{"id":42337,"date":"2017-03-22T10:18:33","date_gmt":"2017-03-22T13:18:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42337"},"modified":"2017-04-18T10:57:57","modified_gmt":"2017-04-18T13:57:57","slug":"entrevista-heloa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/22\/entrevista-heloa\/","title":{"rendered":"Entrevista: H\u00e9loa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma voz que canta ventos e avenidas, amizades e mudan\u00e7as, sorrisos e sil\u00eancios, amores e lembran\u00e7as\u201d. \u00c9 assim, de forma po\u00e9tica, que come\u00e7a o release que apresenta \u201cEu\u201d, belo \u00e1lbum de estreia da cantora sergipana H\u00e9loa, que trocou o \u201caconchego de Aracaju\u201d pela \u201catmosfera urbain\u00f3ide e um tanto ca\u00f3tica\u201d de S\u00e3o Paulo, uma megal\u00f3pole que \u201censina a viver o aqui e o agora e a reduzir danos e expectativas\u201d, segundo ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma persona art\u00edstica apaixonada pela \u201cm\u00fasica popular nordestina e brasileira\u201d, H\u00e9loa encontrou nos amigos e produtores Daniel Groove e Jo\u00e3o Vasconcelos a companhia perfeita para traduzir sua musicalidade de interprete: das 12 can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum, H\u00e9loa assina apenas \u201cA Avenida\u201d, em parceria com Eduardo Escariz. Sua busca pessoal era encontrar um elo musical que transitasse entre sua \u201cviv\u00eancia em Aracaju, e o novo momento em S\u00e3o Paulo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro desse cen\u00e1rio, H\u00e9loa pescou can\u00e7\u00f5es de Otto (\u201cCrua\u201d) e tamb\u00e9m de Geraldo Azevedo e Alceu (\u201cCaravana\u201d). O primeiro single do disco, \u201cCalei\u201d, ganhou um clipe filmado em uma f\u00e1brica de canela. \u201cEsse local e sonoridade, em Aracaju, de alguma forma, tamb\u00e9m me conectava com S\u00e3o Paulo e seu fluxo acelerado e ruidoso\u201d, conta H\u00e9loa, que sa\u00fada o grande momento da m\u00fasica sergipana: \u201cEla quer falar ao mundo\u201d. Assista ao clipe, baixe o disco (<a href=\"http:\/\/www.heloaeu.com\/\" target=\"_blank\">gratuitamente<\/a>) e confira o papo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RDE40jx-LhE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Eu&#8221; \u00e9 seu disco de estreia, ap\u00f3s o EP &#8220;Solta&#8221;. Como voc\u00ea o define musicalmente? Qual sonoridade voc\u00ea busca que acabou resultando no \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nExatamente. O &#8220;Eu&#8221; veio tr\u00eas anos depois do meu EP &#8220;Solta&#8221; e foi justamente o tempo necess\u00e1rio para que eu pudesse decantar e entender muita coisa em rela\u00e7\u00e3o ao que eu queria musicalmente. Sempre tive como refer\u00eancia a minha viv\u00eancia em minha casa, em Aracaju, mais precisamente o que ouvia ao lado de minha fam\u00edlia, minha m\u00e3e, v\u00f3, v\u00f4 e meu pai. Sempre fui uma apaixonada pela can\u00e7\u00e3o, pela m\u00fasica popular nordestina e brasileira, pela m\u00fasica rom\u00e2ntica. E era exatamente isso que queria para o &#8220;Eu&#8221;, trazer a can\u00e7\u00e3o em primeiro plano, explorar meu lado interprete, e buscar sonoridades que transitassem entre meu universo e minha viv\u00eancia em Aracaju, e o meu novo momento em S\u00e3o Paulo. N\u00e3o buscamos defini\u00e7\u00f5es nesse processo e acho que isso \u00e9 que faz o disco ser o que ele \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi trabalhar com Daniel Groove e Jo\u00e3o Vasconcelos, que produziram &#8220;Eu&#8221;?