{"id":42299,"date":"2017-03-17T10:02:10","date_gmt":"2017-03-17T13:02:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42299"},"modified":"2017-04-24T00:04:33","modified_gmt":"2017-04-24T03:04:33","slug":"erros-e-acertos-da-2a-temporada-de-love","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/17\/erros-e-acertos-da-2a-temporada-de-love\/","title":{"rendered":"Erros e acertos da 2\u00aa temporada de LOVE"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.tavares.779\" target=\"_blank\">Pedro Tavares<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 deve ter acontecido com voc\u00ea: algu\u00e9m te convida para uma festa e voc\u00ea vai com a esperan\u00e7a de beber, dan\u00e7ar, enfim, se divertir. Em certo momento, no entanto, tudo parece sem sentido e voc\u00ea se encontra sentado no sof\u00e1 em um estado quase depressivo, questionando a vida e suas escolhas pat\u00e9ticas. Trinta minutos depois, \u201cFreedom\u201d, de George Michael, embala a pista e algo m\u00e1gico acontece, um tipo de epifania. Voc\u00ea \u00e9 livre e parece ser o dia mais feliz da sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 prov\u00e1vel que algo parecido j\u00e1 tenha mesmo acontecido com voc\u00ea, e \u00e9 por isso que a cena, parte de um dos epis\u00f3dios da segunda temporada de LOVE (disponibilizada na Netflix no \u00faltimo dia 10 de mar\u00e7o) atrai. A s\u00e9rie inteira \u00e9 assim, cheia de situa\u00e7\u00f5es que poderiam acontecer \u2013 e, por que n\u00e3o, j\u00e1 aconteceram? \u2013 com a gente. O universo reconhec\u00edvel da s\u00e9rie n\u00e3o passa pelos personagens, por sua condi\u00e7\u00e3o social, idade, ou emprego. Os protagonistas s\u00e3o brancos, na casa dos 30 anos, de classe m\u00e9dia, heterossexuais e americanos, mas isso pouco importa. O que torna a s\u00e9rie pr\u00f3xima \u00e9 seu tema, o amor, os relacionamentos, algo que qualquer um, seja branco, negro, rico, pobre, brasileiro ou chin\u00eas, j\u00e1 viveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o comandada por Judd Apatow (\u201cFreaks and Geeks\u201d, \u201cSuperbad\u201d, \u201cGirls\u201d), Lesley Arfin (\u201cAwkward\u201d, \u201cBrooklin Nine Nine\u201d, \u201cGirls\u201d) e Paul Rust (\u201cArrested Development\u201d) chega ao seu segundo ano com a press\u00e3o iminente que atinge qualquer s\u00e9rie: manter a qualidade anterior e dar um passo \u00e0 frente. \u00c9 como se a primeira temporada, mais cautelosa, fosse feita para conseguir a renova\u00e7\u00e3o. Isso conquistado, \u00e9 hora de come\u00e7ar a fazer o que se quer. A segunda temporada funciona n\u00e3o s\u00f3 como continua\u00e7\u00e3o, mas como uma afirma\u00e7\u00e3o das ideias dos criadores para seu produto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em LOVE isso fica claro. O universo se expandiu, assim como os conflitos emocionais dos personagens. Por\u00e9m, o que parece um ganho de um lado, acaba sendo um preju\u00edzo de outro. M\u00e9ritos da primeira temporada ficaram um pouco de lado e n\u00e3o temos mais cenas como a memor\u00e1vel festa em que Gus chega adiantado e toca \u201cJet\u201d com desconhecidos; ou a surreal visita dos protagonistas ao castelo da m\u00e1gica, momento engra\u00e7ad\u00edssimo da primeira temporada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O humor, agora, est\u00e1 em segundo plano. Apesar de ainda calibrado, por exemplo, na enorme habilidade em criar situa\u00e7\u00f5es constrangedoras, ele fica na sombra do complicado romance entre Gus e Mickey. O relacionamento entre os dois, que j\u00e1 era tema principal da s\u00e9rie, ganha novo enfoque, mais humano e sens\u00edvel. Um pouco mais complexo tamb\u00e9m, tanto que, agora, o espectador fica em d\u00favida sobre quem est\u00e1 certo ou errado nas discuss\u00f5es entre os personagens, algo que n\u00e3o acontecia no primeiro ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, bons coadjuvantes ganham mais espa\u00e7o, caso de Bertie, a exc\u00eantrica e am\u00e1vel colega de casa de Mickey, que se envolve em um relacionamento disfuncional com Randy, um trint\u00e3o desempregado, amigo de Gus. Essa maior abertura, por\u00e9m, acaba se mostrando falha quando n\u00e3o \u00e9 desenvolvida. A s\u00e9rie \u2018cresce\u2019 v\u00e1rios personagens, como Truman, companheiro de trabalho de Mickey, mas acaba se esquecendo deles na sequ\u00eancia. O mesmo acontece com Bertie e Randy que, no fim, ficam com sua hist\u00f3ria mal-acabada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/love.