{"id":42296,"date":"2017-03-16T10:46:10","date_gmt":"2017-03-16T13:46:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42296"},"modified":"2017-04-13T05:22:09","modified_gmt":"2017-04-13T08:22:09","slug":"entrevista-gloria-groove","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/16\/entrevista-gloria-groove\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gloria Groove"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As drag queens est\u00e3o conquistando cada vez mais espa\u00e7o na m\u00eddia \u2013 desde hits radiof\u00f4nicos at\u00e9 participa\u00e7\u00f5es nas novelas da Globo. Figuras marginais da noite, elas agora come\u00e7am a desbravar novos espa\u00e7os, sem a necessidade de concess\u00f5es. Sua arte \u00e9 por si s\u00f3 contestadora e an\u00e1rquica e \u00e9 nesse mar que Gloria Groove navega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Groove teve singles de sucesso lan\u00e7ados em 2016 e chegou a participar de um dos quadros do Amor &amp;Sexo, programa de Fernanda Lima na Rede Globo. Este ano saiu seu primeiro disco, \u201cO Proceder\u201d, trabalho que nasce no rap, mas que se embrenha por m\u00faltiplos g\u00eaneros, flertando at\u00e9 mesmo com o pagode rom\u00e2ntico. Entre samples e memes, Gloria cria um trabalho que busca essa conex\u00e3o estreita com a cena drag de S\u00e3o Paulo, vide seus clipes, que re\u00fanem artistas como Ikaro Kadoshi, Alexia Twister, Aretuza Lovi, entre outros; mesmo assim ela mant\u00e9m um frescor e uma for\u00e7a capazes de se comunicarem com um p\u00fablico amplo pelo Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De uma inf\u00e2ncia musical, em que chegou a integrar uma forma\u00e7\u00e3o do Bal\u00e3o M\u00e1gico, Gloria seguiu os caminhos mais distintos para uma crian\u00e7a daquelas que cantava no Raul Gil. Com orgulho e respeito por sua carreira, a artista nos conta abaixo um pouco sobre sua hist\u00f3ria, seu processo criativo e sobre a arte drag. Confira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eYU-oXjIlus?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea come\u00e7ou a se montar h\u00e1 pouco tempo, se assim podemos dizer, e isso veio ap\u00f3s o programa RuPaul\u2019s Drag Race. Voc\u00ea considera a popularidade do programa como um propulsor tanto da arte drag como da sua pr\u00f3pria carreira?<\/strong><br \/>\nSem sombra de d\u00favidas! O impacto do trabalho de RuPaul Charles mudou n\u00e3o s\u00f3 a minha vida, mas a de muitos jovens no mundo todo. Talvez se n\u00e3o existisse o fen\u00f4meno do programa, eu nem estivesse aqui!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na sua hist\u00f3ria, voc\u00ea participou de programas como o do Raul Gil e at\u00e9 fez parte da nova forma\u00e7\u00e3o do Bal\u00e3o M\u00e1gico, em 2002. Como essas experi\u00eancias profissionais na sua inf\u00e2ncia influenciam na sua carreira art\u00edstica hoje?<\/strong><br \/>\nAinda sou diretamente influenciada pela minha hist\u00f3ria de amor com o palco desde os sete anos de idade, a paix\u00e3o e a vontade de cantar pra muita gente continuam as mesmas. Tenho muita sorte de ter constru\u00eddo muito cedo uma conex\u00e3o com o lugar que hoje \u00e9 o meu ambiente de trabalho &#8211; mesmo que hoje eu execute de forma completamente diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sua carreira musical \u00e9 muito focada no rap, um universo distinto daquilo que se associou a cultura gay, que seriam apenas o eletr\u00f4nico e o pop. Voc\u00ea consegue perceber algum momento em que voc\u00ea disse \u201cok, vou cantar rap\u201d?<\/strong><br \/>\nO assimilar das refer\u00eancias pra mim acontece muito naturalmente, ent\u00e3o venho carregando comigo desde a pr\u00e9-adolesc\u00eancia o interesse pelo hip-hop e pela capacidade de rimar. O que me libertou na verdade a ponto de realmente faz\u00ea-lo e aprimorar cada vez mais, foi a aproxima\u00e7\u00e3o com a cultura drag. Percebi que montada me sentia livre de amarras e da necessidade de me esconder por ser como eu sou. Com isso veio a necessidade de me expressar atrav\u00e9s das letras, e consequentemente a vontade de agregar o rap a isso &#8211; tamb\u00e9m uma contracultura, marginalizada e feita em sua maioria por pessoas negras e latinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O rap tem uma constru\u00e7\u00e3o muito baseada em colagens, samples, refer\u00eancias, algo que aparece de forma muito forte no seu disco de estreia. Como voc\u00ea colhe essas influ\u00eancias? Como elas acabam nas suas composi\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nPor mais clich\u00ea que seja a frase, \u00e9 real e oficial, &#8220;tudo me inspira&#8221;. Desde uma situa\u00e7\u00e3o corriqueira, passando por