<\/strong><br \/>\nFoi uma baita experi\u00eancia, a minha conex\u00e3o com o Daniel vem muito nesse sentido de comungarmos do mesmo pensamento e refer\u00eancias musicais. Essa sintonia surgiu logo de cara, e antes mesmo quando eu j\u00e1 admirava seu trabalho como artista. Como produtor, ele procurou me conhecer um pouco mais e n\u00e3o s\u00f3 musicalmente, mas a artista como um todo, passamos meses buscando refer\u00eancias musicais, nas artes visuais, fotografias, filmes, me apresentou composi\u00e7\u00f5es suas e de outros compositores, dai escolhemos as can\u00e7\u00f5es, e as tocamos bastante no viol\u00e3o com o aux\u00edlio do parceiro Eduardo Escariz (tamb\u00e9m presente no disco) e foi a partir desse processo que o Daniel foi desenhando cada can\u00e7\u00e3o antes mesmo de entrar no est\u00fadio. Quando entramos, tudo o que Daniel j\u00e1 tinha como refer\u00eancia se somou com o que o Jo\u00e3o Vasconcelos pensava. O Jo\u00e3o, que possui um olhar mais t\u00e9cnico, foi fundamental na composi\u00e7\u00e3o dos arranjos, al\u00e9m de tocar v\u00e1rios instrumentos nos disco e at\u00e9 mesmo me auxiliar nas inten\u00e7\u00f5es vocais para cada m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 algumas regrava\u00e7\u00f5es no \u00e1lbum, e queria destacar &#8220;Caravana&#8221;, do Geraldo Azevedo e do Alceu, e &#8220;Crua&#8221;, do Otto. Por que essas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEsses s\u00e3o artistas que sempre admirei e ouvi bastante, o Otto eu tive a honra de conhec\u00ea-lo em 2014 e a partir dai passou a ser uma figura tamb\u00e9m muito importante nesse meu processo de mudan\u00e7a de Aracaju para S\u00e3o Paulo. H\u00e1 tempos tinha dito para ele que queria gravar uma can\u00e7\u00e3o sua, a ideia era ele compor uma especialmente para o disco, mas, no processo, senti esse desejo de regravar &#8220;Crua&#8221; que, particularmente , \u00e9 uma das suas can\u00e7\u00f5es que mais gosto. Ele n\u00e3o pestanejou em liberar. Escolhi principalmente pela visceralidade da can\u00e7\u00e3o. Pela linguagem po\u00e9tica e &#8220;dissolvida&#8221;. &#8220;Caravana&#8221; n\u00e3o foi diferente, me senti chamada pela can\u00e7\u00e3o, em meio ao processo de mudan\u00e7a que vivia na cidade de S\u00e3o Paulo, em algum momento me peguei cantando-a algumas vezes, a frase &#8220;a vida \u00e9 cigana&#8221; vinha a tona como um mantra. At\u00e9 que, em uma tarde, fui at\u00e9 o est\u00fadio Cambuci Roots, sentei com o Jo\u00e3o Vasconcelos, e a fizemos. A gente j\u00e1 tinha vontade de regravar alguma can\u00e7\u00e3o do cancioneiro popular brasileiro. Ela veio como uma luva. Todas as can\u00e7\u00f5es foram escolhidas por um processo de conex\u00e3o, elas falam por mim, mesmo que as n\u00e3o tenha escrito, e me vejo em cada uma delas. Por isso busquei contar e costurar uma hist\u00f3ria a partir da\u00ed. Esse &#8220;Eu&#8221;, repleto de v\u00e1rios &#8220;eus&#8221;. Costumo dizer que n\u00e3o gravei um disco, mas vivi um. E assim as can\u00e7\u00f5es chegaram: de um processo natural e intuitivo. Imers\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iNErbAq0pZU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Calei&#8221; foi escolhida para ser o primeiro clipe do \u00e1lbum, certo? Como foi pensar um clipe para essa can\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEle \u00e9 um seguimento do processo de concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica da capa do disco que teve sua ideia concebida alguns meses antes. Eu e o Bruno Sousa (designer gr\u00e1fico que assina a capa) conversamos muito sobre as minhas viv\u00eancias at\u00e9 chegar no nome e imagem do disco. O clipe n\u00e3o foi diferente. O Gabriel Barretto, que dirigiu e captou as imagens, t\u00e1 comigo nesse processo desde muito tempo e me conhece bastante. N\u00e3o precisamos falar muito. Simplesmente priorizamos sentir at\u00e9 mesmo o que a m\u00fasica nos fala, \u201cCalei, mas foi s\u00f3 pro meu corpo se expressar melhor\u201d. O lugar escolhido foi a f\u00e1brica de canela de um vizinho de onde morei 25 anos e foi escolhido por fazer parte de uma mem\u00f3ria muito sensorial minha. Nessa mesma f\u00e1brica, que exalava cheiro de canela pela rua, tinham sons de m\u00e1quinas funcionando pelo dia e pela noite e m\u00fasica, pois o propriet\u00e1rio, tamb\u00e9m m\u00fasico, a utilizava para ensaio. Esse local e sonoridade, em Aracaju, de alguma forma, tamb\u00e9m me conectava com S\u00e3o Paulo e seu fluxo acelerado e ruidoso, pontos que muito me assustaram e me chamaram a aten\u00e7\u00e3o quando fui morar l\u00e1. Ent\u00e3o, a gente foi \u00e0 f\u00e1brica com v\u00e1rias refer\u00eancias e sab\u00edamos o que quer\u00edamos, mas tamb\u00e9m nos deixamos conduzir pelo acaso e o momento. Um tanto de viv\u00eancia e performance art. Tava calor, a canela aqueceu meu corpo, cheguei a passar mal, soltei o cabelo, sujei o vestido e segui a dan\u00e7a. Assim o foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguns meses atr\u00e1s, o Bruno Montav\u00e3o publicou um texto sobre o grande momento da m\u00fasica sergipana, e era um texto t\u00e3o especial que pedimos autoriza\u00e7\u00e3o a ele para <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/06\/o-grande-momento-da-musica-sergipana\/\" target=\"_blank\">republicarmos no Scream &amp; Yell<\/a>. Como voc\u00ea v\u00ea esse atual momento da m\u00fasica de Sergipe?