samba torto paulistana: a cantora Ju\u00e7ara Mar\u00e7al mais Gui Amabis e Rodrigo Campos. De todos os projetos que envolvem essa \u201cturma\u201d, o Sambas do Absurdo \u00e9 o menos absurdo musicalmente, e ainda que a tem\u00e1tica seja inspirada em \u201cO Mito de S\u00edsifo\u201d, de Camus, a palavra lirismo, Vinicius e delicadeza permearam a boa apresenta\u00e7\u00e3o do trio (disco t\u00e1 chegando logo mais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/cymande.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequencia, o Cymande, formado no Reino Unido no come\u00e7o dos 70 por m\u00fasicos da Guiana, Jamaica e S\u00e3o Vicente, fizeram um dos shows mais good vibe dos \u00faltimos tempos nas terras cinzas de S\u00e3o Paulo. Repetindo o bord\u00e3o \u201cestamos aqui para trazer a \u2018mensagem\u2019. Preste aten\u00e7\u00e3o!\u201d, o divertido guitarrista Patrick Patterson simboliza o apre\u00e7o funk do grupo, que fez a plateia sacolejar ao som de can\u00e7\u00f5es como &#8220;The Message&#8221; e \u201cBra\u201d (\u201cOlha as paix\u00f5es morrendo, mas tudo bem, ainda podemos seguir em frente\u201d, diz o refr\u00e3o), do \u00e1lbum de estreia de 1972, assim como can\u00e7\u00f5es mais novas como \u201cCrazy Game\u201d, de 2005, (sobre \u201cas coisas estranhas que est\u00e3o acontecendo no mundo\u201d, explicou Patrick), num show que colocou sorrisos na alma dos presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 2 \u2013 SEXTA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/plim.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projeto do baterista Sergio Machado (Criolo, Met\u00e1 Met\u00e1, Tulipa Ruiz), o Plim subiu ao palco do Nublu com a deliciosa tarefa de entortar o c\u00e9rebro da velha guarda jazz\u00edstica presente para ver os lend\u00e1rios The Cookers mais tarde. Experimental\u00edssimo, Sergio Machado com seu Plim (que lan\u00e7ou o \u00e1lbum \u201cFloresta\u201d em 2016 \u2013 <a href=\"https:\/\/www.plimmusic.com\/music\" target=\"_blank\">download gratuito no site oficial<\/a>) recebeu primeiro Kiko Dinucci para um esporro guitarreiro, e depois Tulipa Ruiz e Thiago Fran\u00e7a, que honraram o clima experimental da noite. Acompanhado ainda de um trio de metais, mais guitarra e programa\u00e7\u00e3o, Sergio Machado terminou o show sozinho no palco improvisando na bateria sobre trilhas sonoras num show (dif\u00edcil) que cumpriu a expectativa de provocar o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/cookers.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tinha 9 anos, Eddie Henderson (o \u00faltimo da foto acima) aprendeu a tocar trompete com Louis Armstrong. Logo depois, aos 16, ele acompanhou Miles Davis num ensaio em que tamb\u00e9m estava John Coltrane e decidiu que queria ser m\u00fasico de jazz. Aos 77 anos, Eddie \u00e9 um dos nomes experientes do The Cookers (que ainda conta com o poderoso baterista Billy Hart, de 77 anos, e o habilidoso Cecil McBee, que continua comandando o baixol\u00e3o aos 82 anos). Todo esse conhecimento de hard bop foi aplicado pelo septeto The Cookers na plateia do Sesc Pompeia, que, hipnotizada, flutuou ao som de \u201cCroquet Ballet\u201d, \u201cThe Core\u201d e \u201cSlippin&#8217; and Slidin&#8217;\u201d seguindo o pique dos \u201cvelhinhos\u201d, que n\u00e3o queriam abandonar o palco de maneira alguma \u2013 o show acabou \u00e0s 0h40!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 03 \u2013 S\u00c1BADO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/saul.