{"id":42185,"date":"2017-02-24T21:45:02","date_gmt":"2017-02-25T00:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42185"},"modified":"2017-04-16T04:42:05","modified_gmt":"2017-04-16T07:42:05","slug":"tres-perguntas-raphael-bertazi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/24\/tres-perguntas-raphael-bertazi\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Raphael Bertazi"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\">Lucas Vieira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cinco anos que Raphael Bertazi atua como DJ. Mas foi em 2014 que ele soltou na internet \u201cEsse N\u00eago Charmoso\u201d, vers\u00e3o entre o ax\u00e9 e o tecnobrega de \u201cThis Charming Man\u201d, do The Smiths. Na capa do single, a vis\u00e3o est\u00e1tica de Compadre Washington ocupa a pose que \u00e9 de Alain Delon em \u201cThe Queen Is Dead\u201d, e cria uma ponte que extingue o abismo entre os ingleses melanc\u00f3licos e a brasilidade infind\u00e1vel do \u00c9 O Tchan e dos sintetizadores que tanto deram cara ao som da nossa m\u00fasica brega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Pirassununga, munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, o produtor musical teve destaque em 2013 no Ver\u00e3o MTV, com as vinhetas do \u201cMTV #1 \u2013 Tudo Junto e Misturado\u201d, onde apareceram at\u00e9 alguns mashups que n\u00e3o constam de seu Soundcloud. Na contagem regressiva para o carnaval, desde 2014, o DJ paulista lan\u00e7a suas inusitadas vers\u00f5es misturando m\u00fasicas pop internacionais com som brasileiro, um projeto que ele batizou de \u201cAx\u00e9 Bahindie\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/bertazi1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 fazia quatro meses que sua ent\u00e3o \u00faltima misturada \u2013 \u201cBring The News\u201d, o mashup do tema do Jornal Nacional com os rappers do Public Enemy \u2013 havia sido lan\u00e7ado quando: BOOM! Bertazi soltou os quatro Ax\u00e9 Bahindies de 2017, que est\u00e3o no auge das melhores mixagens que ele j\u00e1 fez. Se antes tivemos \u201cRepitil\u00edcia\u201d (The Strokes &amp; \u00c9 O Tchan) e \u201cWonderu\u00f3\u201d (Oasis &amp; Ivete Sangalo), agora \u00e9 a vez de \u201cRobozinho Empinadinho\u201d (Daft Punk &amp; Companhia do Pagode), \u201cC\u00e9u de London\u201d (The Clash &amp; Ivete Sangalo), \u201cO Boy Mais Belo de Todos\u201d (Beyonc\u00e9 &amp; Daniela Mercury) e \u201cMe Bota Pra Fora\u201d (Franz Ferdinand &amp; \u00c9 O Tchan).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alvo de cr\u00edticas de f\u00e3s inveterados das bandas que s\u00e3o misturadas ao Pagode e ao Ax\u00e9, mas tamb\u00e9m de elogios de nomes como Pitty, Daniela Mercury e L\u00e1zaro Ramos, entre outros, n\u00e3o h\u00e1 como negar a criatividade das misturas do DJ. Al\u00e9m disso, s\u00e3o vers\u00f5es contagiantes, muito bem humoradas e de verdadeiro bom gosto, qualidades que tamb\u00e9m aparecem em suas outras montagens. Al\u00e9m do mundo baiano do Ax\u00e9 Bahindie, o produtor faz outras misturas curiosas e ousadas: Racionais MCs com Chapolin (\u201cVoz da Ast\u00facia\u201d) e uma inesperada vers\u00e3o da Siri \u2013 Sim, aquela mesma do seu Apple \u2013 cantando Tom Jobim em \u201cGarota de Iphonema\u201d. Abaixo, Raphael Bertazi fala sobre seus Ax\u00e9 Bahindies!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/users\/6950378&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\" width=\"100%\" height=\"450\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea pensa os seus mashups? Usando um exemplo: voc\u00ea escolheu primeiro o tema do Jornal Nacional ou a m\u00fasica do Public Enemy? Existe uma ordem ou m\u00e9todo no seu processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNormalmente penso em um conceito do que misturar, tipo ax\u00e9 e indie, mas a escolha das m\u00fasicas vem na hora de fazer, porque nem sempre duas m\u00fasicas que tem pinta que v\u00e3o combinar acabam soando legal. Ent\u00e3o acabo testando v\u00e1rias. No caso do JN, comecei a picotar a vinheta j\u00e1 pesando em misturar com algum discurso mais ativista, a\u00ed nesse contexto a m\u00fasica do Public Enemy foi a que mais deu liga. O que tamb\u00e9m guia a escolha das m\u00fasicas \u00e9 