{"id":42281,"date":"2017-03-14T17:21:17","date_gmt":"2017-03-14T20:21:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42281"},"modified":"2017-04-10T19:08:07","modified_gmt":"2017-04-10T22:08:07","slug":"conexao-latina-edu-schmidt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/14\/conexao-latina-edu-schmidt\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Latina: Edu Schmidt"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 10 anos, o m\u00fasico argentino Edu Schmidt fazia parte do \u00c1rbol, uma banda que estava em seu auge. O grupo viera do underground, ganhou respeito do p\u00fablico independente e dos roqueiros, explodiu a ponto de virar sucesso entre crian\u00e7as (basta ver o p\u00fablico presente no DVD ao vivo \u201cMiau!\u201d, de 2006) sem alienar totalmente os f\u00e3s adultos. Para efeitos de compreens\u00e3o, pense em algo como o estouro da Blitz no come\u00e7o dos anos 80. E foi nesse momento de pico comercial que Schmidt deixou a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O baque n\u00e3o foi pequeno para os integrantes remanescentes, que recrutaram um psic\u00f3logo para ajuda-los no processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o que resultou em \u201cHormigas\u201d (2007), o primeiro \u00e1lbum sem seu principal compositor. Apesar do resultado musical agrad\u00e1vel, a banda decaiu em popularidade e seu \u00faltimo suspiro foi o pavoroso \u201cNo Me Etiquetes\u201d (2009). Em paralelo a isso, Edu se lan\u00e7ava em carreira solo, assumia mais trabalhos como produtor fonogr\u00e1fico, participava de grava\u00e7\u00f5es de outros artistas e at\u00e9 se jogou no estudo profissional de gastronomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo desses 10 anos, que ele define como \u201cuma busca sem fim por autoconhecimento\u201d, resultou em can\u00e7\u00f5es confessionais e diretas, embaladas no estabelecimento de sua identidade musical que tamb\u00e9m \u00e9 parte dessa busca. Assim, \u201cEl Silencio Es Salud\u201d (2009) ainda trazia elementos de punk e indie rock que eram comuns \u00e0 sua antiga banda, mas tamb\u00e9m permitiam espa\u00e7o para ska ou arranjos mais delicados. Essa delicadeza foi potencializada no excelente \u201cChocho!\u201d (2013), um disco onde elementos do folclore e da can\u00e7\u00e3o popular argentina predominam. O ano de 2017 apresenta sua terceira cria, \u201cLoco!\u201d, que faz a ponte entre os mundos de seus antecessores de forma bastante exitosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos dias antes de lan\u00e7ar \u201cLoco!\u201d, Schmidt atendeu ao Scream &amp; Yell por Skype. Na longa conversa, falou muitas vezes do compromisso que assumiu consigo pr\u00f3prio de conhecer e respeitar a sinceridade de suas vontades. Avesso aos ditames da vida rockstar, aproveitou as economias feitas na \u00e9poca do sucesso massivo para estabelecer as bases da sua vida atual, na qual excursiona muitas vezes sem sua banda \u201cporque \u00e9 a maneira mais econ\u00f4mica\u201d, ou viajando com os m\u00fasicos em seu pr\u00f3prio carro, sem roadies ou assistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora tenha feito seu primeiro disco por crowdfunding, abandonou as plataformas de financiamento coletivo \u201cporque nem eu nem meus apoiadores tinham cart\u00e3o de cr\u00e9dito\u201d. Hoje, eventuais apoios s\u00e3o pedidos diretamente pelo Facebook \u2013 ali\u00e1s, \u00e9 o pr\u00f3prio Edu quem maneja suas contas nas redes sociais, sua p\u00e1gina no Bandcamp (todos os seus discos est\u00e3o dispon\u00edveis na modalidade pago quanto quiser: <a href=\"https:\/\/eduschmidt.bandcamp.com\" target=\"_blank\">https:\/\/eduschmidt.bandcamp.com<\/a>) e seu site oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se pensarmos bem, d\u00e1 para dizer que Edu est\u00e1 mais punk que nunca: o \u201cfa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo\u201d \u00e9 indissoci\u00e1vel da maneira como conduz sua carreira e grava seus discos. E, de fato, em \u201cLoco!