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrada do Sesc Pompeia, o coment\u00e1rio geral era: o que esperar do show de Saul Williams? Se algu\u00e9m arriscasse falar \u201cum dos shows do ano\u201d seria recebido com incredulidade, com toda certeza, mas n\u00e3o \u00e9 que o cara deixou a plateia (mais \u201cjovem\u201d \u2013 os grisalhos ficaram sentados no fundo esperando a grande atra\u00e7\u00e3o da noite, e perderam um puta show) absolutamente extasiada com uma apresenta\u00e7\u00e3o absolutamente irrepreens\u00edvel? Quem estava l\u00e1 \u00e9 prova: esbanjando um portugu\u00eas mais afiado que os tradicionais \u201cobrigado\u201d, Saul (acompanhado de DJ e tel\u00e3o) decidiu o set na hora (&#8220;Burundi&#8221;, &#8220;Roach Eggs&#8221;, &#8220;List of Demands&#8221;, entre outras), improvisou no meio da galera, cantou \u201cPol\u00edcia\u201d, dos Tit\u00e3s, exibiu um #ForaTemer no tel\u00e3o e fez um daqueles shows pol\u00edticos que continuam ecoando na cabe\u00e7a dias depois. Absolutamente brilhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/kamasi.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embaixador do jazz atual chocando a rever\u00eancia ao jazz cl\u00e1ssico dos anos 70 com scratch, vocaliza\u00e7\u00f5es, momentos r&amp;b e quase house (Miles sorri), Kamasi Washington e sua banda espetacular (dois bateristas descendo o cacete no kit, um baixista afiado, um mestre na percuss\u00e3o \u2013 que sofreu com o calor da choperia e precisou abandonar o show no meio \u2013, uma grande cantora, mais teclado, scratch e metais, sendo que um deles nas m\u00e3os de seu pr\u00f3prio pai) fez um show elegante e dan\u00e7ante promovendo um daqueles raros momentos de comunh\u00e3o entre banda e plateia: todos sorriam felizes. A vocalista Patrice Quinn brilhou num dos grandes momentos da noite (e do ano), o doloroso miolo de &#8220;Malcolm\u2019s Theme&#8221;, m\u00fasica de Terence Blanchard com letra dela e de Kamasi sobre Malcolm X: &#8220;Afro-American was Malcolm, a master of words&#8221;. At\u00e9 aqui (abril), show do ano no Brasil (conselho, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/\" target=\"_blank\">Pete Townshend<\/a>: ressuscita o Keith Moon, sen\u00e3o sem chance).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_kLOIOJ4eIk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kamasi Washington ainda voltou ao Sesc Pompeia no domingo para encantar a plateia em um segundo show fechando o Nublu Jazz Festival 2017. Quem teve a sorte de acompanhar os tr\u00eas dias do evento no Sesc Pompeia viu algum dos melhores shows do primeiro semestre em S\u00e3o Paulo \u2013 os quatro shows gringos encabe\u00e7am <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">o meu Top 5 pessoal<\/a> mesmo ap\u00f3s Lollapalooza, que teve uma por\u00e7\u00e3o de bons shows, mas nada que boa parte do p\u00fablico v\u00e1 lembrar em 2038 \u2013 ao contr\u00e1rio dessa apresenta\u00e7\u00e3o do Kamasi, que dever\u00e1 permanecer na mem\u00f3ria por anos e anos. Com uma curadoria cuidadosa, o Nublu chegou ao s\u00e9timo ano de sua hist\u00f3ria mostrando que est\u00e1 no auge trazendo ao Brasil nomes de ponta do jazz e funk mundial. Que siga assim!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xIioNhckXxc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a>. Os v\u00eddeos acima s\u00e3o obra de Rodolfo Yuzo e Rafael Andres. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCJCkq4zu2Soout178w8zKTg\" target=\"_blank\">Saca o canal deles no Youtube<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quem teve a sorte de acompanhar os tr\u00eas dias do evento no Sesc Pompeia viu algum dos melhores shows do primeiro semestre em S\u00e3o Paulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/10\/nublu-jazz-festival-sao-paulo-2017\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":42486,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1847,1844,1843,1838,1735,1840,1837,1845,1842,1841,1839,1846,1849,1848],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42485"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42485"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42493,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42485\/revisions\/42493"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}