{"id":42333,"date":"2017-03-22T09:33:04","date_gmt":"2017-03-22T12:33:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42333"},"modified":"2017-05-09T16:48:07","modified_gmt":"2017-05-09T19:48:07","slug":"40-anos-de-let-there-be-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/22\/40-anos-de-let-there-be-rock\/","title":{"rendered":"40 anos de Let There Be Rock"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/guilhermeolhier\" target=\"_blank\">Guilherme Olhier<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste 2017 repleto de datas marcantes de lan\u00e7amentos musicais, o super cl\u00e1ssico do AC\/DC, \u201cLet There Be Rock\u201d, tamb\u00e9m festeja uma data especial: 40 anos de anivers\u00e1rio de lan\u00e7amento (21\/03) carregando o vigor de um dos maiores \u00e1lbuns de hard rock de todos os tempos.Sem d\u00favida, esse \u00e9 um daqueles discos que se pode ouvir com o mesmo entusiasmo sem pular nenhuma faixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado entre janeiro e fevereiro de 1977, no Albert Studios de Sydney, terra natal da banda, o terceiro \u00e1lbum do AC\/DC (quarto na Austr\u00e1lia) foi produzido pelo mais velho dos irm\u00e3os Young, George, em parceria com Harry Vanda. Como em time que est\u00e1 ganhando n\u00e3o se mexe, a banda apostou na dupla Vanda &amp; Young, que j\u00e1 havia produzido os primeiros \u00e1lbuns, \u201cHigh Voltage\u201d (1975), \u201cTNT\u201d (1976) e \u201cDirty Deeds Done Dirt Cheap\u201d (1976).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1976, apesar do AC\/DC ter come\u00e7ado a colher os frutos dos primeiros \u00e1lbuns fora da Austr\u00e1lia, principalmente no Reino Unido e na Europa, o cen\u00e1rio j\u00e1 estava mudando com o in\u00edcio da explos\u00e3o do punk rock, principalmente na Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no cobi\u00e7ado mercado americano, a Atlantic Records USA havia rejeitado o antecessor, \u201cDirty Deeds\u201d. Os chef\u00f5es da gravadora americana queriam encerrar o contrato com a banda, j\u00e1 que n\u00e3o viam nenhum potencial neles para desbancar os medalh\u00f5es de sucesso do per\u00edodo nas r\u00e1dios, nomes como Rod Stewart, The Eagles e Elton John. Esse balde de \u00e1gua fria for\u00e7ou a banda a retornar para a terra natal e gravar um novo \u00e1lbum no mesmo est\u00fadio onde haviam gravado os primeiros, mas com um pensamento diferente e dessa vez com muito mais atitude e cheios de raiva para mostrar que os yankees tinham mexido com os caras errados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado foi um dos mais conceituados \u00e1lbuns em toda a longa hist\u00f3ria dos australianos e que realmente alavancou a carreira da banda. \u201cLet There Be Rock\u201d traz uma grande evolu\u00e7\u00e3o no som do AC\/DC e consegue transportar todo o peso que a banda tinha ao vivo. Na \u00e9poca do seu lan\u00e7amento, tanto os f\u00e3s quanto os cr\u00edticos o consideraram como o primeiro \u00e1lbum de verdade do AC\/DC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma entrevista para a revista Guitar World, ainda nos anos 90, Angus Young, lembra da atmosfera das grava\u00e7\u00f5es: \u201cO \u00e1lbum que mais tivemos que fazer trabalhos na guitarra provavelmente foi \u2018Let There Be Rock\u2019. Do in\u00edcio ao fim do \u00e1lbum s\u00e3o muitos solos de guitarra. A m\u00fasica \u2018Let There Be Rock\u2019 foi um grande desafio para mim. Lembro do meu irm\u00e3o, George, me dizendo no est\u00fadio: \u2018Vamos l\u00e1, Ang. Vamos fazer algo diferente\u2019. Na \u00faltima faixa, lembro de um dos amplificadores come\u00e7ar a explodir no final. Eu disse: \u2018Hey, os alto falantes est\u00e3o indo pro saco\u2019. Dava pra ver no est\u00fadio toda aquela fuma\u00e7a e fa\u00edscas saindo e ele gritava pra mim: \u2018Continue tocando, continue tocando\u201d\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/acdc1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum<\/strong><br \/>\nLogo de cara j\u00e1 d\u00e1 pra perceber que a banda n\u00e3o est\u00e1 de brincadeira e abre com a poderosa \u201cGo Down\u201d, que na vers\u00e3o lan\u00e7ada em CD posteriormente \u00e9 pouca coisa maior do que a originalmente lan\u00e7ada em vinil. Bon Scott trouxe hist\u00f3rias da vida real para os temas das m\u00fasicas e \u201cGo Down\u201d foi inspirada em uma groupie apelidada de Ruby Lips que o vocalista conheceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A letra da segunda faixa, \u201cDog Eat Dog\u201d, fala por si s\u00f3 e foi lan\u00e7ada como single na Austr\u00e1lia, incluindo como Lado B a m\u00fasica \u201cCarry Me Home\u201d, que mais tarde foi lan\u00e7ada na caixa \u201cBacktracks\u201d, em 2009.