\u201d h\u00e1 reminisc\u00eancias dos tempos punk, seja no tango \u201cCemento\u201d ou nas disparadas de \u201cCaer\u201d. Por\u00e9m, h\u00e1 muito mais que isso: a influ\u00eancia da new wave argentina em \u201cSi Salgo\u201d e \u201cPasa\u201d, o folk feliz de \u201cArriba el Sol\u201d, a orquestra\u00e7\u00e3o camer\u00edstica de \u201cQuien Era Yo\u201d, a balada \u201cNavidad\u201d e a dolorida simplicidade de \u201cPez Volador\u201d (com a voz de Sebasti\u00e1n Teysera, da uruguaia La Vela Puerca, acentuando a dureza do sentimento da letra). S\u00e3o todos reflexos musicais de quem parece viver sabendo que o risco, mesmo quando concretizado, vale mais a pena que a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2wx5ohbibXY?start=4&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que esse novo disco, \u201cLoco!\u201d, se difere dos anteriores? \u201dEl Silencio Es Salud\u201d tinha uma conex\u00e3o \u2013 pequena, mas tinha \u2013 com o que voc\u00ea fazia no \u00c1rbol. \u201cChocho!\u201d apresentava outra proposta mel\u00f3dica e po\u00e9tica, mais madura e pr\u00f3xima do folclore. O que vem agora?<\/strong><br \/>\nEsse segue o caminho de autoconhecimento que venho percorrendo, de ir me encontrando atrav\u00e9s das can\u00e7\u00f5es. Tenho 43 anos, e h\u00e1 25 gravo discos e can\u00e7\u00f5es. Estou o tempo todo me questionando se devo continuar ou n\u00e3o, buscando fazer isso de uma maneira que me traga prazer. Porque se n\u00e3o me divirto [fazendo isso], me parece claro que quem escuta n\u00e3o vai apreciar tamb\u00e9m. H\u00e1 um monte de m\u00fasicos de quem gosto que n\u00e3o sabem nem o nome dos acordes que est\u00e3o tocando, mas que tem algo na maneira em que tocam que me d\u00e1 mais vontade de escut\u00e1-los do que a algu\u00e9m que estudou em conservat\u00f3rio. Em \u201cChocho!\u201d, quando eu abria uma faixa para mix\u00e1-la, havia como que umas 100 pistas de violinos, charangos, o que fosse. Era dif\u00edcil andar com essa mixagem, cada vez que ia pegar uma dessas faixas, eu pensava: \u201cIsso \u00e9 uma maluquice\u201d. E logo depois pensava: \u201cN\u00e3o, tudo aqui \u00e9 can\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 um trabalho louco\u201d. Por isso pensei que o disco seguinte teria que ser louco, teria que ser o contr\u00e1rio do que habitualmente fa\u00e7o. As can\u00e7\u00f5es est\u00e3o fechadas, t\u00eam letra definida, a melodia redonda. Enquanto posso passar meses ensaiando com um artista que estou produzindo, decidi fazer meu disco em quatro dias: juntei a banda que toca comigo ao vivo, passei as can\u00e7\u00f5es e ensaiamos na quinta e sexta, 12 horas por dia, e no s\u00e1bado e domingo j\u00e1 est\u00e1vamos gravando as bases. N\u00e3o sab\u00edamos o que iria sair. Sa\u00edram coisas simples, com cara de banda de rock, mas passei os tr\u00eas meses seguintes sozinho adicionando outros instrumentos e refazendo os arranjos. Quando foi a hora de ensaiar para a turn\u00ea que vem agora, alguns m\u00fasicos nem reconheciam mais as can\u00e7\u00f5es de t\u00e3o diferente que elas estavam [em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base gravada nas primeiras sess\u00f5es]. Quem sempre gravava os violinos era eu, e para este disco chamei um amigo violinista do Teatro Col\u00f3n \u2013 um cara muito bom, tecnicamente superior a mim \u2013 e me liberei de tocar violino. Ele levou o som do violino \u00e0 outra dimens\u00e3o, est\u00e1 tudo orquestrado, n\u00e3o est\u00e1 com o som que me \u00e9 caracter\u00edstico no instrumento. N\u00e3o \u00e9 que voc\u00ea v\u00e1 escutar algo como Debussy um Brahms: s\u00e3o can\u00e7\u00f5es simples e diretas, mas atr\u00e1s delas tem esse trabalho. Tamb\u00e9m cruzei com um amigo que toca clarinete e o convidei para experimentar no disco. \u00c9 um instrumento que n\u00e3o se usa no rock, e que deixou sua marca no disco. Por isso que o disco \u00e9 \u201cLoco!