{"id":42368,"date":"2002-09-28T11:05:11","date_gmt":"2002-09-28T14:05:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42368"},"modified":"2017-03-28T11:14:51","modified_gmt":"2017-03-28T14:14:51","slug":"cinema-sinais-de-m-night-shyamalan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/09\/28\/cinema-sinais-de-m-night-shyamalan\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Sinais&#8221;, de M. Night Shyamalan"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">M. Night Shyamalan \u00e9 um g\u00eanio. Ok, ok, peguei pesado, n\u00e9. Bem, vejamos. Shyamalan ganhou destaque no cinema com seu terceiro filme, &#8220;O Sexto Sentido&#8221; (1999), f\u00e1bula sobre um menino que via pessoas mortas, respons\u00e1vel por um dos finais de filme mais geniais dos \u00faltimos 15 anos, no m\u00ednimo. &#8220;O Sexto Sentido&#8221; foi indicado ao Oscar de melhor filme, Shyamalan teve roteiro e dire\u00e7\u00e3o citados, Haley Joey Osment (o tal menininho) quase papou o Oscar de coadjuvante e muita gente come\u00e7ou a levar Bruce Willis a s\u00e9rio. Shyamalan conseguiu praticamente o imposs\u00edvel em seu terceiro filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano seguinte veio as telas &#8220;O Corpo Fechado&#8221;. Seguindo a linha suspense, o diretor criou outra f\u00e1bula, aqui amparada em quadrinhos. A eterna luta entre o bem e o mal, bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1. Bruce Willis, novamente, \u00e9 o \u00fanico sobrevivente de um descarrilamento de trem. O fato de ter sobrevivido a trag\u00e9dia faz nosso amigo questionar sua invulnerabilidade. O argumento novamente cita o inacredit\u00e1vel, mas quem n\u00e3o se liga muito no universo de quadrinhos acaba achando o filme menor, j\u00e1 que a hist\u00f3ria funciona como adapta\u00e7\u00e3o de um her\u00f3i qualquer. Se &#8220;Sexto Sentido&#8221; era nota 10, este &#8220;Corpo Fechado&#8221; fica na nota 7. Shyamalan sai devendo. Um filme excelente e um mediano. A prova dos nove fica para o terceiro, &#8220;Sinais&#8221; (&#8220;Signs&#8221; \u2013 2002), n\u00e3o a toa, o filme que encerra o que a imprensa tem chamado de &#8220;Trilogia do Medo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sinais&#8221; repete a formula Shyamalan de cinema, o que j\u00e1 \u00e9 um ponto e tanto para um diretor t\u00e3o novato. Pegue um tema sobrenatural, coloque uma pessoa perturbada no papel principal e uma crian\u00e7a d\u00f3cil e inocente para posar de filho correlacionando em import\u00e2ncia os dois papeis. Escreva uma hist\u00f3ria com um q de poss\u00edvel, amarre tudo isso em um bom roteiro e, tchan tchan tchan, temos um excelente filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Graham Hess (Mel Gibson) era padre at\u00e9 perder a mulher em um acidente automobil\u00edstico. Com ela, o padre tamb\u00e9m perde sua f\u00e9, abandona a igreja e decide tocar sua fazenda, com um casal de filhos pequenos e seu irm\u00e3o mais novo. Tudo segue bem at\u00e9 que Graham nota algo estranho em sua planta\u00e7\u00e3o de milho: um enorme c\u00edrculo milimetricamente redondo e que, percebe-se, n\u00e3o poderia ter sido feito por humanos. Olhando de cima, vemos uma seq\u00fc\u00eancia de sinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse ponto em diante somos apresentados a fam\u00edlia Hess: o menino Morgan (Rory Culkin) sofre de asma; a menina Bo (Abigail Breslin) tem problemas com \u00e1gua, al\u00e9m de vis\u00f5es; o irm\u00e3o Merril (Joaquin Phoenix) \u00e9 um ex-jogador de beisebol, problem\u00e1tico. Estas poucas informa\u00e7\u00f5es de cada personagem tem tudo a ver com o desenrolar da trama, genial, quando nos veremos frente a frente com seres de outros planetas. Anote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em seus dois filmes anteriores, Shyamalan amparava o inacredit\u00e1vel em seres humanos (um homem morto em fase de transi\u00e7\u00e3o em um, um homem &#8220;inquebr\u00e1vel&#8221; em outro), em &#8220;Sinais&#8221; a f\u00e9 \u00e9 testada com alien\u00edgenas. Mais do que discutir se a forma \u00e9 esta, o diretor quer provar que n\u00e3o existem coincid\u00eancias, amarrando o filme todo de forma detalhista e ultra-maxi-hiper genial. Assim, o que importa \u00e9 se voc\u00ea acredita ou n\u00e3o em purgat\u00f3rio (&#8220;Sexto Sentido&#8221;), em pessoas iluminadas com um dom divino (&#8220;Corpo Fechado&#8221;) tanto quanto em seres extra-terrestres (&#8220;Sinais&#8221;). Os tr\u00eas objetos do diretor s\u00e3o t\u00e3o sobrenaturais um quanto os outros e se n\u00e3o funcionam no mundo real (ok, ok, h\u00e1 controv\u00e9rsias), na sala de cinema angustiam, assustam e empolgam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M. Night Shyamalan \u00e9 g\u00eanio. Vem sendo comparado a Steven Spielberg (revista &#8220;Time&#8221;) e Alfred Hitchcock (o jornal &#8220;The New York Times&#8221;) n\u00e3o a toa. Se colocarmos em quest\u00e3o que poucos diretores novos tem surgido com hist\u00f3rias geniais para contar, Shyamalan se destaca. Quentin Tarantino parou no segundo filme, &#8220;Pulp Fiction&#8221; (&#8220;Jackie Brown&#8221; \u00e9 auto-c\u00f3pia). Talvez, no mesmo n\u00edvel de Shyamalan esteja Paul Thomas Anderson que ap\u00f3s o bacana &#8220;Boogie Nights &#8211; Prazer Sem Limites&#8221; e o belo &#8220;Magn\u00f3lia&#8221;, lan\u00e7ou &#8220;Punch-Drunk Love&#8221;, ainda in\u00e9dito no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que Shyamalan lan\u00e7ou, em cinco anos, tr\u00eas filmes arrebatadores, acima da m\u00e9dia e, principalmente, com estilo. Nas tr\u00eas obras em quest\u00e3o podemos ver a m\u00e3o do diretor, o tra\u00e7o do roteiro, a genialidade das hist\u00f3rias. Em tempos de cinema feito para vender artistas, Shyamalan vende hist\u00f3rias (ele n\u00e3o s\u00f3 dirige como escreve e roteiriza seus filmes). E, melhor, hist\u00f3rias que ficam, n\u00e3o s\u00f3 por serem contadas de forma genial, mas tamb\u00e9m por ampararem-se tanto no sobrenatural quanto no poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Injetando intelig\u00eancia em uma arte cada vez mais preocupada com bilheterias, Shyamalan \u00e9 o homem, pois consegue, ainda, sucesso de cr\u00edtica e p\u00fablico. Coincid\u00eancia? N\u00e3o, caro leitor, n\u00e3o existem coincid\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa palavra: filma\u00e7o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ez_lcCRf5ug?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Injetando intelig\u00eancia em uma arte cada vez mais preocupada com bilheterias, Shyamalan \u00e9 o homem, pois consegue, ainda, sucesso de cr\u00edtica e p\u00fablico. Coincid\u00eancia? 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