<\/strong><br \/>\nSergipe \u00e9 um celeiro de grandes artistas, atores, compositores, m\u00fasicos, poetas&#8230; Vivencio isso desde sempre. Atrav\u00e9s do meu pai, tamb\u00e9m m\u00fasico, pude estar inserida desde muito pequena nesse meio. Atualmente o cen\u00e1rio tem cada vez mais se fortalecido e temos grandes artistas alcan\u00e7ando visibilidade nacional e abrindo esse olhar cada vez mais curioso para o nosso estado. Acredito que estamos em um \u00f3timo momento apesar da dificuldade de investimento e credibilidade. Mas, ao mesmo tempo, como artistas independentes que somos, estamos sempre nos reinventado e aprendido cada vez mais como andar no &#8220;caminho das pedras&#8221;, isso tem nos fortalecido aproximado mais ainda do nosso p\u00fablico. As redes sociais s\u00e3o fundamentais nesse processo. Mesmo para mim, que decidi morar em S\u00e3o Paulo h\u00e1 mais de um ano, busco estar sempre conectada com o que acontece em meu estado, e, a cada retorno que fa\u00e7o, fico encantada de ver uma nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos e artistas se profissionalizando e selan\u00e7ando no mercado. Fa\u00e7o das palavras do Bruno Montalv\u00e3o as minhas: est\u00e1 &#8220;pulsando cada vez mais forte&#8221; e &#8220;quer falar ao mundo&#8221; ao citar boa parte destes artistas como The Baggios, Coutto Orchestra, Arthur Matos, Sandy Al\u00ea, Alex Sant&#8217;anna, Lau e Eu , The Renegades of Punk, e tantos outros&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora voc\u00ea vive em S\u00e3o Paulo, certo? Como est\u00e1 sendo a sua experi\u00eancia de viver nessa cidade t\u00e3o incr\u00edvel quanto terr\u00edvel?<\/strong><br \/>\nTem sido incr\u00edvel quanto terr\u00edvel. (risos) Mas deixo o terr\u00edvel muito mais para o in\u00edcio dessa minha mudan\u00e7a, no que tange a minha adapta\u00e7\u00e3o, estranhamento e todo processo de imers\u00e3o nessa cidade. Em muitos momentos senti falta da minha cidade e do meu litoral, da leveza e aconchego de Aracaju. A atmosfera urbain\u00f3ide e um tanto ca\u00f3tica, a condu\u00e7\u00e3o de algumas rela\u00e7\u00f5es sociais, em S\u00e3o Paulo, me assustaram bastante no in\u00edcio. Mas tudo isso foi se dissolvendo com o tempo. Hoje me sinto muito bem na cidade, criei grandes e fortes la\u00e7os e me sinto muito bem acolhida, al\u00e9m do momento &#8220;incr\u00edvel&#8221; que tenho vivido com a boa repercuss\u00e3o do disco. Est\u00e1 sendo delicioso viver e estar em contato com grandes artistas e acontecimentos e era exatamente justamente isso que eu queria quando decidi vir, aproveitar tudo que ela me oferece em termos de viv\u00eancia. A decis\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil, mas com o tempo tudo entra no trilho. Hoje me sinto em casa, tenho uma fam\u00edlia aqui mas sempre que posso vou me reenergizar em Aracaju, estar nesse fluxo tamb\u00e9m me agrada, \u00e9 uma maneira de aprender a viver bem onde quer que esteja e necessariamente n\u00e3o pertencer a nenhum lugar. S\u00e3o Paulo foi e \u00e9 uma grande m\u00e3e nesse sentido, ensina a viver o aqui e o agora e a reduzir danos e expectativas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J3cnY4afoaU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/soujosedeholanda\" target=\"_blank\">Jos\u00e9 de Holanda<\/a> \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com uma persona art\u00edstica apaixonada pela \u201cm\u00fasica popular nordestina e brasileira\u201d, a sergipana H\u00e9loa apresenta seu primeiro disco, o belo &#8220;Eu&#8221;. 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