\u201d, que a foto de capa sou eu de cabe\u00e7a para baixo. Eu n\u00e3o escuto meus discos: eu os termino e entrego para as pessoas. Mas esse estou ouvindo diariamente, gosto dele. Soa como se fosse de uma pessoa que n\u00e3o eu mesmo (risos),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou que esse disco segue um caminho rumo ao autoconhecimento. Na sua carreira solo, isso ficou expl\u00edcito. O \u201cChocho!\u201d, inclusive, \u00e9 um disco brutal na parte l\u00edrica, porque est\u00e1 tudo ali na cara, te mostra vulner\u00e1vel. Se o disco \u00e9 \u201cpara as pessoas\u201d, e n\u00e3o seu, como voc\u00ea acabou de dizer, de que modo voc\u00ea combina essa quest\u00e3o t\u00e3o \u00edntima com a rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nV\u00e1rias quest\u00f5es me ocorrem. Na minha vida pessoal, sou bastante t\u00edmido e introvertido. Sou bem o tipo de cara que fica em casa lendo, n\u00e3o escuto m\u00fasica. Sou um urso hibernando. Atrav\u00e9s das can\u00e7\u00f5es pude me conectar com o mundo. Sem elas, n\u00e3o teria feito muito contato. Aos 15 anos comecei a escrever, e depois passei a fazer m\u00fasica. Escrever can\u00e7\u00f5es foi a maneira de juntar as duas coisas, m\u00fasica e letra. Por\u00e9m, basicamente sou um escritor que n\u00e3o lan\u00e7a livros, mas discos. Para mim isso \u00e9 muito importante \u2013 estamos falando e interagindo agora porque estou lan\u00e7ando um disco. \u00c9 isso que me salva um pouco de ser um antissocial. Com as can\u00e7\u00f5es, me permito liberar-me do cuidado que tenho com a minha vida pessoal. Tem toda uma viagem ao meu \u00edntimo, e n\u00e3o \u00e9 uma coisa depr\u00ea. \u00c9 uma viagem compartilhada. Por exemplo: eu queria fazer um tango, sempre quis, e fiz um em homenagem a Cemento (nota: lend\u00e1ria casa de shows de Buenos Aires, que funcionou entre 1985 e 2010 e foi essencial para o rock independente argentino). Ali foi onde crescemos, foi minha adolesc\u00eancia, e achei que fazia sentido usar o tango para falar dessa nostalgia. Na can\u00e7\u00e3o falo de Cemento e outros lugares que n\u00e3o existem mais, falo dos punks, de sair para ver os shows e voltar para casa \u00e0s sete da manh\u00e3. Se alguma vez voc\u00ea foi a Cemento, vai ouvir esse tango e sentir vontade de chorar, ent\u00e3o esse \u00e9 um exemplo: algo que me \u00e9 muito pessoal e que se conecta com todos por meio de uma can\u00e7\u00e3o. \u00c9 um tango brutal, mas tamb\u00e9m tem uma parte meio Beach Boys e&#8230; Bom, falar sobre m\u00fasica \u00e9 como dan\u00e7ar sobre arquitetura (risos). Tem que escutar para sacar. Mas o disco est\u00e1 a\u00ed para ouvir de gra\u00e7a. Admito que isso que voc\u00ea falou sobre \u201cChocho!\u201d, sobre a maturidade, est\u00e1 potencializado aqui.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bHUMouVqYYE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que outros exemplos voc\u00ea pode destacar nesse aspecto?<\/strong><br \/>\nTem uma can\u00e7\u00e3o que \u00e9 a mais triste que j\u00e1 escrevi, \u201cNavidad\u201d, sobre uma amiga cujos pais se foram da Argentina, e ela convive com uma das mais alegres que j\u00e1 fiz, que \u00e9 \u201cCaer\u201d. Trata-se de um hino \u00e0 queda, diz que voc\u00ea pode curtir enquanto cai. Porque a sociedade diz que voc\u00ea s\u00f3 tem que subir, subir e subir. Mas ningu\u00e9m te avisa que depois de subir voc\u00ea tem que cair, \u00e9 simplesmente a lei da gravidade. Jorge Serrano, dos Autenticos Decadentes (veterana banda que combina musica popularesca e rock), \u00e9 o cantor convidado da