a tonalidade e o \u201ctempo\u201d (velocidade\/andamento) delas, porque isso faz com que elas sejam parecidas em termos de linguagem musical e \u201cencaixem\u201d. Na edi\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e9 poss\u00edvel alterar as duas coisas, mas \u00e9 melhor perder tempo procurando m\u00fasicas que j\u00e1 sejam pr\u00f3ximas nesse sentido. Soa mais natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O pagode e de certa forma tamb\u00e9m o ax\u00e9 dos anos 1990 tem meio que voltado \u00e0 moda. N\u00e3o s\u00f3 porque as pessoas est\u00e3o ouvindo, mas est\u00e3o surgindo p\u00e1ginas com memes, camisetas, uma sorte de coisas. O que voc\u00ea acha que est\u00e1 causando esse retorno a algo que parecia ser t\u00e3o datado?<\/strong><br \/>\nQuem era crian\u00e7a nos anos 90 recebeu uma dose grande de ax\u00e9 e pagode na cabe\u00e7a. E era uma parada muito criativa, as letras, as coreografias, a banheira do Gugu. Todo mundo sabia cantar as m\u00fasicas, tocava o dia inteiro em todos os lugares. At\u00e9 hoje me pego no banheiro \u201c&#8230;psiu psiu morena linda do bumbum empinadinho&#8230;\u201d, a galera ficava dan\u00e7ando no recreio&#8230; Ent\u00e3o acho que isso ficou guardado no inconsciente dessa gera\u00e7\u00e3o e agora t\u00e1 vindo \u00e0 tona. Al\u00e9m disso, quando era crian\u00e7a, a gente n\u00e3o tinha muita mal\u00edcia pra sacar as letras, pau que nasce torto, enfim&#8230; Agora \u00e9 muito engra\u00e7ado revisitar essa fase mais psicod\u00e9lica da nossa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que devem existir complica\u00e7\u00f5es para se, por exemplo, voc\u00ea resolver lan\u00e7ar um disco. Falo por causa de quest\u00f5es de direitos autorais e outros tr\u00e2mites legais. Qual a sua opini\u00e3o sobre essa quest\u00e3o envolvendo uso de samplings, direitos de autor, relacionados ao tipo de m\u00fasica que voc\u00ea faz?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei muito sobre lei, mas acho que sim, pra lan\u00e7ar um disco eu teria que conseguir a autoriza\u00e7\u00e3o de todos os artistas que sampleei, o que n\u00e3o \u00e9 simples. O ideal seria se houvesse uma forma mais f\u00e1cil de valorizar todo mundo, os produtores e os artistas sampleados, porque esse tipo de m\u00fasica tamb\u00e9m \u00e9 autoral de alguma maneira. Samplear n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente de usar na sua m\u00fasica o timbre de guitarra ou a estrutura harm\u00f4nica de outra m\u00fasica que te influenciou. Desde sempre a m\u00fasica \u00e9 feita reinterpretando grava\u00e7\u00f5es anteriores, e dando novos significados para aquilo. Alguns artistas (Caetano Veloso, Daniela Mercury, Talking Heads, Cumpade Washington, Gaby Amarantos) j\u00e1 se manifestaram elogiando o que eu fiz com a m\u00fasica deles, e \u00e9 muito gratificante quando o pr\u00f3prio autor da m\u00fasica enxerga a mistura de forma positiva. Tem um document\u00e1rio bem legal chamado \u201cRIP! A Remix Manifesto\u201d que levanta essa discuss\u00e3o sobre sample e direitos autorais, vale a pena.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/__QquBa4T4I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Lucas Vieira (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>) est\u00e1 no \u00faltimo per\u00edodo da faculdade de jornalismo, escreve sobre m\u00fasica desde 2010 e assina o blog <a href=\"https:\/\/dizconauta.wordpress.com\/\">Dizconauta<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 cinco anos que Raphael Bertazi atua como DJ e desde 2014 que ele vem chacoalhando cora\u00e7\u00f5es com seus Ax\u00e9 Bahindies. Ou\u00e7a suas novas produ\u00e7\u00f5es!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/24\/tres-perguntas-raphael-bertazi\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":37,"featured_media":42187,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1729],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42185"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42185"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42185\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42192,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42185\/revisions\/42192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}