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3f2g4RMfhS0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa t\u00edtulo conta a hist\u00f3ria do surgimento e do desenvolvimento do rock n\u2019 roll e pega uma frase emprestada de \u201cRoll Over Beethoven\u201d, de Chuck Berry. No caso, o cl\u00e1ssico do pai do rock n\u00b4roll trazia \u201cTell Tchaikovsky the news\u201d (Conte a novidade a Tchaikovsky, em refer\u00eancia ao compositor cl\u00e1ssico russo Piotr Tchaikovsky) e em \u201cLet There Be Rock\u201d se transformou em \u201cBut Tchaikovsky had the news\u201d, dizendo que a novidade j\u00e1 havia sido contada e que ele a compartilhou com todos, dizendo \u201cque haja som, que haja luz, que haja bateria, que haja guitarra, que haja rock\u201d. A letra da m\u00fasica se desenvolve em contar o surgimento de v\u00e1rias bandas e com isso o crescimento da fama e a riqueza dos m\u00fasicos e dos \u201chomens de neg\u00f3cios\u201d. A m\u00fasica \u00e9 um dos maiores cl\u00e1ssicos da banda e foi figurinha carimbada em todos os shows do AC\/DC, com a inclus\u00e3o de um extenso solo de guitarra de Angus Young sem o acompanhamento da banda, um dos momentos mais marcantes das apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBad Boy Boogie\u201d e \u201cProblem Child\u201d trazem a mesma tem\u00e1tica de um garoto problema, que gosta de fazer tudo o que n\u00e3o deve. As letras inclusive s\u00e3o bem parecidas. Na primeira: \u201cEles dizem pare, eu digo vamos. Eles dizem r\u00e1pido eu vou devagar. Eles dizem sim eu digo n\u00e3o. Eu fa\u00e7o o boogie do garoto mau.\u201d J\u00e1 em \u201cProblem Child\u201d a letra crava: \u201cO que eu quero eu pego. O que eu n\u00e3o quero eu quebro. Sou uma crian\u00e7a problem\u00e1tica e sou selvagem\u201d. Exatamente como era a personalidade de Bon Scott, que n\u00e3o dispensava uma farra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o internacional do \u00e1lbum trazia o mesmo tracklist australiano, com a faixa \u201cCrabsody in Blue\u201d, mas a Atlantic Records (de novo ela) por conta da palavra \u201cchatos\u201d na letra, a substituiu por uma vers\u00e3o mais curta de \u201cProblem Child\u201d, que havia sido lan\u00e7ada no LP australiano de \u201cDirty Deeds Done Dirt Cheap\u201d, ironicamente o \u00e1lbum que havia sido rejeitado por eles meses antes. \u201cCrabsody in Blue\u201d tamb\u00e9m foi lan\u00e7ada posteriormente no box \u201cBacktracks\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QbELJnnUkr4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOverdose\u201d supostamente teria sido inspirada em uma garota chamada Judy King, que Scott havia conhecido em 1975 e que haveria tido uma overdose de hero\u00edna junto dela e de sua irm\u00e3 mais velha Christine. O fato \u00e9 que a m\u00fasica conta a hist\u00f3ria de um homem que tem uma overdose, n\u00e3o por conta de drogas, mas sim por uma mulher, mas \u00e9 claro com v\u00e1rias refer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHell Ain\u2019t Bad Place to Be\u201d j\u00e1 antecipava a tem\u00e1tica demon\u00edaca do grupo que viria a ser consolidada em \u201cHighway To Hell\u201d e tamb\u00e9m acabou entrando no disco ao vivo \u201cIf You Want Blood, You Got It\u201d, de 1978, e s\u00f3 saiu do setlist da banda durante pouco tempo nos anos 80.