can\u00e7\u00e3o, e ele para mim est\u00e1 no mesmo n\u00edvel de Charly Garc\u00eda e [Luis Alberto] Spinetta, que consegue fazer letras superfilos\u00f3ficas na m\u00fasica popular, \u00e9 um her\u00f3i musical. Nesse disco, a alegria \u00e9 muito alegre e a tristeza, muito profunda. \u00c9 um disco emotivo, e de uma emo\u00e7\u00e3o compartilhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curioso voc\u00ea falar da queda. Voc\u00ea optou por sair do \u00c1rbol quando a banda estava no auge. Sei que isso j\u00e1 faz tempo, mas n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o pensar que essa can\u00e7\u00e3o, \u201cCaer\u201d, possa ser uma refer\u00eancia a isso, j\u00e1 que voc\u00ea voluntariamente abriu m\u00e3o do sucesso massivo que a sociedade nos empurra como objetivo maior.<\/strong><br \/>\nSim, tem um pouco a ver. Desde que sa\u00ed do \u00c1rbol, a tem\u00e1tica das minhas can\u00e7\u00f5es \u00e9 me encontrar, descobrir prazer nas coisas. \u00c9 uma busca que n\u00e3o est\u00e1 100% clara. Sempre fiz o que tive vontade, mas em alguns momentos eram vontades artificiais, e foi necess\u00e1rio deix\u00e1-las de lado. Disso eu me sinto orgulhoso: al\u00e9m das can\u00e7\u00f5es, isso tem a ver com o papel social que temos como \u2013 digamos \u2013 \u201cartistas\u201d. A mensagem n\u00e3o est\u00e1 apenas no que voc\u00ea diz nas can\u00e7\u00f5es, mas em como voc\u00ea diz, em quais lugares escolhe dizer e onde n\u00e3o dizer&#8230; \u00c9 como o diretor de cinema que sabe que \u00e0s vezes o mais importante \u00e9 o que n\u00e3o coloca no filme. Deixar o \u00c1rbol foi uma decis\u00e3o art\u00edstica e social: uma mensagem para minha filha e para meu eu futuro. Agora quando tenho medo de fazer alguma coisa, eu penso: \u201cMaluco, voc\u00ea j\u00e1 saiu do \u00c1rbol, da seguran\u00e7a econ\u00f4mica, de um futuro assegurado. Agora voc\u00ea vai ter medo do que? De dizer a uma mulher que gosta dela? De tomar uma decis\u00e3o de trabalho?\u201d. Paradoxalmente, abriu uma nova forma laboral: agora trabalho muito mais, mas estou desenvolvendo muitas outras coisas. Fa\u00e7o meus discos, fa\u00e7o trilha incidental para cinema e para televis\u00e3o. H\u00e1 um ano e meio tenho um projeto de ir \u00e0s escolas da periferia de Buenos Aires para montar bandas de rock com os alunos: em dois dias ensaiamos, aprendemos e fazemos can\u00e7\u00f5es, e depois apresentamos em um show. \u00c9 um projeto tremendo, e quero lev\u00e1-lo tamb\u00e9m a hospitais e pris\u00f5es. Quero tamb\u00e9m armar um projeto que una m\u00fasica e comida, e n\u00e3o deve demorar. Cozinhar \u00e9 minha paix\u00e3o, estou estudando gastronomia e nesse ano me formo como chef. N\u00e3o iria poder fazer nada disso se estivesse no \u00c1rbol, porque tinha que estar em uma reuni\u00e3o de bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1. Me sinto mais ocupado e mais amplo como artista. Hoje, em alguns shows, recebo o p\u00fablico com comida: passo a semana preparando algum prato e sirvo no show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00e1 a\u00ed algo realmente diferente.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sou o mesmo artista se n\u00e3o fa\u00e7o isso. N\u00e3o \u00e9 por uma quest\u00e3o de marketing, \u00e9 por me mostrar como sou. E sou assim. Se voc\u00ea \u00e9 um amigo meu e vem \u00e0 minha casa, sempre vou te receber com comida. Por isso fa\u00e7o isso nos shows.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/21J-FomNQHA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa atitude dialoga com um desejo de deixar as coisas mais \u201ccaseiras\u201d, mais dom\u00e9sticas, que voc\u00ea apresenta no seu perfil do Facebook e mesmo em algumas can\u00e7\u00f5es. Existe um acolhimento e uma busca por uma realidade melhor a partir dos pequenos aspectos da vida.