sentimentos que tento decifrar, at\u00e9 um simples meme de internet&#8230; tento deixar fluir e garantir que o resultado final seja a minha cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dentro desse mesmo conceito de refer\u00eancias e samples, como voc\u00ea lida com essa quest\u00e3o de se apropriar do trabalho dos outros, isto \u00e9, o famoso \u201cvou samplear, vou te roubar\u201d. Voc\u00ea chegou a refletir sobre isso durante a produ\u00e7\u00e3o? Como ficam os cr\u00e9ditos de todas essas pessoas que tamb\u00e9m, de algum modo, formam a sua produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEstamos vivendo na era onde algumas coisas que escutamos s\u00e3o verdadeiros &#8216;frankenstein.mp3&#8217;, com peda\u00e7os e recortes de tudo um pouco. Isso, pode-se dizer, \u00e9 o produto inevit\u00e1vel do famoso &#8216;nada se cria, tudo se copia&#8217;, mas apesar de ser consciente disso, acredito que usada do jeito certo, uma refer\u00eancia externa pode com certeza funcionar e ainda carregar autenticidade de quem reproduz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser uma drag vinda da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, que fala sobre problemas de seu pr\u00f3prio universo de forma corajosa e que busca trazer uma uni\u00e3o da cena demanda uma atitude de muita for\u00e7a, n\u00e3o \u00e9? Voc\u00ea percebe isso como um trabalho pesado, de enfrentar todas essas barreiras cotidianamente? E como a resposta do p\u00fablico tem influ\u00eancia nisso tudo?<\/strong><br \/>\nA luta \u00e9 di\u00e1ria pra que a gente consiga se unir e originar a nossa for\u00e7a dessa uni\u00e3o. O mundo nem sempre est\u00e1 preparado pro que temos a dizer, e ainda lidamos com muitos desencontros dentro do nosso pr\u00f3prio c\u00edrculo. A m\u00fasica me ajuda e me conforta ao imaginar que possa estar sendo tocada em qualquer lugar, a qualquer momento, e a possibilidade de que fa\u00e7a alguma diferen\u00e7a. \u00c9 da\u00ed que tiro minha for\u00e7a, \u00e9 claro, por conta do feedback dos f\u00e3s que s\u00e3o quem realmente faz o nosso trampo acontecer. Eles \u00e9 que sabem como a nossa viv\u00eancia \u00e9 parecida, e que mesmo assim temos tantos motivos pra levantar a cabe\u00e7a, sorrir e seguir quebrando paradigmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A arte drag no Brasil est\u00e1, aos poucos, saindo daquele aspecto apenas de marginalidade que muitas artistas tanto enfrentaram nos anos 1990 e 2000, como voc\u00ea percebe esse novo espa\u00e7o que est\u00e1 se formando? E quais s\u00e3o os passos que voc\u00ea acredita serem necess\u00e1rios para que esse trabalho seja ainda mais valorizado?<\/strong><br \/>\nProcuro sempre me informar sobre a hist\u00f3ria da arte drag no meu pa\u00eds, justamente pra n\u00e3o me esquecer nunca de tudo que aconteceu pra que hoje pud\u00e9ssemos desenvolver nosso trampo com tanta excel\u00eancia e principalmente espa\u00e7o. Uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 acontecendo quando voc\u00ea se d\u00e1 conta de que estamos come\u00e7ando a olhar para a figura drag como uma estrela em potencial, n\u00e3o como motivo de chacota e\/ou gancho para piada. Muito desse novo momento deve-se tamb\u00e9m \u00e0 discuss\u00e3o de g\u00eanero e sexualidade, que se torna mais presente nas discuss\u00f5es em fam\u00edlia, escola e entre amigos, gerando assim mais entendimento e aceita\u00e7\u00e3o da sociedade quanto ao nosso verdadeiro papel na cena art\u00edstica &#8211; e no meu caso, no mercado fonogr\u00e1fico. Nossas pr\u00f3ximas conquistas s\u00e3o empenhadas em edificar o &#8220;imp\u00e9rio&#8221; que j\u00e1 estamos fundando, provando nosso valor atrav\u00e9s de trabalho bem feito e impacto social-pol\u00edtico, que \u00e9 o que torna esse momento t\u00e3o especial. Viva \u00e0 arte drag, viva a comunidade LGBT, viva a m\u00fasica brasileira e a express\u00e3o art\u00edstica!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BPfO6WKr8fs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\">You! Me! Dancing!<\/a> e Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre samples e memes, Gloria Groove cria um trabalho que busca essa conex\u00e3o estreita com a cena drag de S\u00e3o Paulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/16\/entrevista-gloria-groove\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":42297,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1780],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42296"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42296"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42298,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42296\/revisions\/42298"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}