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa que fecha o disco, um mega cl\u00e1ssico do AC\/DC, \u201cWhole Lotta Rosie\u201d, tamb\u00e9m conta uma hist\u00f3ria vivida por Bon Scott. A m\u00fasica \u00e9 sobre uma mulher obesa da Tasm\u00e2nia chamada de Rosie por conta do seu cabelo vermelho, a qual Scott havia tido uma noite em um motel de beira de estrada no sub\u00farbio de Melbourne. Al\u00e9m de detalhar os atributos e medidas de tal mulher, Scott ainda conta na letra que ela \u00e9 uma grande amante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eEf_UZVMat4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o original da m\u00fasica, um pouco mais lenta, se chamava \u201cDirty Eyes\u201d e foi gravada no ver\u00e3o de 1976 junto com \u201cCarry Me Home\u201d e \u201cLove at First Feel\u201d, para o lan\u00e7amento de um poss\u00edvel EP, que foi rejeitado. \u201cLove At First Feel\u201d foi parar no \u00e1lbum \u201cDirty Deeds\u201d e \u201cCarry Me Home\u201d no single de \u201cDog Eat Dog\u201d. \u201cDirty Eyes\u201d foi refeita e se tornou o cl\u00e1ssico que todos conhecem. A m\u00fasica mais tarde foi lan\u00e7ada no boxset \u201cBonfire\u201d, que resgata a era Bon Scott no AC\/DC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como \u201cLet There Be Rock\u201d, \u201cWhole Lotta Rosie\u201d \u00e9 tocada em todos os shows da banda e tamb\u00e9m \u00e9 uma das poucas m\u00fasicas, junto com \u201cThe Jack\u201d, a figurar em todos os \u00e1lbuns ao vivo do AC\/DC. Ali\u00e1s, a apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo de \u201cRosie\u201d \u00e9 um show a parte. Al\u00e9m de a plateia entoar o nome de \u201cAngus\u201d no intervalo do riff inicial, uma boneca infl\u00e1vel gigante de Rosie toma o palco e a banda transforma a m\u00fasica de uma maneira impressionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/acdc2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme<\/strong><br \/>\nO sucesso do \u00e1lbum resultou no filme \u201cLet There Be Rock: The Movie\u201d. Al\u00e9m do show gravado no Pavillon de Paris, na Fran\u00e7a, em dezembro de 1979, durante a turn\u00ea do \u00e1lbum \u201cHighway to Hell\u201d, o filme trazia entrevistas e imagens do dia a dia dos integrantes da banda, no mesmo estilo dos filmes\/show da \u00e9poca que eram exibidos nos cinemas como \u201cThe Song Remains the Same\u201d, do Led Zeppelin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme e o VHS foram lan\u00e7ados em setembro de 1980 em homenagem a Bon Scott, que faleceu em 19 de fevereiro daquele ano, devido a uma hipotermia depois de dormir no banco traseiro de um carro ap\u00f3s uma noite de bebedeira. Um CD duplo com a trilha sonora do filme foi inclu\u00edda no boxset \u201cBonfire\u201d de 1997, por\u00e9m trazia a faixa \u201cT.N.T.\u201d, que n\u00e3o aparece nas telas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O legado de \u201cLet There Be Rock\u201d ecoa at\u00e9 hoje, j\u00e1 que o \u00e1lbum conseguiu resistir \u00e0 f\u00faria dos punks e ao mesmo tempo a alegria da disco music. Em um ano de transi\u00e7\u00e3o na m\u00fasica, reinou sozinho no seu pr\u00f3prio estilo, resgatando levadas do rock n\u2019 roll dos anos 50, a virtuose dos solos de guitarra das maiores bandas da \u00e9poca e toda a atitude punk dentro e fora dos palcos. Com essa mistura certeira, n\u00e3o ser\u00e1 nada espantoso se \u201cLet There Be Rock\u201d ainda for assunto daqui 40 anos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZFq8RC5--Ys?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Guilherme Olhier (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/guilhermeolhier\" target=\"_blank\">@guilhermeolhier<\/a>) \u00e9, segundo descri\u00e7\u00e3o no Twitter, um jornalista saudosista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Neste 2017 repleto de datas marcantes de lan\u00e7amentos musicais, o super cl\u00e1ssico do AC\/DC, \u201cLet There Be Rock\u201d, tamb\u00e9m festeja uma data especial: 40 anos de anivers\u00e1rio\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/22\/40-anos-de-let-there-be-rock\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":33,"featured_media":42334,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1795],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42333"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42333"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42333\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42335,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42333\/revisions\/42335"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}