<\/strong><br \/>\nDe fato. Procuro trazer coisas diferentes da realidade, pois vivemos uma realidade muito violenta. Isso \u00e9 uma coisa que aprendi lendo coisas de Paul McCartney, que n\u00e3o \u00e9 meu beatle favorito \u2013 esse seria o John Lennon (ri). Paul McCartney dizia que ao fim de cada m\u00fasica sua a pessoa tinha que estar melhor do que estava antes de ouvir. Isso n\u00e3o era, para ele, algo ing\u00eanuo e sim uma busca consciente e adulta. O cotidiano \u00e9 uma luta que n\u00e3o pode ser vencida, ent\u00e3o se voc\u00ea vai tentar mudar o mundo com uma can\u00e7\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o consiga. Nesse copo de \u00e1gua que voc\u00ea tem a\u00ed na sua frente j\u00e1 existe um mundo enorme que n\u00e3o vemos e n\u00e3o entendemos. Ent\u00e3o o mundo \u00e9 muito grande para que uma can\u00e7\u00e3o o transforme. Mas que em algum momento uma can\u00e7\u00e3o te toque, e a letra fa\u00e7a voc\u00ea tomar uma atitude que modifique sua vida, a\u00ed sim. Nem que sejam s\u00f3 por aqueles tr\u00eas minutos que voc\u00ea passou se sentindo bem, deixando de lado o celular e o impacto da realidade. Minha vit\u00f3ria passa por a\u00ed: dizer de modo simples e que todo mundo entenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse aspecto mais local, caseiro, vejo um paralelo entre seu trabalho e o de Arnaldo Antunes. Quando ele saiu dos Tit\u00e3s, a banda ainda tinha respeito e presen\u00e7a comercial. Mas ele saiu para fazer as coisas que ele queria, mais plurais em linguagens e diferentes do que a banda vinha fazendo. Al\u00e9m disso, ele tem muitas can\u00e7\u00f5es sobre lar, fam\u00edlia, lazer&#8230;<\/strong><br \/>\n(sorri) Quando montamos o \u00c1rbol h\u00e1 20 anos, foi proposital que coloc\u00e1ssemos dois vocalistas. T\u00ednhamos um conhecido que sabia muito de m\u00fasica brasileira e ele nos mostrou v\u00eddeos dos Tit\u00e3s, com todos aqueles vocalistas saltando&#8230; Foi uma influ\u00eancia de som e de visual. Quando eu estava deixando a banda, em algum momento me lembrei de Arnaldo Antunes, cheguei a ir a um show, conheci seus livros de poesia&#8230; Ele faz o que tem vontade. N\u00e3o \u00e9 uma referencia que tenho diariamente [para minha m\u00fasica], mas a cada tanto me acontece algo que me faz lembrar dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com os demais integrantes do \u00c1rbol?<\/strong><br \/>\nTivemos uma reuni\u00e3o n\u00e3o faz muito tempo, e nos contamos o que fizemos durante esses oito ou nove anos \u2013 alguns eu n\u00e3o via durante esse tempo todo. Foi bom para retomar contato. Em algum momento, Pablito, de um modo que \u00e9 muito particular a ele, tocou a campainha da minha casa, e foi como um pre\u00e2mbulo disso tudo. O engra\u00e7ado \u00e9 que eu estava no meio de uma produ\u00e7\u00e3o, e os m\u00fasicos que estavam ali ensaiando ficaram com cara de quem estava vendo um encontro hist\u00f3rico (risos). \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o complexa. Por sorte, nem eu nem eles ficamos falando mal um do outro, ficou claro que a sa\u00edda foi uma decis\u00e3o minha e a bronca ou o mal-estar que podem chegar a existir, como existe em qualquer div\u00f3rcio, sempre foram tratados com educa\u00e7\u00e3o e respeito. Obviamente aconteceram coisas, em qualquer separa\u00e7\u00e3o se quebram pratos. Para eles levou muitos anos, mas acho que est\u00e3o come\u00e7ando a entender minha decis\u00e3o (risos). \u00c9 uma banda super importante para a historia do rock da Argentina, e continua viva \u2013 can\u00e7\u00f5es como \u201cEl Fantasma\u201d se ensina nos col\u00e9gios, faz parte do repert\u00f3rio de quase todo mundo que est\u00e1 come\u00e7ando a tocar viol\u00e3o. Isso tamb\u00e9m acontece em outros pa\u00edses latino-americanos, pelo que sei. Principalmente no Paraguai. Eu continuo tocando as can\u00e7\u00f5es \u2013 elas fazem parte do meu repert\u00f3rio. Mas digamos que a banda \u00e9 uma ex-namorada. (Nota: Pablo Romero inclusive voltaria a dividir vocais com Edu em \u201cContra Viento y Marea\u201d, can\u00e7\u00e3o que encerra \u201cChocho!