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LOVE tamb\u00e9m desliza em algumas cenas, quando parece que os roteiristas ficam mais preocupados com o que vai acontecer do que com o que est\u00e1 acontecendo. \u00c9 o caso do primeiro epis\u00f3dio desta segunda temporada, em que, para for\u00e7ar uma proximidade entre os protagonistas, \u00e9 criada uma cena estapaf\u00fardia e for\u00e7ada de fuga da pol\u00edcia. Isso acontece ainda na cria\u00e7\u00e3o de um personagem totalmente caricato, Victor, um cineasta japon\u00eas que age de maneira bastante irreal. No final da temporada, outro momento do tipo: Mickey tenta se esconder de seu ex-namorado em uma feira e \u00e9 desenhada uma cena digna de com\u00e9dia pastel\u00e3o, com ela agindo de forma bizarra e Gus, convenientemente ing\u00eanuo, n\u00e3o entendendo nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso com certeza n\u00e3o estraga a s\u00e9rie, perfeita para se assistir de uma tacada s\u00f3, em um fim de semana em casa. A linguagem \u00e9 precisa, os di\u00e1logos s\u00e3o frescos e as situa\u00e7\u00f5es identific\u00e1veis, m\u00e9rito gigantesco para uma produ\u00e7\u00e3o audiovisual. Paul Rust e Gillian Jacobs se encaixam como uma luva nos pap\u00e9is principais. Rust faz de seu Gus algu\u00e9m que ficaria deslocado em qualquer situa\u00e7\u00e3o, gerando boas risadas. Jacobs, melhor ainda, consegue demonstrar toda a complexidade de sua personagem, que se desenvolve mais nesta temporada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto Gus parece o mesmo durante a maior parte dos epis\u00f3dios, Mickey ganha em profundidade. Exemplo disso \u00e9 o epis\u00f3dio em que seu pai a visita, momento importante para o crescimento dela. Em resumo, Gillian Jacobs consegue interpretar uma personagem um tanto intrincada, algu\u00e9m prestes a explodir, mas que tem o profundo desejo de tentar ser melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E esse parece ser um dos temas principais de LOVE, em seu segundo ano: tentar. Procurar fazer um relacionamento dar certo, ir atr\u00e1s de uma vaga melhor no emprego, buscar seu pr\u00f3prio amadurecimento. Nas rela\u00e7\u00f5es entre os personagens, a s\u00e9rie demonstra onde quer tocar. Seja nos momentos em que discute a tenta\u00e7\u00e3o de se voltar para o confort\u00e1vel, com Mickey e seu ex-namorado, Bertie e Randy; ou quando explora a mania de Gus de tentar agradar todo mundo, evidenciada na cena em que o pai de Arya faz uma festa em seu quarto de hotel, algo que pode acabar \u2013 e acaba \u2013 desagradando as pessoas que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m aparece com for\u00e7a a condescend\u00eancia de Gus com Mickey. Sua tentativa falha de se aproximar dela, sem dar espa\u00e7os ou agindo de maneira sufocante. Tudo isso ganha enorme import\u00e2ncia no final da temporada, em uma sequ\u00eancia de acontecimentos que colocam o relacionamento dos dois na corda bamba. O que LOVE parece querer dizer, ao fim, \u00e9 mais ou menos o que George Michael canta em \u201cFreedom\u201d: Tudo o que temos de fazer agora \u00e9 pegar essas mentiras e transform\u00e1-las em verdade de algum jeito. Tudo o que temos de ver \u00e9 que eu n\u00e3o perten\u00e7o a voc\u00ea, e voc\u00ea n\u00e3o pertence a mim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ImILgy4jfIE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Pedro Tavares (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.tavares.779\" target=\"_blank\">fb.com\/pedro.tavares.779<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o <a href=\"https:\/\/rotinaechinelos.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Rotina e Chinelos<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cLove &#8211; Season 1&#8243; n\u00e3o esconde que a vida precisa de realidade e esfor\u00e7o pr\u00e1tico pra funcionar (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/07\/love-comedia-e-expectativas\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O universo se expandiu, assim como os conflitos emocionais dos personagens. 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