\u201d)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8Ct5KTM-A_c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como produtor, voc\u00ea tem que entrar no mundo do artista que te convidou ou contratou. Ao mesmo tempo, tem que fazer a identidade dele sobressair, e n\u00e3o a sua \u2013 ainda que, evidentemente, voc\u00ea tenha sua personalidade na produ\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea obt\u00e9m esse equil\u00edbrio?<\/strong><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 muito complexa. Com [Gustavo] Santaolalla, que era produtor do \u00c1rbol (e de artistas de sucesso, como La Vela Puerca, Molotov, Bersuit Vergarabat e outros) aprendi que h\u00e1 duas partes: a profissional e a afetiva. Na profissional, trato de encontrar o que para mim \u00e9 o mais representativo no grupo, e \u00e0s vezes o pr\u00f3prio grupo n\u00e3o se d\u00e1 conta. Eu s\u00f3 entendi minhas can\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do olhar do Santaolalla sobre elas: com os sublinhados dele, com o que ele deixava fora e o que deixava dentro, foi assim me conheci, e trato de fazer isso [como produtor]. Em um primeiro momento, busco que o artista conhe\u00e7a a si mesmo a partir de suas can\u00e7\u00f5es. Depois, ao contr\u00e1rio de outros produtores, posso partir para o embate, uma luta dial\u00e9tica mesmo: eu te desafio, voc\u00ea me desafia, e assim sucessivamente, mando ideias, n\u00e3o sou um produtor passivo. Al\u00e9m disso, durante aqueles tr\u00eas ou quatro meses me torno um integrante a mais na banda, compartilhando tudo. Sei tudo sobre o disco: os arranjos, as harmonias, as letras. Conhe\u00e7o mais dos artistas que produzo do que dos grandes que me influenciaram. Quando produzo, sou um m\u00fasico a mais e sinto que, ao final, esses discos s\u00e3o meus tamb\u00e9m. Imagina a diferen\u00e7a que isso representa: como artista solo, lan\u00e7ou um disco a cada tr\u00eas ou quatro anos, mas como produtor s\u00e3o tr\u00eas, quatro discos por ano! Abre demais a cabe\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quando voc\u00ea \u00e9 um m\u00fasico convidado? Qual \u00e9 seu aporte?<\/strong><br \/>\nA\u00ed, at\u00e9 por uma quest\u00e3o de tempo, o artista vem, me diz o que quer e rapidinho gravamos. \u00c9 isso. Se tenho tempo, sou muito aberto para ir al\u00e9m. Posso at\u00e9 fazer tudo, porque tenho um pequeno est\u00fadio na minha casa, e a\u00ed se chegar algu\u00e9m, mesmo que um artista desconhecido, podemos chegar, conversar e fazer algo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/B_1_34S4Pv4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesses anos todos que est\u00e1 produzindo, tem algum trabalho que te agrada mais?<\/strong><br \/>\nV\u00e1rios. H\u00e1 alguns que me deixam orgulhoso pelo sucesso que tiveram. \u201cSin Restricciones\u201d, o disco mais famoso do Miranda (nota: banda de electropop indie que saltou \u00e0 massividade com o \u00e1lbum em quest\u00e3o), foi um estouro. Na \u00e9poca (2004), eles eram uma banda que levavam umas 50 pessoas aos bares mais glamorosos da capital [Buenos Aires] e depois se tornaram um sucesso em toda a Am\u00e9rica Latina. Obviamente algo coincide para que o artista esteja em aquele momento criativo, mas era o segundo disco que eu fazia \u2013 o primeiro foi o dos Los Tipitos [\u201cVintage\u201d, de 2001], que agora tamb\u00e9m s\u00e3o importantes, mas na \u00e9poca tocavam nas ruas e nos \u00f4nibus, mal se apresentavam em bares. Depois desse disco, eles passaram a lotar shows em Cemento. Esses dois discos, ali\u00e1s, produzi com Pablito (Pablo Romero, o outro vocalista do \u00c1rbol). Houve outras coisas tamb\u00e9m, como um grupo chamado Semilla, de folclore. O disco que eu, Pablito e Santaolalla produzimos para eles (hom\u00f4nimo, de 2007) foi muito emblem\u00e1tico para as bandas do novo folclore argentino, principalmente para aquelas que misturam o estilo com rock. Gravamos com os viol\u00f5es atr\u00e1s, baterias \u00e0 frente, mixamos em Los Angeles&#8230; N\u00e3o foi um disco t\u00e3o massivo, mas pegou forte com os artistas do folclore. Tamb\u00e9m tem o disco que fiz para Los Caligaris [\u201cBailar\u00edn Apocal\u00edptico\u201d, de 2011], que n\u00e3o eram t\u00e3o conhecidos quando os produzi. S\u00e3o uma banda de cuarteto cordob\u00eas (estilo musical popular caracter\u00edstico da prov\u00edncia de C\u00f3rdoba), que fazem m\u00fasica para dan\u00e7ar, com piadas. Eles t\u00eam umas can\u00e7\u00f5es incr\u00edveis, com rock, arranjos de metais lindos, dos quais estou muito orgulhoso. Se continuamos falando, vou me lembrar de mais coisas, porque \u00e0s vezes me recordo de uma can\u00e7\u00e3o de algum trabalho que participei e sempre me d\u00e1 muita alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parece que Santaolalla foi uma influ\u00eancia muito grande para voc\u00ea, como pessoa e como m\u00fasico. Na \u00e9poca de \u201cEl Silencio Es Salud\u201d, voc\u00ea comentou muitas vezes do apoio que ele te deu para que voc\u00ea se lan\u00e7asse solista.<\/strong><br \/>\nNa verdade, antes de lan\u00e7ar esse disco, tivemos uma reuni\u00e3o, e acredito que ele preferiria que eu tivesse permanecido no \u00c1rbol. Mas sim, eu estava lhe mostrando as can\u00e7\u00f5es ainda em demo, e ele me dizia que elas tinham muito mais potencial. Ele me incentivou para melhor\u00e1-las, para que eu entregasse um disco melhor do que eu havia lhe mostrado. Ele \u00e9 um sujeito que p\u00f5e muita press\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, e mobiliza tudo para que a coisa cres\u00e7a. Rec\u00e9m terminei de ler uma biografia de Steve Jobs e houve muitos trechos que me fizeram recordar de Santaolalla. Ele n\u00e3o precisa estar todo o tempo ali. S\u00e3o duas ou tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es, mas s\u00e3o vitais. Um olhar que ele te d\u00e1 \u00e9 certeiro. J\u00e1 n\u00e3o trabalho com ele h\u00e1 alguns anos, e isso foi pouco como um adolescente que sai de casa para fazer as coisas por si pr\u00f3prio (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gGuq0VUuaX8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse a pouco que n\u00e3o escuta m\u00fasica em casa. Ainda assim, queria saber se tem algum artista que voc\u00ea ouviu nos \u00faltimos cinco anos, na estrada ou no r\u00e1dio, que te chamaram a aten\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nSim, tem muitas! Tem muitas coisas legais aqui. Uma que gosto muito j\u00e1 tem, acho, uns oito anos, que \u00e9 o Kumbia Queers (nota 10 anos, na verdade). Gosto do som e da est\u00e9tica. Tamb\u00e9m adoro o El Mat\u00f3 a Um Policia Motorizado \u2013 ok, eles j\u00e1 t\u00eam v\u00e1rios anos nas costas. Tem o LeonChalon, uma banda de reggae t\u00edpica \u2013 s\u00e3o uns 10 ou 12 caras (nota: oito, na realidade), que detonam ao vivo. Gosto do P\u00e9rez, uma banda de La Plata que \u00e9 meio garage e tem letras \u00f3timas. Escuto muita m\u00fasica, na verdade \u2013 quando cozinho (risos) ou quando estou no carro. Mas n\u00e3o escuto a mesma quantidade que escutava antes, como na \u00e9poca de Cemento, em que sentia que qualquer banda nova podia detonar tua cabe\u00e7a. Talvez seja algo da idade, tamb\u00e9m, porque tem estudos que dizem que, depois dos 30, voc\u00ea dificilmente forma gostos novos. Porque se \u00e9 para por algo, ponho Bob Marley, \u00e9 o primeiro que vejo. Me faz bem. N\u00e3o sei nem o que dizem as letras (risos), mas acho muito bom. Pelo est\u00e9tico, pode ser que eu v\u00e1 escutar Beatles, mas por prazer, \u00e9 Bob Marley, que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 aqui h\u00e1 quase 40 anos e continua sendo impressionante. E tamb\u00e9m o que veio depois: Mano Negra, Manu Chao, Clash&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e1 a divulga\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nSei que esse vai ser um ano complicado. Argentina, assim como Brasil, est\u00e1 em um momento dif\u00edcil. Excursiono com a banda ou sozinho, mas tem muitos lugares fechando, e outros n\u00e3o te d\u00e3o nem a grana b\u00e1sica para as despesas de chegar at\u00e9 l\u00e1. Mas sei que vou tocar muito. O ideal seria fazer todos os shows com a banda, mas acredito que vou ter que fazer muitos solos e levar discos, levar discos, levar discos! Porque vendo discos nos shows! Uns 15, 20, por show. Foram 4 mil c\u00f3pias de \u201cChocho!\u201d s\u00f3 nos shows, dando aut\u00f3grafo e posando para fotos. Estou pagando uma pessoa para ajudar com a parte de imprensa, especialmente para que o \u00e1lbum chegue \u00e0 r\u00e1dio e \u00e0 televis\u00e3o, mas nada me garante que o disco vai tocar em todos os lados. \u00c9 que esse \u00e9 um disco que tenho muita vontade de mostrar. J\u00e1 lancei discos os quais n\u00e3o tive vontade de dar entrevistas nem nada. Esse \u00e9 um disco que est\u00e1 me puxando, sei que vai ser um passo muito importante. Eu tenho uma situa\u00e7\u00e3o na qual lan\u00e7o um disco se tenho vontade; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o lan\u00e7o. N\u00e3o tenho nenhuma necessidade econ\u00f4mica ou espiritual ou seja qual for. Mas esse me ganhou. Vou fazer uma campanha para levar o disco \u00e0s casas das pessoas, um por um de cada comprador, num carro plotado, e vou eu, levando a comida \u2013 um pudim, sei l\u00e1 (risos) \u2013 ou tocando uma can\u00e7\u00e3o na casa, mas quero separar um m\u00eas para isso. Tudo ao contr\u00e1rio do que sempre fiz.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8tpxhConaNM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Tr\u00eas v\u00eddeos: Edu Schmidt ac\u00fastico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/21\/tres-videos-edu-schmidt-acustico\/\">assista aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u00c1rbol (2007): Santolalla sempre foi decisivo na hora de fazer um disco (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/01\/03\/entrevista-arbol\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Andr\u00e9 Mendes regrava &#8220;El Fantasma, do \u00c1rbol. Ou\u00e7a as duas vers\u00f5es (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/21\/somos-todos-latinos-as-cancoes-originais\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Conhe\u00e7a o tributo \u201cSomos Todos Latinos\u201d, com brasileiros gravando vers\u00f5es latinas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/17\/download-somos-todos-latinos\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se pensarmos bem, d\u00e1 para dizer que Edu est\u00e1 mais punk que nunca: o \u201cfa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo\u201d \u00e9 indissoci\u00e1vel da maneira como conduz sua carreira e grava seus discos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/14\/conexao-latina-edu-schmidt\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":42283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,1770],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42281"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42281"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42286,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42281\/revisions\/42286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}